colunista Beatriz Prates
Jornalista
Saúde Mental

Efeito Biles – Desistência da ginasta nos liberta

A mulher mais poderosa das Olimpíadas disse não. A mulher negra que sofreu abusos, a medalhista, a insuperável, a super atleta, a super tudo, disse não. O poder desse “não” é gigantesco.
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Documentário Simone vs Herself – reprodução redes sociais

Estou de férias e passei a última semana com pouco acesso à internet e sem televisão. Fui acompanhando uns flashes de Olimpíadas quando o sinal pegava e vibrando com as medalhas brasileiras. Mas a notícia mais impactante pra mim foi a de que a ginasta Simone Biles não iria participar da disputa por equipes e, no dia seguinte, o anúncio de que ela tinha desistido também das provas individuais. Motivo? Precisava cuidar da sua saúde mental. 

A mulher mais poderosa das Olimpíadas disse não. A mulher negra que sofreu abusos, a medalhista, a insuperável, a super atleta, a super tudo, disse não. O poder desse “não” é gigantesco. É, na minha visão, uma libertação. Se a Simone Biles disse não, eu posso dizer e você também. Que alivio!

E que show em cima desses coachs e mentores da internet opressores que não deixam a gente desistir. Aqueles que querem que a gente faça sempre mais, para conseguir tudo o tempo todo: ser bem sucedido, criativo, pensar fora da caixa e etc. Às favas! Serei eternamente agradecida à Simone Biles. O que ela fez foi um grande serviço a humanidade. 

Teve gente que criticou a decisão de Biles dizendo que  “isso é coisa da geração mimimi”. Penso diferente. As novas gerações , ainda bem, trouxeram pro centro das discussões a saúde mental, a vulnerabilidade, o limite. Em suma, o que é ser humano. Temas que a minha geração aprendeu a varrer pra debaixo do tapete. Fomos ensinados a não reclamar, aguentar tudo e seguir em frente. Nada poderia nos abater na jornada. Tudo no seco. 

A decisão de Biles acaba com o “você pode tudo”.  Leva a gente a olhar pra dentro. Refletir sobre nossos sentimentos. Nossos excessos. Nossas dores. Isso não é entreguismo. No mínimo é coragem. É coragem de escolher seguir, parar se preciso. Isso sim é ser um super humano.

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