colunista Beatriz Prates
Diretora geral do MyNews

Estamos todos esgotados

Na vida pessoal e profissional, estamos todos precisando de ajuda
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Um dia desses, no meio da tarde, rolou uma bateção de porta fora do normal na minha casa. Uma, duas, três, quatro vezes. Foi o jeito que meu filho de 14 anos encontrou de pedir ajuda. Tava difícil pra ele aguentar a pressão.

Todo mundo que mora com um adolescente já percebeu o quanto esse um ano de pandemia sem perspectiva de melhora afetou o humor deles. É ansiedade em carga máxima demonstrada em ataques de raiva, frustração e desespero ou, o outro extremo, o da apatia completa. 

E não são só os adolescentes que estão vivendo nessa gangorra de emoções. O desgoverno de Jair Bolsonaro, que provoca a cada dia mais mortes no nosso país, nos deixa sem esperança. Como manter a performance no trabalho, no estudo, na vida pessoal com tanta desgraça, incompetência e maldade ao redor? A carga pesou ainda mais quando atingimos mais de 300 mil mortos causados pelo Covid-19 e começamos a assistir a morte de mais de 2 mil pessoas por dia. 

No trabalho, já recebi muitas mensagens de colegas e parceiros no meio do dia, no fim de semana,  à noite, dizendo que não estão conseguindo trabalhar. Que chegaram no limite. Que estão emocionalmente esgotados. 

Tudo isso tem a ver com o aumento de mortes e o descontrole da pandemia. Tem gente demais experimentando o luto ao mesmo tempo. E grande parte de nós, brasileiros, está com medo do que pode acontecer. Uma pesquisa do DataFolha mostrou isso: 55% dos entrevistados disseram ter muito medo.

Então, fique atento aos sinais dos seus colegas, seus amigos, seus filhos e sua família. Tente entender se aquela batida de porta ou aquela resposta torta não é um pedido de ajuda. E peça ajuda você também. Esses dias, na hora de um aperto, digitei para uma amiga: “você tem 10 minutos?”. E foi um alívio poder conversar com alguém naquele momento. 

E o que mais a gente pode fazer? Estou tentando buscar micro alegrias e fazendo pequenas mudanças no meu dia a dia. Tentando falar com amigos sobre outros temas. Dividindo qualquer coisa que dê um alívio cômico. Os vídeos no TikTok dos estudantes falando mentiras sobre o dia a dia na pandemia ao lado dos pais é uma deles. “Acordo às 5 da manhã, faço café…”. Se ainda não riu com eles, procure. Mandei pra todo mundo que podia. 

Um alívio cômico. 

Um pedido de ajuda. 

Fiquem atentos aos sinais.

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