colunista Beatriz Prates
Diretora geral do MyNews

Qual o limite entre um objetivo pessoal e o bem comum?

O show de horror da disputa pra vaga do "terrivelmente evangélico"
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Duas figuras importantes da nossa república estão numa disputa ferrenha pela próxima vaga do Supremo Tribunal Federal: o Procurador-geral da República Augusto Aras e o atual ministro da Advocacia Geral da União André Mendonça.

Os dois protagonizaram um show de horror no plenário do STF para defender a indefensável bandeira da reabertura das igrejas e templos no pior momento da pandemia no Brasil. 

Augusto Aras falou como se não houvesse mais de 3 mil mortos no nosso país todos os dias. Ele disse que “o estado é laico, mas as pessoas não são. A ciência salva vidas, a fé também”. 

André Mendonça foi pior: citou versículos da Bíblia e chegou a dizer que cristãos “estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião”. Sério, ministro? 

Os dois preferiram ignorar a situação dramática que estamos vivendo para tentar agradar ao presidente doidivanas que continua prescrevendo remédio que não funciona e fazendo campanha contra máscara e o isolamento social. 

Pegou tão mal a postura de Aras e Mendonça que a Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais defendeu que fosse criado um período de desincompatibilização, uma quarentena, para que integrantes da AGU e PGR possam ser indicados para a vaga no STF. Talvez essa fosse uma solução para impedir que desejos presidenciais fossem realizados em troca de cargos. 

Me pergunto até onde eles irão para conseguir a vaga de ministro do STF “terrivelmente evangélico” anunciada por Bolsonaro ? Quais são os limites? 

Sobre Kassio Nunes Marques 

Aras e Mendonça estão na disputa pela vaga do STF desde o início do governo. Da primeira vez foram preteridos e quem levou foi o hoje ministro Kassio Nunes Marques. 

Aliás, acredito que Bolsonaro deve estar feliz com a escolha. Primeiro o ministro decidiu pela reabertura das igrejas e templos. Depois, no plenário do STF, a defesa do ministro sobre o tema foi totalmente alinhada ao grupo de apoio do presidente. Ao longo de sua fala, Nunes Marques repetiu frases que são largamente ditas em redes bolsonaristas como a de que estamos vivendo uma crise de direitos individuais e coletivos. Enquanto cravava que “igrejas fechadas não garantem que não haverá transmissão”, dizia que a liberdade de culto tem previsão constitucional. Quem está impedindo quem de rezar e praticar sua religião? Deus tá vendo. 

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