Governador do Rio, Pezão é preso em desdobramento da Lava Jato

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Emedebista foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal da capital fluminense

Atual governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB) foi um dos presos na Operação Boca de Lobo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (29). O desdobramento da Operação Lava Jato no estado aponta participação do político no esquema de corrupção de Sérgio Cabral Filho (MDB).

Um mandado de prisão preventiva foi expedido pelo ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Pezão foi preso no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo, e encaminhado à Superintendência da Polícia Federal, localizada na Praça Mauá, região central da cidade.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, durante evento de lançamento da Árvore de Natal do Rio, que será inaugurada dia 1º de dezembro, na Lagoa Rodrigo de Freitas. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Segundo o Ministério Público Federal, ele seria responsável por operar um esquema de corrupção próprio, que teria movimentado em torno dos R$ 40 milhões entre 2007 e 2015. Pezão também é acusado de receber mesada de R$ 150 mil durante a gestão de Cabral, quando ocupava o cargo de vice-governador.

Operação é baseada no conteúdo do acordo de delação premiada do economista Carlos Miranda, operador financeiro de Cabral. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), “há registros documentais, nos autos, do pagamento em espécie a Pezão de mais de R$ 25 milhões no período 2007 e 2015”.

A ação recebeu o nome em alusão ao dispositivo utilizado nas vias públicas para drenar a água das chuvas e encaminhá-las às galerias pluviais. Objetivo é recuperar os recursos públicos desviados pelo esquema de corrupção, que estavam “escorrendo” para o sistema de esgoto.

Além de 9 mandados de prisão, a PF cumpriu 30 mandados de busca e apreensão nesta manhã. Pezão e outras oito pessoas foram os alvos:

  1. Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz – Secretário de Governo
  2. José Iran Peixoto Júnior – Secretário de Obras do governo
  3. Luiz Carlos Vidal Barroso – Servidor da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico
  4. Marcelo Santos Amorim – Sobrinho de Pezão
  5. César Augusto Craveiro de Amorim – Sócio da High Control Luis
  6. Luis Fernando Craveiro de Amorim – Sócio da High Control Luis
  7. Cláudio Fernandes Vidal – Sócio da JRO Pavimentação
  8. Luiz Alberto Gomes Gonçalves – Sócio da JRO Pavimentação

Coletiva de Raquel Dodge

Procuradora-geral da República, Raquel Dodge afirmou que “infrações criminosas muito graves” estavam em andamento no Rio de Janeiro. Ela também destacou que algumas das práticas ainda seguem acontecendo.

“O crime de lavagem de dinheiro ainda está em curso”, afirmou. “A lavagem é o crime que se pratica após a corrupção e que consiste em ocultar onde o dinheiro está. Pelas informações, continua a ser feito”, disse Dodge.

A Procuradora-geral da República explicou o porque da prática ser “igualmente grave”. “Se o dinheiro desviado pela corrupção continua na posse de quem desviou, o patrimônio público terá dificuldade em ser recomposto”, esclarece.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, concede entrevista coletiva à imprensa para falar sobre a operação da Polícia Federal que prendeu na manhã desta quinta-feira, 29 o governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Dodge também ressaltou que as práticas se instalaram “em diversas unidades públicas do estado” no Rio de Janeiro. Apesar de muitos dos envolvidos já estarem “condenados e presos”, “percebeu-se que este esquema criminoso ainda não cessou”.

A PGR justificou a decisão de prender o governador do Rio alegando que, caso continuasse solto, Pezão “poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa”.

O órgão afirma que o valor divulgado na investigação é “absolutamente incompatível com o patrimônio declarado pelo emedebista à Receita Federal. Em valores atualizados, o montante equivale a pouco mais de R$ 39 milhões e corresponde ao total que é objeto de sequestro determinado pelo ministro relator”.

LEIATAMBÉM