Mr. President, um recado da Pátria

No sete de setembro o Brasil mostrou que não é só preto, nem só verde e amarelo. O Brasil é colorido. Todas as cores inundaram as arquibancadas para ver os desfiles pelo País e este arco-íris cívico deixou um recado claro: o povo brasileiro quer reconciliação, quer acabar com discurso de ódio, intolerância e violência.

Vamos tomar como exemplo democracias maduras, já consolidadas. Como os vizinhos chilenos, que nos deram uma aula de cidadania e civilidade no episódio envolvendo Michelle Bachelet.

Foi a maior demonstração de reconciliação, de harmonia e unidade de um país que sofreu duramente anos de uma ditadura militar que deixou rastros de dor e tortura a muitas famílias chilenas.

O Chile não nega a ditadura e não cultua seus torturadores. Esquerda, direita, centro, chilenos de todas as colorações políticas e ideológicas se uniram para rechaçar suas declarações presidente, que tinham como alvo Bachelet, ex-presidente do Chile por duas vezes, hoje alta comissária de direitos humanos da ONU e filha de uma das vítimas do regime Pinochet.

O exemplo que o Chile deu é que por lá se respeitam mulheres e a dor das pessoas e que isso, veja bem presidente, é inegociável.

Veja que esse discurso de ódio e desrespeitoso o está levando a perder aliados.

Observe o que fez Sebastián Piñera, o presidente chileno, que imagino ainda não esteja no seu rol de comunistas. Mesmo sendo um aliado seu na região não hesitou em se solidarizar com Bachelet e rechaçar veemente suas palavras. Aliás, sempre que pode Piñera deixa claro sua posição contra tortura e torturadores. Votou contra a continuidade de Pinochet quando aquele país, no final dos anos 80 durante o regime militar, fez um referendo popular que deveria decidir pela continuidade ou não do general Pinochet.

No ano passado destituiu o diretor da Escola Militar do país por ele ter feito uma homenagem nas dependências da instituição a Miguel Krassnoff, que cumpre pena por 71 crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura de Pinochet.

Piñera é um liberal da centro direita e na última década vem alternando com Bachelet, de esquerda, o trabalho no Palácio de La Moneda, a sede da presidência da República no Chile. A alternância de poder naquele país, contudo, não abalou o compromisso de Estado de desenvolvimento e levou o Chile a se tornar o primeiro país latino-americano a entrar no seleto clube dos países desenvolvidos.

Apesar de todas as diferenças entre esquerda e direita, os chilenos têm a certeza de que há um compromisso de estado e não de governo.