colunista Juliana Braga
Jornalista do MyNews
Centrão pressiona

Ernesto cai por seus erros, mas, principalmente, pelos de Bolsonaro

O Congresso se aproveita da fragilidade do presidente para sacramentar a queda de Ernesto e avança sobre outras pastas
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, precipitou seu destino e, ao atacar a senadora Kátia Abreu (PP-TO) no domingo (28), conseguiu perder o apoio até de bolsonaristas no Parlamento. Ernesto cometeu seus erros, listados em uma carta apócrifa dos diplomatas do Itamaraty, na qual eles classificam a condução do chanceler como “amadora, despreparada e personalista”. Nada disso, no entanto, é novidade em Brasília. O elemento novo é a fragilidade do presidente Jair Bolsonaro, encurralado pela estratégia que ele próprio desenhou de combate ao coronavírus. 

Ministro Ernesto Araújo participa da Reunião Ministerial América Latina e Caribe.
Ministro Ernesto Araújo participa da Reunião Ministerial América Latina e Caribe. Foto: Gustavo Magalhães (MRE).

Bolsonaro insistiu na dicotomia entre saúde e economia, apostou na imunidade de rebanho e achou que, ao final, a crise se resolveria sozinha e ele poderia creditar aos governadores qualquer fracasso da sua gestão. Mas a crise se prolongou para além de todas as expectativas e, agora, o presidente tenta emplacar uma nova fase sem perder o apoio dos ideológicos que os sustentaram até aqui. Os mais de 300 mil mortos pelo coronavírus começam a pesar sobre as suas costas, e o Centrão aproveita-se desse momento de fragilidade para avançar nas suas demandas. 

O primeiro alvo foi Ernesto Araújo. Mas assim como um tubarão que sente o sangue na água, parlamentares desse grupo só vão parar quando se sentirem saciados. O ataque já se estende ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por conta do desgaste internacional causado pelo desleixo no combate ao desmatamento. Chegará ao Ministério da Educação, de Milton Ribeiro, e até mesmo ao de Infraestrutura, do até há pouco tempo queridinho Tarcísio de Freitas. O “erro” de Freitas? Estar à frente de uma pasta com capacidade de investir e entregar obras.

Um presidente fragilizado interessa mais ao Congresso, que se fortalece na sua omissão, do que um impeachment, que entregaria o Palácio do Planalto ao general Hamilton Mourão. Resta saber, apenas, até quando o Centrão consegue permanecer na base aliada de Bolsonaro sem que o dano à imagem do presidente respingue nos parlamentares também.

Íntegra do programa ‘Café do MyNews‘ desta segunda-feira (29), que tratou da atual situação do ministro Ernesto Araújo.
Inscreva-se na newsletter
Relacionadas
CPI DA PANDEMIA
Relator divulgou lista com 14 nomes; inclui Wizard, Wajngarten, Capitã Cloroquina
Entrevista
Ex-senador afirma ter sido vítima de uma “verdadeira aberração jurídica”
2022
Renato Pereira, contratado por Freixo, fez delação premiada que baseou denúncia contra prefeito do Rio
Privatização
Em corrida contra o tempo, Arthur Lira marcou para segunda (21) votação da MP, que vence na terça
PRIVATIZAÇÃO
Projeto que permite privatização da Eletrobras volta para Câmara. MP perde validade na terça se não for aprovada
Senado Federal
Maria Inês Fini avalia que senador mostrou na CPI da Pandemia não ter preparo emocional e condições para exercer o cargo

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e Política de Cookies. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.