Arquivos Daniel Carvalho de Paula - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/post_autor/daniel-carvalho-de-paula/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Tue, 11 Feb 2025 13:01:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 O discurso de posse de Trump: economia favorável nos EUA e sinal de alerta na política externa https://canalmynews.com.br/opiniao/o-discurso-de-posse-de-trump-economia-favoravel-nos-eua-e-sinal-de-alerta-na-politica-externa/ Tue, 21 Jan 2025 18:18:44 +0000 https://localhost:8000/?p=50293 Para Daniel Carvalho de Paula, política externa delineada por Trump reflete desejo de restaurar a influência e o poder dos Estados Unidos

O post O discurso de posse de Trump: economia favorável nos EUA e sinal de alerta na política externa apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Ao assumir a presidência pela segunda vez, Donald Trump encontra os Estados Unidos (EUA) em um cenário incomum: um país com fundamentos econômicos sólidos e um panorama social mais estável do que o enfrentado por qualquer presidente recém-eleito desde George W. Bush, em 2001. O Dia da Posse não foi marcado pela presença de tropas americanas em conflitos no exterior, e dados indicam uma redução nos homicídios e na imigração ilegal pela fronteira sul, que agora está abaixo dos índices do final do mandato anterior de Trump. Além disso, os mercados de ações apresentaram o melhor desempenho em 25 anos, refletindo uma recuperação robusta e um crescimento estável.

Em termos econômicos, o país segue em boa trajetória. O desemprego atingiu níveis historicamente baixos, próximos aos índices pré-pandemia, enquanto os salários continuam em ascensão e o setor de empregos apresenta um crescimento consistente. A produção de energia doméstica e o setor manufatureiro também atingiram marcos importantes, com a criação de mais empregos do que nos últimos 20 anos. As mortes por overdose de drogas diminuíram pela primeira vez em anos, e a inflação, embora ainda superior aos níveis de quatro anos atrás, demonstra uma estabilidade relativa. Esse conjunto de indicadores aponta para uma economia forte, com uma recuperação mais acelerada do que outras grandes economias globais.

Entretanto, o foco de Trump, ao tomar posse, parece ser consolidar essa estabilidade interna e projetá-la para a política externa. No seu discurso inaugural, ele delineou uma visão de política externa focada em um nacionalismo assertivo, com uma ênfase na soberania e segurança nacional. Sua retórica reflete uma mudança decisiva para uma postura mais protecionista e isolacionista, colocando os interesses dos Estados Unidos acima da cooperação internacional.

Para a América Latina, Trump apresentou uma abordagem rígida, particularmente em relação à fronteira com o México, que ele declarou uma “emergência nacional”. O foco estará em interromper a imigração ilegal e reforçar a segurança da fronteira, com a reinstituição da política de “Permanecer no México” e o envio de tropas para garantir a proteção da região. Além disso, ele classificou os cartéis mexicanos como organizações terroristas, prometendo usar toda a força da aplicação da lei para enfrentar as gangues e redes criminosas associadas. Sua postura em relação ao Canal do Panamá também reflete um desejo de reverter o que considera erros do passado. Trump criticou a transferência do controle do canal para o Panamá, e sugeriu que os Estados Unidos deveriam retomar a administração do local, especialmente devido à crescente influência chinesa. Isso demonstra seu compromisso com a reafirmação da autoridade dos EUA sobre infraestruturas globais estratégicas e sua preocupação com a segurança e os interesses nacionais na região.

De maneira geral, a política externa delineada por Trump reflete um desejo de restaurar a influência e o poder dos EUA no Hemisfério Ocidental, muitas vezes em detrimento da cooperação diplomática e de acordos multilateralistas. A combinação de uma base econômica sólida e uma postura mais isolacionista promete marcar seu novo mandato, com um foco nítido na proteção dos interesses internos e no fortalecimento da posição do país no cenário global, principalmente nas relações com a América Latina.

*Daniel Carvalho de Paula é historiador e professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Clique neste link e seja membro do MyNews — ser inscrito é bom, mas ser membro é exclusivo!

Assista abaixo ao Segunda Chamada de segunda-feira (20):

O post O discurso de posse de Trump: economia favorável nos EUA e sinal de alerta na política externa apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Racismo acadêmico: reflexão necessária para além do mês da consciência negra https://canalmynews.com.br/politica/racismo-academico-reflexao-necessaria-para-alem-do-mes-da-consciencia-negra/ Tue, 19 Nov 2024 21:16:58 +0000 https://localhost:8000/?p=48678 Universidades não têm enfrentado a violência racial com a veemência necessária e, com isso, têm contribuído para a naturalização deste problema estrutural

O post Racismo acadêmico: reflexão necessária para além do mês da consciência negra apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Ao longo da história, o espaço acadêmico não tem enfrentado o racismo com a veemência necessária. Como consequência desse silêncio, as universidades têm contribuído para a sua naturalização, reproduzindo o processo no qual as condições de desigualdade racial têm se perpetuado.

O racismo acadêmico se manifesta como mais uma faceta da estrutura social racializada e segregadora em que vivemos. A baixa representatividade do tema na pesquisa acadêmica passa muitas vezes desapercebida pela maioria, que não percebe o ambiente acadêmico, idealizadamente ilustrado, como parte do sistema reprodutor de injustiças e silenciamentos.

Está explícita a escassez de professores afrodescendentes nas universidades e as dificuldades por que passam para chegar lá. O Ensino Superior se configura como um ambiente inóspito para professoras e professores afrodescendentes, que alcançam menor inserção nas redes de contato.

De acordo com o Censo da Educação Superior, professores negros não ultrapassam 20% dos docentes de universidades públicas. Esse número cresceu desde 2014, quando lei de cotas para concursos públicos federais foi aprovada. Estudos demonstram, ainda, que o número de mulheres ocupando postos de comando e gestão no âmbito universitário é significativamente inferior em relação aos seus pares masculinos.

Isso se deve ao fato de o desempenho individual não representar o principal critério para o avanço na carreira. O acesso a academia inclui relações de poder mediadas pelo gênero e, especialmente no Brasil, pela cor.

Negros e brancos são socializados, formados e inseridos em uma sociedade pautada por uma lógica racializada, que reforça sistematicamente a imagem de que negras e negros são menos capazes, menos inteligentes, menos competentes, menos confiáveis e, por consequência, menos preparados para assumir cargos estratégicos e de liderança nas organizações.

É muito importante que as instituições acadêmicas, que formam aqueles que atuarão nos ambientes organizacionais, econômicos, políticos e sociais, tenham na sua formação, a possibilidade de dialogar sobre a questão racial, a estratificação e desigualdade. Na realidade brasileira, em que predomina o silêncio sobre as questões de gênero e raça, trazer este tema para debate pode contribuir para a afirmação das identidades negras e ser, ao mesmo tempo, uma contribuição valiosa para o combate ao racismo no espaço acadêmico.

Não se trata, aqui, de emudecer certas vozes tradicionais para substituí-las por outras. Trata-se de buscar realizar de verdade a tão falada polifonia, que deveria ser um dos pilares do mundo acadêmico. A inclusão do estudo das relações raciais no campo acadêmico justifica-se pela necessidade civilizatória de superação do racismo, com temas de interesse direto das populações negras, postulando o fortalecimento institucional dessas iniciativas no universo acadêmico.

A pouca bibliografia sobre o tema demonstra a urgência de se efetivar uma representatividade de docentes negras e negros nas universidades condizente com o quadro da formação étnico-racial do povo brasileiro. Ou isso se realiza, ou a academia estará fadada a continuar majoritariamente elitista, monolítica e distante do Brasil que existe para além dos muros das universidades.

Antonia Quintão é presidente do Geledés–Instituto da Mulher Negra e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Daniel Carvalho de Paula é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

O post Racismo acadêmico: reflexão necessária para além do mês da consciência negra apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Eleições nos EUA: às vezes, quem ganha não leva https://canalmynews.com.br/politica/eleicoes-nos-eua-as-vezes-quem-ganha-nao-leva/ Fri, 01 Nov 2024 15:03:12 +0000 https://localhost:8000/?p=48152 Sistema eleitoral do país, que funciona por votação indireta, permitiu a vitória de Donald Trump em 2016, embora Hillary Clinton tenha 'vencido' o voto popular

O post Eleições nos EUA: às vezes, quem ganha não leva apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
O sistema eleitoral estadunidense funciona por votação indireta. Sem pormenorizar, cada unidade federativa tem um número de delegados fixado por lei antiga que compõem um colégio eleitoral. O candidato que conquistar a maioria do voto popular, dentro do Estado, leva o conjunto dos votos dos delegados. Contudo, o número de delegados não está em relação de proporcionalidade direta com a demografia contemporânea de cada Estado, sendo possível que um território muito populoso esteja, proporcionalmente, sub-representado no número de delegados.

Este sistema de eleição em duas fases não é exclusividade ianque, nem era incomum na época em que foi criado, há 235 anos, quando da promulgação da Constituição da jovem nação, ex-colônia britânica. O sistema foi pensado pelos “intocáveis” pais-fundadores para prevenir que o povo comum, vulnerável e pouco instruído, fosse levado a eleger demagogos e populistas à Presidência da República.

Leia mais: Steve Bannon deixa prisão a uma semana das eleições nos EUA

O tiro saiu pela culatra e esse mesmo sistema permitiu que Donald Trump, um demagogo populista, para dizer o mínimo publicável, ocupasse o posto mais alto do executivo federal. Sua adversária em 2016, Hillary Clinton, apesar de ter “vencido” o voto popular, com a maioria indiscutível de células depositadas em seu nome, não “levou” a Presidência dos 50 Estados, justamente pelo desequilíbrio entre o número de votos individuais e eleitores colegiados.

Hoje, em 2024, Trump, megaempresário, ex-presidente não reeleito para segundo turno consecutivo e condenado pela Justiça estadunidense, segue elegível e disputa o Salão Oval pelo Partido Republicano. Sua adversária, pelo Partido Democrata, é Kamala Harris, atual vice-presidente do país, promotora de Justiça, que herdou o bastão do veteraníssimo Joe Biden.

Leia mais: Saiba quem é Kamala Harris: filha de imigrantes e criticada por parte da esquerda

Enquanto esse último ainda estava concorrendo à reeleição, Trump sofreu um atentado e foi alvejado na orelha. A cena dele com punho fechado para o alto, conclamando a multidão: “Lutem! Lutem!”, levou muitos a darem por vencido o embate. O frágil Biden, dando sinais de senilidade, contra o mártir bilionário, quase um “Davi e Golias” invertido.

A renúncia de Biden à corrida presidencial e a comoção gerada pela confirmação de Harris como candidata mudaram o cenário da disputa. A democrata conseguiu, de imediato, aglutinar setores relutantes do partido dela e entre os independentes. Afinou o discurso para se comunicar com as maiorias de trabalhadores, abandonando a malfadada “pescaria em aquário”, ou “pregação aos convertidos”, pecado mortal do campo progressista lá (e cá).

Leia mais: Por que enfrentar Kamala é o pior cenário para Trump?

A desenvoltura dela nos debates conseguiu enfrentar a estratégia circense do republicano, que vinha se dando bem na veia da chacota, do moralismo e teorias conspiratórias. J. D. Vance, candidato a vice na chapa de Trump, também não tem agregado muito; ele foi escanteado pela campanha, já comparou, no passado, Trump a Hitler. “Casaca virada” nem sempre cai bem. Contudo, o certame está longe de resolvido. Será preciso “vender” aos Estados “neutros” a ideia de uma mulher negra como comandante-em-chefe. Tarefa dificílima.

Em matéria de política externa, num mundo tensionado por conflitos “quentes” e “frios”, Harris assume a postura beligerante dos seus predecessores democratas. A propaganda republicana, que pinta os progressistas como fracos, globalistas, entreguistas e moralmente degenerados, acirra muito a escalada nacionalista e militarista em administrações democratas. Kamala Harris também aposta numa fórmula cinematográfica “CIA versus KGB”, em busca de aprovação popular e demonstração de força. Têm muito a perder as soluções diplomáticas. Dado o histórico, a contagem de corpos, presumidos efeitos colaterais, só tende a aumentar.

Leia mais: Atentado contra Trump reforça papel de vítima que republicano adota há tempos, diz advogado

Estamos a pouquíssimos dias de 5 de novembro, data das eleições nos EUA. Manter a empolgação do público e romper a bolha progressista tem sido, até aqui, o grande desafio de Kamala Harris rumo à Casa Branca. Donald Trump, para além do voto conservador, já foi capaz de capturar, uma vez, o voto dos trabalhadores e de setores da sociedade que votavam nos Democratas há décadas. Basta repetir a dose.

O caminho de Trump, que parecia desobstruído com Biden, trocando Zelensky por Putin, foi embaralhado com a “frente-ampla” que cerca a Vice-Presidente. Frente reforçada pelo colega de chapa, o governador, soldado e coach (nesse caso, esportivo e, não, de empreendedorismo), Tim Walz, que é a imagem quintessencial do americano-médio, campeã de audiência. Todavia, como já se passou na história recente do Grande Irmão, que segue empunhando seu porrete, o Colégio Eleitoral poderá contradizer o voto popular. As democracias continuam na corda-bamba.

***Daniel é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É graduado, mestre e doutorando em História pela USP***

O post Eleições nos EUA: às vezes, quem ganha não leva apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
“Todo o poder emana do povo”: ideias fora do lugar e vandalismo conceitual https://canalmynews.com.br/politica/todo-o-poder-emana-do-povo-ideias-fora-do-lugar-e-vandalismo-conceitual/ Wed, 11 Jan 2023 01:20:36 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=35339 Mecanismos democráticos que estabelecem governos e sustentam o contrato social, sendo o principal deles eleições livres, estão sendo respeitados, diz o historiador Daniel Carvalho de Paula

O post “Todo o poder emana do povo”: ideias fora do lugar e vandalismo conceitual apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Os alvos da violência praticada neste domingo, 08 de janeiro, em Brasília, foram muitos. Pessoas, edifícios, instituições, mas, conceitos também foram vandalizados, mais uma vez. É, no mínimo, um grande equívoco filosófico e histórico usar o conceito de soberania popular, implicado na frase “o poder emana do povo”, para empunhar paus e pedras, ou coisa pior, e arrasar a sede dos três poderes na Capital Federal.

Dizer que todo poder emana do povo não quer dizer que está facultado aos membros do povo agirem como bem quiserem na hipótese de se sentirem lesados pelo Estado. Dentro de uma democracia moderna, o monopólio da violência e de sua “irmã” civilizada, a justiça, pertence, por mandato constitucional, às instituições de Estado e o direito de resistência cabe ao povo dentro das instâncias de apelação disponíveis.

Num estado de exceção, na ausência dessas instâncias, quando o Governo usa do seu poder concedido para subverter os mecanismos democráticos que o instituíram em primeiro lugar, aí, sim, resistir seria defensável. Não estamos imersos em um estado de exceção.

Não encontramos em filósofo algum, que valha o seu sal, sustentação para a ideia de que a insatisfação ou indignação de um grupo, ainda que numeroso, é justificativa legítima para pegar em armas, brancas ou de fogo, e atentar contra as Instituições de direito.

Os mecanismos democráticos que estabelecem governos e sustentam o contrato social, sendo o principal deles eleições livres, estão sendo respeitados. Não há nada que comprove o contrário, para além de teorias conspiratórias.

O artigo primeiro da Constituição Federal de 1988 é claro em seu parágrafo único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Nossa Carta Magna não abre espaço para que este exercício direto do poder pelo povo se traduza em terrorismo doméstico, vandalismo e atentados contra as instituições democráticas, como visto em Brasília, no domingo passado.

O artigo 14 esclarece que “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I – plebiscito; II – referendo; III – iniciativa popular”.

A duas primeira formas de participação são consulta direta ao povo, conferindo-lhe proximidade à tomada de determinadas decisões. A terceira forma introduz a possibilidade de que membros da população, organizados em grupos, tenham alguma iniciativa legislativa. As possibilidades de participação política aumentada é que constituem um dos elementos fundamentais do que nossa Constituição chama de “Estado democrático de direito”.

Como pode o lema em questão figurar ao lado de clamores por intervenção militar e toda sorte de quebra institucional, que significariam, contraditoriamente, menor participação popular, subtração de direitos penosamente conquistados? Como podem alguns, em sã consciência, misturar soberania popular e golpismo? Ou é consciência turvada ou é má-fé deslavada.

Daniel Carvalho de Paula é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutorando, Mestre, Licenciado e Bacharel em História pela USP.

O post “Todo o poder emana do povo”: ideias fora do lugar e vandalismo conceitual apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>