Arquivos brain rot - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/brain-rot/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Sat, 14 Dec 2024 15:31:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 ‘Brain rot’: a palavra do ano https://canalmynews.com.br/tecnologia/brain-rot-a-palavra-do-ano-de-oxford-e-o-apodrecimento-mental-na-era-digital/ Thu, 05 Dec 2024 18:00:19 +0000 https://localhost:8000/?p=49122 A tecnologia, como bem sabemos, é uma ferramenta, e seu uso pode ser positivo ou negativo, a depender de quem a usa e de como a usam

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Todos os anos a prestigiosa Universidade de Oxford escolhe a palavra do ano, refletindo tendências linguísticas, sociais e culturais. Em 2024, a palavra escolhida foi “brain rot“, que pode ser traduzida como “cérebro apodrecido” ou “atrofia cerebral”.

O Dicionário de Oxford define “brain rot“como a “suposta deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, especialmente vista como resultado do consumo excessivo de material (principalmente conteúdo online) considerado trivial ou pouco desafiador”. Ainda segundo o referido dicionário, o termo foi usado pela primeira vez pelo escritor Henry David Thoreau na obra Walden, ou A vida nos bosques, de 1854.

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No livro, Thoreau descreve uma sociedade em crescente complexidade e sua decisão de se mudar para a propriedade de um amigo, às margens do lago Walden, onde  viveu em uma cabana, construindo móveis, cultivando plantas e preparando sua própria comida. Teve, nesta experiência, descobertas espirituais. Para os dicionaristas de Oxford, ao usar o termo “brain rot“, Thoreau assevera a tendência da sociedade da época em desvalorizar ideias complexas em favor das mais simples. De Thoreau muitos conhecem a obra A desobediência civil e, agora, vale acrescentar à lista Walden, ou A vida nos bosques.

A palavra do ano chegou pela mídia e, paradoxalmente, por meio das redes sociais. Esse cérebro deteriorado e a busca do trivial e de ideias simples em detrimento de conteúdo mais sofisticado e complexo traz à tona outros três livros que, de uma forma ou de outra, podem ser conectados a essa discussão: O cérebro no mundo digital, de Maryanne Wolf; Eu sei o que você anda lendo … como os algoritmos vêm mudando a nossa leitura, escrita e pensamento, de June Lessa Freire; e, o mais recente, A geração ansiosa: como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais, de John Haidt. Penso que, ao menos estes três livros, possam ajudar a melhor compreender o que se passou, na última década, com nosso cérebro.

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A tecnologia, como bem sabemos, é uma ferramenta, e seu uso pode ser positivo ou negativo, a depender de quem a usa e de como a usam. Pois bem, as redes sociais são, assim, meios fundamentais para aproximar indivíduos e grupos, conectando pessoas separadas por enormes distâncias ou posições sociais; permitem acesso à informações incomensuráveis e consolidação de conhecimentos em todas as áreas do saber humano e podem, especialmente no campo político, mobilizar energias para o campo democrático e republicano.

Por outro lado, podem, também, servir de plataforma para o discurso de ódio, para as fake news, teorias da conspiração, pós-verdades, negacionismo e ataques aos alicerces dos valores democráticos. O cérebro, bastante plástico, principalmente nos anos iniciais das crianças, estão sendo moldados não mais num mundo – como aduz Haidt – do livre brincar e sim num mundo hiperconectado, do smartphone. Nossa sociabilidade, portanto, depende de um cérebro social e este vai perdendo conexões reais de interação entre as pessoas para “encontros” frios, distantes e  para a cultura da  velocidade, do imediatismo e superficialidade.

Quem, nos dias que correm, educam seus filhos ou são professores, tem indícios de que isso – o cérebro deteriorado –  está presente nas crianças e jovens de forma avassaladora. Cabe investir em relacionamentos presenciais e saudáveis, muita leitura (de livros) e uso comedido das redes sociais. O cérebro pode apodrecer, mas, também, pode tornar-se ativo, crítico e generoso de acordo com nossas experiências.

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‘Brain rot’ é eleita a palavra do ano pelo dicionário de Oxford; saiba o que significa https://canalmynews.com.br/noticias/brain-rot-e-eleita-a-palavra-do-ano-pelo-dicionario-de-oxford-saiba-o-que-significa/ Tue, 03 Dec 2024 12:37:39 +0000 https://localhost:8000/?p=49051 Primeiro registro do uso do termo, traduzido livremente como 'deterioração cerebral', data de 1854, mas ganhou novo significado na era digital

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A Oxford University Press, que edita o dicionário de inglês Oxford, anunciou “brain rot” (deterioração cerebral, em tradução livre) como a Palavra do Ano de 2024. O anúncio veio após uma votação pública que contou com a participação de mais de 37 mil pessoas, encarregadas de escolher entre esta e outras cinco palavras (veja abaixo).

O primeiro registro do uso de “brain rot” data de 1854, em um livro do escritor Henry David Thoreau. O termo se propõe a descrever a deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, vista como resultado do consumo excessivo de material considerado de baixo valor.

Apesar disso, “brain rot” ganhou novo significado na era digital, particularmente nos últimos 12 meses, segundo a Oxford Press. Em 2024, a expressão teve um aumento de 230% na frequência de uso em comparação com o ano anterior.

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A definição de “brain rot” como palavra do ano evidencia as crescentes preocupações da sociedade sobre o alto consumo de redes sociais. Pesquisas mostram que o ato de rolar o feed infinitamente, por pequenas doses de dopamina, tem tido um custo cognitivo para os usuários.

Segundo um estudo, publicado na revista científica NeuroImage, existem áreas do cérebro humano que são ligadas a um sistema de recompensa. Nesse sentido, aplicativos como o TikTok e o Instagram são responsáveis por ativar esse conjunto por meio dos seus vídeos e produzem uma sensação de satisfação momentânea.

As imagens ali exibidas remetem, em alguma medida, a memórias afetivas. A situação é equivalente a entrar em determinado lugar, sentir o cheiro de algum alimento que fez parte da infância e ficar com vontade de consumi-lo, muitas vezes por conta de momentos felizes com a família e amigos. A experiência de prazer é potencializada quando o usuário é submetido a vídeos curtos, com edições aceleradas e músicas populares e escolhidas pelo algoritmo.

Veja as outras palavras que ganharam destaque em 2024, segundo o Dicionário de Oxford:

Demure: “Modesto” ou “discreto”. A palavra viralizou nas redes a partir da a criadora de conteúdo Jools Lebron, que passou a usar a expressão de forma irônica. Escolher um conjunto de alfaiataria para tomar um café superfaturado? Very demure (muito modesto).

Dynamic pricing: “Preço dinâmico” (variação de preços de acordo com a demanda).

Lore: Conjunto de conhecimentos ou histórias relacionados a um tema.

Romantasy: Gênero literário que mistura romance e fantasia

Slop: Conteúdo gerado por inteligência artificial, considerado de baixa qualidade.

Saiba a origem da palavra ‘dinheiro’ e o peso que o conceito carrega para todos nós:

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