Arquivos bruno e dom - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/bruno-e-dom/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Tue, 05 Jul 2022 16:24:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Mais cinco já admitiram ocultação dos corpos de Bruno e Dom, diz PF https://canalmynews.com.br/brasil/mais-cinco-ja-admitiram-ocultacao-dos-corpos-de-bruno-e-dom/ Tue, 05 Jul 2022 16:24:35 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31170 Delegado que coordena os trabalhos da Polícia Federal diz que “trabalha com hipótese” de mandante, mas que hoje não tem elementos para indiciar ou fazer buscas contra alguém.

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Mais cinco pessoas – além dos três pescadores e caçadores atualmente presos – já admitiram algum papel no processo de destruição de pertences ou na ocultação dos corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Os investigados, dos quais três são irmãos e um é filho do principal implicado no crime, Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, se apresentaram à delegacia de Atalaia do Norte (AM) nos últimos dias acompanhados de um mesmo advogado.

O delegado da PF (Polícia Federal) Domingos Sávio Pinzon Rodrigues, 44, que atua como coordenador dos trabalhos da PF na investigação que corre paralela ao inquérito instaurado pela Polícia Civil, disse que os cinco investigados eram da mesma pequena comunidade à beira do rio Itaquaí na qual viviam “Pelado” e vários de seus familiares. A localidade de São Gabriel, com cerca de 15 casas, fica a aproximadamente 15 minutos de barco pequeno do local dos assassinatos, ocorridos na manhã do dia 5 de junho. A polícia agora avalia a necessidade ou conveniência de solicitar algum tipo de prisão provisória dos novos investigados.

O papel exato de cada um dos cinco investigados ainda está sendo apurado pela polícia, inclusive a partir da reconstituição do crime, que na semana passada reuniu peritos, testemunhas e investigados no rio Itaquaí.

As versões apresentadas pelos investigados estão sendo recebidas com precaução pela PF, que teme ter ocorrido uma combinação de narrativas.

“Por exemplo, todos os que participaram da ocultação dos cadáveres dizem que não queimaram os cadáveres, que queimaram só os pertences pessoais. Ou seja, querem, na minha visão, diminuir sua participação, não querem confessar que participaram de um ato horrendo de queimar uma pessoa. Entretanto, há indícios de que os cadáveres foram efetivamente… Tentaram, pelo menos, carbonizá-los.”

O delegado ressalta que ainda aguarda o relatório pericial, mas “pelos testemunhos e pela análise do local, o que leva a crer é que tentaram queimar, mas não deu certo, é muito úmido ali, a queima de dois corpos não é simples, e no outro dia, quando foram conferir, viram que tinham que enterrar mesmo” para supostamente não deixar mais pistas.

Os corpos foram enterrados na mata perto da Lagoa da Preguiça, que fica em frente à casa de um dos três presos, que é outro irmão de “Pelado”, Oseney Oliveira, conhecido como “Dos Santos”. O terceiro preso até o momento é Jeferson Lima, o “Pelado da Dinha”, que também admitiu ter atirado para matar Bruno e Dom.

Outro ponto que merecerá atenção da polícia nos depoimentos dos cinco investigados é quando e por quem eles foram acionados para dar cabo dos pertences e dos corpos.

“É meio contraditório, não faz muito sentido. Eles falam assim que [‘Pelado’ e Lima] saíram de manhã — eles querem dar a entender que foi uma coisa de momento – e que depois de um tempo voltaram e falaram ‘pô, a gente fez a merda’, ou seja, ‘mataram os caras’. Segundo eles, ambos ficaram lá [na comunidade] durante o dia e, quando foi à noite, o ‘Pelado’ saiu mais o Jeferson. Segundo a maioria dos depoimentos, eles saíram sem dizer para onde. E que, quando eles saíram, em seguida os irmãos lá se reuniram para ir [espontaneamente] até o local onde estavam os corpos, que é o local da mochila.”

Segundo o delegado, os investigados “querem dizer que não houve um acerto, que não houve um acordo entre eles para divisão de tarefas”. Eles falam “que a comunidade ficou preocupada e que, em razão disso, por vontade própria, eles, sem estarem organizados ou combinados com ‘Pelado’, foram lá para ajudar porque isso seria uma repercussão muito ruim para a comunidade”.

“Eles dizem que saem todos em canoas de remo, de madeira, não motorizadas, saem todos para um local para colocar os corpos nas canoinhas, as mochilas e pertences em outras. […] Na minha interpretação disso, houve uma orientação da defesa para falarem dessa forma, que não tocaram fogo nos corpos, que não houve uma coordenação ou divisão de tarefas, para que a investigação ou futuramente o Ministério Público não os inclua como partícipes no crime de homicídio.”

Sávio enalteceu os indígenas e a Univaja

Sávio, que está na PF desde 2003, concedeu entrevista exclusiva à Agência Pública na quinta-feira (29) em Atalaia do Norte. Nascido em Manaus (AM), Sávio estudou Direito em Brasília e entrou na PF por concurso público em 2003, primeiramente ocupando o cargo de escrivão. Três anos depois, tornou-se delegado e está lotado desde então na cidade de Manaus.

O delegado é atualmente o “número três” da Superintendência da PF em Manaus, no cargo de coordenador regional de combate ao crime organizado. Nessa função, ele foi acionado pela direção da PF em Brasília na noite do mesmo dia dos desaparecimentos de Bruno e Dom, no domingo, dia 5. Na manhã seguinte, ele, o superintendente da PF em Manaus, Eduardo Alexandre Fontes, e outros policiais criaram um plano de ação. Inicialmente a coordenação dos trabalhos de investigação ficou baseada em Manaus.

Na quarta-feira (8), porém, o superintendente decidiu deslocar Sávio para Atalaia a fim de coordenar no local, a princípio, os trabalhos das buscas. Depois que a investigação avançou com a confissão de dois presos, o grupo se converteu numa equipe de investigação paralela à Polícia Civil, na qual tramita o inquérito sobre os homicídios. A PF passou a ajudar na tomada dos depoimentos, prisões e buscas, a realizar perícias e a trabalhar na recuperação dos pertences e corpos.

O delegado enalteceu os indígenas e a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) na busca dos corpos e pertences. “A Univaja nos apoiou logisticamente e com a expertise deles em mato. Tanto é que foram eles que acharam a primeira mochila. A gente estava fechado com eles, ‘bom, encontrou vestígio, para tudo e marca o lugar e nos telefona’, eles têm telefone satelital, ‘ou a gente vem imediatamente ou, se for de noite, na manhã seguinte nós vamos’. E foi feito. Eles encontraram uma lona, pararam tudo e nos chamaram”, disse o delegado.

Peritos e policiais isolaram o local no dia seguinte. As buscas continuaram e, no final da tarde, foi recuperada também a mochila de Dom Phillips. Foi um “ponto-chave”, segundo o delegado, que “começou a abrir mais as coisas”.

“A partir daquele momento, o Amarildo, que já estava preso, começou a perceber que nós estávamos chegando perto. Ele não sabia exatamente onde a mochila estava. Eles tinham dividido as tarefas. O ‘Pelado’ foi com o Jeferson para afundar a canoa, e os parentes dele foram à noite para pegar os corpos e os pertences pessoais para levar próximo da cova, onde foram queimados os pertences pessoais.”

Logo depois “Pelado” iria confessar o crime e apontar o local exato onde os corpos estavam. “Ele me disse, ‘porra doutor, quando vocês acharam a mochila, aí me deu vontade de confessar porque eu não queria envolver minha família. Eu vi que vocês já sabiam de tudo, já tinham chegado’. Então quando ele falou isso, eu falei, bom, ele achava que já tínhamos chegado aos corpos, e chegando aos corpos, que estavam num lago que fica atrás da comunidade, a gente ia começar a prender outros familiares.”

Um dos irmãos, “Dos Santos”, foi preso. “Como ele [‘Pelado’] sabia que a família teve uma participação, que ainda vai ser elucidada a que ponto foi efetivamente essa participação, ao menos já tínhamos a certeza de que os familiares ajudaram a ocultar os corpos. Eles já são réus confessos no crime de ocultação de cadáver. Então, temeroso pelo envolvimento maior de sua família, ele, pelo que ele me falou informalmente, pelo que se depreende realmente da dinâmica, parece que foi a mochila o ponto que desencadeou a vontade dele de confessar o crime.”

Manobras para “confundir a investigação”

De acordo com o delegado, também já ficou claro que “Pelado” e seus parceiros no crime na ocultação fizeram manobras para “confundir a investigação”. Uma das artimanhas foi não afundar o barco de Bruno imediatamente após os assassinatos. “Pelado” ficou com o barco e continuou subindo o rio, como se nada tivesse acontecido, para um ponto mais distante da comunidade de São Gabriel. Ele queria que alguma testemunha dissesse depois à polícia que o barco fora visto passando pela comunidade de Cachoeira, e foi exatamente isso o que aconteceu. De longe, a testemunha viu apenas o barco branco de Bruno e daí deduziu que ele havia passado por lá na manhã do domingo e relatou isso à polícia. O barco de Bruno, porém, só foi afundado de noite por “Pelado” e Lima.

“No começo da investigação a Polícia Civil chegou a ir à Cachoeira e colheu um relato de uma pessoa dizendo que viu ‘Bruno’ passando com o barco. [O truque de ‘Pelado’] era para confundir a investigação”, disse o delegado. “Eles pensaram, tinha uma estratégia.”

Sávio – na mesma linha do que já disse à Agência Pública o delegado da Polícia Civil que preside o inquérito, Alex Perez, da delegacia de Atalaia do Norte – disse que a hipótese de um mandante continua não sendo descartada pela polícia, mas que não há indícios suficientes para iniciar uma investigação contra qualquer pessoa.

“É uma possibilidade, é uma linha de investigação que está sendo levada em consideração. Hoje não tenho elementos para pedir uma busca na casa de alguém, para indiciar alguém. Não temos elementos nos autos que identifiquem um mandante, mas a gente trabalha com essa hipótese. Vamos tentar esgotar essa possibilidade. Isso será estudado em conjunto com a Polícia Civil, com o delegado Alex, e no âmbito da PF, para ver qual a melhor estratégia. Nada impede que futuramente, surgindo provas… Por exemplo, se chegarmos a um suspeito que esteja envolvido em outros crimes.”

O especial Vale do Javari — terra de conflitos e crime organizado é uma série de reportagens da Agência Pública com apoio do Amazon Rainforest Journalism Fund (Amazon RJF) em parceria com o Pulitzer Center

 

Reportagem originalmente publicada na Agência Pública

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Polícia faz reconstituição do crime para testar versões de acusados e testemunhas https://canalmynews.com.br/brasil/policia-faz-reconstituicao-do-crime-para-testar-versoes-de-acusados-e-testemunhas/ Fri, 01 Jul 2022 12:54:18 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31007 Mais de 20 policiais federais e civis, além de peritos criminais federais, estão envolvidos na reconstituição do assassinato de Bruno e Dom.

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Estampidos de armas de fogo voltaram a soar alto no rio Itaquaí na tarde desta quarta-feira (29) no mesmo ponto em que, no último dia 5, foram assassinados o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips. Os tiros na água fizeram parte da reconstituição do crime, na qual trabalham, desde a última terça-feira (28), mais de 20 policiais federais e civis e peritos criminais federais.

A reconstituição tem sido feita por blocos de “eventos”. Os presos e testemunhas dão sua versão sobre cada “evento”. A versão é reencenada com outras pessoas e objetos e gravada pelos peritos, “como se fosse um filmete” de cada “evento”, segundo um policial federal.

Depois, cada versão será confrontada na tentativa de dissipar as dúvidas e incoerências que surgiram entre depoimentos.

LEIA TAMBÉM: PF tem mais 5 suspeitos de matar Bruno e Dom

Na terça-feira (28), os peritos trataram da queima dos documentos e objetos pessoais de Bruno e Dom e da ocultação dos corpos. Na quarta-feira (29), a reconstituição teve a participação dos principais acusados da execução do crime, os pescadores e caçadores Amarildo Oliveira, o “Pelado”, e Jeferson Lima, o “Pelado da Dinha”. Eles foram retirados da cela da delegacia de Atalaia do Norte, onde permanecem presos por ordens de prisão preventiva emitidas pela Justiça, e levados ao rio sob escolta policial. No final do dia, foram trazidos de volta à cela da delegacia.

Uma nova testemunha localizada pela polícia, um ribeirinho que casualmente estava perto do local dos assassinatos mas não teve envolvimento no crime, segundo a polícia, disse ter ouvido uma “rajada” no momento do crime, ou seja, uma sequência de tiros que teriam atingido a água. Com os tiros dados na reconstituição de quarta-feira (29), a perícia queria saber se a testemunha reconhecia o som como sendo os disparos de uma pistola como a que Bruno Pereira costumava portar.

De acordo com a versão de Amarildo Oliveira, o “Pelado”, o indigenista Bruno Pereira teria esboçado uma reação quando já estava caindo no barco após ser atingido provavelmente nas costas por um disparo dado por Jeferson Lima, o “Pelado da Dinha” – este diz, no entanto, que o primeiro tiro contra Bruno partiu de “Pelado”. A dupla se aproximou do barco de Bruno pela parte traseira e deu os tiros à queima-roupa, sem chance de defesa para o indigenista, a uma distância que varia, de acordo com os depoimentos, de três a 20 metros.

Com a série de reconstituições dos “eventos”, a intenção da polícia é esgotar dúvidas que surgiram na comparação entre os depoimentos prestados por Amarildo e Lima. Conforme o delegado que preside o inquérito, Alex Perez, disse à Agência Pública no último final de semana, as principais contradições são: quem, entre “Pelado” e “Pelado da Dinha”, atirou em quem no barco conduzido por Bruno e em que ordem; em que momento Dom Phillips foi morto; o número exato de cartuchos deflagrados (“Pelado” primeiro falou um tiro, depois três cada um); como foi a exata dinâmica do assassinato; a distância em que os disparos foram dados; o destino das armas usadas por “Pelado” e “Pelado da Dinha”; quantas e quais são as pessoas que ajudaram a ocultar os corpos.

Outra contradição entre os dois presos é quem convidou quem para entrar no barco na comunidade de São Gabriel a fim de perseguir e matar Bruno e Dom, quando o indigenista e o jornalista passaram de barco pelo rio naquele ponto na manhã do domingo, dia 5. “Pelado” diz que a iniciativa da perseguição partiu de “Pelado da Dinha”, que diz o contrário, que foi “Pelado” quem teve a iniciativa.

Outras medidas que ainda farão parte do inquérito para tirar dúvidas são uma acareação entre os dois acusados e a entrega do resultado dos diversos exames periciais realizados até o momento. Foram feitas perícias nos corpos, no local do crime, no local onde os corpos foram enterrados na mata e em diversos objetos encontrados com e nas casas dos investigados.

O trabalho pericial desta quarta-feira foi acompanhado pela Agência Pública e pela Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo no Amazonas. Os policiais foram apoiados por quatro indígenas e dois barcos da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). O barco que transportou os jornalistas foi conduzido pelo ex-coordenador da Univaja Jader Marubo, amigo de Bruno, com quem trabalhou por mais de cinco anos, de 2012 a 2016, quando o indigenista chefiou a coordenação regional da Funai em Atalaia do Norte. No caminho de ida e volta ao local da reconstituição, Marubo tocou nos alto-falantes do barco a versão entoada por Bruno de um canto kanamari que viralizou nas redes sociais após o seu assassinato. Os Kanamari são um dos povos que habitam a Terra Indígena Vale do Javari.

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Se a crueldade parte de nós, eu não sou um de nós https://canalmynews.com.br/voce-colunista/se-a-crueldade-parte-de-nos-eu-nao-sou-um-de-nos/ Thu, 30 Jun 2022 18:38:53 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30990 Ser mulher não é nada fácil, apesar de tantos avanços que o ser humano tem feito. E digo isso como homem e tendo vergonha de ser do mesmo gênero que essas pessoas que violentam as mulheres em todos os sentidos.

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Em um artigo recentemente publicado na CartaCapital tentei trazer a minha indignação com o que aconteceu com Bruno e Dom. Aquilo foi apenas um caso que nós soubemos, pois há os que não conhecemos ainda. Pessoas desaparecem e morrem tragicamente por defenderem a vida, o meio ambiente e os oprimidos e na maioria dos casos isso não vem a tona na mídia a não ser que se trate de uma pessoa estrangeira – como foi no caso recente do desaparecimento de Bruno e Dom. Talvez tenhamos tido conhecimento deste caso porque Bruno Pereira desapareceu enquanto estava acompanhado de um jornalista estrangeiro, Dom Philips. E quanto aos casos que não sabemos e nunca saberemos? Pois é, eles sequer serão esquecidos porque nunca foram conhecidos.

Alguns leitores criticaram que eu reduzi a imagem da espécie humana apenas ao homem branco e ocidental. Porém, digo com toda a certeza que eu possa ter na vida, aquilo que eu falei acontece em todos os lugares do mundo onde há
oprimidos. Mesmo nos Estados Unidos que é um suposto paraíso de democracia, aqueles que foram voz dos oprimidos são silenciados. Um dos exemplos mais recentes é o de Enes Kanter, jogador de basquete que não pôde ser cotado em nenhum time da NBA por ter denunciado o genocídio que a China vem fazendo contra os uigures muçulmanos.

Enes Kanter crueldade

Enes Kanter denunciou o genocídio que a China vem fazendo contra os uigures muçulmanos. Foto: Roprodução Instagram

Não bastasse a tragédia que testemunhamos nestas últimas semanas, começamos a semana do dia 20 de junho com duas outras notícias de acontecimentos esdrúxulos. O primeiro é caso de uma criança catarinense de 11 anos que foi estuprada e ficou grávida. O hospital a que ela foi levada negou o seu direito de fazer aborto por se tratar de uma gestação de mais de 22 semanas, prazo máximo que a OMS recomenda para a interrupção de gravidez. Porém, a lei brasileira é muito clara no que diz respeito à interrupção da gravidez causada pelo estupro: não há um prazo máximo de semanas para fazer o aborto. A tragédia da criança começou ali no momento em que o seu direito lhe foi negado.

Mas o pior aconteceu quando a família recorreu à justiça para poder fazer esta interrupção. A juíza Joana Ribeiro Zimmer usou as suas convicções pessoais para impedir o aborto que poderia livrar uma criança do risco de saúde ou da morte, segundo os especialistas. Fiquei pensando como seria se fosse filha de uma pessoa de influência ou até a própria filha da magistrada? Será que o estuprador seria considerado pai da criança, como afirmava a juíza na audiência vazada, ou será que ele iria parar no pior presídio do Brasil para passar o resto da vida? É! A vida não é fácil para quem é pobre e mulher, infelizmente.

Outro caso foi do procurador que espancou a sua chefe em Registro-SP. À parte quem ele apoia politicamente, algo que não foi difícil de descobrir através das redes sociais dele. Mas é uma covardia sem tamanho o que ele fez se demonstrando, no linguajar popular, “valentão” contra uma mulher indefesa que era a chefe dele. Ele foi preso dois depois do ocorrido. Mas será que se fosse um homem do mesmo tamanho que ele na frente dele, será que ele conseguia sequer levantar a voz? Provavelmente não. Pelo contrário, estaria tremendo e de mãos atadas pelo erro que devia ter cometido para ser submetido a uma investigação disciplinar.

Acrescento, ser mulher não é nada fácil mesmo apesar de tantos propensos avanços que o ser humano tem feito. E digo isso como um homem mesmo e tendo vergonha de ser do mesmo gênero que essas pessoas que violentam as mulheres em todos os sentidos.

Sim, o ser humano não pode ser resumido ao homem ocidental. Mas a crueldade dos homens é mesma na China, no Afeganistão, na França e no Brasil. E se esta crueldade parte de nós, homens, eu não sou um de nós.

*Atilla Kuş – Cientista da religião, mestre e doutorando em Ciência da Religião pela PUC-SP. Membro do Centro de Estudos das Religiões Alternativas e de Origem Oriental no Brasil-CERAL da PUC-SP. 

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Acusado de matar Bruno e Dom havia sido preso em 2019 com 200 munições de espingarda https://canalmynews.com.br/brasil/acusado-de-matar-bruno-e-dom-havia-sido-preso-em-2019-com-200-municoes-de-espingarda/ Wed, 29 Jun 2022 13:44:09 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30936 Até aqui, acreditava-se que não havia registro policial de “Pelado” anterior aos assassinatos

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Atalaia do Norte (AM) — O pescador e caçador Amarildo da Costa de Oliveira, 41, o “Pelado”, que segundo a polícia confessou ter matado o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips e indicou onde estavam os corpos, já havia sido preso em flagrante pela Polícia Civil em 2019 pela posse de 200 cartuchos de espingarda calibre 16. Até aqui, acreditava-se que não havia registro policial de “Pelado” anterior aos assassinatos.

amarildo da costa pelado

Amarildo da Costa, vulgo ‘Pelado’, acusado de matar Bruno e Dom. Foto: Reprodução TV Globo

De acordo com o depoimento de “Pelado” sobre os assassinatos, ele utilizou uma espingarda com esse mesmo calibre para matar Bruno e Dom no dia 5 de junho. A polícia ainda procura a arma, que o pescador disse ter jogado no leito do rio Itaquaí logo depois do crime.

Agência Pública localizou na Polícia Civil de Benjamin Constant (AM), que fica a 40 minutos de carro da cidade de Atalaia do Norte (AM), o registro público da ocorrência policial que levou “Pelado” à prisão. Ele foi solto logo depois – não fica claro, na documentação, quanto tempo ele ficou na cadeia; teria sido menos de um dia, de acordo com fontes consultadas pela reportagem. A apuração também concluiu que “Pelado” não chegou a ser denunciado pelo Ministério Público pois foi excluído do relatório final da polícia. Embora tenha sido indiciado pela polícia, não houve a ratificação do indiciamento no relatório final. A Agência Pública apura os motivos dessa exclusão e, assim que o ponto ficar esclarecido, este texto será atualizado.

A prisão de “Pelado” foi feita por uma equipe da Polícia Militar de Benjamin Constant no dia 26 de fevereiro de 2019 sob acusação de infração ao artigo 12 da lei 10.826/2003.

Após embarcar “caixas de gelo” em sua canoa “com o intuito de pescar”, ele foi deixar Elismário Almeida de Alegria na casa do colega pescador, na rua 13 de Maio, quando “foi abordado pela guarnição de serviço” da PM. De lá, foi levado pela PM à sua casa, na rua Irmão Balduíno, também em Benjamin Constant.

Na residência, a PM disse ter encontrado “oito caixas de cartuchos de espingarda calibre 16, totalizando 200 cartuchos”. Não fica clara a procedência do material e “Pelado” não foi indagado sobre isso. É comum, na região, a aquisição de munições no lado peruano da fronteira com o Brasil. Em Benjamin, os países são separados apenas pelo rio Javari, um trajeto de apenas dez minutos de barco.

“Pelado” foi perguntado pela PM “qual seria a finalidade das referidas munições”. Ele respondeu, segundo o termo de depoimento que foi acompanhado pelo seu então advogado no caso, Hurigel Bruno de Araújo: “Seriam levadas para a comunidade de São Gabriel, localizado no rio Itaquaí, pertencente à cidade de Atalaia do Norte, os quais seriam usados para caçar”.

No seu interrogatório em Benjamin, “Pelado” disse ser católico, com “ensino fundamental incompleto (4ª série)” e que não fora preso ou processado anteriormente. Indagado se era “dado ao uso de bebida alcoólica”, respondeu que “sim, apenas cerveja”. Disse que tinha cinco filhos, de 19, 15, 13, dez e dois anos de idade. Embora tenha reconhecido a posse da munição e que ela seria levada para sua comunidade, ao mesmo tempo e de forma contraditória “afirmou ser inocente”.

“Pelado” disse ainda que possuía uma espingarda calibre 16, “mas que deixa a mesma na comunidade de São Gabriel, para a qual tais munições seriam levadas”. Foi dessa mesma comunidade que “Pelado” partiu de barco em perseguição a Bruno e Dom na manhã do dia 5, até alcançá-los e matá-los – segundo a polícia, ele e seu colega pescador, Jeferson Lima Silva, o “Pelado da Dinha”, agiram de forma traiçoeira ao atirar em Bruno pelas costas, sem chance de defesa às vítimas. A polícia investiga se outros membros dessa comunidade, como o irmão de “Pelado”, Oseney Oliveira, o “Dos Santos”, participaram da ocultação dos dois corpos.

Oseney da Costa de Oliveira é levado por agentes da PF

Irmão de ‘Pelado’, Oseney Oliveira, o ‘Dos Santos‘. Foto: Avener Prado/Agência Pública

O gestor da Polícia Civil em Benjamin Constant – cargo equivalente ao de delegado em municípios do Amazonas que não possuem delegado –, Alcy Barbosa, disse que um cartucho de espingarda calibre 16 pode ser adquirido por até R$ 5 no lado peruano da fronteira. No varejo brasileiro, o preço dessa munição pode chegar a R$ 10. Assim, pelos atuais valores brasileiros as 200 munições apreendidas com “Pelado” custariam até R$ 2 mil. Barbosa não estava lotado na cidade na época de “Pelado” e por isso não tinha informações sobre o registro nem explicação sobre o pescador não ter sido denunciado pelo Ministério Público ao término do inquérito.

O delegado da Polícia Civil em Atalaia do Norte, Alex Perez, disse à Agência Pública que “existe um inquérito instaurado em Benjamin Constant no qual ele [“Pelado”] inicialmente tinha sido indiciado por apreensão de cartuchos”. “Mas não sei o motivo pelo qual ele não foi incluído no relatório final do delegado ou do gestor de lá. E juntamente com o promotor fomos analisar. Só que no relatório final ele [“Pelado”] não entrou… não foi ratificado o indiciamento. Mas ele foi [sim] investigado por participação nessa situação.”

O advogado Hurigel Bruno de Araújo, que defendeu “Pelado” na prisão em flagrante, disse que atuou até a soltura do pescador e não se recorda de detalhes do processo. Afirmou que “não gostaria de comentar o conteúdo do processo” por “questões profissionais”, mas reconheceu que o processo é público. “Faz tanto tempo que não me lembro mais desse caso. Fui chamado para socorrer ele no flagrante e ele foi posto em liberdade e desde esse dia eu não vi mais ele, não tive mais contato. Eu trabalho em Tabatinga e ele mora em Atalaia do Norte, salvo engano, numa comunidade, e não tive mais contato.”

“Na realidade [não] me chamaram nem para advogar para ele, foi para advogar para uma outra pessoa e ele estava lá, pediu ajuda. Não foi especificamente para ele. Eu tomei pé da situação lá, mas não era exclusivamente para ele, não, entendeu? Envolvia outras pessoas que foram presas e ele estava lá no flagrante”, disse o advogado.

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