Arquivos bruno pereira - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/bruno-pereira/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Mon, 04 Nov 2024 22:04:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 PF conclui inquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips https://canalmynews.com.br/noticias/pf-conclui-inquerito-sobre-assassinato-de-bruno-pereira-e-dom-phillips/ Mon, 04 Nov 2024 22:04:22 +0000 https://localhost:8000/?p=48213 Indigenista e jornalista britânico foram mortos a tiros em junho de 2022, no Amazonas, quando visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari

O post PF conclui inquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Após quase dois anos e meio de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu, na última sexta-feira (1º), o inquérito sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

“A investigação confirmou que os assassinatos foram em decorrência das atividades fiscalizatórias promovidas por Bruno Pereira na região. A vítima atuava em defesa da preservação ambiental e na garantia dos direitos indígenas”, diz nota.

Pereira e Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, em Atalaia do Norte, no Amazonas, quando visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior área do país destinada ao usufruto exclusivo indígena e que abriga a maior concentração de povos isolados em todo o mundo.

Leia mais: Teto de gastos ajudou a reduzir a Selic

No relatório final sobre a apuração, a PF manteve o indiciamento de nove investigados. Ou seja, o órgão ofereceu denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) de nove pessoas contra as quais assegura ter reunido provas suficientes para acusá-las de participar do duplo homicídio. O MPF pode pedir o arquivamento, caso entenda não haver elementos probatórios contra os investigados, ou denunciá-los à Justiça Federal, transformando-os em réus.

Entre os indiciados está Ruben Dario da Silva Villar, apontado como mandante do crime. Sem citar nomes, a PF informou que os outros oito indiciados tiveram papéis na execução dos homicídios e na ocultação dos cadáveres das vítimas.

Leia mais: As eleições municipais de 2024 e as perspectivas do bolsonarismo: algumas breves ponderações

A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa de Villar, que já tinha sido indiciado pelo mesmo motivo em janeiro de 2023, quando a PF divulgou que tinha identificado a maioria das pessoas envolvidas no assassinato.

“Temos provas de que ele [Colômbia] fornecia munições para o Jefferson e o Amarildo, as mesmas encontradas no caso”, disse, na época, o então superintendente regional da PF no Amazonas, Alexandre Fontes, afirmando que Villar também pagou as despesas iniciais com a defesa de Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, primeiro suspeito a ser preso, em 7 de junho de 2022.

Interesses contrariados

Colaborador de publicações jornalísticas prestigiadas, como os jornais britânico The Guardian e os estado-unidenses The New York Times e Washington Post, Dom Phillips, 57 anos, viajou à região com o propósito de entrevistar lideranças indígenas e ribeirinhos para um novo livro-reportagem sobre a Amazônia que planejava escrever.

Veja mais: Saiba como foi polêmica votação na ONU e porque resultou em demissão de ministra por Javier Milei

Embora falasse português fluentemente e já tivesse visitado a região outras vezes, Phillips viajava na companhia de Pereira por este ser um experiente indigenista Pereira. Com 41 anos de idade, estava licenciado da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde fevereiro de 2020, por questões políticas, e atuava como consultor técnico da organização não governamental União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Os agentes da PF responsáveis pela apuração do crime concluíram que Pereira e Phillips foram mortos em decorrência do trabalho do indigenista. Mesmo licenciado da Funai, Pereira continuou contrariando interesses de grupos que ameaçam o bem-estar e a integridade de parte da população local. Na Univaja, auxiliava na implementação de projetos para permitir às comunidades tradicionais proteger seus territórios e os recursos naturais neles existentes.

“A vítima atuava em defesa da preservação ambiental e na garantia dos direitos indígenas”, destacou a PF, na nota que divulgou hoje – e na qual reforça que segue monitorando os riscos aos habitantes da região do Vale do Javari e que continua investigando ameaças contra indígenas que vivem na mesma região onde Pereira e Phillips foram mortos.

Veja mais:

O post PF conclui inquérito sobre assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Polícia faz reconstituição do crime para testar versões de acusados e testemunhas https://canalmynews.com.br/brasil/policia-faz-reconstituicao-do-crime-para-testar-versoes-de-acusados-e-testemunhas/ Fri, 01 Jul 2022 12:54:18 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31007 Mais de 20 policiais federais e civis, além de peritos criminais federais, estão envolvidos na reconstituição do assassinato de Bruno e Dom.

O post Polícia faz reconstituição do crime para testar versões de acusados e testemunhas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
selo agência pública

Estampidos de armas de fogo voltaram a soar alto no rio Itaquaí na tarde desta quarta-feira (29) no mesmo ponto em que, no último dia 5, foram assassinados o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips. Os tiros na água fizeram parte da reconstituição do crime, na qual trabalham, desde a última terça-feira (28), mais de 20 policiais federais e civis e peritos criminais federais.

A reconstituição tem sido feita por blocos de “eventos”. Os presos e testemunhas dão sua versão sobre cada “evento”. A versão é reencenada com outras pessoas e objetos e gravada pelos peritos, “como se fosse um filmete” de cada “evento”, segundo um policial federal.

Depois, cada versão será confrontada na tentativa de dissipar as dúvidas e incoerências que surgiram entre depoimentos.

LEIA TAMBÉM: PF tem mais 5 suspeitos de matar Bruno e Dom

Na terça-feira (28), os peritos trataram da queima dos documentos e objetos pessoais de Bruno e Dom e da ocultação dos corpos. Na quarta-feira (29), a reconstituição teve a participação dos principais acusados da execução do crime, os pescadores e caçadores Amarildo Oliveira, o “Pelado”, e Jeferson Lima, o “Pelado da Dinha”. Eles foram retirados da cela da delegacia de Atalaia do Norte, onde permanecem presos por ordens de prisão preventiva emitidas pela Justiça, e levados ao rio sob escolta policial. No final do dia, foram trazidos de volta à cela da delegacia.

Uma nova testemunha localizada pela polícia, um ribeirinho que casualmente estava perto do local dos assassinatos mas não teve envolvimento no crime, segundo a polícia, disse ter ouvido uma “rajada” no momento do crime, ou seja, uma sequência de tiros que teriam atingido a água. Com os tiros dados na reconstituição de quarta-feira (29), a perícia queria saber se a testemunha reconhecia o som como sendo os disparos de uma pistola como a que Bruno Pereira costumava portar.

De acordo com a versão de Amarildo Oliveira, o “Pelado”, o indigenista Bruno Pereira teria esboçado uma reação quando já estava caindo no barco após ser atingido provavelmente nas costas por um disparo dado por Jeferson Lima, o “Pelado da Dinha” – este diz, no entanto, que o primeiro tiro contra Bruno partiu de “Pelado”. A dupla se aproximou do barco de Bruno pela parte traseira e deu os tiros à queima-roupa, sem chance de defesa para o indigenista, a uma distância que varia, de acordo com os depoimentos, de três a 20 metros.

Com a série de reconstituições dos “eventos”, a intenção da polícia é esgotar dúvidas que surgiram na comparação entre os depoimentos prestados por Amarildo e Lima. Conforme o delegado que preside o inquérito, Alex Perez, disse à Agência Pública no último final de semana, as principais contradições são: quem, entre “Pelado” e “Pelado da Dinha”, atirou em quem no barco conduzido por Bruno e em que ordem; em que momento Dom Phillips foi morto; o número exato de cartuchos deflagrados (“Pelado” primeiro falou um tiro, depois três cada um); como foi a exata dinâmica do assassinato; a distância em que os disparos foram dados; o destino das armas usadas por “Pelado” e “Pelado da Dinha”; quantas e quais são as pessoas que ajudaram a ocultar os corpos.

Outra contradição entre os dois presos é quem convidou quem para entrar no barco na comunidade de São Gabriel a fim de perseguir e matar Bruno e Dom, quando o indigenista e o jornalista passaram de barco pelo rio naquele ponto na manhã do domingo, dia 5. “Pelado” diz que a iniciativa da perseguição partiu de “Pelado da Dinha”, que diz o contrário, que foi “Pelado” quem teve a iniciativa.

Outras medidas que ainda farão parte do inquérito para tirar dúvidas são uma acareação entre os dois acusados e a entrega do resultado dos diversos exames periciais realizados até o momento. Foram feitas perícias nos corpos, no local do crime, no local onde os corpos foram enterrados na mata e em diversos objetos encontrados com e nas casas dos investigados.

O trabalho pericial desta quarta-feira foi acompanhado pela Agência Pública e pela Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo no Amazonas. Os policiais foram apoiados por quatro indígenas e dois barcos da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). O barco que transportou os jornalistas foi conduzido pelo ex-coordenador da Univaja Jader Marubo, amigo de Bruno, com quem trabalhou por mais de cinco anos, de 2012 a 2016, quando o indigenista chefiou a coordenação regional da Funai em Atalaia do Norte. No caminho de ida e volta ao local da reconstituição, Marubo tocou nos alto-falantes do barco a versão entoada por Bruno de um canto kanamari que viralizou nas redes sociais após o seu assassinato. Os Kanamari são um dos povos que habitam a Terra Indígena Vale do Javari.

O post Polícia faz reconstituição do crime para testar versões de acusados e testemunhas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
“Nada está descartado”: o que diz o delegado que preside o inquérito sobre Bruno e Dom https://canalmynews.com.br/brasil/nada-esta-descartado-o-que-diz-o-delegado-que-preside-o-inquerito-sobre-bruno-e-dom/ Mon, 27 Jun 2022 20:58:05 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30877 Delegado Alex Perez explica que uma segunda apuração poderá ser aberta e os indícios sobre um eventual mandante ainda são “poucos”

O post “Nada está descartado”: o que diz o delegado que preside o inquérito sobre Bruno e Dom apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
selo agência pública

O delegado da Polícia Civil Alex Perez, que em Atalaia do Norte (AM) preside o inquérito sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, está confiante sobre as provas colhidas a respeito da autoria do crime. O mesmo ele não diz sobre um suposto mandante dos assassinatos.

“Aqui a gente está preocupado em concluir, porque temos prazo, essa situação do homicídio, da execução. Talvez eu peça a prorrogação [do inquérito], pela complexidade. Faltam os laudos ainda. Mas essa segunda fase eu não sei se vai ficar com a gente. Seria um novo inquérito, desdobraria [o primeiro]”, disse o delegado em entrevista exclusiva à Agência Pública na delegacia de Atalaia.

Hoje a investigação se concentra nas figuras dos pescadores e caçadores Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, Jeferson da Silva Lima, conhecido como “Pelado da Dinha”, e Oseney da Costa Oliveira, o “Dos Santos”, irmão de “Pelado”. Os dois primeiros confessaram o crime, cometido no último dia 5, e apontaram à polícia o local exato onde os corpos foram enterrados perto da calha do rio Itaquaí. A polícia tem um prazo inicial de 30 dias, a contar de 5 de junho, para concluir a investigação. O prazo pode ser renovado diversas vezes por igual período por ordem judicial.

Uma eventual segunda etapa das investigações destinada a apurar um mandante poderá ficar sob a responsabilidade da Polícia Federal. Mas, a rigor, a Polícia Civil também pode abrir um inquérito a qualquer momento.

“Se eu tiver indícios e elementos suficientes — de gente que fale, porque as pessoas não falam dele [suposto mandante]. Já tentei buscar elementos para a gente instaurar um inquérito, porque eu não posso instaurar um inquérito sem base nenhuma. Mas a partir do momento em que eu tiver em mãos elementos suficientes para instaurar um inquérito, eu instauro. Porque todo mundo comenta, mas não tenho aqui, no papel, formalizado”, disse o delegado.

Agência Pública indagou quais elementos disponíveis à polícia teria até o momento que apontariam para um suposto mandante. O delegado respondeu que “muito pouco”, um material “insuficiente”. A reportagem apurou que um dos presos, o “Pelado da Dinha”, mencionou que transaciona com uma pessoa o produto da pesca clandestina e ilegal, mas não associou esse nome aos homicídios. “Pelado” não mencionou o empresário, apenas disse genericamente que comercializa o pescado em Tabatinga e Benjamin Constant.

“O Jeferson comentou que há poucos anos esse [empresário] compra essa mercadoria e financia. Falou pouco, um parágrafo, mas comentou. É o que todo mundo sabe, é voz corrente, que realmente compra esse material e financia. Em troca do financiamento, tudo que é extraído, que é pescado, caçado, é levado para ele como forma de compensação. O pescador deve ganhar algum valor, uma porcentagem. Ou parte do pescado. Tanto que eles mesmos [os presos] falam que vendem em Benjamin Constant. Aqui em Atalaia é muito pouco porque eles falam que é fraco [o movimento do comércio]. Aí eles vão para Benjamin, mandam para a Colômbia também.”

Essas citações, contudo, ainda são genéricas e inconclusivas, segundo o delegado, e não justificariam a abertura de um inquérito próprio. O delegado reiterou que primeiro pretende encerrar o inquérito sobre a autoria. Mas, “diante de novos fatos, se chegarem aqui para nós da delegacia de Atalaia, a gente vai investigar”. Segundo o delegado, para a polícia “nada está descartado”.

“A gente também tem esse interesse [de uma segunda investigação sobre suposto mandante], só que agora a gente não pode fazer duas coisas boas ao mesmo tempo. Fica difícil. O risco é acabar gerando uma nulidade, por exemplo, de um ato nosso aqui. Porque a gente está tendo o maior cuidado em tudo que estamos fazendo. Para evitar a nulidade num eventual Tribunal do Júri. Se anular um ato, e aí? Então a gente está tentando fazer um negócio bem amarradinho, se cercando de todas as cautelas para a gente entregar um trabalho bem [feito].”

A hipótese de um mandante pode dar início a uma segunda investigação, mas só depois que a primeira for encerrada, reiterou Perez. A prioridade da polícia nesse momento é terminar a apuração do crime em si, por meio das perícias da PF e da solução das contradições entre os depoimentos dos presos – detalhes que, para a polícia, não afetam a conclusão final do inquérito.

bruno e dom

Ainda está indefinida a hipótese de uma investigação própria sobre suposto mandante do assassinato de Bruno e Dom, de acordo com o delegado Alex Perez. Foto: José Medeiros/Agência Pública

As principais contradições

As principais contradições até aqui são, de acordo com o delegado: quem, entre “Pelado” e “Pelado da Dinha”, atirou em quem no barco conduzido por Bruno e em que ordem; em que momento Dom Phillips foi morto; o número exato de cartuchos deflagrados (“Pelado” primeiro falou um tiro, depois três cada um); como foi a exata dinâmica do assassinato; a distância em que os disparos foram dados; o destino das armas usadas por “Pelado” e “Pelado da Dinha”; quantas e quais são as pessoas que ajudaram a ocultar os corpos.

Outra contradição entre os dois presos é quem convidou quem para entrar no barco na comunidade de São Rafael a fim de perseguir e matar Bruno e Dom, quando o indigenista e o jornalista passaram de barco pela comunidade na manhã do domingo, dia 5. “Pelado” diz que a iniciativa da perseguição partiu de “Pelado da Dinha”, que, entretanto, diz o contrário.

Para tentar resolver essas contradições, a polícia tem duas ferramentas: uma acareação entre os dois acusados e os exames periciais. Uma terceira medida será uma ampla reconstituição dos assassinatos no leito do rio Itaquaí com a participação dos três presos e de algumas testemunhas. Isso deverá ocorrer com apoio da Polícia Federal ainda nesta semana, segundo apurou a Agência Pública.

As perícias poderão ajudar a explicar a trajetória dos disparos dados pelos dois acusados e a dinâmica do ataque. O delegado Perez trabalha com duas hipóteses principais. Na primeira, Bruno é atingido por “Pelado da Dinha” pelas costas, perde o controle do barco, mas ainda consegue sacar a pistola que costumava carregar consigo. Essa arma desapareceu. Um dos acusados afirmou que Bruno, já atingido pelo primeiro tiro, bateu o braço em vários galhos na margem do rio e, com isso, a pistola se soltou de sua mão e caiu no rio.

A segunda hipótese é que o primeiro tiro partiu de “Pelado”, que depois deu uma volta com o barco e conseguiu atingir Bruno de frente, com mais dois tiros. Em seguida ou simultaneamente, Dom foi morto.

De qualquer forma, os depoimentos são coincidentes em indicar que Bruno foi atingido de surpresa, sem chance de reação, a curta distância. A suposta reação de Bruno, se de fato ocorreu (não há nenhuma prova disso até o momento), só vem depois do primeiro tiro que parte do barco onde estavam “Pelado” e “Pelado da Dinha”.

Há divergências sobre a distância do disparo efetuado contra Bruno. “Amarildo fala que foi um pouco mais distante. Já o outro fala que foi bem mais próximo, fala 3 ou 4 metros. Por isso que quando ele [Bruno] levou [o tiro], a lancha se desgovernou e avançou na margem do rio. E antes de chegar à margem do rio, Amarildo diz que Bruno conseguiu sacar a arma e efetuar alguns disparos. E a arma do Bruno? Segundo a versão do Amarildo, enquanto a lancha estava se dirigindo para a margem do rio, aquela galhada das árvores provavelmente teria batido na mão do Bruno e a arma teria caído [no rio]. Perguntamos mais de 30 vezes, ‘e a arma do Bruno?’. A versão do Amarildo é essa”, explicou o delegado.

Embora a Polícia Federal tenha feito inúmeras perícias, incluindo uma versão em 3D, não é garantido que elas consigam elucidar toda a sequência da perseguição, dos tiros e da ordem exata dos assassinatos. De qualquer forma, isso pouco muda em relação ao ponto fundamental do inquérito.

“Se a perícia não for completamente conclusiva em relação a essa dinâmica, quem acertou quem, os dois [presos] vão ser indiciados. Até porque a Justiça procura aplicar a pena de acordo com a sua participação, a individualização da pena, como se chama. Mas nesse caso, se não concluir, na minha opinião [pouco muda]. Ambos confessam, há uma materialidade, os corpos foram encontrados, foram indicados por um dos dois, o outro também conta detalhes do que aconteceu. É pouco provável que escapem das acusações. E tem as provas técnicas ainda, que a gente está aguardando. São muitas. Tem a perícia da primeira lancha do Amarildo, onde foram encontrados vestígios de sangue, era bastante sangue, eu vi. Tem a perícia dos corpos. A gente arrecadou bastante material ontem [sexta-feira, dia 24].”

Motivação do crime

Sobre a motivação do assassinato considerada até o momento no inquérito, o delegado repetiu a linha antecipada à Agência Pública pelo principal investigador da Polícia Civil que atua no caso, a de que Bruno Pereira “atrapalhava” os negócios de “Pelado” e seus associados.

“A situação do conflito, a gente começou a se aprofundar nesses detalhes do conflito existente entre Amarildo, entre os familiares e Bruno. Que Bruno, segundo o depoimento deles, atrapalhava as negociatas, o negócio, a venda dos peixes. Que Bruno complicava lá, quando eles atavam as malhadeiras [equipamento para pesca], Bruno ficava passando com a canoa para dificultar, para o peixe não entrar, uma série de situações. E isso já vem de muito tempo, e isso gerou um certo inconformismo neles que em princípio gerou neles essa, essa… Quero usar a palavra correta. Essa reação desproporcional que culminou na execução dos dois.”

O delegado disse que não pretende “romantizar nada” e que irá “à essência da coisa”.

“Ele [Bruno] fiscalizava e eles [presos] alegam que eram prejudicados. Bruno fiscalizava, fazia o papel dele, e isso incomodava. Porque era a maneira deles [presos] se sustentarem. Até com uma certa qualidade de vida, diferente de outros ribeirinhos, que não têm praticamente nada.”

Perez também reconhece que havia ameaças contra o indigenista, que “os relatos indicam que eles [Bruno e indígenas] vinham fazendo essas denúncias há muito tempo” e que as denúncias eram feitas por organizações não governamentais.

O especial Vale do Javari — terra de conflitos e crime organizado é uma série de reportagens da Agência Pública com apoio do Amazon Rainforest Journalism Fund (Amazon RJF) em parceria com o Pulitzer Center

Reportagem originalmente publicada na Agência Pública

O post “Nada está descartado”: o que diz o delegado que preside o inquérito sobre Bruno e Dom apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Familiares se despedem de Dom Phillips em funeral em Niterói https://canalmynews.com.br/brasil/familiares-se-despedem-de-dom-phillips-em-funeral-em-niteroi/ Mon, 27 Jun 2022 10:54:03 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30794 A viúva disse que a família seguirá atenta a todos os desdobramentos das investigações, "exigindo Justiça no significado mais abrangente do termo".

O post Familiares se despedem de Dom Phillips em funeral em Niterói apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Familiares e amigos se despediram do jornalista Dom Phillips em um funeral realizado neste domingo (27), em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O profissional de imprensa foi assassinado no Vale do Javari, no Amazonas, onde estava a trabalho acompanhado do indigenista Bruno Pereira, que também foi morto. 

A família do jornalista britânico chegou ao cemitério Parque da Colina por volta das 9h, quando começou o velório de Phillips. A cerimônia foi seguida da cremação de seus restos mortais, realizada no mesmo cemitério.

A viúva de Dom, Alessandra Sampaio, e a irmã do jornalista, Sian Phillips, leram pronunciamentos em português e inglês para a imprensa, destacando o amor do britânico pelo Brasil, seu compromisso com a conservação do meio ambiente e a necessidade de continuar sua luta.

Alessandra Sampaio agradeceu o apoio que recebeu dos povos indígenas, da imprensa, de amigos jornalistas e de todos que participaram das buscas e se solidarizaram com Dom, Bruno e suas famílias.

“Hoje, Dom será cremado no país que amava, seu lar escolhido, o Brasil”, disse. “Dom era uma pessoa muito especial, não apenas por defender aquilo que acreditava como profissional, mas também por ter um coração enorme e um grande amor pela humanidade”.

dom philips

Alessandra Sampaio, mulher do correspondente, durante o funeral de Don Phillips. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A viúva disse que a família seguirá atenta a todos os desdobramentos das investigações, “exigindo Justiça no significado mais abrangente do termo”, destacou. “Renovamos nossa luta para que a nossa dor e a da família de Bruno Pereira não se repitam, como também das famílias de outros jornalistas e defensores do meio ambiente, que seguem em risco”.

Casal planejava adoção

Sian Phillips contou que Alessandra e o jornalista planejavam adotar duas crianças brasileiras e lembrou que Dom era apaixonado pelo futebol, música e paisagens naturais do Brasil.

“Ao lembramos Dom como um amável, divertido e legal irmão mais velho, ficamos tristes que foi negada a ele a chance de compartilhar essas qualidades, como pai, à próxima geração.”, disse.

A irmã do jornalista destacou que ele foi um profissional que compartilhou um leque diverso de histórias sobre os brasileiros, de ricos e poderosos a moradores de favelas e povos indígenas.

“Ele foi morto porque tentou dizer ao mundo o que estava acontecendo com a floresta e seus habitantes. Sua missão confrontou os interesses de indivíduos que estão determinados a explorar a Floresta Amazônica sem se preocupar com o impacto destrutivo de suas atividades ilegais”, disse.

dom philips

Sian Phillips, irmã do correspondente, fala durante o funeral do jornalista inglês. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sian contou que Dom trabalhava no projeto de um livro sobre modelos de desenvolvimento sustentáveis que podem assegurar a preservação da Amazônia, tanto como lar dos povos tradicionais como fator estabilizante para o clima global.

“Dom entendeu a necessidade de uma mudança urgente tanto na abordagem política quanto econômica da conservação. Família e amigos estamos comprometidos a continuar este trabalho, mesmo nesse momento de tragédia. A história precisa ser contada”.

Mortos a tiros

Do lado de fora do cemitério, um grupo de manfestantes levou uma faixa que questionava: “Quem mandou matar Dom e Bruno?”. Segundo o inquérito da Polícia Federal, não há indícios de que haja mandantes na ação criminosa que matou os dois.

O jornalista e o indigenista foram vistos no Vale do Javari pela última vez no dia 5 de junho, e, após buscas, restos mortais foram encontrados no dia 15 de junho. No dia seguinte, os corpos foram levados para Brasília, onde foram periciados e identificados pelo Instituto Nacional de Criminalística.

Os restos mortais foram localizados em um local indicado pelo pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, que é um dos suspeitos do crime, confessou sua participação e foi preso.

Em nota divulgada no último dia 18, a Polícia Federal informou que Bruno Pereira foi morto com dois tiros na região abdominal e torácica, e um na cabeça, enquanto Dom Phillips levou um tiro no abdômen/tórax. A munição usada no assassinato foi típica de caça.

Dom Phillips era colaborador do jornal britânico The Guardian e já havia produzido reportagens sobre desmatamento na Floresta Amazônica. Bruno Pereira, por sua vez, era servidor licenciado da Funai e denunciava ameaças sofridas na região, informação confirmada pela PF. Ele atuava como colaborador da Univaja, uma entidade mantida pelos próprios indígenas da região, que tinha como foco impedir invasão da reserva por pescadores, caçadores e narcotraficantes.

Na última quinta-feira, a Polícia Federal transportou os corpos de Bruno e Dom de Brasília para os estados em que seriam realizados seus funerais. O corpo de Bruno Pereira foi velado e cremado na última sexta-feira, em Paulista, na região metropolitana do Recife (PE).

O post Familiares se despedem de Dom Phillips em funeral em Niterói apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Corpo de indigenista Bruno Pereira é velado em Pernambuco https://canalmynews.com.br/brasil/corpo-de-bruno-pereira-e-velado-em-pernambuco/ Fri, 24 Jun 2022 19:03:46 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30598 O corpo vai ser cremado ainda nesta sexta-feira (24), em cerimônia íntima para parentes e amigos próximos.

O post Corpo de indigenista Bruno Pereira é velado em Pernambuco apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
O corpo do ex-coordenador-geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Fundação Nacional do Índio (Funai), Bruno Pereira, está sendo velado hoje (24), em Paulista, na região metropolitana do Recife (PE).

Aberto ao público, o velório começou perto das 9h. O corpo do indigenista pernambucano será cremado durante uma cerimônia agendada para as 15 horas de hoje e limitada a parentes e poucos amigos.

Fechado, o caixão contendo o corpo de Bruno foi coberto com as bandeiras de Pernambuco; do Sport, time de futebol para o qual ele torcia e por uma foto de Bruno. Além de familiares e amigos, representantes de movimentos sociais e indígenas prestam as homenagens ao ex-servidor da Funai, assassinado no início do mês, no Vale do Javari, na Amazônia.

Um grupo de índios da etnia Xukuru, de Pesqueira (PE), viajou cerca de 200 quilômetros para prestar um tributo a Bruno. Entre cânticos e discursos em defesa dos povos indígenas e do meio ambiente, os xukurus declararam Bruno Pereira como um “ser encantado”, protetor da causa indígena.

Condolências à Bruno Pereira

Até as 10h, um espaço no site do Cemitério e Crematório Morada da Paz, destinado a publicações de homenagens e orações, já tinha recebido 350 mensagens destacando a dedicação de Bruno à proteção dos povos indígenas e da Amazônia e prestando condolências à família.

Bruno e o jornalista britânico Dom Phillips foram emboscados e mortos no início do mês, quando viajavam, de barco, pela região do Vale do Javari. Localizada próxima à fronteira brasileira com o Peru e a Colômbia, a região abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, a um campo de futebol oficial). A área também abriga o maior número de indígenas isolados ou de contato recente do mundo.

Bruno e Dom foram vistos pela última vez no dia 5 de junho, enquanto se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde se reuniria com lideranças indígenas e comunidades ribeirinhas. Seus corpos só foram resgatados dez dias depois. Eles estavam enterrados em uma área de mata fechada, a cerca de três quilômetros da calha do Rio Itacoaí.

A Polícia Federal (PF) concluiu os exames periciais nos remanescentes humanos nesta quarta-feira (22). Assim, os corpos de Bruno e Dom foram entregues às famílias ontem (23).

Dom Phillips vai ser velado em Niterói

O jornalista Dom Phillips será velado em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, e seu funeral está marcado para domingo (26), a partir das 9h. Colaborador do jornal britânico The Guardian, Dom fazia a cobertura jornalística ambiental, incluindo os conflitos fundiários e a situação dos povos indígenas, e preparava um livro sobre a Amazônia.

Oito pessoas estão sendo investigadas por possível participação no duplo assassinato e na ocultação dos cadáveres. Três dos suspeitos estão presos e cinco foram identificados por terem participado da ocultação dos cadáveres. Os presos são Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, Jefferson da Silva Lima e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos.

O post Corpo de indigenista Bruno Pereira é velado em Pernambuco apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
PF e indígenas dizem que corpos de Dom Phillips e Bruno Pereira não foram encontrados https://canalmynews.com.br/brasil/familiares-de-dom-phillips-afirmam-que-corpos-foram-encontrados-pf-e-indigenas-dizem-que-buscas-continuam/ Mon, 13 Jun 2022 19:58:37 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=29864 Familiares do jornalista foram avisados sobre uma suposta descoberta dos corpos na região onde ocorrem as buscas

O post PF e indígenas dizem que corpos de Dom Phillips e Bruno Pereira não foram encontrados apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
A Polícia Federal e a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) afirmaram, na manhã desta segunda-feira (13), que os corpos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira ainda não foram encontrados.

A informação contradiz as notícias de que familiares de Dom Phillips teriam sido avisados sobre dois corpos encontrados na região onde ocorrem as buscas. A esposa de Phillips, Alessandra Sampaio, afirmou, na manhã de hoje, que foi alertada sobre a existência de dois corpos que seriam submetidos a perícias. A informação foi publicada pelo jornalista André Trigueiro.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, outros familiares do jornalista foram informados pela Embaixada Britânica sobre os dois corpos não identificados.

Em nota, a Polícia Federal nega que os agentes envolvidos na busca tenham encontrado os corpos. A informação foi confirmada por representantes da Univaja, organização local que denunciou o desaparecimento da dupla e que tem atuado nas buscas.

“O Comitê de crise, coordenado pela Polícia Federal (AM), informa que, não procedem as informações que estão sendo divulgadas a respeito de terem sido encontrados os corpos do Sr. Bruno Pereira e do Sr. Dom Phillips”, diz a nota da PF.

Dom e Bruno estão desaparecidos há mais de uma semana no Vale do Javari, no Amazonas. No domingo (12), a Polícia Federal encontrou pertences do jornalista e do indigenista. Em nota, a corporação afirmou que foram encontrados um cartão de saúde com o nome de Bruno Pereira, roupas, calçados e uma mochila que pertencia ao britânico.

Leia também
Atalaia do Norte vive trauma e discute desaparecimento

Ainda no domingo, a Univaja afirmou ter encontrado uma nova embarcação na mesma região em que são realizadas as buscas.

Veja a nota da PF
O Comitê de crise, coordenado pela Polícia Federal/AM, informa que, não procedem as informações que estão sendo divulgadas a respeito de terem sido encontrados os corpos do Sr. Bruno Pereira e do Sr. Dom Phillips.

Conforme já divulgado, foram encontrados materiais biológicos que estão sendo periciados e os pertences pessoais dos desaparecidos.

Tão logo haja o encontro, a família e os veículos de comunicação serão imediatamente informados.

Saiba mais no Almoço do MyNews desta segunda-feira (13):

 

O post PF e indígenas dizem que corpos de Dom Phillips e Bruno Pereira não foram encontrados apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>