Arquivos Collor - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/collor/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 24 May 2024 14:43:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Bolsonaro inelegível está mais para Collor do que para líder https://canalmynews.com.br/politica/bolsonaro-inelegivel-esta-mais-para-collor-do-que-para-lider/ Mon, 03 Jul 2023 13:57:05 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38309 Ex-presidente não tinha Plano B para a derrota e só a reeleição poderia consolidar seu projeto

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Inelegibilidade consumada, discute-se agora o futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro e sua capacidade de consolidar-se como liderança política da extrema-direita – minoritária, porém influente e predominante nos últimos quatro anos.

O sufixo “ismo”, incorporado à corrente ideológica representada pelo seu principal líder, sugere que o ex-presidente tem a fidelidade da parcela do eleitorado do conservadorismo radical. Mas pode não ir além disso.

O contexto da polarização, do petismo versus o antipetismo, fez com que o eleitorado de centro e direita se unissem sob a plataforma da extrema-direita, cujo discurso de anticorrupção, nacionalismo e associação com militares tinha mais chances na disputa.

Mas, se Bolsonaro teve êxito como catalisador para a vitória eleitoral, nunca teve sofisticação para conduzir o movimento de ruptura ansiado por militares que o viram como um atalho para uma estratégia de retorno a 64 por uma paciente construção política, que se consolidaria com sua reeleição.

Também não tinha biografia que contribuísse para a tarefa. Vestiu-se mais tempo como paisano do que com a farda – esta, a serviço de um projeto que conspirou contra a hierarquia nos quartéis e planos de ações violentas.

Por isso, a aventura de marchar com o antigo subversivo custa caro hoje às Forças Armadas. A cúpula militar, em sua maioria, não quis o golpe mais ousado, menos por não o desejar e mais por não confiar. “Dar um golpe com Bolsonaro? Se tivéssemos um Castelo Branco…” reagiu, certa vez, uma alta patente, ao acalmar um interlocutor preocupado.

No campo político, aliados cumprem o script de defender o ex-presidente das consequências judiciais por avaliar que ainda tem capital eleitoral para influir nas eleições municipais. Porém, modos e falas em tom burocrático denunciam o pragmatismo dessa estratégia.

A inelegibilidade de Bolsonaro abre oportunidade para que a direita sóbria retome o espaço que a polarização lhe roubou, se junte ao centro e, mesmo, torne possível alianças à esquerda como obteve nos anos 90 com Fernando Henrique Cardoso.

O ex-presidente tem hoje a fidelidade do chamado bolsonarismo-raiz, estimado por experientes políticos entre 12 e 15% do eleitorado – a extrema-direita que engoliu a direita e o centro., o que agora se inverte.

Vale lembrar que o discurso anti-corrupção, na esteira da Lava Jato, não se sustenta mais desde a saída de Sérgio Moro do governo. E nem a operação, desmontada pacientemente pela cúpula do Judiciário.

Bolsonaro fez da reeleição sua aposta única e mostra que não estava preparado para a derrota. Sua cartada na mesa era o “tudo ou nada” com o blefe da intervenção militar.

Não é de se supor que fora do poder consiga manter uma liderança consistente e duradoura, até porque ainda tem um calvário de processos pela frente, inclusive na esfera penal.

O bolsonarismo, como força ideológica não morrerá, mas como corrente majoritária sob sua liderança é mais difícil. Mais provável que integre as forças conservadoras, em condição minoritária, e que a referência ao ex-presidente seja uma página da história política.

Bolsonaro está mais para um personagem a reproduzir o ex-presidente Collor do que para um líder nacional.

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STF forma maioria para condenar Collor https://canalmynews.com.br/politica/stf-forma-maioria-para-condenar-collor/ Fri, 19 May 2023 14:18:26 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=37793 A pena do ex-presidente e ex-senador ainda será definida pelos ministros

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O Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta quinta-feira, 18, para condenar o ex-presidente da República e ex-senador Fernando Collor de Mello pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena ainda será definida.

 

Ontem, o relator, ministro Edson Fachin, votou para condenar Collor a 33 anos, dez meses e dez dias de prisão em regime inicial fechado. A ação foi aberta a partir de investigações da Operação Lava Jato.

 

Até agora, acompanham o entendimento de Fachin pela condenação por corrupção passiva e lavagem os ministros: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

 

O relator também defendeu que o ex-presidente seja condenado pelo crime de organização criminosa, neste caso André Mendonça divergiu e considerou mais adequado enquadrar a conduta como associação criminosa. Já o ministro Nunes Marques considerou que não há provas suficientes e votou pela absolvição dos três réus.

 

Fachin sustentou que o conjunto de provas produzido pelo Ministério Público Federal (MPF) comprovou que, entre 2010 e 2014, a influência de Collor sobre a presidência e as diretorias da então BR Distribuidora viabilizou a assinatura de quatro contratos da UTC Engenharia para a construção de bases de combustíveis. Segundo o MPF, em contrapartida, o então senador recebeu R$ 20 milhões.

 

O julgamento será retomado na semana que vem. Collor nega as acusações.

 

*Com informações do STF

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A história ensina, mas a direita não aprende (Será?) https://canalmynews.com.br/politica/a-historia-ensina-mas-a-direita-nao-aprende/ Tue, 07 Sep 2021 01:37:06 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/a-historia-ensina-mas-a-direita-nao-aprende/ A história da política nacional passa por sucessões de desdobramentos eleitorais que se repetem, assim como os posicionamentos da direita brasileira

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A direita brasileira tem pavor das urnas eleitorais e a história dos últimos quarenta anos é uma prova disso. Recapitulemos, de forma sucinta, obviamente, as diversas demonstrações dessa paura.

Era o ano de 1982, num 25 de janeiro é convocada uma manifestação na Praça da Sé, em São Paulo, em favor das eleições diretas para Presidência da República. Nascia o movimento das DIRETAS JÁ. Para encurtar a história e diante do temor de uma vitória de um candidato da oposição, como Ulysses Guimarães ou Brizola, o governo se desdobrou e  derrotou no Congresso a emenda constitucional que propunha a volta da eleição direta (a emenda recebeu o apelido do deputado que apresentou a proposta: Dante de Oliveira).

Negociações intensas acabam por assegurar a eleição de Tancredo Neves, que derrotou o candidato da situação, Paulo Maluf, no colégio eleitoral do Congresso. O destino, por vezes, é cruel: Tancredo venceu, mas não governou. Adoeceu e morreu antes da posse e quem assumiu foi seu vice José Sarney, quadro político notoriamente ligado à ditadura. 

O mandato de Sarney seria de 4 anos, e tendo assumido em 1985, sua sucessão ocorreria em 1988, agora através de uma eleição direta. Mas o aumento da inflação para patamares de 10% ao mês, mais diversos planos de estabilização fracassados (Cruzado, em fevereiro de 1986; Cruzado II, em novembro de 1986 e Bresser, em março de 1987) levaram à iniciativa de aumentar o mandato em mais um ano e, assim, as eleições ocorreriam somente em 1989. O medo naquele momento era a possibilidade de vitória do Brizola, que havia vencido a eleição para governador do Rio de Janeiro em 1982. E como o Congresso aprovou a extensão do mandato? Notícias da época apontaram farta distribuição de concessões de rádio e televisão aos congressistas.

Todavia, a deterioração da economia, ao longo de 1989, piorou (mesmo com o Plano Verão implementado em janeiro) e com isso o “risco” Brizola crescia. Então, de repente, não mais que de repente, surge uma “terceira via” da época: Fernando Collor, governador de Alagoas, de família com longa tradição na política. O histórico de decisões à frente do governo de Alagoas não o recomendava, mas como aparecia à frente nas pesquisas eleitorais, a direita não titubeou: o “caçador de marajás” era o seu candidato para derrotar Brizola. 

Fechadas as urnas após o primeiro turno, em 1989, surpresa: o segundo colocado era Lula com 16% dos votos, meio ponto percentual à frente de Brizola. Pânico na geral, se Brizola era um perigo, imagine um metalúrgico! E a campanha eleitoral para o segundo turno atingiu um grau de sordidez de provocar asco em répteis. Collor venceu o segundo turno e sofreu impeachment dois anos depois.

Fernando Henrique venceu as eleições no primeiro turno em 1994, derrotando Lula, amparado no sucesso, inconteste, do plano Real. Debela a inflação crônica e, assim, redistribui a renda capturada pelo chamado imposto inflacionário. Ocorre que uma parte do sucesso era a taxa de câmbio fixa, que já em 1996 se mostrava insustentável (com déficit em transações correntes beirando os 4,0% do PIB). A crise asiática em 1997 complica ainda mais a situação e só resta uma manobra para não correr o risco de uma vitória do Lula nas eleições marcadas para 1998: aprovar a emenda constitucional da reeleição.

Aqui vale um breve parêntesis. O instituto da reeleição nunca fez parte da tradição republicana brasileira. Sequer os militares ousaram romper essa tradição. Diante de dificuldades, a solução era aumentar o tempo do mandato: Médici governou por 4 anos; o mandato de Geisel foi para 5 anos e o de Figueiredo atingiu 6 anos! Fecha o parêntesis.

Apesar de contrariar a tradição histórica, a PEC da reeleição foi aprovada em 1997 (de novo, vale consultar as notícias da época) e Fernando Henrique Cardoso foi reeleito, em 1998, mais uma vez no primeiro turno. Contudo, a vitória custou caro. Os ajustes necessários para corrigir os rumos da economia soterraram a percepção que o eleitorado tinha em relação ao PSDB, que foi derrotado nas quatro disputas presidenciais seguintes. 

E assim chegamos a 2018. Antes, é claro, temos que passar por 2016 com o impeachment da Dilma, que fez um primeiro ano de governo razoável (2011), mas perpetrou um verdadeiro desastre nos três anos seguintes (2012/2013/2014). A tentativa de correção em 2015 pecava por falta de convicção e habilidade política para enfrentar um ambiente muito adverso.

Diante dessa sucessão de eventos, ao longo de quase 40 anos, é fácil identificar um padrão de atuação da direita tupinambá: 1) qualquer coisa é melhor que algo diferente dela mesmo e 2) se ganhar eleições está difícil, ganhar tempo ou apelar, literalmente, para “qualquer solução” é preferível à derrota (não importa quão errada ou ruim essa “solução” se revele posteriormente). E autocrítica, nem pensar.

À primeira vista, pode parecer que a direita se recusa a aprender as lições que a história tenta lhe ensinar. Todavia, talvez seja simplesmente oposto, ou seja, a história apenas registra aquilo que a direita sabe fazer.

Jorge Simino Junior é economista formado pela USP.

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