Arquivos corrida eleitoral - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/corrida-eleitoral/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 02 Aug 2024 14:28:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 A corrida eleitoral à Prefeitura de São Paulo: empate triplo https://canalmynews.com.br/opiniao/a-corrida-eleitoral-a-prefeitura-de-sao-paulo-empate-triplo/ Fri, 02 Aug 2024 14:27:31 +0000 https://localhost:8000/?p=45599 Segundo a última pesquisa Quaest, Ricardo Nunes (MDB) aparece com 20% das intenções de voto, enquanto José Luiz Datena (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) têm, ambos, 19%

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Fim das férias escolares, retorno às atividades laborais de muitos e eis que temos acesso à última pesquisa Quaest, divulgada em 30 de julho, apresentando um triplo empate técnico: Ricardo Nunes (MDB), José Luiz Datena (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL). Vejamos.

A pesquisa traz os seguintes números: Nunes tem 20% (tinha 22% na pesquisa anterior); Datena com 19% (tinha 17%); Boulos com 19% (tinha 21%); Pablo Marçal PRTB com 12% (tinha 10%) e Tabata Amaral PSB tem 5% (tinha 6%).  Fiquemos com estes aqui indicados, por ora. A pior notícia, como se pode depreender dos números, é para Nunes, que é o atual prefeito. Tem a máquina nas mãos e perdeu 2 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Boulos, por sua vez, também perdeu 2 pontos. E, no caso, a melhor notícia é para Datena, que ganhou 2 pontos, assim como Marçal, mas este não se encontra no campo de empate técnico. Desta forma, há, aqui, no momento, um tríplice empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa entre Nunes, Datena e Boulos.

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Parece, portanto, que Datena conseguiu mexer no quadro eleitoral, já que tudo indicava uma continuidade da polarização entre Nunes, apoiado por Bolsonaro, contra Boulos, apoiado por Lula. O PSDB, que passou de protagonista da política nacional e do estado de São Paulo, para um partido desarticulado e fragmentado, pode voltar e ter luz própria com Datena. Muitos inclusive este escriba não levavam a sério a possibilidade de Datena concorrer à eleição, pois já havia desistido de sua candidatura em quatro situações anteriores (duas municipais e duas para o Senado). Contudo, Datena, apresentador e jornalista, parece ter negociado com a emissora na qual trabalha uma expressiva redução de seu salário no caso de derrota e de sua volta à televisão. Além disso, no evento que oficializou sua candidatura, Datena enfrentou protestos ao seu nome, especialmente por parte de tucanos favoráveis a Nunes. Parece que era o que faltava para Datena, de fato, ao se assumir candidato: uma boa “briga” partidária. Outro aspecto é que Datena terá como vice o experiente tucano José Aníbal, além, obviamente, dos bons nomes que o PSDB tem em São Paulo (seja na prefeitura ou no governo do estado).

Já há, inclusive, alguns que ventilam a possibilidade de uma desistência de Marçal para apoiar Datena. Isso cairia como uma bomba nas candidaturas de Nunes e Boulos. Se, em novas rodadas de pesquisa, Datena se consolidar como capaz de ir para um segundo turno, contra Nunes ou Boulos, suas condições objetivas melhoram substancialmente. Talvez ainda seja cedo para cravar este fato, mas é possível que o nome de Datena reúna as condições de quebrar a polarização entre bolsonaristas e lulopetistas. Se Marçal tem força nas redes sociais, Datena conhece a cidade de São Paulo e, na condição de apresentador, pode se sair muito bem no corpo a corpo com o eleitor, nos debates e nos programas produzidos para rádio e televisão. Com o retorno à prefeitura, os tucanos podem recuperar parte de seu prestígio e projetar novos voos.

É fundamental acompanhar as pesquisas de outros institutos para verificar se esse triplo empate técnico se apresenta. E, não menos importante, é analisar como as campanhas de Nunes e Boulos vão reagir ao personagem Datena. As emoções, sempre presentes na vida política, prometem presença até o final dessa eleição municipal. Emoção e razão: dois elementos no bojo das escolhas eleitorais.

Entenda como Pablo Marçal na disputa por São Paulo pode favorecer Nunes e ser um risco para Boulos:

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Inflação e corrida eleitoral https://canalmynews.com.br/economia/inflacao-e-corrida-eleitoral/ Tue, 25 Jan 2022 18:36:58 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23201 Mau desempenho está relacionado à alta no preço das commodities, o aumento no preço da energia, a alta do dólar e o aumento no custo de produção das cadeias globais de suprimentos

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Corrida eleitoral: desde 2015, a taxa de inflação não registrava um número tão alto. Em 2021, a taxa foi de 10,06%, o quarto pior resultado desde a implantação do Plano Real, em 1994. Analisar as causas desse mau resultado ajuda a evitar a repetição de eventuais enganos cometidos na direção da política econômica, o que pode melhorar a sua gestão.

O mau desempenho está relacionado basicamente à ocorrência de quatro fatores: a alta no preço das commodities, o aumento no preço da energia, a disparada no custo da importação (leia-se, alta do dólar) e, por último, o aumento no custo de produção das cadeias globais de suprimentos.

As seguintes causas explicam o surgimento daqueles fatores: a recuperação meteórica da economia mundial, a falta de chuvas que afetou a geração de energia hidrelétrica no Brasil, a hesitante política fiscal do governo Bolsonaro e a pausa na produção das principais cadeias produtivas globais, respectivamente.

O destaque é a errática política de gastos do governo, que, ao mirar o atendimento de demandas de curto prazo, exerceu decisiva pressão sobre o câmbio.  O dólar caro afetou os preços por dois lados: aumentou o custo dos produtos e insumos importados, de um lado; e, do outro, elevou os preços internos das commodities que o país exporta.

Inflação deve ser afetada com a corrida eleitora . Imagem: Pixabay

Apesar desse cenário nebuloso, o Relatório Focus, termômetro das expectativas econômicas do mercado, revela que bancos e consultorias esperam uma inflação muito menos severa em 2022. Vejamos, então, os motivos.

O encarecimento do crédito é o primeiro. Ainda em trajetória ascendente, a taxa Selic, que beira os 10%, explica isso. A retração no consumo das famílias, registrada no PIB do terceiro trimestre de 2021, é resultado de uma indesejável combinação de taxa de juros elevada e de inflação alta. Apesar de prejudicar o crescimento da atividade econômica, a redução no consumo deve contribuir na batalha contra a inflação.

O segundo motivo é a relativa estabilidade cambial que o mercado tem exibido. Neste início de ano, o dólar se encontra no mesmo nível que em meados de 2020! Se a cotação da moeda americana se mantiver no atual patamar, importações e tradables jogarão a favor da estabilidade de preços. O risco aqui é o viés expansivo da política fiscal.

O fim do ciclo de alta das commodities também pode ajudar. O Dow Jones Commodity, o termômetro de preços das principais matérias-primas negociadas na Bolsa de Mercadorias de Chicago, não subiu no último trimestre de 2021. Foi a primeira vez em quatro trimestres. Se isso sinalizar um movimento mais permanente, o cenário inflacionário ganhará um importante aliado.

Como visto, as previsões do mercado para a inflação de 2022 são um tanto otimistas. Contudo, o cenário ainda é incerto. Há receio de que a política fiscal possa estar “contaminada” com o vírus da campanha eleitoral. E o mercado teme que um gasto público exacerbado possa ser o deflagrador de uma nova corrida de preços.  Segundo essa interpretação, uma política fiscal excessivamente perdulária produziria dois efeitos: o primeiro seria um nível de consumo acima do esperado. O segundo seria uma nova disparada do dólar.

No primeiro caso, a adoção de uma política fiscal expansionista representaria um forte incentivo ao consumo, o que poderia inflar a demanda agregada. Uma demanda inflada, por sua vez, impactaria os preços. No segundo, o gasto público exagerado, com a correspondente elevação da dívida pública, insuflaria a aversão ao risco dos investidores, o que pressionaria o câmbio. A consequência disso também seria uma alta da inflação.

Governos tendem a gastar mais em época de eleições. É o que revela a nossa história. Em período de campanha, a adoção de políticas públicas muito generosas tem sido frequente. A PEC dos precatórios e um possível (provável?) aumento de salários para o funcionalismo público são iniciativas que se enquadrariam nesse figurino. Com a corrida por votos, veremos se a política fiscal não irá ignorar, mais uma vez, os preceitos básicos de responsabilidade fiscal.


Quem é Mauro Rochin ?

Doutor em Economia (UFRJ) e professor da Fundação Getulio Vargas.

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