Arquivos estupro de vulnerável - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/estupro-de-vulneravel/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 15 Jul 2022 11:53:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Polícia ouve mulheres que podem ter sido estupradas por anestesista Giovanni Quintella Bezerra https://canalmynews.com.br/brasil/policia-vitimas-do-anestesista-giovanni-quintella-bezerra/ Fri, 15 Jul 2022 11:53:33 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31565 O médico anestesista foi preso em flagrante depois que a polícia teve acesso a um vídeo feito por profissionais da equipe que participou da cirurgia de uma grávida.

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Giovani Quintella Bezerra

O médico Giovanni Quintella Bezerra foi gravado enquanto estuprava mulher em trabalho de parto. Foto: Reprodução Instagram

A delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, no estado do Rio de Janeiro, vai ouvir duas mulheres que também fizeram partos no domingo passado (10), com a presença do anestesista Giovanni Quintella Bezerra, de 31 anos, indiciado por estupro de vulnerável.

Ele foi preso em flagrante na madrugada de segunda-feira (11), após a polícia ter acesso a um vídeo feito por profissionais da equipe que atuou na cirurgia de uma grávida, no domingo. As imagens mostram que o anestesista estuprou a mulher durante a cesariana no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti.

As duas mulheres que serão ouvidas nesta quinta-feira estão entre as cinco que identificaram o médico como o profissional que realizou a anestesia durante as cirurgias. Outras três já prestaram depoimento. A polícia suspeita que as duas mulheres também possam ter sido estupradas pelo anestesista.

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“Hoje nós aguardamos aqui duas possíveis vítimas. Há muitos indícios de que elas tenham sido vítimas realmente, porque foram operadas no dia 10 de julho, antes daquela vítima que está nas imagens. Já temos informações de que elas foram sedadas, possivelmente desnecessariamente”, revelou.

Mulher abalada

Segundo a delegada, a mulher identificada como vítima já recebeu a informação do que ocorreu enquanto estava sedada e está muito abalada. Bárbara Lomba contou que foi muito delicada a conversa que teve por telefone com a mulher.

“Eu, na verdade, quis falar com ela mais para prestar solidariedade e dizer que se sinta protegida, não será exposta, que o agressor está preso e nós faremos tudo que estiver ao nosso alcance para terminar a investigação e comprovar esse crime. Então, a tranquilizei neste sentido. Perguntei como ela estava e como estava o filho. Ela chorou, se emocionou, disse que está muito abalada psicologicamente, mas se colocou à disposição”, informou.

A policial acrescentou que há possibilidade de a vítima prestar depoimento em outro lugar, que não seja na delegacia. O marido só vai depor no mesmo dia em que a mulher for ouvida. “Estou aguardando a advogada entrar em contato. Vamos perguntar [se] ele [o médico] estava presente em uma parte do procedimento e a própria vítima, o que eles viram antes e depois do fato. Ele narra que foi pedido para que saísse da sala assim que o bebê nasceu, que era justamente quando o criminoso executava o crime”, concluiu.

A delegada Bárbara Lomba disse, ainda, que a vítima que sofreu o estupro mostrado no vídeo tomou um coquetel anti-HIV, conforme o protocolo para pessoas que sofrem violência sexual. Ela acha possível que as outras duas mulheres também tenham tomado o coquetel no próprio hospital. Bárbara analisa a possibilidade de pedir teste de HIV do médico, que, no entanto, não está obrigado a fazer o exame.

A investigação procura, ainda, saber se cerca de 30 mulheres que também fizeram partos com a presença do médico sofreram abuso, desde que ele concluiu a formação profissional em abril.

“Vamos continuar identificando. Não são relatos ainda. Nós precisamos investigar. Primeiro fazer uma triagem, saber qual foi o tipo de procedimento e aí vamos aprofundando. São mais de 30, não sei exatamente quantas, mas já identificadas como possíveis, foram pacientes”, disse.

Anestesista

Para a delegada, a repetição do crime praticado pelo anestesista é porque ele tinha a sensação de que não seria punido.

“Ele não achou que houvesse uma audácia e uma coragem muito [grande] da equipe de enfermagem de fazer essa gravação, jamais contou com isso e há toda uma circunstância de posição dentro de um hospital. Ele contava que não fosse ser pego, tanto que se surpreendeu quando foi dito a ele que havia uma imagem, na hora ele não disse nada e depois se calou e não quis mais falar”, afirmou.

O médico Giovanni Quintella Bezerra está preso desde terça-feira (12) na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio, para onde são levados os custodiados com nível superior. Por medida de segurança, ele está isolado em uma cela da galeria F da unidade e ontem, ao chegar, foi hostilizado por outros presos que reagiram batendo nas grades das celas e xingando.

“Toda essa ação criminosa é repugnante. Algo que não imaginávamos que pudesse acontecer, porque foi um abuso, inclusive de poder, de uma posição do agressor que estava com toda a legitimidade e utilizava dessa posição de que a priori não seria suspeito. Mais abominante ainda é a vítima estar totalmente indefesa na mão de uma pessoa que é um profissional de saúde, no qual se deposita confiança extrema. Uma das maiores confianças que podemos depositar é na mão de um médico, ainda mais em uma cirurgia”, completou a delegada.

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TJ-SC confirma absolvição de empresário acusado de estuprar Mariana Ferrer https://canalmynews.com.br/mais/tj-sc-confirma-absolvicao-empresario-acusado-estuprar-mariana-ferrer/ Thu, 07 Oct 2021 21:38:09 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/tj-sc-confirma-absolvicao-empresario-acusado-estuprar-mariana-ferrer/ André de Camargo Aranha foi absolvido em 2ª instância pelo TJSC pelo crime de estupro de vulnerável contra a promotora de eventos Mariana Ferrer. O caso aconteceu em 2018 e teve o primeiro julgamento em 2020

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O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) absolveu em segunda instância, por 3 votos a 0, por estupro de vulnerável, o empresário André de Camargo Aranha, de 44 anos, acusado de estuprar a promotora de eventos Mariana Ferrer, de 25 anos. O caso aconteceu em 2018, numa festa no Café de La Musique, em Florianópolis (SC). Mariana tinha 21 anos e era virgem. O empresário foi absolvido em primeira instância, pelo crime de estupro de vulnerável, em julgamento realizado em 2020.

André de Camargo Aranha
O empresário André de Camargo Aranha foi absolvido do crime de estupro de vulnerável, em 2ª instância, pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina/Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Segundo as investigações, o exame de corpo de delito realizado por Mariana Ferrer constatou que havia sémen do empresário e sangue de Mariana e que seu hímen havia sido rompido. O exame toxicológico não identificou uso de álcool e drogas, mas a defesa promotora de eventos diz que não foi descartada a possibilidade do uso de outras substâncias, como a cetamina, também chamada de ketamina, ou Special K, um forte analgésico de uso veterinário. Também foram anexadas ao processo roupas da vítima com manchas de sangue, além de vídeos e áudios.

O caso teve grande repercussão no Brasil e no exterior e gerou mobilização de grupos de defesa dos direitos das mulheres, especialmente após o julgamento em primeira instância, realizado no ano passado, durante a pandemia do Covid-19, por teleconferência, quando o advogado de defesa de André Aranha, Cláudio Gastão Rosa Filho, humilha a jovem durante a audiência. Os diálogos foram revelados em reportagem do The Intercept Brasil.

Entre outras coisas, o advogado diz que “jamais teria uma filha do nível” de Mariana e que pede “a Deus para que o filho não encontre uma mulher” como a promotora de eventos, além de dizer que o choro da vítima é dissimulado e “lágrimas de crocodilo”.

O empresário André Aranha foi absolvido no primeiro julgamento. Ele alegou que a promotora de eventos fez sexo oral nele de forma consentida. Já o promotor público Thiago Carriço de Oliveira, do Ministério Público de Santa Catarina, defendeu que o empresário não teria como saber que Mariana Férrer não estava em condições de dar consentimento à relação sexual e, portanto, não haveria intenção de estuprar, o que resultaria num “estupro culposo”.

O estupro e a condução do julgamento geraram forte comoção social, com diversos protestos pelo Brasil e em diversos países, pedindo #JustiçaPorMariFerrer. Uma das repercussões do caso foi a aprovação do Projeto de Lei Mariana Ferrer, na Câmara dos Deputados – que pune ofensas à vítima durante um julgamento. Em 2021, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu processo para investigar a conduta do juiz Rudson Marcos nesta audiência. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, Mariana Férrer enfrenta, desde o estupro, uma situação de depressão e síndrome de pânico.

protesto do Fórum de Mulheres de Pernambuco
Protesto realizado pelo Fórum de Mulheres de Pernambuco em 8 de novembro de 2020 pedindo justiça para o caso Mariana Ferrer/Imagem: Reprodução Redes Sociais/Fórum de Mulheres de Pernambuco

Caso Mariana Férrer é exemplo do machismo presente na sociedade brasileira

Para a antropóloga Jô Meneses, integrante do Fórum de Mulheres de Pernambuco e da ONG Gestos, o caso Mariana Ferrer é “a reafirmação de um estado que não protege as mulheres e de uma misoginia”.

“Todo o processo que Mariana passou é um retrato absoluto do desrespeito do machismo que a gente vive. Em nenhum momento a palavra dela foi acreditada. A palavra das mulheres nunca é respeitada e ouvida. Mariana é sempre desacreditada naquilo que ela fala, com a justificativa da ‘falta de provas’. Esse argumento, em vez de ser refutado e de se dar credibilidade ao que a mulher fala, ele desacredita e fortalece o argumento do agressor e do estuprador. É a velha história de culpabilizar a vítima. Mariana o tempo todo foi culpabilizada, foi humilhada e a confirmação desse resultado é uma revitimização dela pelo Estado”, analisa Jô Meneses.

Em entrevista ao MyNews Entrevista, a promotora Valéria Scarance, coordenadora do Grupo de Gênero do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), diz que o caso Mariana Ferrer demonstra o que acontece no nosso país. “Em crimes praticados contra a mulher, por uma razão de gênero, por ela ser mulher – sejam crimes de ameaça, lesão corporal, estupro, ou até mesmo feminicídio, muitas vezes a estratégia de defesa é desmerecer a mulher, atacar a mulher, juntar fotografias, questionar de uma forma repetitiva. Essa revitimização é muito temida por parte das vítimas e, não por menos, muitas vezes as mulheres ficam em silêncio. O caso Mariana Ferrer escancara o que é revitimização. É inadmissível que uma vítima seja atacada por um advogado. Esse caso é notório, mas não é incomum”.

O julgamento em segunda instância do estupro da promotora de eventos Mariana Férrer foi julgado pela 1ª Câmara Criminal do TJSC, pelos desembargadores Ana Lia Carneiro, Ariovaldo da Silva e Paulo Sartorato. A defesa de Mariana Férrer ainda pode recorrer do resultado do julgamento, que neste caso irá para a terceira instância.

Veja a entrevista com a promotora Valéria Scarance, no Canal MyNews, e entenda um pouco mais sobre o caso do estupro de Mariana Férrer

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