Arquivos HIV - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/hiv/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Wed, 23 Oct 2024 17:46:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Justiça decreta prisão de envolvidos no caso de órgãos infectados https://canalmynews.com.br/noticias/justica-decreta-prisao-de-envolvidos-no-caso-de-orgaos-infectados/ Wed, 23 Oct 2024 17:46:32 +0000 https://localhost:8000/?p=47847 Sócios e funcionários são acusados de ter responsabilidade pelos exames laboratoriais que resultaram na liberação, para transplante, de doador soropositivo

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A 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, no estado do Rio, decretou a prisão preventiva de seis pessoas, entre sócios e funcionários do laboratório PCS Labs Saleme. Elas são acusadas de ter responsabilidade pelos exames laboratoriais equivocados que resultaram na liberação, para transplante, de órgãos infectados com o vírus HIV [sigla em inglês para o vírus da imunodeficiência humana].

Entre os alvos dos mandados de prisão estão dois sócios do laboratório, Walter Vieira, que já estava preso, e seu filho Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira. Matheus se apresentou espontaneamente à polícia nesta quarta-feira (23), segundo o advogado Afonso Destri.

“A decisão é absolutamente ilegal e constitui clara antecipação de pena, sem processo, sem julgamento. A decisão não traz qualquer fato concreto que autorize a prisão preventiva. Matheus sempre colaborou com as investigações, tanto que sequer foi alvo de prisão temporária. Impetraremos habeas corpus contra essa ilegalidade”, disse o advogado.

Também foram decretadas as prisões dos funcionários do laboratório Adriana Vargas dos Anjos, Jacqueline Iris Barcellar de Assis, Ivanilson Fernandes dos Santos e Cleber de Oliveira Santos, que já estão presos.

Lesão corporal

Os seis respondem pelos crimes de lesão corporal de natureza grave que resultou em doença incurável, organização criminosa e falsidade ideológica. Jacqueline também responde por falsificação de documento particular.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o resultado do exame de sangue do doador de órgãos, que era soropositivo, deu “falso negativo” devido à degradação dos reagentes que detectam o vírus.

O MPRJ alega que era de possível conhecimento dos acusados, diante das funções exercidas em suas atividades, que os reagentes se degradam por permanecer muito tempo no equipamento utilizado para o exame.

Ainda segundo o MPRJ, até o ano passado, o controle de qualidade dos reagentes era feito diariamente, mas a partir do início deste ano, o procedimento passou a ser feito apenas semanalmente, com o propósito de reduzir custos, o que comprometeria a exatidão dos resultados.

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Transplantes são seguros e salvam vidas, dizem entidades https://canalmynews.com.br/brasil/transplantes-sao-seguros-e-salvam-vidas-dizem-entidades/ Tue, 15 Oct 2024 19:05:42 +0000 https://localhost:8000/?p=47632 Sistema Nacional de Transplantes, considerado o maior programa público de transplante de órgãos do mundo, é garantido a todos por meio do SUS

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Claudio Cezar Alves da Silva retomou a qualidade de vida graças ao Sistema Nacional de Transplantes. Em 1994 descobriu uma doença que atacou os rins. Ele precisou ser submetido a sessões frequentes de hemodiálise – tratamento que remove substâncias tóxicas do sangue, funcionando como um rim artificial – até que conseguiu fazer um transplante de rim. Hoje, aos 58 anos, ele é um defensor do Sistema que já o salvou outras vezes. Ele está na fila para receber o terceiro rim.

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“Você vê que eu confio bastante, o sistema tem credibilidade”, diz Silva, que é, atualmente, presidente da Associação dos Renais e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro. Ele ajuda outros pacientes renais e famílias a acreditarem nos tratamentos, a se cuidarem e a confiarem, nos casos necessários, nos transplantes.

“A hemodiálise te mantém vivo. Graças a Deus, você tem uma máquina, né? Que três vezes por semana, quatro horas por dia, você fazendo a hemodiálise ou fazendo a diálise peritonial em casa, você fica tranquilo, te mantém vivo. Mas nada melhor do que você voltar a ter a tua liberdade. Você sair da máquina, cuidar direitinho de você mesmo. O principal fator para você ter uma qualidade de vida e ter uma durabilidade melhor do seu órgão transplantado, é você mesmo. É com os cuidados que você tem que ter no dia a dia. Com alimentação, com exercícios”, diz.

Foi com surpresa que Silva recebeu a notícia que pacientes que fizeram transplantes no Rio de Janeiro foram infectados por HIV.

“Imagina só, você está numa expectativa, você está numa fila, aí vem esse baque, nossa, você vai murchar. Você não pode deixar isso acontecer. Foi um erro. Erros acontecem. Foi uma falta grave? Foi uma falta grave. Mas vamos embora. Vamos passar por cima e vamos continuar”, ressalta. “Eu vou pro terceiro. É porque eu acredito no sistema. Isso não vai me abalar jamais. Isso vai me dar mais força ainda pra brigar mais e pra incentivar mais as pessoas a saírem dessa fila. Vambora. Vamos voltar a uma vida normal”, defende.

O Sistema Nacional de Transplantes é considerado o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo. Ele é garantido a toda a população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que, por sua vez, é responsável pelo financiamento de cerca de 88% dos transplantes no país, segundo dados do Ministério da Saúde.

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O transplante de órgãos pode salvar vidas em caso de órgãos vitais como o coração, bem como devolver a qualidade de vida, quando o órgão transplantado não é vital, como os rins. Com o transplante, é possível ter um prolongamento da expectativa de vida, permitindo o restabelecimento da saúde e, por consequência, a retomada das atividades normais.

Segurança

O caso do Rio de Janeiro é inédito. Assim que foi noticiado, prontamente entidades médicas e de outras categorias ligadas à saúde, Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES) e Ministério da Saúde saíram em defesa do Sistema Nacional de Transplantes.

Entre as entidades estão a Sociedade Brasileira de Córnea (SBC) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). “É um sistema que funciona há décadas e que tem possibilitado a recuperação da visão de milhares de pessoas no país inteiro. O nosso sistema de transplante, no caso de córnea, ele é reconhecidamente um dos melhores do mundo”, diz o presidente da entidade, José Álvaro.

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Segundo Álvaro, um dos pacientes recebeu o transplante de córnea de um dos doadores infectados por HIV. Como não se trata de um órgão vascularizado, ele não foi infectado.

A córnea é uma estrutura transparente localizada na parte anterior do globo ocular. Álvaro explica que algumas doenças podem fazer com que ela fique opaca e isso prejudica a visão das pessoas, podendo levar à cegueira. O transplante oferece a chance de os pacientes voltarem a enxergar.

Para ele, o caso do Rio de Janeiro é “seríssimo” e está sendo devidamente investigado, mas não deve comprometer a confiança em um sistema que “salvou a vida de milhões de pessoas e devolveu a visão a milhares de pessoas”, ressalta.

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Segundo dados do Ministério da Saúde, em todo o país, 44.777 pessoas esperam por transplante de órgão. A maior parte, 41.395, estão na fila por um rim. O fígado aparece em segundo lugar, com uma fila de 2.320 pessoas, seguido pelo coração, com 431. São Paulo é estado com o maior número de pessoas que aguardam um transplante, 21.564. O Rio de Janeiro aparece em quinto lugar, com 2.167 pessoas na lista de espera.

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Laboratório PCS já teve outros contratos com a Fundação Saúde https://canalmynews.com.br/noticias/laboratorio-pcs-ja-teve-outros-contratos-com-a-fundacao-saude/ Mon, 14 Oct 2024 19:31:39 +0000 https://localhost:8000/?p=47606 Laboratório investigado no caso de órgãos transplantados com HIV tinha pelos menos três contratos com a Fundação Saúde, sendo um deles no valor de R$ 9,8 milhões

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Investigado por sua responsabilidade no caso de seis pacientes que receberam órgãos transplantados infectados com o vírus HIV, o laboratório Patologia Clínica Dr. Saleme (PCS Labs), teve pelo menos três contratos com a Fundação Saúde. A fundação, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde, é responsável por gerir as unidades da rede estadual.

Um contrato assinado em dezembro de 2023, no valor de R$ 9,8 milhões, era o mais recente deles e teve a escolha por meio de pregão eletrônico. O documento previa análises clínicas e de anatomia patológica em todas as unidades da rede administrada pela Fundação.

Era, portanto, a função do laboratório checar as condições sanitárias dos órgãos que foram transplantados. O PCS Labs teria dado sinal verde para que os órgãos infectados fossem transplantados.

Mas antes da assinatura desse contrato, a Fundação da Saúde já havia firmado pelo menos outros dois com o PCS Labs, ambos com dispensa de licitação, conforme apurado pela Agência Brasil. Em outubro de 2023, o laboratório foi contratado, por 180 dias, para fazer análises clínicas e de anatomia patológica para o Hospital Estadual Ricardo Cruz, em um contrato de R$ 3,9 milhões.

Um contrato ainda mais antigo, assinado em fevereiro do ano passado, com o valor de R$ 2,2 milhões, previa a prestação desse mesmo serviço para quatro unidades de Pronto Atendimento (UPA) da zona oeste da cidade do Rio, também por 180 dias.

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O laboratório tem, entre seus sócios, familiares do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ), que foi secretário estadual de Saúde de janeiro a setembro de 2023. Através de nota divulgada por sua assessoria na última sexta-feira (11), o parlamentar disse que quando era secretário jamais participou da escolha deste ou de qualquer laboratório.

Sobre o contrato assinado em dezembro, o deputado explicou que não era mais secretário quando este foi assinado. Sua assessoria orientou a Agência Brasil a procurar a Secretaria de Saúde para saber informações sobre os outros dois contratos, um deles assinado quando Dr. Luizinho ainda era secretário.

Depois de tomar conhecimento da operação da Polícia Civil, que prendeu duas pessoas ligadas ao laboratório e cumpriu 11 mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (14), o deputado divulgou uma nova nota em que diz que “é inadmissível que um ser humano faça um transplante e, por erros que nunca poderiam ocorrer, adquira uma nova doença. Espero que o caso seja investigado de forma rápida e os culpados sejam punidos exemplarmente.”

“Como médico há 27 anos, secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro por duas vezes, com uma vida pública e privada dedicada de forma praticamente integral a melhorar e fortalecer nosso sistema de Saúde, desejo punição rigorosa aos responsáveis por este caso sem precedentes”, conclui a nota.

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Agência Brasil questionou a Secretaria de Estado de Saúde sobre os motivos dos dois contratos, assinados em fevereiro e outubro deste ano, terem sido feitos com dispensa de licitação.

“A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informa que o contrato licitado em dezembro de 2023 era o único que a empresa tinha vigente com a Fundação Saúde. O laboratório PCS não presta serviço para mais nenhuma unidade da rede estadual”, limitou-se a responder a Secretaria.

O contrato com o laboratório foi suspenso depois que Secretaria tomou ciência da infecção dos seis pacientes por HIV e abriu uma sindicância para punir e identificar os responsáveis pelo incidente.

A Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense onde fica o PCS Labs, informou que a inspeção anual mais recente realizada por sua vigilância sanitária no laboratório havia sido feita em março deste ano, mas destacou que estabelecimento estava dentro das normas.

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HIV: falha no controle de exames pode ter prejudicado resultados https://canalmynews.com.br/noticias/hiv-falha-no-controle-de-exames-pode-ter-prejudicado-resultados/ Mon, 14 Oct 2024 17:06:10 +0000 https://localhost:8000/?p=47596 Segundo investigação, laboratório responsável pode ter sido negligente na checagem da validade dos reagentes utilizados nos testes de detecção do vírus

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A Polícia Civil investiga se negligência no controle de qualidade do laboratório PCS Labs seria o motivo dos erros nos exames que liberaram, para transplante, órgãos infectados com o vírus HIV. Os órgãos foram considerados, pelo laboratório, como livres do vírus e, portanto, considerados aptos para os transplantes em seis pacientes, que acabaram infectados pelo vírus causador da aids.

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Segundo o delegado André Neves, as investigações detectaram negligência na checagem da validade dos reagentes, ou seja, dos produtos químicos que reagem com o sangue contaminado e indicam a presença do vírus. Caso estejam fora da validade, esses insumos podem ser ineficazes na detecção do HIV e resultar em um exame falso negativo.

O objetivo era reduzir custos e aumentar o lucro do laboratório, segundo Neves.

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“Era feita uma análise qualitativa diária nos reagentes, até dezembro. Depois disso, essa análise passou a ser semanal.  A ideia era diminuir o custo [para o laboratório]. Quando você diminuiu o custo, aumentou o risco. A pessoa que determinou isso [o espaçamento das checagens dos reagentes] será devidamente responsabilizada criminalmente”, disse o delegado, que é diretor do Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil. “Houve quebra do controle de qualidade que visou o lucro, deixando de lado a segurança dos testes”

O titular da Delegacia do Consumidor, Wellington Oliveira, diz que há outras hipóteses sendo investigadas, inclusive a emissão de laudos falsos. A Polícia Civil cumpriu, nesta segunda-feira (14), 11 mandados de busca e apreensão e dois de prisão: Walter Vieira, que é um dos sócios do laboratório, e um técnico. Outros dois alvos de mandado de prisão estão foragidos, segundo Oliveira.

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Casos de sífilis e de HIV/aids aumentam entre homens jovens https://canalmynews.com.br/brasil/casos-de-sifilis-e-de-hiv-aids-aumentam-entre-homens-jovens/ Fri, 01 Dec 2023 14:00:54 +0000 https://localhost:8000/?p=41565 Números da pasta também registram crescimento dos casos de sífilis em homens, mulheres e gestantes

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Dados do Ministério da Saúde indicam que o país vem registrando queda nos casos de HIV/aids, mas não entre homens de 15 a 29 anos. Nesta faixa, o índice tem aumentado, chegando, em 2021, a 53,3% dos infectados de 25 a 29 anos. Os números da pasta também registram crescimento dos casos de sífilis em homens, mulheres e gestantes.

No mês em que se realiza a campanha Dezembro Vermelho, iniciativa de conscientização para a importância da prevenção contra o vírus HIV/aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que, se não tratadas, essas infecções podem causar lesões nos órgãos genitais, infertilidade, doenças neurológicas e cardiovasculares e até câncer como o de útero e de pênis.

Ao longo do mês de dezembro, a sociedade médica esclarece as principais dúvidas envolvendo as ISTs por meio de live, posts e vídeos em seu perfil nas redes sociais (@portaldaurologia).

Vacinação
Apesar de o SUS oferecer a vacinação contra o HPV para meninos e meninas de 9 a 14 anos, segundo o Ministério da Saúde, a cobertura da segunda dose está em 27,7% entre os meninos. Já entre as meninas, a cobertura é maior, atingindo 54,3%, mas ainda longe dos 95% recomendados.

Karin Jaeger Anzolch, diretora de Comunicação da SBU e uma das responsáveis pela campanha, disse que os urologistas têm percebido que o uso dos preservativos nas relações sexuais tem decaído muito nos últimos anos, enquanto a transmissão das ISTs segue em alta.

“Outra grande preocupação é que muitas dessas infecções estão se tornando resistentes aos tratamentos existentes, em várias partes do mundo. Por essas razões, decidimos que temos que voltar a falar mais sobre o assunto, alertar e instruir a população e os agentes de saúde, e este é o terceiro ano consecutivo que adotamos o Dezembro Vermelho, mês já tradicional de conscientização sobre a aids, como o mês dedicado à temática de todas as ISTs”, disse a médica, em nota.

Sintomas
As ISTs podem ser causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Entre as mais comuns estão herpes genital, sífilis, HPV, HIV/aids, cancro mole, hepatites B e C, gonorreia, clamídia, doença inflamatória pélvica, linfogranuloma venéreo e tricomoníase.

Algumas ISTs, em seu estágio inicial, são silenciosas, não apresentando sinais ou sintomas, ou os sintomas iniciais podem desaparecer espontaneamente, dando a falsa impressão de que a doença foi curada, o que pode atrasar o tratamento e agravar as complicações e as consequências, que podem ser infertilidade, câncer e até mesmo a morte.

Entre os sintomas mais comuns estão: feridas, corrimento, verrugas, dor pélvica, ardência ao urinar, lesões de pele e aumento de ínguas.

O uso do preservativo (masculino ou feminino) continua sendo a melhor forma de prevenção, além da vacinação contra ISTs como HPV e hepatite.

Estatísticas de HIV/aids
Dados do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids 2022 do Ministério da Saúde apontam que o número de infectados vem caindo, exceto entre os homens de 15 a 29 anos. De acordo ainda com o boletim, a quantidade de infectados pelo HIV em 2021 era maior entre os homens de 25 a 29 anos (53,3%). Nas mulheres, o maior índice foi registrado entre 40 e 44 anos (18,4%).

Somente em 2021, foram contabilizadas 28.967 infecções pelo vírus em pessoas com idade entre 15 e 39 anos, sendo 22.699 entre os homens e 6.268 entre as mulheres.

Na análise do número de casos em geral, a maior quantidade nos últimos anos vem sendo registrada entre o sexo masculino.

Segundo Karin Anzolch, na época que eclodiu a aids, e por vários anos depois, muitas pessoas se assustaram e de fato passaram a adotar e a exigir o uso do preservativo, bem como começaram a ter mais cuidado na escolha de parceiros. Entretanto, com o tempo, muitas pessoas se descuidaram e passaram a banalizar os riscos de contágio, o que não só as deixaram novamente expostas ao HIV, mas a todas as outras ISTs que são altamente prevalentes.

Outro ponto importante de salientar, de acordo com a médica, é que, embora as pessoas que vivem com HIV hoje em dia disponham de tratamentos eficazes que não somente prolongam, mas também oferecem uma boa qualidade de vida, não se pode esquecer que, para isso, elas precisam tomar regular e constantemente medicações e ter uma rotina bem rígida de cuidados, exames e controles médicos, já que ainda se trata de uma doença incurável.

“Agora imagine um jovem, iniciando a sua vida, contraindo uma doença dessas e já tendo que conviver com esse ônus, influenciando todo o seu presente e futuro. E é o que está ocorrendo, infelizmente, sobretudo entre o público jovem masculino, em que se verificou um aumento na incidência da doença. Isso é resultado de uma série de razões, mas sem dúvida a exposição durante a prática de sexo desprotegido, bem como o consumo de drogas injetáveis, estão entre os principais fatores”, afirmou a médica.

Desde o início da epidemia de aids (1980) até 2021, foram notificados no Brasil 371.744 óbitos devido à doença. A maior proporção desses óbitos ocorreu no Sudeste (56,6%), seguido das regiões Sul (17,9%), Nordeste (14,5%), Norte (5,6%) e Centro-Oeste (5,4%).

Estatísticas de sífilis
Segundo o Boletim Epidemiológico Sífilis 2023, do Ministério da Saúde, de 2012 a 2022, foram notificados no país 1.237.027 casos de sífilis adquirida, 537.401 casos de sífilis em gestantes, 238.387 casos de sífilis congênita e 2.153 óbitos por sífilis congênita. Houve aumento na taxa de detecção de sífilis adquirida de 2012 a 2022, exceto em 2020, provavelmente em decorrência da pandemia de covid-19.

O boletim também indica aumento em casos e taxa de detecção de gestantes com sífilis, de 2012 a 2022. A Região Sudeste é a campeã, com 248.741 casos registrados, seguida do Nordeste, com 112.073.

“A sífilis se manifesta inicialmente como uma lesão na pele, no local onde foi feita a inoculação por contato direto com a lesão de uma pessoa infectada (sífilis primária). Mesmo sem tratamento, essa lesão inicial cicatriza espontaneamente, dando a falsa impressão de que a lesão não era ‘nada de grave’, mas a pessoa continua infectada e a doença continua evoluindo, podendo provocar a morte do paciente”, destacou Alfredo Canalini, presidente da SBU.

Na opinião do vice-presidente da SBU, Roni de Carvalho Fernandes, para combater a sífilis no Brasil, algumas medidas poderiam ser adotadas, como educação e conscientização, acesso facilitado a testes e tratamentos, melhorias no sistema de saúde, ampliação do pré-natal e fortalecimento da vigilância epidemiológica.

“É importante ressaltar que a adoção dessas medidas deve ser feita de forma integrada e contínua, visando à prevenção, detecção e tratamento adequado da sífilis para reduzir sua incidência e impacto no Brasil”, recomenda Fernandes.

Vacinação contra o HPV
O papilomavírus humano (HPV) é responsável por cerca de 50% dos cânceres, entre os quais colo de útero, ânus, vulva, vagina, orofaringe e pênis. E a vacinação contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenir o contágio.

A SBU realiza anualmente, em setembro, a campanha #Vemprouro, de conscientização da saúde do adolescente masculino, e aproveita para chamar a atenção sobre a importância da imunização.

Segundo a médica Karin, o índice de vacinação ainda está muito aquém do ideal, especialmente entre os meninos. Além dos cânceres, o HPV também pode ocasionar verrugas genitais de demorado e difícil tratamento, que estigmatizam a pessoa e levam a consequências nos relacionamentos e risco de transmissão.

“Pessoas com imunossupressão, nas quais se incluem os transplantados e pessoas que vivem com HIV, têm riscos ainda maiores, e a faixa etária para vacinação gratuita nesse grupo e para as pessoas vítimas de violência sexual foi estendida para até 45 anos. Temos trabalhado muito a vacinação do HPV, justamente por todas essas questões, mas especialmente entre os adolescentes masculinos, um público que ainda não está sendo suficientemente motivado ou direcionado para receber esse benefício”, sinaliza Karin.

Como o HPV é uma doença na maioria das vezes assintomática e com remissão espontânea em até dois anos, muitas pessoas não descobrem ter o vírus e o transmitem a seus parceiros. Por isso a importância do incentivo à vacinação. A vacina está disponível no SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos (além de pessoas imunossuprimidas), mas a cobertura ainda não chega nem próxima da meta recomendada de 95%.

Entre as consequências do HPV estão os cânceres de colo de útero e de pênis. Em 2021, foram registradas mais de 6 mil mortes de mulheres devido ao câncer de colo de útero, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. E a estimativa é que surjam mais de 17 mil novos casos em 2023.

Com relação ao câncer de pênis, de 2007 a 2022, foram realizadas no SUS 7.790 amputações de pênis decorrentes de tumores malignos, o equivalente a uma média de 486 procedimentos por ano. Em relação ao número de mortalidade em decorrência da doença, é registrada uma média de 400 por ano.

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Falta de informação e preconceito são as maiores dificuldades de quem vive com HIV/AIDS; campanha quer discutir estigma https://canalmynews.com.br/cidades/falta-de-informacao-e-preconceito-sao-as-maiores-dificuldades-de-quem-vive-com-hiv-aids-campanha-quer-discutir-estigma/ Thu, 30 Jun 2022 12:56:50 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30973 Brasileiros que convivem com o vírus HIV relatam as adversidades que enfrentam no seu cotidiano por pura falta de informação alheia

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“Do jeito que as pessoas vinham falar comigo, eu me sentia com uma semana de vida.” Este foi o primeiro contato do jovem Victor Bebiano com a falta de informação e o preconceito sobre HIV/AIDS, depois de revelar à família o contágio. Convivendo com o vírus há sete anos, ele conta que a discriminação aparece muito por meio de gestos, “sempre muito ligada à ignorância das pessoas sobre o assunto”.

A experiência de Victor não é a exceção: dados confirmam que o estigma do contágio com HIV ainda é forte entre os brasileiros. O mais recente Índice de Estigma em relação às pessoas vivendo com HIV/AIDS BRASIL, divulgado em 2019, apontou que 46,3% dos entrevistados sabiam que outras pessoas estavam fazendo comentários discriminatórios ou especulativos, associados ao fato de ser alguém vivendo com HIV/AIDS. Além disso, são comuns as situações de assédio verbal (25,3%), agressão física (6%) e até mesmo perda de emprego (19%).

“Fazendo seu tratamento, você não apresenta risco a você mesmo ou a outras pessoas. E não é algo de que se deve ter vergonha”, argumenta Victor, desmistificando a ideia ultrapassada de que o HIV é uma “sentença de morte”. “Mesmo depois de esclarecer minha família a respeito dos avanços no tratamento, demorou bastante para que relaxassem. Durante um bom período, minha mãe viveu muito preocupada com minha saúde.”

Para trazer o tema de volta à discussão pública, o Fórum da ONG/Aids do Estado de São Paulo (FOAESP), em parceria com os diretores de criação Cassio Filho e André Vidigal, a diretora Lekka Glam, a produtora audiovisual Veludo e o estúdio criativo @faccion.cc, desenvolveram uma campanha que aborda o dia a dia de quem sofre discriminação por conta da soropositividade. Não à toa, o conceito escolhido foi “A cura da AIDS começa em um mundo sem preconceito”.

HIV

Em pé: Cassio Filho e André Vidigal. Sentados: Lekka Glam, Victor Bebiano e Lara Domingues. Foto: Lara Domingues/Divulgação

Os diretores contam que foram registradas histórias de quatro pessoas que convivem com HIV. Diferentes idades, raças e orientações sexuais marcam a escolha dos entrevistados, como forma de confirmar que não há grupos mais suscetíveis. “Nossa preocupação foi criar no set um ambiente de acolhimento e intimidade, o que deixou as pessoas à vontade para contar suas histórias”, relata Vidigal. Para Bebiano, que já participou de outras iniciativas sobre HIV/AIDS, não foi apenas o acolhimento que fez a diferença. “É visível que houve uma preparação para as entrevistas, um cuidado em acertar os termos e entender as situações, e em fazer perguntas pertinentes e bem construídas. Nem sempre é assim, infelizmente.”

A opção estética do uso de luz e sombras, aliada ao resultado do ambiente acolhedor, entrega vídeos emocionantes, contrastando o relato cru com visual poético e permitindo ao espectador entender a profundidade de cada fala. “Queríamos nos afastar da estética dos filmes sobre o assunto, que é a mesma desde os anos 1980 e tem um teor mais agressivo. Viver com HIV/AIDS não precisa ser assustador”, ressaltam os diretores. A partir disso, a diretora de fotografia, Lara Domingues optou por metaforizar sentimentos, com a escuridão representando a ignorância, o preconceito e estigma enquanto a iluminação entra como uma representação da quebra desse paradigma.

Segundo os diretores de criação Cassio Filho e André Vidigal, a expectativa da campanha é provocar o debate sobre o estigma que a sociedade ainda impõe sobre a doença, e comprovar quão prejudicial ele é. Suas falas são corroboradas pela infectologista Denize Lotufo, que atua no atendimento de pessoas com HIV há mais de 30 anos. “Hoje, esta é considerada uma infecção crônica que, com tratamento correto, fica totalmente estabilizada. Quem toma os medicamentos corretamente pode e deve fazer planos de vida.”

Para ela, o estigma é o fator que mais atrapalha não apenas o tratamento, como também a qualidade de vida de seus pacientes. “Tem gente que ainda precisa tomar os remédios escondido no trabalho, ou dizer que são vitaminas. Isso é lamentável. O preconceito também afasta as pessoas da informação: muitos não sabem, por exemplo, que não transmitem o vírus com ele indetectável no organismo.” O presidente do FOAESP, Rodrigo Pinheiro, concorda com a infectologista, lembrando que o enfrentamento do preconceito também auxilia no trabalho de prevenção. “Em mais de 40 anos de epidemia de HIV/AIDS, o maior desafio é o combate ao estigma e ao preconceito das pessoas com quem vive com o vírus. Pensando nisso, o FOAESP, junto com a GSK, lançou este projeto para conscientizar a população em geral. Esta luta se faz necessária para a garantia dos Direitos Humanos.”

A campanha do FOAESP, colegiado que reúne organizações com atuação no campo da Aids, direitos humanos e saúde pública, tem apoio da farmacêutica GSK. O lançamento para convidados ocorreu nesta segunda (27), às 10h, no auditório do Centro Formador de Pessoal para Saúde – CEFOR, em São Paulo.

Conheça pesquisa brasileira que busca a cura do HIV no canal MyNews:

 

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Experiência brasileira no enfrentamento às hepatites virais traz aprendizados para lidar com novas emergências de saúde https://canalmynews.com.br/tecnologia/experiencia-brasileira-no-enfrentamento-as-hepatites-virais-traz-aprendizados-para-lidar-com-novas-emergencias-de-saude/ Fri, 17 Jun 2022 12:11:23 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30106 Com a criação do Programa Nacional de Hepatites Virais em 2002, Brasil foi pioneiro no combate a essas doenças, possibilitando acesso a medicamentos e prevenção

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O Brasil foi pioneiro no combate às hepatites virais por meio de iniciativas como a criação do Programa Nacional de Hepatites Virais (PNHV) em 2002, dez anos antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecê-las como problema global de saúde pública. É o que aponta relatório publicado nesta sexta (17) por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas.

O estudo foi realizado entre setembro de 2020 e fevereiro de 2022 por meio de pesquisa documental e de 34 entrevistas com informantes-chave do Ministério da Saúde, da sociedade civil, acadêmicos e de indústrias farmacêuticas.

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Andreza Davidian, pesquisadora da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV EAESP) e autora principal do relatório, explica que o programa de hepatites teve como base a experiência bem-sucedida do Programa de HIV/Aids. No escopo do PNHV, a coordenação do Ministério da Saúde viabilizou negociações com a indústria farmacêutica para ampliar o acesso a medicamentos e reduzir o custo do tratamento. Simultaneamente, a estrutura de assistência do Sistema Único de Saúde garantiu o manejo dessas doenças na atenção primária.

Um dos grandes marcos  no Brasil foi a integração das estratégias de enfrentamento das hepatites virais e IST/Aids em um mesmo departamento do Ministério da Saúde a partir de 2010 e, mais recentemente,  de outras condições crônicas e transmissíveis, como tuberculose e hanseníase. Embora as mudanças recentes tenham se apresentado como um retrocesso aos olhos de diversos setores – notadamente da sociedade civil e de gestores –, este corresponde a um processo global consoante à preconização da atenção primária como estratégia principal para promover saúde para todos, aponta o estudo. Neste sentido, o Brasil também foi pioneiro, visto que somente em 2015 as estratégias globais de enfrentamento a essas condições passaram a ser conjuntas.

Conforme a autora, a pesquisa contribui para avaliar a resposta nacional às hepatites e a novas crises de saúde pública, como a de emergência da hepatite aguda infantil de origem desconhecida notificada pelo MS em maio de 2022. “Nosso estudo sugere que existe uma ação institucionalizada no país para o enfrentamento às hepatites virais; portanto, há capacidade estatal para monitorar e responder prontamente a essa emergência de saúde. Ademais, o estudo traz informações sobre a gestão de programas complexos, que envolvem diferentes atores e níveis de gestão; assim, pode subsidiar interessados nos processos políticos da saúde pública e formas de incentivar uma oferta mais igualitária de serviços de saúde”, afirma Davidian.

O relatório também mostra que, a despeito das crises institucionais enfrentadas na última década, o Brasil pode ser exemplo no combate às hepatites virais por suas ações transversais para diagnóstico e monitoramento dos pacientes. “A experiência brasileira deve fornecer lições a países comprometidos a eliminar a hepatite C como problema de saúde pública; seja pelo roteiro de como o programa se estruturou e fortaleceu ao longo do tempo, seja pela implementação da estratégia bem-sucedida de tornar o tratamento acessível a todos”, complementa a pesquisadora.

Conheça a pesquisa brasileira que está perto da cura do HIV:

 

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Unifesp ampliará estudo que objetiva eliminar HIV do organismo com medicamentos e terapia celular https://canalmynews.com.br/mais/unifesp-ampliara-estudo-eliminar-hiv-do-organismo-medicamentos-terapia-celular/ Sun, 05 Sep 2021 14:00:40 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/unifesp-ampliara-estudo-eliminar-hiv-do-organismo-medicamentos-terapia-celular/ Através da combinação de medicamentos, consegue matar as células que armazenam o HIV e com uma terapia semelhante a uma vacina, faz com que o vírus seja eliminado

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Um estudo com pesquisadores de diversos países, incluindo pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), está conseguindo tratar o vírus HIV do organismo utilizando um coquetel de medicamentos e uma terapia celular. A pesquisa “desperta” os vírus latentes no corpo humano para que o organismo possa eliminá-los. Através da combinação de medicamentos, consegue matar as células que armazenam o HIV e, através de uma terapia celular semelhante a uma vacina, faz com que as pessoas consigam banir o vírus.

A pesquisa está sendo feita com voluntários que fazem tratamento para HIV/Aids e estão com carga viral indetectável e agora será ampliada. “Está funcionando e a gente vai ampliar esse estudo”, disse o infectologista Ricardo Sobhie Diaz, infectologista e diretor do Laboratório de Retrovirologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina (EPM/ Unifesp) – Campus São Paulo, em entrevista ao Quinta Chamada Ciência.

A epidemia de Aids existe há 40 anos e a estimativa do Programa das Nações Unidas para Aids (Unaids) é de que 37,6 milhões de pessoas viviam com HIV/Aids no mundo em 2020. De acordo com o Ministério da Saúde, 920 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil. A infecção pelo HIV não tem cura, mas tem tratamento – que é feito com medicações antirretrovirais que diminuem a carga viral e controlam a infecção. A estimativa do Unaids é que 27,6 milhões de pessoas no mundo tenham acesso à medicação, também chamada de “coquetel anti-HIV”.

“Pra gente entender os medicamentos que a gente usou, a gente tem que entender o tamanho desse desafio. O HIV entra no corpo da pessoa e fica de uma forma dormente, latente, não vai mais embora. Não existe nenhum caso no mundo em que a pessoa tenha adquirido o HIV e tenha eliminado ele”, pontua Diaz, lembrando que um dos grandes desafios é diminuir os danos ao organismo de um vírus que fica pra sempre.

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O programa Quinta Chamada Ciência conversou sobre o tratamento e uma possível cura para o HIV/Foto: Reprodução da Internet/Canal MyNews

“Um deles, é que [o HIV] fica inflamando o nosso corpo e faz com que a gente envelheça mais rápido. O outro grande desafio é curar as pessoas. A gente descobriu que o caminho para diminuir essa inflamação e até curar as pessoas é o mesmo. Tentar fazer com que esse vírus acorde e fazer com que as pessoas consigam reagir contra o vírus e eliminar”, continua o epidemiologista, acrescentando que com a combinação de algumas estratégias, os pesquisadores chegaram à conclusão de que é possível eliminar o vírus HIV, mas com as tecnologias disponíveis atualmente esse processo demoraria décadas. O desafio dos cientistas é encontrar uma forma de acelerar esse processo e, de fato, poder curar as pessoas.

“A gente imaginava que conseguiria curar o HIV porque ele fica só em lugares que a gente consegue eliminar, que não são células definitivas (como o cérebro, o osso). O conceito foi provado com a estratégia de transplante de medula, pra quem precisa de transplante de medula. Duas pessoas foram curadas e provavelmente tem uma terceira. Mas não dá pra fazer transplante de medula [em todas as pessoas]”, explica o pesquisador, detalhando o processo que está sendo estudado pela Unifesp.

Vacinas são “a arte imitando a vida”. No caso do HIV, o desafio é fazer “a arte melhor que a vida”

Ricardo Diaz considera que a vacina é a “arte imitando a vida” e este é o desafio da pesquisa de uma vacina para o HIV. “Na vida, se você pega uma catapora, você não vai ter de novo. O que a vacina faz? Ela engana seu corpo e faz ele achar que você teve uma catapora para fazer com que você fique imunizado. Normalmente a arte não é melhor que a vida. A questão é que ninguém até hoje que se infectou com o HIV, eliminou o vírus. Então o desafio dos cientistas é fazer a arte melhor que a vida”, considera.

O epidemiologista Ricardo Diaz considera que, no caso da pandemia do novo coronavírus, o avanço rápido na descoberta de vacinas contra o Covid-19 se deveu a um movimento de solidariedade que alcançou o mundo inteiro e fez instituições de diversas regiões do planeta compartilharem suas pesquisas, resultados satisfatórios e também os caminhos que não deram resultados.

“A vacina [do Covid-19) andou rápido por solidariedade. Pesquisadores abriram todos os bancos de dados e essa solidariedade está possibilitando à ciência andar rápido porque a gente está com medo”, diz. Outra questão que influenciou a agilidade para encontrar os imunizantes contra o novo coronavírus foi o reaproveitamento de tecnologias para vacinas que já tinham sido testadas, mas não avançaram da forma esperada e agora foram resgatadas e “repaginadas”, utilizando o mesmo modelo que já existia para combater outro vírus.

Combate ao Covid-19 deve utilizar estratégias já experimentadas no enfrentamento da Aids

Outro aspecto interessante é que iniciativas de tratamento já adotadas para enfrentar o HIV também deverão ser utilizadas para combater o Covid-19, a exemplo da Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e da Profilaxia Pré-exposição (PreP).

No caso do HIV, o conjunto de medicamentos chamado de PEP é receitado para a pessoa que passou por um risco de se infectar com o HIV – seja por uma relação sexual sem uso de preservativos, ou por ser vítima de violência sexual, entre outras situações. Já a PreP é indicada para pessoas que não vivem com o vírus HIV, mas que possam ter uma exposição ao vírus. Essas pessoas tomam um conjunto de remédios que previnem a infecção pelo vírus que provoca a Aids.

Para o Covid-19, os cientistas pesquisam, além das vacinas (que poderiam ser comparadas à PreP), medicações que possam ser receitadas às pessoas que se expuseram ao novo coronavírus (PEP), evitando também a infecção e possíveis complicações. Seriam medicamentos aliados das vacinas no combate à pandemia.

O infectologista Ricardo Sobhie Diaz destacou que, apesar de não existir cura para a Aids, a terapia antirretroviral feita da forma recomendada pela equipe de saúde realiza o controle da infecção e também oferece a possibilidade que as pessoas infectadas com o vírus HIV se tornem indetectáveis. Quando a pessoa está com a carga viral indetectável ela não transmite o vírus HIV. “Indetectável é igual a intransmissível (I=I). Os maiores sintomas do HIV ainda são o estigma, o preconceito e a discriminação. Existe o que a gente chama de ‘sorofobia’, que é quando a pessoa é discriminada por viver com o HIV e isso é muito pesado para as pessoas”.

Assista ao Quinta Chamada Ciência, sempre com temas atuais e convidados especiais. Com apresentação da jornalista Cecília Oliveira, no Canal MyNews

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