Arquivos IFI - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/ifi/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Tue, 10 Oct 2023 16:41:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 “Brasil não se encontra em situação de equilíbrio”, diz diretor-executivo da IFI https://canalmynews.com.br/economia/brasil-nao-se-encontra-em-situacao-de-equilibrio-diz-diretor-executivo-da-ifi/ Tue, 10 Oct 2023 19:00:47 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=40467 Economista participou de uma reunião de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)

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O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, disse nesta terça-feira (10) que o país precisa fazer um “esforço de ajuste” para evitar “consequências muito graves” nas contas públicas no próximo ano. O economista participou de uma reunião de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para analisar a evolução do quadro fiscal brasileiro.

— O Brasil não se encontra em uma situação de equilíbrio. Há um ajuste a ser feito. O crescimento desordenado e agudo da dívida pública pode trazer consequências muito graves. O Brasil precisaria produzir um superávit primário de 1,5% do PIB [Produto Interno Bruto]. No entanto, desde 2014, com exceção de 2021, produzimos déficits. E tudo indica que o deste ano vai girar entre 1% e 1,4%. A meta de déficit zero para 2024 é um objetivo desafiador — afirmou.

Marcus Pestana citou proposições aprovadas ou em análise no Congresso Nacional como exemplo da preocupação do país com a questão fiscal. Ele destacou o voto de desempate no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.

— Há um razoável consenso no Brasil de que a responsabilidade e o equilíbrio fiscais são essenciais para o desenvolvimento sustentado do país. O descontrole das finanças públicas inequivocamente provoca inflação, juros altos, desemprego, recessão e dívida crescente. Forma um círculo vicioso que não liberta o país para um processo positivo e virtuoso de crescimento sustentado e inclusivo — disse.

A reunião de trabalho contou com a presença de Vilma da Conceição Pinto, diretora da IFI. Segundo ela, o país assiste neste ano a uma “reversão da tendência de superávit” verificada em 2022. Entre as causas, o choque de commodities provocado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e uma recomposição de despesas promovida no primeiro ano de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— Tem toda essa questão de mérito e necessidade. É natural observar essa reversão. Mas a redução de receitas e o aumento de despesas primárias gera um desequilíbrio nas contas públicas de curto prazo — explicou.

O presidente da CAE, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), classificou como “desafiadora” a meta de déficit primário zero proposta para 2024. Para ele, a reunião desta terça-feira contribui para subsidiar o trabalho dos parlamentares.

— Conhecermos cada vez mais a situação fiscal brasileira é condição fundamental para entendermos os aperfeiçoamentos que devemos fazer na reforma tributária, a ser deliberada em breve na Comissão de Constituição e Justiça e no Plenário — afirmou.

O encontro contou apenas com a participação de senadores da oposição. O líder do bloco na Casa, senador Rogerio Marinho (PL-RN), disse que “barbeiragens” do atual governo sugerem “um quadro um pouco mais dramático” do que aquele indicado pelos representantes da IFI.

— Existe uma série de fatores supervenientes que não estão sob nosso controle, mas estão sinalizados. O governo aprovou um projeto de lei que atrela o crescimento do salário mínimo ao crescimento do PIB de forma positiva. Isso certamente vai ter um impacto das contas públicas, notadamente na Previdência — afirmou.

Também participaram do debate os senadores Esperidião Amin (PP-SC), Izalci Lucas (PSDB-DF), Margareth Buzetti (PSD-MT), Mauro Carvalho Junior (União-MT) e Oriovisto Guimarães (Podemos-PR). Para o senador Sergio Moro (União-PR), a atual gestão promove “um afrouxamento das contas públicas”.

— Há um aumento das despesas e uma tentativa de se fazer ajuste com base no aumento dos impostos, da arrecadação, da tributação. Particularmente, não tenho visto o Congresso Nacional disposto a aumentar tributos. Já existe carga tributária imensa que o brasileiro tem que suportar. A saída que existe é cortar despesa. Mas a gente vê um governo que tem aumentado a máquina pública — disse.

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Vilma Pinto, de estagiária à diretora do IFI https://canalmynews.com.br/mais/vilma-pinto-de-estagiaria-a-diretora-do-ifi/ Wed, 14 Jul 2021 15:12:40 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/vilma-pinto-de-estagiaria-a-diretora-do-ifi/ Ela é a primeira mulher e pessoa negra a assumir uma vaga na direção da entidade

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Vilma Pinto  é a primeira mulher e pessoa negra a assumir uma vaga na direção da entidade / Foto: Bianca Gens/FGV

Na cozinha, terminando de preparar o almoço, foi assim que Vilma Pinto a nova diretora da Instituição Fiscal Independente (IFI), atendeu ao telefone para dar esta entrevista ao MyNews. “Só termina de colocar o queijo e está pronto”, orientou ela antes de ir a um lugar mais silencioso para então iniciar a entrevista. 

A niteroiense de 31 anos, que mora no Paraná há um ano e meio, está de mudança para Brasília onde assumirá o cargo mais desafiador de sua carreira até agora. Vilma assumirá nos próximos meses a diretoria do IFI, ela teve o nome aprovado nesta semana pelos senadores da república depois de passar por uma sabatina. 

Mestre em economia empresarial e finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com dissertação sobre avaliação e estimação do resultado fiscal estrutural sob a perspectiva de uma regra de política fiscal, Vilma é apaixonada por contas públicas.

Desde cedo precisou fazer sacrifícios para trabalhar, estudar e ajudar em casa financeiramente. Estudante de escolas públicas durante toda a trajetória escolar, perdeu o pai no último ano da faculdade. Hoje mora com a mãe, que a acompanha para onde vai. “Ela diz que prefere ficar comigo para me cuidar”, revela Vilma, que horas antes havia acompanhado a mãe em uma consulta médica. “Uma cuida da outra na verdade”, diz ela entre risos. 

Diretora do IFI 

O Plenário do Senado aprovou o nome de Vilma na quarta-feira (7/7), até então vaga que era ocupada por Josué Alfredo Pellegrini. A economista é a primeira mulher negra a exercer um cargo de diretoria da IFI. “Embora o IFI seja uma entidade criada recentemente, vejo que ter uma mulher negra na direção é algo muito positivo para a representatividade”, comenta. 

A indicação partiu de um dos diretores atuais do órgão, Felipe Salto, que sugeriu o nome da economista ao presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Otto Alencar (PSD-BA). “A minha conversa sobre a vaga com o senador Otto foi online. Passamos um bom tempo falando sobre macroeconomia, finanças públicas e sobre a atual situação do país. Ao fim da ligação ele disse que tinha se impressionado e me perguntou o que achava de assumir o cargo e então fez o convite”.

Vilma, que começou a trajetória profissional como estagiária na auditoria de um shopping center, conta que o interesse pela economia surgiu quando assistia aos comentaristas na televisão fazendo análises sobre finanças. “No estágio do shopping eu conheci administradores e contadores, mas foi pelas análises dos comentaristas financeiros da TV que me interessei em economia”.

Vilma, que trabalha desde os 16 anos, sempre esteve atenta às oportunidades profissionais. Durante o último ano do ensino médio, fez cursinho pré-vestibular comunitário, pois a família não tinha condições de pagar um curso particular. Passou no vestibular para o Curso de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e durante a maior parte da graduação trabalhou em um call center.  

“Durante a faculdade fiquei sabendo de uma seleção para estagiar na área de inflação do IBGE. Depois apareceu uma vaga, também de estágio, na Fundação Getúlio Vargas. Passei no processo seletivo e fiz a entrevista com o Gabriel Leal de Barros, que já foi diretor do IFI. Na ocasião, em 2012, ele perguntou se eu aceitaria trabalhar no setor de contas públicas, eu aceitei e desde então sigo nesta área”, relembra Vilma. 

Vilma trabalhou no Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre), de 2012 a 2020, sendo responsável por projeções e análises de política fiscal do instituto, além de participar da preparação do Boletim Macroeconômico, periódico na área de macroeconomia e finanças públicas, e um dos mais respeitados do país. 

Vilma Pinto foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos para o cargo de diretora da Instituição Fiscal Independente (IFI), em substituição à Josué Alfredo Pellegrini. / Fonte: Agência SenadoWaldemir Barreto/Agência Senado

Mudança na carreira 

Atualmente Vilma mora com a mãe em Curitiba (PR), onde trabalha como assessora da Secretaria de Fazenda do Estado. O convite partiu do secretário Renê Garcia Jr, depois dele ter assistido a palestras de Vilma e ter ficado impressionado com o conhecimento dela, mesmo tão jovem, entender tanto de contas públicas e das legislações estaduais ligadas ao tema. 

“O que estranhamos aqui foi mesmo o frio, pois no Rio de Janeiro é bem mais tranquilo”, diz ela enquanto planeja ficar um mês em Niterói antes de tomar posse em Brasília. 

Vilma deve deixar o cargo na capital paranaense nos próximos dias.“Com a minha experiência na área de finanças públicas pretendo colaborar com o padrão de excelência que hoje é reconhecido internacionalmente e auxiliar a instituição com estudos novos na área de contas públicas” , confirmou ela em recente entrevista aos colegas do governo do estado paranaense.

Repercussão na indicação 

“Eu não esperava tanta repercussão com a minha indicação ao IFI. Assim que a notícia foi anunciada, comecei a receber várias mensagens de pessoas que nem conheço. Começaram a citar minha conta no twitter e comecei a receber convites de entrevistas.”, revela Vilma. 

Não foram somente nas redes sociais que Vilma teve o nome exaltado e apreciado ao cargo. Durante a nomeação, as senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Eliziane Gama (Cidadania-MA), representantes da Bancada Feminina do Senado parabenizaram Vilma.

Missão na direção do IFI 

Sobre o novo desafio, Vilma diz estar ciente da importância que o cargo tem, mas que não se deve perder o foco. “A IFI existe para dar transparência às contas públicas e também fazer projeções a esse respeito. Por isso, é preciso entender que não é função da IFI recomendar politicamente e nem dizer o que é melhor ou pior”. A posse ainda não tem data marcada mas deve se realizar daqui há cerca de um mês.

Durante a sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Vilma destacou que, no atual contexto econômico e social, as instituições fiscais ganham maior relevância e defendeu a necessidade de melhorar as políticas de assistência aos mais vulneráveis e de retomar investimentos públicos eficientes.

“É inegável que foram feitos esforços no sentido de reduzir essa trajetória, mas ainda há desafios a superar para alcançar o reequilíbrio fiscal com qualidade e eficiência dos gastos públicos”, pontuou. 

Este texto começou com Vilma na cozinha, mas foi uma mera coincidência, afinal a entrevista foi feita em um sábado na hora do almoço. Porém, é importante esclarecer que lugar de mulher é onde ela quiser estar. No caso de Vilma é na direção de um dos mais importantes órgãos de fiscalização financeira do país. 

O MyNews deseja sucesso e se orgulha por ter a nova diretora do IFI como colunista do site

O que faz o IFI? 

Criada em 2016, a Instituição Fiscal Independente do Senado busca ampliar a transparência nas contas públicas. A instituição prioriza estudos que mostrem o custo das políticas públicas, avaliações da condução da política fiscal e os efeitos sobre os gastos públicos oriundos das decisões do Estado. 

Tem a missão de vigiar a política fiscal do país. O que a entidade faz, em resumo, é passar um pente-fino nas cifras referentes às receitas e aos gastos do governo e, assim, revelar o estado das contas públicas. 

A IFI foi uma resposta do Senado à crise fiscal decorrente das famosas ‘pedaladas fiscais’ da então presidente da República Dilma Rousseff. A criação do órgão foi sugerida pelo senador José Serra (PSDB-SP) em 2015, encampada pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), e aprovada pelo Plenário do Senado em 2016, logo depois do impeachment de Dilma.

Fonte: Agência Senado

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