Tensão nos EUA

Manifestantes pró-Trump invadem Congresso dos EUA para impedir confirmação da vitória de Biden

Biden chamou o ato de "ataque inédito" à democracia dos EUA
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Apoiadores de Donald Trump invadem o Capitólio, sede do Congresso dos EUA
Apoiadores de Donald Trump invadem o Capitólio, sede do Congresso dos EUA.
(Foto: Redes sociais)

Atualizado às 19h51 em 6.jan.2021

Um grupo de apoiadores do ainda presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em confronto na tarde desta quarta-feira (6) com as forças de segurança que protegem o Congresso dos Estados Unidos e invadiu o local.

Conhecido como Capitólio, o edifício fica na capital, Washington. A invasão obrigou tanto a Câmara quanto o Senado a paralisarem a sessão que deveria confirmar a vitória do democrata Joe Biden.

A sessão desta quarta-feira no Congresso teria caráter protocolar, uma vez que a vitória de Biden já foi oficializada no último dia 14 de dezembro. Trump, no entanto, insiste em questionar a vitória do adversário democrata, fazendo acusações de fraudes sem qualquer tipo de prova, e atua como incentivador dos atos de seus apoiadores em Washington.

Os manifestantes romperam a segurança do local por volta das 14h30 do horário local (16h30 de Brasília), o que imediatamente levou a um toque de recolher na sede do Legislativo. Parlamentares foram retirados dos plenários e levados para salas de segurança dentro do Capitólio.

Biden x Trump

O presidente eleito, Joe Biden, se mostrou chocado e triste com o ocorrido no Capitólio

“Todos vocês estão assistindo o que eu estou assistindo. Nesse momento nossa democracia está sofrendo um ataque inédito. Um ataque como poucas vezes vimos, um ataque ao Estado de Direito. As cenas que vimos no Capitólio não representam o verdadeiro norte-americano”

Biden prossegue e cobra uma posicionamento de Trump: “O que vimos foi um pequeno número de extremistas. Isso não é protesto, é desordem, é caos. Peço ao Presidente Trump q vá a TV e peça um fim pra esse circo”.

Pouco após a fala de Biden, Trump divulgou um vídeo no qual pediu que os apoiadores voltassem para casa e em paz, mas voltou a afirmar — sem provas — que a eleição presidencial foi fraudada.

Republicanos também criticam

A sessão no Congresso era presidida pelo atual vice-presidente, Mike Pence, que foi cobrado pelo próprio Trump para não reconhecer a vitória de Biden. No entanto, Pence afirmou que respeitaria a Constituição americana e não acataria a interferência do republicano, o que foi visto por Trump como “falta de coragem”.

O próprio Pence afirmou que todos os envolvidos na invasão serão punidos e exigiu que os manifestantes deixem o Capitólio.

Representantes do Partido Republicano, como Ted Cruz e Marco Rubio, pedem que Trump faça os manifestantes saírem.

‘Foi tentativa de golpe’

“É algo que você não vê usualmente na democracia americana. Talvez o último momento em que ela estivesse ameaçada de fato tenha sido na Guerra Civil Americana (1861-1865)”, cita Lucas de Souza Martins, jornalista que faz mestrado em História americana na Universidade Estadual da Geórgia, em participação no Dinheiro na Conta desta quarta-feira.

Para o economista Otaviano Canuto, que também participou do programa e será professor na Universidade George Washington, na capital americana, o que aconteceu no Capitólio pode ser visto como uma tentativa de golpe.

“A tentativa parte da conversa telefônica com o secretário da Geórgia [no dia anterior]. Foi uma tentativa de subverter na marra a ordem legal. Isso foi um desejo, uma tentativa de golpe. O que também daria margem para a abertura de um processo legal.

Canuto também cita o episódio desta quarta como um exemplo de como terminam regimes populistas, como o do presidente Trump.

“Populistas promete soluções fáceis para problemas complexos. Foi assim que o Trump conseguiu se eleger, assim como outros. E frequentemente esses governos acabam mal”.

Vitória democrata na Geórgia

O corrido no Capitólio se dá no mesmo dia em que a imprensa dos Estados Unidos, a partir de suas projeções, apontou a vitória dos dois candidatos democratas na disputa pelo Senado no Estado da Geórgia.

Com o triunfo duplo, além de encerrar uma série de representantes do Partido Republicano pela Geórgia, marca o controle do Partido Democrata sobre as duas casas do Congresso — Senado e Câmara dos Deputados, o que deve facilitar a vida de Biden.

Um dos eleitos, o pastor Raphael Warnock, se tornou o primeiro negro a ocupar o cargo de senador pela Geórgia, Estado que tem um passado escravista e de tensões raciais.

Martins cita a eleição na Geórgia como um bom exemplo para o país. “Embora haja alguns grupos que promovam essa tentativa de golpe, a Geórgia mostra por meio do seu exemplo, com a eleição dos novos senadores, que há espaço para se fazer a democracia com mais pluralidade”.

Repercussão no Brasil

Políticos e autoridades brasileiras também usaram as redes sociais para se manifestar quanto aos acontecimentos em Washington.

Para o vice-presidente do PDT, Ciro Gomes, que disputou a eleição presidencial brasileira em 2018, Trump é um mau exemplo para o mundo, mas lembrou que o republicano é considerado um espelho para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A ligação de Trump com Bolsonaro também foi destacada pelo deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP), que chamou a invasão ao Congresso de pior ameaça já vivida pela “maior democracia do mundo”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou a invasão ao Capitólio como “ato de desespero de uma corrente democrática que perdeu as eleições”.

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