Arquivos agronegócio - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/agronegocio/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Thu, 14 Oct 2021 02:21:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Ex-ministro da Agricultura fala sobre desabastecimento e ilegalidade na produção https://canalmynews.com.br/mynews-investe/ex-ministro-agricultura-fala-sobre-desabastecimento-e-ilegalidade-na-producao/ Thu, 14 Oct 2021 02:21:48 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/ex-ministro-agricultura-fala-sobre-desabastecimento-e-ilegalidade-na-producao/ Com safra recorde de grãos anunciada pela Conab, Roberto Rodrigues – ex-ministro da agricultura, considera mercado interno será abastecido

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Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Agricultura, conversou com o MyNews Investe sobre a possibilidade de desabastecimento no país, levantada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no mesmo dia em que a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou uma safra recorde de grãos para 2021/2022. Segundo Rodrigues, desabastecimento depende da visão que se tem em relação ao processo e produção e comercialização.

Roberto Rodrigues - ex-ministro da Agricultura
Ex-ministro da agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da FGV considera remota possibilidade de desabastecimento/Imagem: Reprodução/Canal MyNews

“Há fatores que interferem, como exportação. Se o câmbio for muito favorável para exportar, pode ser que se exporte um pouco mais, causando um problema de demanda interna. Mas não acredito que esse problema surja, porque tudo indica que teremos uma safra muito grande, que vai abastecer o mercado interno e gere excedente para exportar tranquilamente também.”.

O ex-ministro também falou sobre a ilegalidade que mancha a imagem do agronegócio. “A sociedade brasileira inteirinha tem que cobrar isso. Nós temos uma agricultura sustentável, competitiva, que é manchada por questões ligadas à ilegalidade, como desmatamento ilegal, incêndio criminoso, grilagem de terra, garimpo em terra indígena.”.

Rodrigues reforçou que a tecnologia adotada no Brasil permite que o país produza duas, três safras por ano sem a necessidade de se derrubar mais nenhuma árvore. “Não há necessidade mais de abrir terra. Nós podemos trabalhar com a terra disponível hoje e ainda recuperar áreas que perderam a fertilidade por mau trato”, destacou o ex-ministro. Infelizmente, ainda falta combinar com parte dos produtores e, especialmente, com o governo federal, que adota um discurso bem distante.

Assista ao MyNews Investe, de segunda a sexta, no Canal MyNews, com apresentação de Thais Skodowski

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Três ações do agronegócio para você ficar de olho na Bolsa https://canalmynews.com.br/mynews-investe/tres-acoes-agronegocio-para-ficar-de-olho-bolsa/ Thu, 14 Oct 2021 00:54:45 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/tres-acoes-agronegocio-para-ficar-de-olho-bolsa/ Agronegócio é um dos principais da economia brasileira. Nada mais natural para o investidor do que procurar por essas empresas na hora de investir

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“Brasil, o celeiro do mundo.” A expressão é antiga. Foi cunhada na Era Vargas, quando o país passou a produzir soja, trigo e milho em larga escala. Muitos anos se passaram desde a criação do slogan e, mesmo deixando os arroubos populistas de lado, não dá para tirar a importância do agronegócio para a economia brasileira.

Anúncio da Evergrande repercutiu na Bolsa de Valores
Grande produtor agrícola, Brasil tem empresas com ações promissoras na Bolsa de Valores/Imagem: Pixabay

O país é o quarto maior produtor de grãos do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia. Tem o maior rebanho bovino, o quarto efetivo de aves e o terceiro de suínos. Em 2020, 26,6% do PIB brasileiro correspondeu ao setor. Nada mais natural para o investidor do que procurar empresas do agro na hora de investir na Bolsa. Mas será que é o momento?

A pedido do MyNews Investe, Elidio Almeida, especialista em commodities da Valor Investimentos, apontou três ações com boas perspectivas para os próximos meses. A primeira delas é a SLCE3, da SLC Agrícola. A empresa fundada em 1977 pelo Grupo SLC produz soja, algodão e milho, além de trabalhar com gado. Também detém a marca SLC Sementes, que produz e comercializa sementes de soja e algodão.

A SLC foi uma das primeiras empresas do setor a ter ações negociadas na Bolsa. Nas últimas 52 semanas, os papéis tiveram uma valorização de 96,36%. “Ela está sendo negociada com um Preço/Lucro de 8,4 vezes”, informa Almeida. O chamado Índice Preço/Lucro serve justamente como um indicador do humor dos investidores. Quanto maior o P/L, mais positivo está o cenário do mercado para a companhia.

A segunda ação apontada por Elidio Almeida é a RAIZ4, da Raízen, que foi negociada na Bolsa nesta quarta-feira a R$ 7,06. “É mais focada em energias renováveis e uma empresa bem bacana do setor também”, destaca o especialista. Ela é fruto de uma joint venture entre a brasileira Cosan e a holandesa Shell e está entre as maiores produtoras de cana de açúcar e etanol do mundo.

A Raízen realizou IPO em agosto deste ano. A oferta pública inicial movimentou R$ 6,9 bilhões. De acordo com a companhia, os recursos captados seriam usados na expansão da produção de produtos renováveis, segmento que respondeu por 13% dos R$ 114,6 bilhões do faturamento no ano fiscal encerrado em março de 2021.

Fechando o Top 3, Elidio Almeida aponta a TTEN3, papel da Três Tentos, empresa que atua no gerenciamento de grãos, armazenagem, defensivos agrícolas, fertilizantes e gestão de produção, e abriu capital em julho deste ano. “É praticamente uma Small Cap. Entrou na bolsa através de uma oferta restrita. A gente acha que ela está num patamar bem interessante de preço e tem um potencial bem grande de crescimento.” O papel foi negociado nesta quarta a R$ 9,05, com valorização de 4,26%.

Acompanhe o MyNewes Investe, no Canal MyNews, de segunda a sexta, a partir das 18h

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Lula queria Meirelles como vice em 2022 https://canalmynews.com.br/politica/lula-queria-meirelles-como-vice-em-2022/ Fri, 08 Oct 2021 13:31:58 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/lula-queria-meirelles-como-vice-em-2022/ O presidente do PSD, Gilberto Kassab, prefere ter candidatura própria a ceder Meirelles; Lula apostaria em fórmula conhecida

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a interlocutores que gostaria de ter o secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, Henrique Meirelles, como vice na sua chapa para 2022. Ambos já trabalharam juntos no governo Lula, quando Meirelles comandou o Banco Central. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, no entanto, resiste à ideia.

O ex-dirigente do BC, Henrique Meirelles, e o ex-presidente Lula durante o 2º Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, em 2010
O ex-dirigente do BC, Henrique Meirelles, e o ex-presidente Lula durante o 2º Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, em 2010. Foto: Renato Araujo (ABr)

A aliança com Henrique Meirelles seria uma aposta que já deu certo na primeira eleição de Lula: a composição com um nome conhecido e aprovado pelo mercado. Em 2002, Lula escolheu como vice o empresário José de Alencar. O ex-presidente do Banco Central poderia até já ser anunciado como ministro da Fazenda de antemão e ser o seu “posto Ipiranga”, papel desempenhado pelo atual ministro da Economia Paulo Guedes para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018.

Nas conversas que teve com o presidente do PSD, partido ao qual Meirelles está filiado, Lula não encontrou receptividade. Gilberto Kassab tem insistido que o melhor plano para a legenda neste momento é uma candidatura própria e aposta suas fichas no presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Diante da negativa, Lula tem sido aconselhado a procurar alguém do agronegócio. Além de abrir as portas com o capital, o setor poderia atrair também parte do eleitorado conservador. Os nomes, no entanto, ainda estão sendo avaliados.

Lula encerra nesta sexta-feira (8) um giro de conversas por Brasília. Lá, além de Kassab, reuniu-se com dirigentes do MDB e com movimentos sociais. 

Íntegra do programa ‘Café do MyNews‘ desta sexta-feira (8), que abordou a tentativa de Lula de formar uma chapa com Meirelles

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Marcello Brito: agronegócio está preocupado com postura do Brasil em relação ao meio ambiente https://canalmynews.com.br/economia/marcello-brito-agronegocio-preocupado-brasil-meio-ambiente/ Fri, 03 Sep 2021 20:35:04 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/marcello-brito-agronegocio-preocupado-brasil-meio-ambiente/ Descontentes com a política ambiental adotada no governo Jair Bolsonaro, parte dos empresários do agronegócio – especialmente aqueles que atuam com exportações – está preocupada com a imagem do Brasil no exterior em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente

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Descontentes com a política ambiental adotada no governo Jair Bolsonaro, parte dos empresários do agronegócio – especialmente aqueles que atuam com exportações – está preocupada com a imagem do Brasil no exterior em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente. Com negócios influenciados cada vez mais por novas exigências dos consumidores e também do mercado financeiro – que tem adotado as práticas de ESG como parâmetro de confiabilidade para os investimentos – estar com a imagem relacionada a medidas de destruição ambiental e práticas consideradas ultrapassadas de desenvolvimento econômico e social não é um bom negócio na atualidade.

A necessidade de adotar práticas de conservação ambiental e de voltar a liderar os debates sobre sustentabilidade no mundo – área na qual o Brasil se destacou desde a Rio 92 – é uma das bandeiras de Marcello Brito – presidente da Associação Brasileira de Agronegócio. Brito tem chamado a atenção do agronegócio e do governo brasileiros para os prejuízos à imagem do Brasil e à economia se a política ambiental continuar a ser ignorada.

“Lembro que fui um dos fundadores da mesa redonda do óleo de palma sustentável – a maior mesa redonda de commodities do mundo, em 2003 – e a pressão em cima dos países asiáticos era muito forte. Recordo de dezenas de viagens que fiz para a Indonésia e havia essa repulsa pela questão ambiental. O que o país colheu 10 anos depois desse processo foi ter virado um pária internacional, ao ponto de produtos da Indonésia com certificação internacional valerem menos do que qualquer outro semelhante”, recorda Marcello Brito, complementando que a postura de degradação das florestas e da biodiversidade prejudicou a “marca da Indonésia” no exterior, ao ponto de prejudicar a economia do país.

Marcelo Brito - presidente da Associação Brasileira de Agronegócios
Marcelo Brito – presidente da Associação Brasileira de Agronegócios/Imagem: Reprodução Canal MyNews

Segundo Marcello Brito, esse efeito negativo na economia fez com que há cerca de cinco anos a Indonésia adotasse uma postura diferente sobre as exigências ambientais – visando a uma adequação às exigências mundiais de conservação. “Reduziram o desmatamento em 90%, criaram uma plataforma de monitoramento e integraram diversos setores. Quando olho para esta experiência, que aconteceu na primeira década deste século, vejo que o Brasil está fazendo da mesma forma. O processo de desmatamento da Amazônia só faz aumentar. Na visão das novas gerações não é mais aceitável ter a produção aliada à degradação ambiental. Prejudica a imagem do país e pode ser que venha a nos prejudicar no futuro”, pontua o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, em entrevista a Mara Luquet, no MyNews Entrevista, no Canal MyNews.

Marcello Brito lembrou que o Brasil tem dois meses para se preparar para a COP 26 (26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU), que acontecerá na Escócia no mês de novembro, e que o país chegará como “vilão” e precisa participar com disposição de se comprometer com medidas de conservação ambiental e de enfrentamento ao aquecimento global.

Ele acredita que falta vontade política de resolver algumas questões relacionadas ao meio ambiente e defende que 99% dos agronegócios do país atuam em conformidade com a legislação e seguindo planos de conservação ambiental.

“Quando o GLO das Forças Armadas saiu da Amazônia no ano passado foi uma surpresa. Não entendo por que saíram, pois o vice-presidente Mourão disse que ficariam até 31 de dezembro. Nós sabemos que 11 municípios da Amazônia concentram o desmatamento; as imagens de satélite mostram isso. Se a gente sabe que são 11 municípios por que a gente não consegue fazer uma força de controle em 11 municípios? Falta uma vontade política de resolver essa questão. Quem comanda esse processo tem interesse dentro da Amazônia. (…) É preciso entender as ramificações que existem a partir da Amazônia, entender as ramificações para chegar até Brasília”, considerou.

Para Brito, o trabalho precisa envolver diversos entes, incluindo o Banco Central, os ministérios da Economia, da Agricultura e de Relações Exteriores, o BNDES, entre outras entidades. “O que o Banco Central está fazendo é nada mais do que acompanhar o que os bancos centrais estão fazendo. O mais importante é lembrar que o setor de investimento está se voltando para a conservação ambiental não é porque são ambientalistas. A mudança climática implica em riscos; modelagem climática implica em investimento”, destacou Marcello Brito, destacando que numa palestra para o mercado financeiro perguntou sobre o interesse do setor nas questões relacionadas às mudanças climáticas e recebeu como resposta que apenas em hipotecas imobiliárias em regiões costeiras existem pelo menos 200 bilhões de dólares.

“O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostra a mão inequívoca do homem e já havia mostrado que o que já ocorre em algumas áreas do mundo e do Brasil como possíveis de acontecer, aconteceram”, destacou o presidente da Associação Brasileira de Agronegócio, ao falar sobre a crise hídrica e outros efeitos das mudanças climáticas em diversos habitats, com impacto também para a agricultura e o agronegócio brasileiros.

Agronegócio é diverso e apoia várias tendências políticas, diz Brito

Brito diz não saber quanto do setor do agronegócio ainda apoia o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e não acredita na possibilidade de um golpe militar, mas diz que podem haver confrontos no próximo dia 7 de setembro – quando diversas manifestações estão agendadas em todo o país.

“É difícil responder isso aqui. O agronegócio gera 30 milhões de empregos diretos, são 6 milhões de proprietários rurais, e não estou falando da parte ligada aos insumos, às indústrias, à pesquisa. Existe uma parcela bolsonarista, uma parcela de centro e de esquerda. [o agronegócio] Comporta todas essas frentes. (…) O ambiente não está bom, mas eu não temo não. Já passamos dessa fase de retornar ao ambiente não democrático. A gente monitora e o que tem de vídeos muito pesados, fazendo convocações muito esquisitas. Pode ter confronto, ter gente machucada. Não é bom para o país; é mais uma coisa que vai mostrar uma sociedade fraturada. Se for tudo ordeiro, pacífico, estamos dentro do jogo democrático”, considera.

Marcello Brito diz que nunca se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro, nem com o ex-ministro do meio Ambiente Ricardo Salles e acredita que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, faz um bom trabalho e “roda o Brasil apagando incêndios”.

Sobre a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro mudar a postura em relação às questões ambientais, Marcello Brito é enfático: “Eu não acredito. Quanto mais sofisticada for a abrangência de conhecimento de uma pessoa, melhor ele será como político, como pessoa, como profissional. E quando você tem esse conhecimento, você tem o entendimento que se dá pela vitória coletiva. Todo mundo que trabalha do lado dele diz que não dá pra conversar, que ele diz que está certo”.

Para finalizar, Brito cita alguns números relacionando o agronegócio brasileiro e a conservação ambiental: “São 6 milhões de propriedades rurais do Brasil; 70% têm de 1 a 100 hectares e a grande maioria preserva 25% da cobertura vegetal. Tem um 1,8 milhão de nascentes de água dentro das propriedades privadas brasileiras. O Brasil é quarto maior produtor de alimentos do mundo, o sexto exportador e tem entre 6¢ e 7% do comércio mundial. O mundo está fazendo uma negociação climática. Quem tem o melhor ativo ambiental participa dessa negociação melhor. O Brasil tem uma história de liderar esse debate desde 1992. Em vez de liderar, estamos sendo liderados”.


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Entidades do agronegócio se posicionam após Fiesp adiar publicação de manifesto https://canalmynews.com.br/politica/entidades-do-agronegocio-se-posicionam-apos-fiesp-adiar-publicacao-de-manifesto/ Tue, 31 Aug 2021 15:30:57 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/entidades-do-agronegocio-se-posicionam-apos-fiesp-adiar-publicacao-de-manifesto/ Decisão unilateral do presidente Paulo Skaf não mudou posição da Febraban, que segue assinando o documento que pede a harmonia entre os Poderes

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Após o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, anunciar o adiamento da publicação do manifesto em que entidades empresariais pediam a harmonia entre os três Poderes da República, entidades do agronegócio brasileiro se posicionaram em nome do setor. O texto, divulgado nesta segunda-feira (30), pede “estabilidade, segurança jurídica e harmonia para poder trabalhar”.

Segundo apurou o jornal ‘O Estado de S. Paulo’, a nota foi produzida ao longo das duas últimas semanas, e a decisão de torná-la pública teve relação direta com o recuo da Fiesp em publicar o documento do setor empresarial. Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), disse que “diante da decisão da Fiesp, essas entidades acharam melhor se manifestarem de forma conjunta e independente”. E complementou: “Entendemos que se manifestar faz parte do espírito republicano.”

Marcelo Britto, presidente da Abag.
Marcelo Britto, presidente da Abag. Foto: Gerardo Lazzari (Divulgação)

Assinaram o documento a Abag, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), a Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), a Croplife Brasil (que representa empresas de defensivos químicos, biológicos, mudas, sementes e biotecnologia), a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

O manifesto aborda a preocupação do setor do agronegócio com os atuais desafios à harmonia político-institucional e à estabilidade econômica e social do País. “Em nome de nossos setores, cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes, num chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil e de sua história”, diz o documento.

O texto ainda defende que o País “não pode se apresentar como uma sociedade permanentemente em crises intermináveis ou em risco de retrocesso ou rupturas institucionais”. E ressalta que a liberdade empreendedora de que precisam é “o inverso de aventuras radicais, greves e paralisações ilegais”. “É o Estado Democrático de Direito que nos assegura essa liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista”, complementam as entidades.

Assim como o manifesto assinado por entidades empresarias, o do agronegócio também não faz nenhuma referência direta ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) – leia na íntegra logo abaixo.

Recuo da Fiesp e posição firme da Febraban

A decisão unilateral de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, de adiar a publicação do manifesto “A Praça é dos Três Poderes” repercutiu de forma negativa entre os signatários do documento, assinado por cerca de 200 entidades. Eles ficaram sabendo pela imprensa que, após uma conversa por telefone entre Skaf e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a Fiesp suspendera a publicação.

Paulo Skaf é aliado do presidente Jair Bolsonaro, e segundo a avaliação de empresários que aderiram ao movimento, o recuo pode ter sido provocado pela reação negativa de Bolsonaro ao teor da carta pacificadora.

Em seu posicionamento oficial, a Fiesp disse que quer aumentar as adesões ao documento e por isso teria decidido postergar o manifesto.

Mas antes mesmo da conversa entre Lira e Skaf, o anúncio de que o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal iriam deixar a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) por discordarem que a instituição – que é privada – se manifestasse politicamente em apoio ao documento, já havia provocado mal-estar entre os bancos públicos, as entidades e o governo federal.

Peça publicitária da campanha "A praça é dos três Poderes".
Peça publicitária da campanha “A praça é dos três Poderes”. Foto: Reprodução (Divulgação)

A decisão da Fiesp de suspender a publicação do texto, portanto, viria para amenizar essa crise institucional e o ambiente de tensionamento político que tem piorado e contaminado as expectativas do mercado e dos agentes econômicos. E veio a calhar para Paulo Skaf, que está na reta final de seu mandato à frente da Fiesp, e não quer desgastar a sua relação com o presidente Jair Bolsonaro.

A Febraban disse que mantém o manifesto – mesmo com as ameaças do BB e da Caixa – e que a decisão de adiar o lançamento é exclusiva da Fiesp.

Leia a íntegra do manifesto das entidades do agronegócio

As entidades associativas abaixo assinadas tornam pública sua preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional e, como consequência, à estabilidade econômica e social em nosso País. Somos responsáveis pela geração de milhões de empregos, por forte participação na balança comercial e como base arrecadatória expressiva de tributos públicos. Assim, em nome de nossos setores, cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes responsáveis, em chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil e de sua história agora prestes a celebrar o bicentenário da Independência.

A Constituição de 1988 definiu o Estado Democrático de Direito no âmbito do qual escolhemos viver e construir o Brasil com que sonhamos. Mais de três décadas de trajetória democrática, não sem percalços ou frustrações, porém também pela repleta de conquistas e avanços dos quais podemos nos orgulhar. Mais de três décadas de liberdade e pluralismo, com alternância de poder em eleições legítimas e frequentes.

O desenvolvimento econômico e social do Brasil, para ser efetivo e sustentável, requer paz e tranquilidade, condições indispensáveis para seguir avançando na caminhada civilizatória de uma nacionalidade fraterna e solidária, que reconhece a maioria sem ignorar as minorias, que acolhe e fomenta a diversidade, que viceja no confronto respeitoso entre ideias que se antepõem, sem qualquer tipo de violência entre pessoas ou grupos. Acima de tudo, uma sociedade que não mais tolere a miséria e a desigualdade que tanto nos envergonham.

As amplas cadeias produtivas e setores econômicos que representamos precisam de estabilidade, de segurança jurídica, de harmonia, enfim, para poder trabalhar. Em uma palavra, é de liberdade que precisamos – para empreender, gerar e compartilhar riqueza, para contratar e comercializar, no Brasil e no exterior. É o Estado Democrático de Direito que nos assegura essa liberdade empreendedora essencial numa economia capitalista, o que é o inverso de aventuras radicais, greves e paralisações ilegais, de qualquer politização ou partidarização nociva que, longe de resolver nossos problemas, certamente os agravará.

Somos uma das maiores economias do planeta, um dos países mais importantes do mundo, sob qualquer aspecto, e não nos podemos apresentar à comunidade das Nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais. O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter.

A moderna agroindústria brasileira tem história de sucesso reconhecida mundo afora, como resultado da inovação e da sustentabilidade que nos tornaram potência agroambiental global. Somos força do progresso, do avanço, da estabilidade indispensável e não de crises evitáveis. Seguiremos contribuindo para a construção de um futuro de prosperidade e dinamismo para o Brasil, como temos feito ao longo dos últimos anos. O Brasil pode contar com nosso trabalho sério e comprovadamente frutífero.

Íntegra do programa ‘Café do MyNews‘ desta terça-feira (31), que abordou o posicionamento das entidades do agronegócio frente o adiamento da Fiesp.

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O crowdfunding e suas contribuições para a economia brasileira https://canalmynews.com.br/voce-colunista/crowdfunding-contribuicoes-economia-brasileira/ Thu, 26 Aug 2021 14:43:18 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/crowdfunding-contribuicoes-economia-brasileira/ Também chamado de financiamento coletivo, o crowdfunding é uma modalidade de investimento que captou R$ 84,4 milhões em 2020 e beneficiou diversos setores da economia durante a pandemia

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É interessante observar quantas transformações vivemos no mercado financeiro no último ano. Enquanto a bolsa de valores brasileira atingia a marca de 3.229.318 mil novos entrantes em 2020, uma nova classe de ativos crescia em 43% no ano passado, o crowdfunding (financiamento coletivo).

Nesse mesmo período, enquanto os novos investidores da bolsa brasileira viviam o sobe e desce do mercado de ações, o crowdfunding captava R$ 84,4 milhões.

Crowdfunding é uma forma de financiamento coletivo para ideias e projetos.
Crowdfunding é uma forma de financiamento coletivo para ideias e projetos. Foto: Reprodução (Pixabay)

Essa modalidade de investimento já é muito comum nos Estados Unidos – sendo restrita a grandes investidores, porém passou a ser regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2017 – através da ICVM 588, e se tornou acessível a qualquer investidor brasileiro.

Estamos diante de um mercado em franca expansão, em especial, por ser lastreado na economia real, o que permite que os investidores possam proteger o seu patrimônio e, ao mesmo tempo, diversificar os seus investimentos.

Outro fator primordial para o crescimento do crowdfunding é a possibilidade de impulsionar setores da economia que precisam de incentivo financeiro.

No financiamento participativo, ao invés do empreendedor bater na porta dos bancos pedindo um empréstimo, ele busca uma plataforma de investimentos alternativos, regulada pela CVM, para captar recursos para sua empresa.

O que ele ganha? Maior agilidade para ter dinheiro em caixa, e o melhor, abre as portas da sua empresa para o mercado de capitais.

O crowdfunding ajuda a resolver problemas de importantes setores da economia. Entre eles:

Escassez de crédito para produtor rural

Quando se fala em agronegócio, logo vem à mente o faturamento de US$ 100,8 bilhões em exportações e sua participação que ultrapassa 30% no PIB brasileiro. Mas o que muita gente não sabe é que por trás do lado tech e pop do agro, existe um setor que precisa, e muito, de ações de incentivo.

O setor que não para de bater recordes, em especial, com a exportação de commodities, precisou se modernizar para continuar se mantendo como o maior produtor de carne bovina do planeta, por exemplo. Ocorre que em muitos casos falta capital para impulsionar a sua produção, a aquisição de equipamentos e a modernização do campo.

Sabemos que existem inúmeras linhas de crédito no mercado, concedidas por bancos, cooperativas, fintechs e afins, no entanto, quem é produtor rural no Brasil sabe a burocracia que é conseguir os recursos necessários para desenvolver o seu projeto.

A criação de programas como Pronamp e Pronaf não foi suficiente para suprir a necessidade do agronegócio brasileiro, que é responsável por mais de um quarto do PIB brasileiro e emprega 20% da população nacional.

Para continuar crescendo pujante, o agronegócio precisava de dinheiro em caixa e a solução veio daqueles que queriam participar do agro, mas fora da bolsa e sem ter um pedaço de terra sequer.

É justamente neste momento que entra o crowdfunding, com investidores ávidos por diversificação que se unem para levantar recursos para financiar um projeto por acreditar no seu potencial de mercado.

Os investidores poderia simplesmente optar por uma LCA, por exemplo, mas aqueles que sabem do potencial do agronegócio brasileiro, queriam mais, queriam ter ativos lastreados na economia real, que os permitissem uma rentabilidade maior que a renda fixa e sem qualquer relação com o mercado financeiro, tendo como únicos riscos o de crédito (operações de dívida) ou a performance (equity).

Crise hídrica e o aumento na conta de luz

Estamos diante de uma crise hídrica sem precedentes. Para entender o tamanho do problema, basta falar que isso não ocorre há 90 anos.

E o motivo de todo esse transtorno é a nossa dependência das hidrelétricas, que encontra-se com reservatórios em níveis baixíssimos. Para suprir a alta demanda de energia elétrica do país foi preciso acionar as termelétricas. Resultado: a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste de 52,1% na conta de luz.

Em meio a uma das maiores crises sanitárias que o planeta já viveu, o povo brasileiro teve que se deparar com a inflação, que reduziu o nosso poder de compra, e ainda enfrentar, bravamente, constantes aumentos na conta de energia.

A solução para o problema é a renovação da nossa matriz energética, aumentando o incentivo de fontes renováveis, como eólica e a energia solar.

Aí você pode me perguntar: “como a ICVM 588 pode resolver o problema?” Explico. Isso porque existem muitos empreendedores que possuem a expertise necessária para desenvolver energia a partir de energia limpa, no entanto, eles precisam de recursos para tocar os seus projetos e, em muitos casos, não dispõem de incentivo fiscal ou fontes de financiamento.

Um dos setores da economia que se beneficia do crowdfunding é a geração distribuída solar fotovoltaica, que vem recebendo constantes aportes de investidores que se atraem pela possibilidade de rentabilizar seu capital com perspectiva do “boom” das energias renováveis.

Déficit habitacional brasileiro

Outra lacuna que os investidores de financiamento coletivo ajudam a preencher é o déficit habitacional que, segundo último levantamento da Fundação João Pinheiro (FJP), é de 5,877 milhões de moradias.

Ocorre que o segmento imobiliário, mesmo sendo resiliente, precisa de recursos para suprir uma demanda reprimida. Em outras palavras, ele precisa de grana para conseguir construir. A necessidade de crédito é o que justifica o grande número de IPOs das incorporadoras em 2020.

Segundo pesquisa do Sebrae, apenas 14% dos pequenos empresários conseguiram empréstimo durante a pandemia. Ainda de acordo a entidade, 50% dos empreendedores nem chegaram a pedir empréstimo.

Ora, se os empreendedores precisam de dinheiro, por que será que não vão em busca desses recursos? Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, o motivo é a burocracia.

A alternativa foi recorrer ao crowdfunding imobiliário, que ajudou a garantir a tão sonhada casa própria de muitas famílias Brasil afora.

Após essas contribuições, ainda tem como duvidar dos ativos lastreados na economia real? E anote aí, esse é um segmento que deve crescer ainda mais nos próximos anos.

Obrigada por ler até aqui. Fico feliz por compartilhar um pouco do meu conhecimento com os membros e não membros do MyNews. Até a próxima!


Quem é Lohana Ribeiro?

Entusiasta das inovações disruptivas. É graduada em Jornalismo e especialista em estratégia de marketing digital e SEO.

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“O futuro do país depende do agronegócio” https://canalmynews.com.br/mynews-investe/o-futuro-do-pais-depende-do-agronegocio/ Tue, 10 Aug 2021 19:47:34 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-futuro-do-pais-depende-do-agronegocio/ Compreendendo a importância da agropecuária para a economia nacional, a BTG Pactual Asset Management desenvolveu um fundo imobiliário com foco exclusivo na infraestrutura do setor

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Contando com amplo conhecimento do mercado imobiliário e com forte presença na América Latina, a área de fundos imobiliários da BTG Pactual Asset Management possui um histórico de sólido crescimento e larga experiência nas diversas verticais que compõem o setor, com destaque para galpões logísticos, lajes comerciais, shoppings e crédito. BTG Asset está entre as maiores gestoras imobiliárias do Brasil, oferecendo uma grande variedade de produtos listados e não listados, em um leque diversificado de estratégias complementares com viés fundamentalista, sendo a gestão de risco, a transparência e a criação de valor importantes pilares do negócio.

A área de investimentos imobiliários da BTG Pactual Asset Management possui aproximadamente R$ 20 bilhões sob gestão distribuídos entre Brasil, Chile e Colômbia. Somente no Brasil, temos R$ 12 bilhões de investimentos e mais de 630 mil investidores. Após avaliarmos as mais diversas oportunidades de investimento na indústria de fundos imobiliários e sua relação com diversos setores da economia, decidimos investir no agronegócio porque identificamos um ótimo momento de entrada em um segmento que é o principal motor de crescimento do país, e que vêm apresentando resultados excepcionais nos últimos anos, tanto em termos de crescimento, quanto de resiliência.

 4º maior produtor de grãos do mundo, o Brasil fechou o primeiro semestre de 2021 com recorde histórico nas exportações de soja.
4º maior produtor de grãos do mundo, o Brasil fechou o primeiro semestre de 2021 com recorde histórico nas exportações de soja. Foto: Harry Stueber (PixaBay)

O futuro do país depende do agronegócio. Em 2020, o PIB do Brasil totalizou R$ 7,4 trilhões e o PIB do agronegócio chegou a quase R$ 2 trilhões, o que representa 26,6% do total. Nos últimos 24 anos, o Brasil registrou uma média de crescimento anual de 3,5%, com apenas três períodos de queda no PIB do agronegócio. Isso demonstra a resiliência e importância desse setor para a economia. Entre 1977 e 2020, a produção de grãos saltou de 47 milhões de toneladas para 257 milhões (crescimento de mais de 5 vezes), enquanto a área plantada saiu de 37 milhões para 66 milhões de hectares (crescimento de 77%). A produtividade no período aumentou em mais de 200%, respaldada pela eficiência na utilização de mão de obra, terra, capital e tecnologia.

Atualmente, o Brasil é o 4º maior produtor de grãos do mundo e o 2º maior exportador mundial, com 19% do mercado internacional. O país fechou o primeiro semestre de 2021 com recorde histórico nas exportações de soja em grão e no complexo da oleaginosa. De acordo com os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) divulgados no início do mês, a exportação do grão em junho de 2021 foi de 11,12 milhões de toneladas, com o acumulado entre janeiro e junho de 61,3 milhões de toneladas. No mesmo período do ano passado, o acumulado foi de 58,8 milhões de toneladas. Estamos falando sobre o setor base da economia brasileira, que alavanca a criação de empregos e renda em toda cadeia produtiva. O valor bruto da produção agropecuária, até maio deste ano, atingiu R$ 1,11 trilhão em apenas 5 meses, significando um aumento de 11% sobre o ano de 2020.

Esse forte destaque apresentado pelo setor nos últimos meses se deve, em grande parte, à valorização no preço das principais commodities desde meados de 2020, durante a crise da covid-19. A soja e o milho foram produtos que se beneficiaram muito da crescente demanda externa. Fatores como o crescimento populacional e o aumento da renda no mundo, consequência das políticas expansionistas praticadas por grande parte dos países, impulsionaram a demanda mundial desses produtos. Nos últimos 12 meses, o preço da soja teve 65% de valorização enquanto o milho teve 90% no mesmo período.

Entretanto, apesar de todos os ótimos resultados que temos observado, com o setor colecionando recordes de produção nos últimos anos, o Brasil ainda apresenta grande necessidade de investimentos em diferentes pontos da cadeia produtiva. Segundo estudo da Conab, em junho o Brasil acumulava um déficit de armazenagem de 122 milhões de toneladas. Só no Mato Grosso, que é o maior produtor de soja e milho do país, em 2021, o déficit de armazenagem para o milho era 38 milhões de toneladas antes do fim da safrinha (safra de inverno). Ainda segundo o mesmo estudo, no Brasil, só 14% das fazendas têm armazéns ou silos. A título de comparação, no Canadá, são 85%; nos Estados Unidos, 65%; e na Argentina, 40%. 

Para safra 2020/2021, a estimava é uma produção de grãos na ordem de 269 milhões de toneladas, crescimento de 4,6% em relação à temporada de 2019/2020. Olhando para a frente, a expectativa é que esse crescimento permaneça próximo a 4,0% ao ano pelos próximos 10 anos. Contudo, esse crescimento acentuado da produção nas últimas décadas não tem sido acompanhado por investimento em logística e infraestrutura, o que resultou em um déficit da capacidade de armazenamento no plano nacional.

Nesse contexto, nós desenvolvemos nosso primeiro fundo imobiliário como foco exclusivo no setor agro, o FII BTG Pactual Agro Logística (“BTAL11”). Lançado em fevereiro de 2021, o fundo captou R$ 624 milhões e tem como objetivo a aquisição ou construção de ativos de escoamento e armazenagem distribuídos ao longo de toda cadeia logística do agronegócio, principalmente em áreas onde o déficit de infraestrutura/armazenagem e escoamento são significativos.

Ao longo dos primeiros quatro meses de atividade, o Fundo anunciou 11 aquisições de ativos-alvo por meio de nove operações diferentes – envolvendo sete locatários, sete tipos de ativos, quatro regiões do Brasil e todas as principais culturas produzidas no país. Cerca de R$ 555 milhões foram investidos em ativos que refletem a pluralidade e valor estratégico da cadeia logística do agronegócio brasileiro. Dentre os investimentos realizados, podemos destacar a operação realizada em maio junto a FS Bioenergia para construção sob medida do maior ativo de armazenagem da América Latina com capacidade estática de 260.000 toneladas localizado na região de Nova Ubiratã (MT). A compra foi de R$ 75,5 milhões e foi concretizada por meio da modalidade Built-to-Suit com contrato de locação atípico pelo período de dez anos. Outro ativo que podemos citar foi o investimento celebrado em conjunto com a Usina Coruripe Açúcar e Álcool S/A para a construção de um Terminal Intermodal de Transbordo na região de Iturama (MG). A transação totalizou R$ 99 milhões e foi viabilizada por meio de uma operação de Built-to-Suit.

O fundo possui atualmente mais de 10 mil investidores, com todos os seus contratos corrigidos pela inflação e constituídos sobre a modalidade de contratos atípicos com duração média acima de 10 anos. Por fim, temos a expectativa de rentabilidade alvo de 8,5 a 9% ao ano líquida de custos.


Quem é Michel Wurman?

Michel Wurman é sócio e responsável pela área imobiliária do BTG Pactual.

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