Arquivos aquecimento global - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/aquecimento-global/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Thu, 21 Jul 2022 22:18:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Desastres naturais: mais 11 cidades entram em situação de emergência https://canalmynews.com.br/cidades/desastres-naturais-mais-11-cidades-entram-em-situacao-de-emergencia/ Thu, 21 Jul 2022 22:17:23 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31955 As cidades foram atingidas por uma série de desastres naturais: chuvas intensas, inundações e deslizamentos.

O post Desastres naturais: mais 11 cidades entram em situação de emergência apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Mais 11 cidades atingidas por desastres naturais tiveram a situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil Nacional. A portaria com a medida está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (21).

Desse total, sete municípios foram atingidos por chuvas intensas: Paulo Jacinto, em Alagoas; Ribeira do Pombal, na Bahia; Ielmo Marinho, no Rio Grande do Norte; Xexéu e Itaíba, em Pernambuco; e Santa Rosa de Lima e Santa Rosa do Sul, em Santa Catarina.

No Amazonas, a cidade de Anori sofreu com inundações, enquanto Muquém do São Francisco, na Bahia, e Monsenhor Tabosa, no Ceará, passam por um período de estiagem. Por fim, Paulistana Seca, no Piauí, enfrenta uma longa seca.

A situação de emergência ou de estado de calamidade pública reconhecida pela Defesa Civil Nacional, possibilita aos municípios solicitar recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para atender à população afetada. De acordo com o ministério, as ações devem estar voltadas para o restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de equipamentos de infraestrutura danificados.

“‌A solicitação deve ser feita por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Com base nas informações enviadas, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Com a aprovação, a portaria é publicada no DOU com a especificação do montante a ser liberado”, informa o MDR.

LEIA TAMBÉM: Alagoas: chuvas deixam mais de 56 mil desabrigados e desalojados

O post Desastres naturais: mais 11 cidades entram em situação de emergência apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Comunidades adotam estratégia para enfrentar desertificação na região mais seca da Paraíba https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/comunidades-adotam-estrategia-para-enfrentar-desertificacao-na-regiao-mais-seca-da-paraiba/ Tue, 12 Jul 2022 19:45:21 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31405 No Território da Borborema, agricultores familiares se preparam para enfrentar as mudanças climáticas e a degradação ambiental com tecnologia e gestão coletiva de recursos.

O post Comunidades adotam estratégia para enfrentar desertificação na região mais seca da Paraíba apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
selo agência pública

Maria Helena Silva Barbosa, 39, a Lena, vive na comunidade de Goiana, município de Solânea, na região do Curimataú, a mais seca do Território da Borborema, na Paraíba, com o marido e dois filhos, de 11 e 5 anos. Ela conta que, sem terra para viver ou produzir, seu pai e sua mãe viviam como nômades, sempre correndo para o brejo quando a seca apertava.

Obter água para as necessidades mais básicas era difícil. Saíam na madrugada, a mãe e as filhas, cada uma com um baldinho, para pegar num barreiro, escondido do dono. Enquanto isso, o pai e os filhos mais velhos se concentravam na dura lida do agave para a produção da fibra do sisal, que, ao lado do algodão, teve importante significado econômico na Paraíba, e na degradação do bioma Caatinga.

Banho era um luxo reservado ao bebê da família porque a água mal dava para cozinhar e beber numa família de nove pessoas. As roupas eram emprestadas ou doadas. Quando a mãe conseguiu passar num concurso para trabalhar em serviços gerais numa escola, a família pode começar a comprar suas coisinhas. Mas o estudo também era limitado para as meninas, que precisavam se revezar para cuidar do mais novo. Um ano uma estudava, no outro ano, a outra. “Era uma pobreza extrema”, resume.

Um dia a mãe levou os filhos para pesar e vacinar e ficou sabendo que ia acontecer uma reunião sobre cisterna. “Quase caiu a casa. O pai disse que era cilada, que aquilo não existia. Mãe foi pra reunião e quando chegou já tava cadastrada”, relata. A resistência inicial transformou-se em euforia logo no período chuvoso seguinte, que encheu a cisterna e passou a garantir água para as necessidades básicas ali ao lado da casa.

A chegada das cisternas no sertão, no início dos anos 1990, mudou a vida das famílias de Lena e tantas outras mulheres do Território da Borborema, uma área de 3.340 km2 no agreste paraibano. Foi esse um dos frutos da união das comunidades com organizações da sociedade civil reunidas na Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), uma rede de entidades fundada em 1993 que se contrapôs às políticas desenvolvidas pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), construídas fora da realidade das populações que viviam havia gerações no Semiárido. Hoje, a ASA reúne 3 mil organizações, entre elas a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

“Até então se olhava para a região como a terra do atraso, da pobreza, da não produção, do chão rachado, e as políticas, de uma forma geral, trabalhavam na lógica da concentração, de água, de fazer grandes reservatórios; e dos recursos de produção, como a terra. O Semiárido tem, em média, três a quatro meses de chuva no ano, e o resto é seco. As populações construíram a estratégia de estocagem de água, semente, forragem, alimentos para atravessar o período de estiagem. O que a ASA fez foi olhar para esse conhecimento e sistematizar, trocar ideias com academia, construir adaptações e inovações. Além de mobilizar para ampliar e criar políticas públicas para apoiar essas experiências de forma a dar escala. Aconteciam nas comunidades, mas eram pouco visíveis e tinham pouco apoio das políticas públicas, mas essas experiências já vinham construindo um conceito de resiliência”, conta Marcelo Galassi, coordenador da AS-PTA.

paraiba

Verônica Pragana, Roselita Victor, Nirley Andrade e Marcelo Galassi da ASP-TA, associação Agricultura Familiar e Agroecologia. Foto: Camila de Almeida/Agência Pública

E é novamente com base na união das comunidades e na troca de saberes que a AS-PTA e o Polo da Borborema, uma rede de sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais fundada em 1996 e que também integra a ASA, se preparam para vencer outro desafio: a desertificação progressiva do Semiárido, impulsionada pela degradação ambiental e pelo aquecimento global. Esse é o foco do programa Innova Agricultura Familiar, desenvolvido desde 2021, que pretende fortalecer a capacidade de adaptação da agricultura familiar do Semiárido brasileiro às mudanças climáticas por meio do uso de técnicas agroecológicas com base na gestão coletiva de recursos e na união das comunidades que compartilham origens e lutas.

“Alguns princípios marcam essa trajetória, como a construção a partir da valorização dos recursos naturais, de olhar para o ambiente, não a partir da seca, do que não tem, porque sempre tem. Mesmo no Semiárido, mesmo em anos de seca, as famílias estavam ali produzindo, construindo seu espaço, articulando mercado, mesmo sem política pública”, pontua Roselita Victor, diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras rurais de Remígio e coordenadora política do Polo da Borborema. “Qual foi o papel da ASP-TA e do Polo? Foi impulsionar, mobilizar e trocar conhecimento dentro do território, contribuir para esse processo”, explica. “Outro olhar foi sobre o papel das organizações sociais, daí a forte presença dos sindicatos e das organizações comunitárias e a valorização do conhecimento dos agricultores e agricultoras”, diz.

A ação começou com o processo de formação do Projeto Borborema Agroecológica, onde foi apresentado o Fundo Rotativo Solidário, um aprendizado coletivo na gestão de recursos, organizado por mulheres e jovens. Com o uso planejado do fundo, eles pretendem reforçar a segurança alimentar no arredor de casa, com reúso de águas, diversificação produtiva com distribuição de mudas, tela para criação de galinhas, kit para produção de hortaliças, kit para apicultura, incentivo à criação de ovelhas da raça nativa morada nova (que conseguem se alimentar da caatinga, mesmo na seca). Há também equipamentos de uso coletivo, como bomba para recarga de cisternas, máquina ensiladeira e unidade de beneficiamento de mandioca, e fogões ecológicos, que economizam lenha e não fazem fumaça dentro de casa.

Roselita explica que as organizações têm participado ativamente desse processo, que tem provocado debates sobre “a gestão comum da terra, semente, água” e tem levado a comunidade a refletir sobre avanços e desafios. “A gente percebe claramente que, quando vão convergindo ações comunitárias, a comunidade enfrenta a seca sem muita desigualdade. Se tem alimento e água estocados, não precisa vender os animais no tempo de estiagem para não morrer de fome. Isso é o que chamamos de comunidade resiliente.”

Desertificação e aquecimento global

O Curimataú, o Cariri e o Seridó são as áreas mais secas do estado, como explica o professor Bartolomeu Israel de Souza, do Departamento de Geociências da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A região também foi seriamente afetada pela seca de 2012 a 2017, que, segundo o professor, foi a maior do século. Além disso, apesar de a seca ter dado uma pausa, em algumas regiões, como no Cariri paraibano, ela voltou com força em 2021 e 2022.

“No Semiárido, as chuvas são heterogêneas no espaço e no tempo. Mas, de 2012 para cá, não teve um período bom de chuva. Uma seca quase sem interrupção. Precisamos de um plano de Estado, pensar o Nordeste, o Semiárido, pensar a região de forma diferenciada porque é diferenciada. Um dos grandes problemas dos planos de governo, que não são planos de Estado, além de não terem continuidade, é pensar o Nordeste como uma coisa só, e somos muitos. Essas diferenças dificilmente são levadas para as políticas públicas que têm o poder de mudar maciçamente”, explica.

Para ele, projetos como o Innova vão na direção certa, embora sejam “gotas d’água no oceano”: “O que eles fazem com sistemas agroflorestais, introduzindo espécies exóticas e nativas cujo potencial já é conhecido, é fundamental. O plantio de espécies nativas, inclusive cactáceas, como cardeiro e mandacaru, como cercas-vivas, é uma inovação criada por essas ONGs, baseada em algo muito pouco explorado ainda, mas que tem um potencial enorme para a região”, diz. São projetos pequenos, muito locais, mas estão “mostrando que existe solução”, afirma o professor.

Uma solução que aparece de forma bem concreta para as mulheres que participam do projeto, como Verônica de Macena Santos, 47 anos, presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Palma, que vive em uma comunidade que, como a de Lena, fica no município de Solânea, onde choveu aproximadamente 100 mm em todo o ano de 2021. Ela nos recebeu com a filha Larissa, e o caçula, que tem síndrome de Down, Luís Antônio, de quase 10 anos, a alegria da casa ao lado do touro Castelo, um ano mais novo que ele. O marido, José Luís; a filha mais velha, Letícia, 18; e o outro filho, Lismar, estavam no roçado com um cunhado de Verônica.

Nascida e criada ali, ela conta que nunca saiu da região, nem para passear, e que nem tem vontade. Como moradora da comunidade vizinha, enfrentou algumas secas sem os recursos de hoje e lembra a dificuldade vencida. “A seca da década de 1980 mandou quase todo mundo pro brejo. Só ficou o meu pai e uma senhorinha e outra. A gente ia buscar água no açude pra tudo, só quatro barris de 20 litros, eu e meu irmão mais velho com dois burros para oito cabeças de gado. Mas acabamos as criações porque não existia a silagem”, lembra. “Antes, a gente plantava no pé, hoje tem a plantadeira, a matraca. O que fazia em dois dias, agora começa 7h e 10h já acabou”, comemora.

Maria Lúcia da Silva Andrade Pereira, 34 anos, da comunidade de Benefício, em Esperança, também está feliz da vida com as mudanças no “arredor de casa” para “investir mais na produção de alimentos e não depender tanto dos comprados na rua”. Atualmente ela se divide entre cuidar das três filhas, uma ainda bebê, e aproveitar as possibilidades deste novo momento. O marido trabalha como pedreiro para garantir a renda familiar. Enquanto isso, Lúcia, que já se desdobra no cuidado da casa, da família, na produção de sequeiro (quando chove) de feijão e milho e nas ovelhas, já sonha em plantar coentro, cebolinha, tomate, alface, repolho e morango no canteiro que está sendo implantado. Isso sem contar com os pés de acerola, mamão, goiaba e romã.

Ela conta com duas cisternas de primeira água (16 mil litros cada uma) e um tanque de pedra que divide com o sogro (fica no limite das duas propriedades). A motobomba comunitária ajuda a puxar água do tanque para as cisternas com muito mais eficiência que o antigo motor. O fogão ecológico já é seu xodó: “Quem diria que mulher ia querer cozinhar em fogão a lenha nos dias de hoje?”.

Paraíba

Boa parte da alimentação da família de Maria Lúcia vem de sua plantação; cisterna favoreceu esse processo. Foto: Camila de Almeida/Agência Pública

Não muito longe dali vive sua xará Ana Lúcia Teofilo da Silva, 52 anos. Lucinha é uma simpatia só. Sorrisos não lhe faltam, mesmo falando de dias difíceis. Onde mora não costuma faltar água porque tem lajedos e tanques de pedra. Já costuma fazer cerca-viva com cardeiro, um cacto típico da região, planta alguns produtos de sequeiro, como milho e feijão, e cria alguns animais, trabalho muito facilitado depois da técnica da silagem.

No momento, não esconde a ansiedade por receber a tela do fundo rotativo, para organizar a sua criação de galinhas, e o fogão ecológico, que não faz fumaça nem calor dentro de casa.

O sentido de morar em um lugar seco

“A resiliência não se constrói só com iniciativas isoladas, é construída com a integração dessas inovações, do acesso a sementes, forragem, terra, aumento de fertilidade e produção de alimentos nos quintais. Combinadas, reduzem o impacto da estiagem, sobretudo nesse período que atravessamos agora de chuvas irregulares”, reforça Marcelo, da AS-PTA.

Ele destaca que, tão importante quanto as inovações, são os processos organizativos das comunidades para a gestão coletiva dos recursos, como os bancos de sementes comunitários, que funcionam como reservas estratégicas, os mutirões para construir cisternas, casas, silos, limpar barreiros, os fundos rotativos solidários, uma forma coletiva de gerir os recursos e apoiar os processos com mais autonomia em relação à dependência do Estado.

“Na pandemia, produzimos vídeos (“Terreiros de Inovação”) para as comunidades, apresentando as possibilidades de tecnologias sociais. No fim, perguntamos com o que se identificavam. Mas a decisão passou por esse processo de reflexão. Quando elas compreendem o sentido de morar num lugar seco e constroem esse processo organizativo, têm condição de dizer ao poder público que tipo de investimento querem, precisam em suas comunidades”, finaliza.

*Essa reportagem foi feita em parceria pela Agência Eco Nordeste e Agência Pública.

*Esta reportagem faz parte do especial Emergência Climática, que investiga as violações socioambientais decorrentes das atividades emissoras de carbono – da pecuária à geração de energia. A cobertura completa está no site do projeto.

Reportagem originalmente publicada na Agência Pública

O post Comunidades adotam estratégia para enfrentar desertificação na região mais seca da Paraíba apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Incêndios: seca e altas temperaturas colocam Portugal em alerta https://canalmynews.com.br/internacional/incendios-seca-e-altas-temperaturas-colocam-portugal-em-alerta/ Mon, 11 Jul 2022 10:56:02 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31350 Pela primeira vez, governo português decretou "estado de contingência". Risco de incêndios é considerado altíssimo. Espanha também sofre com onda de calor.

O post Incêndios: seca e altas temperaturas colocam Portugal em alerta apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
O verão trouxe um problema conhecido dos portugueses. A combinação entre seca, altas temperaturas e incêndios colocou o país em estado de alerta desta segunda-feira (11) até a próxima sexta-feira (15), quando a temperatura pode chegar aos 45 graus.

Segundo a agência pública de notícias de Portugal, a RTP, até o momento, os incêndios deixaram 29 feridos entre civis e bombeiros. A administração Interna de Portugal anunciou que os focos devem continuar se alastrando nos próximos dias.

O ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, disse que a situação de alerta “poderá ser prolongada caso seja necessário” e “não exclui a adoção de outras medidas que possam resultar na permanente monitorização da situação”.

Apesar dos incêndios florestais serem comuns no verão, esta é a primeira vez que o governo decreta o chamado estado de contingência, um estado de alerta que permite que a defesa civil mobilize todos os meios de que o país dispõe para combater os incêndios.

Além disso, o governo português acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, uma espécie de pedido de socorro para a União Europeia. Dois aviões espanhóis foram enviados para combater o fogo.

No nordeste do país, a província de Trás-os-Montes sofre com a seca. As barragens já estão com baixo nível de água e o risco de corte no abastecimento é cada vez maior. Região agrícola e de criação de animais, os produtores estão com dificuldade de manter lavouras e criações em condições mínimas. A previsão é que a situação fique ainda pior nos meses de agosto e setembro.

incêndios em portugal

Governo português pediu ajuda para a União Europeia para combater o fogo. Foto: Portal dos Bombeiros Portugueses

Altas temperaturas na Espanha

O calor também castiga os espanhóis que em julho enfrentaram a maior onda de calor desde 1981, com temperaturas acima de 40 graus. Julho está seguindo o mesmo ritmo. Neste domingo (10), foram registrados 43 graus na região de Sevilha, no Sul do país. O motivo é uma frente de ar quente vinda do norte da África. As altas temperaturas devem se manter até o fim da semana.

O post Incêndios: seca e altas temperaturas colocam Portugal em alerta apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Com aquecimento dos oceanos, predadores mais famintos assumem o controle, aponta estudo https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/com-aquecimento-dos-oceanos-predadores-mais-famintos-assumem-o-controle-aponta-estudo/ Wed, 15 Jun 2022 19:42:31 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30024 Com participação de 11 pesquisadores brasileiros, estudo publicado na Science respondeu à pergunta: o que um oceano mais quente e mais faminto significará para o resto da liga da cadeia alimentar?

O post Com aquecimento dos oceanos, predadores mais famintos assumem o controle, aponta estudo apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Um oceano mais quente é sinônimo de peixes mais famintos. É o que aponta um novo estudo publicado na quinta-feira (9), na revista Science, por uma grande rede global de cientistas, dentre eles onze pesquisadores brasileiros. Os autores descobriram que o impacto de predadores no Atlântico e no Pacífico é maior em temperaturas mais altas, ou seja, os mais famintos se sobrepõem em relação às demais presas. Este cenário pode transformar outras formas de vida no oceano, potencialmente quebrando o balanço que tem existido por milênios.

Este estudo internacional, com participação de 36 locais ao longo da costa Atlântica e Pacífica das Américas e liderado pelo Smithsonian e Universidade de Temple, oferece, segundo os autores, a mais ampla visão sobre a temperatura dos oceanos impactando a cadeia alimentar. O Brasil está representado por sete instituições de cinco estados (UFC, UFRN, IEAPM-RJ, UFRJ, UFABC, USP e UFPR). Esta articulação com pesquisadores brasileiros permitiu que o experimento cobrisse praticamente todo o litoral do país, que tem uma extensão continental, demonstrando o papel relevante e a forte inserção internacional da ciência marinha brasileira.

De acordo com um dos autores brasileiros, o biólogo Guilherme Longo, o trabalho evidenciou que, em águas mais quentes, o apetite voraz dos predadores deixou marcas descomunais na comunidade de presas. “Por sua vez, nas áreas mais frias, vimos que deixar a comunidade de presas expostas ou protegidas praticamente não fez diferença. O que sugere que os efeitos dos predadores tendem a ser menores em águas mais geladas”, destaca Longo, que é professor adjunto do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

LEIA TAMBÉM: Combate ao aquecimento global precisa de medidas imediatas, sob risco de ameaçar vida no planeta

Os locais de estudo foram desde o Alasca no Norte até a Terra do Fogo na ponta da América do Sul. “Nós sabemos de estudos prévios no Panamá que a predação nos trópicos pode ser intensa”, disse Mark Torchin, coautor do trabalho e ecólogo marinho do Instituto de Pesquisa Tropical do Smithsonian no Panamá (STRI – Smithsonian Tropical Research Institute). “Entretanto, trabalhar com nossos colaboradores por toda a América nos permitiu testar a generalidade dessa ideia e avaliar como os efeitos da predação mudam em ambientes mais frios”, destaca.

Uma resposta, em três experimentos

Em cada local, os pesquisadores realizaram três experimentos com predadores e presas, que tinham a proposta de responder à pergunta: o que um oceano mais quente e mais faminto significará para o resto da liga da cadeia alimentar? No primeiro experimento, os pesquisadores estimaram a atividade dos predadores usando ‘squid pops’ (pequenos discos feitos de lulas secas, que lembram pequenos petiscos de cafeterias). Depois de uma hora, os pesquisadores checavam quantos squid pops tinham sido devorados. O resultado confirmou a suspeita: em locais mais quentes, a predação foi mais intensa, enquanto em locais mais frios (abaixo dos 20 °C), a predação caiu a zero.

Nos outros dois experimentos, os autores olharam para os organismos que os peixes gostam de comer, como tunicados e briozoários, para ver como os predadores podem impactar seu crescimento e abundância. Eles acompanharam o crescimento das presas em placas de plástico que ficaram submersas por três meses. Algumas placas eram cobertas por gaiolas de proteção que mantinham os predadores sem acesso, enquanto outras placas foram deixadas abertas e desprotegidas, podendo ser acessadas pelos predadores. Além disso, os pesquisadores protegeram todas as placas por dez semanas, deixando as presas crescer sem serem predadas, e então abriram as gaiolas de metade delas por duas semanas, deixando os predadores acessarem as presas livremente.

Os predadores preferiram comer organismos moles, como tunicados solitários, de forma que esse tipo de presa sofreu as maiores perdas nos trópicos em placas desprotegidas. Por outro lado, briozoários incrustantes, e que são mais resistentes por serem mineralizados, floresceram no novo espaço liberado já que os peixes nãos se importavam em comê-los. “Com a mudança na predação, algumas espécies serão vencedoras e algumas irão perder”, disse o coautor Greg Ruiz, chefe do Laboratório de Pesquisa em Invasão Marinha do SERC. “Alguns se defenderão, outros estarão vulneráveis. Mas nós não sabemos exatamente como isso vai acontecer”.

Saiba mais sobre Aquecimento Global no Quinta Chamada Ciência:

 

O post Com aquecimento dos oceanos, predadores mais famintos assumem o controle, aponta estudo apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
COP26: Txai Suruí alerta para necessidade de cobrar promessas do Brasil https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/cop26-txai-surui-alerta-necessidade-cobrar-promessas-do-brasil/ Sat, 13 Nov 2021 00:04:51 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-txai-surui-alerta-necessidade-cobrar-promessas-do-brasil/ Para a ativista indígena Txai Suruí COP26 teve de positiva a visibilidade alcançada pelos povos indígenas e pelo movimento quilombola. Liderança jovem ainda vê o mundo distante de alcançar metas para contornar a crise climática

O post COP26: Txai Suruí alerta para necessidade de cobrar promessas do Brasil apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
A ativista indígena brasileira Txai Suruí considera que apesar da condescendência dos países europeus e dos Estados Unidos de darem um voto de confiança ao governo brasileiro sobre as promessas de zerar o desmatamento e implementar medidas concretas para contribuir com a redução do aquecimento global, é preciso que estas nações cobrem os compromissos assumidos pelo Brasil como uma premissa para realizar negociações econômicas e diplomáticas.

“É claro que o discurso [do Brasil] é mais positivo. Mas tem que ter cuidado. Esses países têm que entender que têm responsabilidade também. É importante que eles exijam que os direitos indígenas sejam respeitados como uma premissa. É o mínimo que podem fazer porque senão vão estar incentivado a destruição da Amazônia. [o que eu diria] é que o Brasil tem responsabilidade e vocês têm responsabilidade de pressionar para que isso seja realmente feito”, disse Txai Suruí, em entrevista ao programa Cruzando Fronteiras, apresentado pelo jornalista Jamil Chade, no Canal MyNews.

Txai Surui - mudanças climáticas - COP26
Ativista indígena brasileira Txai Surui disse que países fecharam os olhos para as mudanças climáticas/Foto: Fotos Públicas

Para Txai Suruí, o mundo está muito distante de alcançar as metas para contornar a crise climática. Mesmo assim, ela enxerga que a COP26 teve de positiva a visibilidade alcançada pelos povos indígenas, pelo movimento quilombola e por outros segmentos da sociedade civil organizada. “Independente dos acordos, a luta vai continuar de qualquer jeito. Pessoalmente, tive a oportunidade de conhecer muita gente, muitos futuros parceiros bons. O Brasil conseguiu mostrar que no Brasil tem gente com compromisso com a pauta climática e a gente consegue reverter isso se tiver compromisso”, complementou.

A ativista indígena foi destaque no primeiro dia da conferência – com um discurso contundente sobre a necessidade de compromisso das nações com a conservação ambiental e por denunciar a situação vivida no Brasil – com o desmonte das políticas ambientais e a perseguição aos povos originários, com consequente destruição de diversos habitats. Após a repercussão de suas palavras – que reverberaram em todo o mundo, Txai Suruí passou a receber ataques nas redes sociais e também foi intimidada dentro do ambiente da COP26 por um pessoa com um crachá de identificação da comitiva brasileira.

“Depois do meu discurso, durante as entrevistas que concedi, notei que havia um homem cercando, rondando, e num certo momento ele veio interromper e não foi uma situação legal. Veio falar para que eu não atacasse o Brasil e não falasse mal do Brasil. Olhei para a credencial dele e ele falou ‘eu sou parte do Brasil’. Ali eu entendi como uma intimidação do governo brasileiro. Eu não estou atacando o Brasil. Eu estou trazendo a realidade do que está acontecendo. Se a gente fechar os olhos, a gente não vai encontrar as soluções”, contou a liderança indígena, que chegou a ser comparada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o cacique indígena caiapó Raoni Metuktire – que percorreu o mundo no final da década de 1980, denunciando a situação dos povos indígenas brasileiros e da Amazônia.

“Levaram uma índia para substituir Raoni e atacar o Brasil”, disse Bolsonaro, em 3 de novembro. Após essa declaração, a jovem Txai Suruí disse que passou a ser atacada nas redes sociais com mensagens violentas e que pensa em denunciar a intimidação do governo brasileiro e as ameaças às autoridades competentes dentro da Organização das Nações Unidas.

“Saio daqui confiante e preocupada. Não imaginava o tamanho da repercussão que o discurso ia ter. É importante ouvir a voz dos povos indígenas e o sentido de urgência que a gente precisa ter neste momento. A importância dos povos indígenas estarem no centro do debate neste momento que vai decidir o nosso futuro. Levar a voz dos jovens indígenas do Brasil para o mundo. (…) A própria ONU entrou em contato comigo e a Embaixada Brasileira também, por toda a situação”, revelou Suruí, dizendo não apenas ela, mas outras lideranças indígenas também sofreram intimidações.

“Outros episódios que aconteceram com outros indígenas. Nós somos a verdadeira delegação brasileira, que está mostrando que tem gente no Brasil que tem responsabilidade e com a agenda climática. Logo depois do discurso de Bolsonaro, que disse que eu vim atacar o Brasil, recebi muitas mensagens de ódio e também surgiram algumas fakenews sobre a minha pessoa. Essas pessoas agem como se fosse uma quadrilha”, analisou.

Txai Suruí não acredita nas promessas do governo e chama atenção para a necessidade de acompanhar o que será feito a partir de agora. “O governo brasileiro não é confiável e isso é verdade. Parece uma grande falácia. Aqui se diz que vai acabar o desmatamento e proteger a floresta. Mas a política que vem acontecendo no Brasil é totalmente contrária a isso. Dados do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostram que o desmatamento aumentou e que outubro foi o segundo pior mês em desmatamento. Existe a tentativa de aprovar o marco temporal e acabar com as terras indígenas e são os indígenas que vêm sustentando a floresta. Existe o desmonte dos órgãos ambientais, o desmanche da legislação ambiental. A política que está sendo executada no Brasil é totalmente contrária do discurso que está sendo feito aqui”, alertou a ativista indígena brasileira.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale

 

Veja a íntegra do Cruzando Fronteiras, com Txai Suruí e Jamil Chade, no Canal MyNews

O post COP26: Txai Suruí alerta para necessidade de cobrar promessas do Brasil apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
COP26 termina nesta sexta (12) sem acordos em diversos compromissos https://canalmynews.com.br/tecnologia/cop26-termina-sexta-12-sem-acordos-diversos-compromissos/ Fri, 12 Nov 2021 00:35:02 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-termina-sexta-12-sem-acordos-diversos-compromissos/ Brasil sinalizou possibilidade de acordo, mas documento final da COP26 deve frustrar expectativas sobre metas para conter o aquecimento global

O post COP26 termina nesta sexta (12) sem acordos em diversos compromissos apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
As delegações dos países devem passar esta madrugada entre quinta e sexta-feira negociando um acordo final para a Conferência do Clima da ONU (COP26). A tentativa é encontrar um ponto em comum sobre temas ainda polêmicos como o financiamento para que países emergentes invistam em redução de emissão de gases poluentes e noutras medidas que representem compromisso com metas claras sobre como reduzir os impactos das mudanças climáticas no mundo.

Um acordo que deve sair é uma meta conjunta sobre a questão dos créditos de carbono. “O Brasil sinalizou flexibilidade, abriu mão de uma postura tradicional do país nos últimos anos e indicou que poderá haver de fato um acordo, fundamental para estabelecer o livro de regras do acordo de Paris de 2015”, explicou o jornalista Jamil Chade – que faz a cobertura da COP26 direto de Glasglow, na Escócia.

COP26 deve terminar sem acordo em vários pontos
COP26 deve terminar sem acordo entre os países em vários pontos. Manifestantes pedem justiça de gênero em protesto da Conferência do Clima/Foto: Kiara Worth/UNFCCC.

Segundo Chade, ainda existem resistências dos países ricos sobre a questão do financiamento aos países emergentes. “Em 2009 foi estabelecido que os países ricos deveriam destinar aos emergentes 100 bilhões de dólares por ano para promover, ou facilitar a transição climática. Mas uma década depois esse dinheiro ainda não chegou de uma forma completa. Agora os emergentes insistem que este valor sequer será suficiente e que um novo mecanismo terá que ser criado para repensar o valor a ser destinado aos emergentes”, detalhou Jamil Chade.

O principal indicativo é que ao fim da conferência, nesta sexta (12), alguns compromissos das nações em relação à crise climática devem ficar para o futuro.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale.

 

Conferência do Clima da ONU termina nesta sexta, em Glasglow, na Escócia. Acompanhe a cobertura do Canal MyNews

O post COP26 termina nesta sexta (12) sem acordos em diversos compromissos apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
COP26: mudanças climáticas têm maior impacto sobre mulheres e meninas https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/cop26-mudancas-climaticas-maior-impacto-mulheres-e-meninas/ Wed, 10 Nov 2021 01:38:16 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-mudancas-climaticas-maior-impacto-mulheres-e-meninas/ Aquecimento global deve agravar desigualdade de gênero, afetando a saúde de mulheres e meninas. Compromissos assumidos pelos países na COP26 são insuficientes para frear as mudanças climáticas

O post COP26: mudanças climáticas têm maior impacto sobre mulheres e meninas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
A COP26 debateu nesta terça (9) o grande impacto que o aquecimento global tem na vida das mulheres de várias regiões do mundo. Um estudo do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) aponta que as mudanças climáticas terão impacto direto em questões como saúde e direitos sexuais e reprodutivos – expondo especialmente as mulheres e as meninas em países mais pobres e com grandes desigualdades sociais a percorrerem distâncias maiores para coletar água, alimentos, e outros meios para garantir a subsistência.

Mulheres refugiadas
Mulheres e meninas são as mais afetadas pelo aquecimento global, especialmente em países com grandes desigualdades sociais e de gênero/Foto: Fotos Públicas/União Europeia/Peter Biro

A situação deve provocar, inclusive, uma exposição maior das mulheres a situações de violência sexual e de gênero e também coloca em risco a saúde materna e neonatal – com pesquisas indicando que a elevação da temperatura pode aumentar a probabilidade de natimortos. A pandemia do Covid-19 agravou esta situação e colocou ainda mais as mulheres em situação de vulnerabilidade em diversas regiões do mundo.

Entre as ações propostas pela Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável para proteger as mulheres e meninas estão iniciativas que permitam a maior participação feminina na política e em posições de decisão – promovendo uma maior equidade de gênero em postos de liderança.

A Conferência do Clima da ONU, que acontece na Escócia até a próxima sexta (12), recebeu uma boneca gigante representando meninas e mulheres refugiadas em todo o mundo. Little Amal, fantoche de 3,5 metros, representa uma jovem refugiada síria – uma forma de lembrar que as mulheres representam nada menos que 80% das pessoas refugiadas por desastres e mudanças climáticas no mundo.

COP26 - Little Amal
Na COP26, a boneca gigante Little Amal lembrou as refugiadas sírias e todas as mulheres e meninas afetadas pelas mudanças climáticas/Foto: Fotos Públicas/Kiara Worth/UNFCCC

Para a diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Inger Andersen, existe uma “lacuna de liderança” para guiar as nações para um documento final de compromissos da COP26 e que o mundo “não está fazendo o suficiente e precisa dar um passo à frente com mais ação, urgência e ambição”.

O Relatório de Lacunas de Emissões do Pnuma revelou que com os atuais compromissos assumidos pelos países, o mundo reduzirá apenas 7,8% das emissões de gases de efeito estufa até 2030; muito pouco para alcançar a meta de limitar o aquecimento do planeta em 1,5ºC até o fim deste século – tendo como base a temperatura da Terra antes da era industrial. Andersen destacou que as promessas até agora têm sido vagas e pouco transparentes.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews é realizada em parceria com a Vale


O post COP26: mudanças climáticas têm maior impacto sobre mulheres e meninas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Mudanças climáticas colocarão mundo em cenário de pobreza e fome https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/mudancas-climaticas-colocarao-mundo-em-cenario-pobreza-fome/ Tue, 09 Nov 2021 01:00:03 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mudancas-climaticas-colocarao-mundo-em-cenario-pobreza-fome/ Análises apontam para aumento da pobreza extrema e da fome. Mudanças climáticas também devem provocar queda do PIB, da produtividade agrícola, instabilidade política e social

O post Mudanças climáticas colocarão mundo em cenário de pobreza e fome apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
A Conferência do Clima da ONU (COP26) chegou nesta segunda (8) a um impasse sobre se os países conseguirão firmar um acordo para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e assumir compromissos com metas firmes e factíveis até a próxima sexta (12) – quando o evento será encerrado. Uma posição inusitada adotada em conjunto por Brasil, China e Índia deu um recado aos países ricos: se não transferirem recursos financeiros aos países com economias emergentes, não haverá acordo firmado na conferência de Glasglow.

É o que destaca o jornalista Jamil Chade – que realiza uma cobertura especial do evento, diretamente da Escócia. Chade teve acesso a um rascunho confidencial do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) – que será lançado apenas em fevereiro de 2022. O cenário mostrado pelo documento aponta para o aumento da pobreza, da fome e para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em diversos países.

Marcha para o Clima (Glasglow Green) na COP26/Foto: Fotos Públicas/The Left in the European Parliament

“A crise na negociação é profunda e a COP26 entra na sua fase final numa situação delicada. Não existe nesse momento uma perspectiva de que esse acordo chegue até sexta. O relatório do IPCC vai apontar justamente o impacto social das mudanças climáticas. Os números são assustadores”, alerta Jamil Chade.

As análises dos especialistas apontam para o aumento da pobreza extrema para mais 132 milhões de pessoas até 2030 e o aumento da fome para mais 80 milhões de pessoas. Também devem ocorrer a queda do PIB e da produtividade agrícola em várias regiões do mundo, num cenário que aponta para instabilidade política e social.

COP26 - protesto contra mudanças climáticas
Pessoas protestam por medidas para conter as mudanças climáticas durante a COP26, em Glasglow, na Escócia/Foto: Fotos Públicas/The Left in the European Parliament

As mudanças climáticas terão impacto direto noutra agenda firmada por 192 países: a Agenda 2030 do desenvolvimento sustentável. Se os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – negociados a partir da Rio+20 já pareciam distantes de serem alcançados no prazo, o aquecimento global pode distanciar o mundo ainda mais de compromissos como a erradicação da pobreza e da fome, saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero, universalização do acesso a água limpa e saneamento, energia acessível e limpa, consumo e produção responsáveis, crescimento econômico sustentável, entre outras metas.

No caso do Brasil, desde 2016 o país vem se distanciando do alcance desses objetivos, especialmente com a adoção do teto de gastos, com o desmonte das políticas ambientais e das políticas públicas com foco na redução das desigualdades sociais. Os dados sobre desmatamentos e queimadas, violência contra povos originários, quilombolas e agricultores familiares e o aumento da pobreza, do desemprego e da fome no país apontam para uma imagem deteriorada que não vai se recuperar com promessas vazias.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews é realizada em parceria com a Vale

 

Acompanhe a cobertura da COP26 do Canal MyNews, com o jornalista Jamil Chade, diretamente de Glasglow, na Escócia

O post Mudanças climáticas colocarão mundo em cenário de pobreza e fome apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Sociedade civil cobra compromissos concretos das nações na COP26 https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/sociedade-civil-cobra-compromissos-concretos-nacoes-cop26/ Sun, 07 Nov 2021 18:31:35 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/sociedade-civil-cobra-compromissos-concretos-nacoes-cop26/ COP26 entra na semana final ainda sem acordo das nações sobre compromissos ambientais. Protestos acontecem em Glasglow, denunciando que Cúpula do Clima pode terminar sem resultados concretos

O post Sociedade civil cobra compromissos concretos das nações na COP26 apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Ao final da primeira semana da Conferência do Clima da ONU, a COP26, que acontece em Glasglow, na Escócia até o próximo dia 12 de novembro, as lideranças políticas responsáveis por se comprometerem com metas concretas de redução das emissões de gases de efeito estufa e demais medidas para frear o aquecimento global e, por consequência, as mudanças climáticas, têm enfrentado uma série de protestos da sociedade civil e de grupos que militam pelas causas ambientais. A principal crítica é a de que estão sendo anunciadas metas sem comprometimento efetivo e estratégias para alcançá-las.

COP26 - manifestação
Protestos têm tomado as ruas de Glasglow, na Escócia. Movimentos da sociedade civil exigem compromissos ambientais das nações na COP26/Foto: Redes Sociais/Reprodução

Na última sexta-feira (5) um protesto com cerca de 25 mil pessoas, segundo o jornal Washington Post, criticou o posicionamento das grandes nações – principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa. Outras manifestações reunindo milhares de pessoas aconteceram também no sábado (6) e neste domingo (7). A ativista Greta Thunberg chegou a classificar a COP26 como “um fracasso”. Thunberg afirmou que não é possível “resolver uma crise com os mesmos métodos que nos colaram nela”.

Entre os protestos, a Coalizão Negra por Direitos – entidade que reúne cerca de 250 organizações e movimentos sociais, lançou um manifesto exigindo a regularização das terras quilombolas e o comprometimento com a meta de zero desmatamento, além do fim do racismo ambiental no Brasil. A organização luta contra o genocídio da população negra, na cidade e no campo, “defendendo a terra, os territórios e as territorialidades negras como espaços de vida ambiental e humana, lutando, portanto, também, contra o racismo ambiental”.

“O governo do Brasil tem violado leis e códigos ambientais e o resultado tem sido o aumento do desmatamento das florestas na Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e no Pantanal. No caso da Amazônia, a floresta, os povos indígenas e as comunidades quilombolas têm sofrido os impactos do desmatamento e das atividades criminosas da mineração legal e ilegal. As ações criminosas se somam às queimadas legais e ilegais em escalas expressivas nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, impactando nos territórios dos povos e comunidades tradicionais. Assim como, historicamente, são as regiões onde mais ativistas de direitos humanos, indígenas, quilombolas e ambientalistas na luta em defesa das terras, das águas, das florestas e dos territórios são assassinados”, denuncia o documento da Coalizão Negra por Direitos.

Brasil tenta liderar acordo para transferência de recursos, mas esbarra em desconfiança de países na COP26

Segundo o jornalista Jamil Chade – que realiza cobertura especial da COP26 para o Canal MyNews, o governo brasileiro tenta apresentar uma proposta para criar um compromisso dos países ricos de transferirem recursos financeiros para as economias emergentes, no intuito de garantir a transição energética e climática.

Chade explica que a proposta foi apresentada no sábado (6), num momento crítico das negociações, na reta final do encontro, quando se espera que as nações cheguem de fato a acordos para reduzir as emissões de gases poluentes e se comprometam com ações tangíveis para frear o aquecimento global. A questão financeira está no centro do debate. O ponto crucial é sobre quem pagará a conta.

“Não há neste momento uma garantia de que esse acordo seja anunciado porque vários pontos, inclusive sobre o mercado de carbono, continuam em aberto. A parte técnica da negociação já foi concluída, mas a partir de segunda-feira (8) caberá aos ministros encaminharem a negociação e aí as decisões não serão mais técnicas, mas essencialmente políticas”, explica Jamil Chade.

O jornalista acrescenta que os países ricos estão hesitantes em se comprometerem com a distribuição de dinheiro, sem que haja um compromisso de redução, por exemplo, de desmatamento e de emissões de gases de efeito estufa. Na outra ponta, estão os países emergentes – argumentando que sem uma garantia de dinheiro, não será possível garantir um compromisso.

Marina Silva
Marina Silva foi a primeira entrevistada de Jamil Chade no Cruzando Fronteiras/Imagem: Reprodução/Canal MyNews

Na sexta (5), a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, na estreia do programa Cruzando Fronteiras – do Canal MyNews, considerou inexistente a credibilidade do governo brasileiro para assumir compromissos de conservação ambiental. “A credibilidade é inexistente. (…) O governo Bolsonaro se especializou em fazer anúncios vazios para ganhar tempo de fazer mais queimadas, mais desmatamentos e mais emissão [de gases]”, pontuou Marina Silva.

A semana promete ser de muito debate e pressão social para que políticos e grandes empresas se responsabilizem por ações ambientais concretas que terão impacto sobre a existência de vida na Terra em várias regiões do mundo ainda neste século XXI.

 

Acompanhe a cobertura especial do Canal MyNews sobre a COP26, diariamente, com o jornalista Jamil Chade

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews é realizada em parceria com a Vale


O post Sociedade civil cobra compromissos concretos das nações na COP26 apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Marina não acredita em promessas de conservação ambiental do governo Bolsonaro https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/marina-nao-acredita-promessas-conservacao-ambiental-governo-bolsonaro/ Sat, 06 Nov 2021 22:33:28 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/marina-nao-acredita-promessas-conservacao-ambiental-governo-bolsonaro/ Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva analisou o desmonte das políticas ambientais no governo Bolsonaro na estreia do novo programa de Jamil Chade no Canal MyNews

O post Marina não acredita em promessas de conservação ambiental do governo Bolsonaro apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Em entrevista ao jornalista Jamil Chade, na estreia do programa Cruzando Fronteiras, no Canal MyNews, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva disse não acreditar que o governo Bolsonaro vai realmente se comprometer com as metas ambientais propostas em Glasglow, na Escócia, onde acontece, até o próximo dia 12 de novembro, a Conferência do Clima da ONU (COP26). Para Marina Silva, a credibilidade do governo brasileiro atualmente é inexistente quando se trata de pautas ambientais.

“A credibilidade é zero. O governo Bolsonaro fez algo que é completamente irracional. É como se você tivesse uma árvore, tivesse que limpar um galho que está à tua frente. Você cerrasse o galho e deixasse ele bem fraquinho e depois tivesse que pular para ele. Foi isso que o governo Bolsonaro fez. Durante esses quase três anos do seu governo, ele ficou cerrando o galho da credibilidade, da proteção ao meio ambiente, da governança ambiental, da alocação de recursos. Tudo o que ele podia fazer para desconstruir o que ele encontrou e ainda agravar mais a situação, ele fez. Agora ele tenta recuperar isso sem nenhuma credibilidade de que terá como dar sustentação ao peso desses compromissos que assumiu”, analisou a ex-ministra brasileira.

Marina Silva
Marina Silva foi a primeira entrevistada de Jamil Chade no Cruzando Fronteiras/Imagem: Reprodução/Canal MyNews

Marina lembrou que diante do que já havia sido acordado na conferência de Paris, já existia um deficit em relação às metas ambientais e se o Brasil quisesse dar a contribuição que a gravidade do problema exige, no intuito de alcançar o patamar máximo de aumento da temperatura global em até 1,5ºC, em comparação com a temperatura do mundo na era pré-industrial, o compromisso assumido pelo país deveria ser uma redução na emissão de gases de efeito estufa de 80%, e não de 50% – como foi anunciado.

“Mas mesmo assim, ele [Bolsonaro] deu a pedalada e depois ele retoma o que foi acordado em Paris, mas não tem credibilidade. Qualquer meta precisa ser acompanhada de como se vai fazer. O governo Bolsonaro se especializou em fazer anúncios vazios para ganhar tempo de fazer mais queimadas, mais desmatamentos e mais emissão [de gases]”, pontuou Marina Silva.

O jornalista Jamil Chade – que está na Escócia fazendo a cobertura da COP26, com flashes diários para o Canal MyNews – lembrou que na conferência os especialistas em meio ambiente têm chamado o Brasil de “Black Friday” – numa referência as promoções realizadas no final de novembro nos Estados Unidos, por ocasião do Dia de Ação de Graças.

“Muitas pessoas destacaram que o Brasil agiu como a Black Friday, em que muitas lojas elevam os preços alguns dias antes e depois anunciam uma promoção de 50%. Assim, alcançar as metas fica fácil. Outro ponto que gerou desconfiança aqui em Glasglow foi quando o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Pereira Leite, mostrou uma perspectiva de queda do desmatamento em linha reta nos próximos anos e os especialistas dizem que é impossível que a redução do desmatamento aconteça em linha reta”, explicou Jamil Chade.

Marina Silva considera que o governo Bolsonaro se comprometeu com algumas metas apenas para ganhar tempo. “O que ele faz é isso: anuncia o Conselho da Amazônia e ganha tempo para desmatar mais e queimar mais. Agora ele faz o mesmo movimento, por pressão internacional e pressão interna brasileira, que é muito grande. A falta de credibilidade do governo é algo irreversível.

Para Marina Silva é preciso recompor a legislação ambiental e fortalecer as políticas públicas

Para a ativista ambiental, ex-senadora e ex-ministra é difícil estabelecer um prazo para que o desmonte nas políticas ambientais possam ser mitigados e revertidos, pois não se têm a total ideia do que representa esse desmonte.

“O que precisa fazer é recompor os orçamentos do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama e do ICMBio, recompor o quadro técnico, parar de sinalizar que vai mudar a legislação para tornar legal o ilegal. Uma corrupção normativa para mudar a lei. Deixar de perseguir as comunidades indígenas e alinhar o trabalho do Ibama e do ICMBio, agindo conjuntamente. O interessante é que já se sabe como fazer e tem como retomar e atualizar as medidas. É preciso retomar a criação de unidades de conservação e deixar de empoderar os criminosos. Hoje eles estão altamente empoderados com as ações do governo”, afirmou Marina Silva, lembrando que recentemente garimpeiros ilegais assassinaram indígenas isolados na comunidade Yanomami.

A entrevista com Marina Silva marcou a estreia do novo programa de Jamil Chade no Canal MyNews. O Cruzando Fronteiras trará sempre temas atuais, debatidos com convidados interessantes, e será transmitido diretamente da sede da ONU na Suíça.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale

 

Veja a íntegra da entrevista de Jamil Chade com Marina Silva, no Cruzando Fronteiras, no Canal MyNews

O post Marina não acredita em promessas de conservação ambiental do governo Bolsonaro apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Mudanças climáticas exigem compromisso claro de países com metas https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/mudancas-climaticas-exigem-compromisso-paises/ Wed, 03 Nov 2021 22:39:09 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mudancas-climaticas-exigem-compromisso-paises/ Brasil ainda é visto como pouco flexível a firmar acordos para frear as mudanças climáticas. Compromissos assumidos precisam estar no documento final do evento

O post Mudanças climáticas exigem compromisso claro de países com metas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Depois dos discursos iniciais das autoridades de mais de 100 países que abriram os trabalhos na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP26), que acontece em Glasglow, na Escócia, até o próximo dia 12 de novembro, a expectativa dos participantes do evento é de que os compromissos anunciados pelas lideranças realmente façam parte do documento final. O processo de negociação sobre que acordos que serão firmados para garantir a conservação ambiental nas próximas décadas e para frear o aquecimento global é lento e demanda muito esforço.

No primeiro dia do evento, a ativista indígena brasileira Txai Surui, de 24 anos, falou que os líderes globais “fecharam os olhos” para a mudança climática e apelou por medidas imediatas, e não com metas para 2030, ou 2050.

Txai Surui - mudanças climáticas - COP26
Ativista indígena brasileira Txai Surui disse que países fecharam os olhos para as mudanças climáticas/Foto: Fotos Públicas

A meta principal da COP26 é conseguir o comprometimento dos países com o limite de 1,5ºC de aumento da temperatura da Terra, até o final desse século – tendo como referência a temperatura global da era pré-industrial. Longe de ser uma meta simples, as medidas necessárias para alcançar esse objetivo demandarão bastante negociação e que os principais emissores de gases do efeito estufa realmente se comprometam com modos de produção sustentáveis.

“As primeiras impressões apontam que não será um acordo fácil. A cúpula está sendo vista como a última chance, pois o mundo sabe que está se esgotando o tempo para que medidas concretas sejam adotadas. No caso do Brasil, o país está tentando quitar suas hipotecas internacionais acumuladas nos últimos dois anos e meio. Mas de nada valem as declarações sem acordos no texto final”, explica o jornalista Jamil Chade – que faz uma cobertura especial da COP26 para o Canal MyNews.

 

Acompanhe a cobertura especial de Jamil Chade na COP26 no Canal MyNews

Chade explica que o Brasil ainda é visto com uma posição resistente e pouco flexível para firmar acordos e se quiser mudar a imagem do país, precisará adotar uma outra postura nas negociações. Apesar dos compromissos assumidos de reduzir as emissões de CO2 e de metano e de frear o desmatamento até 2030 – a expectativa ainda é de que o governo apresente de forma clara como mudará a política ambiental implementada nos últimos anos.

“O país anunciou o corte nas emissões de CO2 e metano até 2030 e inclusive foi aplaudido por John Kerry – enviado especial dos Estados Unidos para questões climáticas – e não o ator Jim Carrey, como confundiu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas não se pode confundir anúncio com medidas concretas e o Brasil precisa dizer o que vai mudar na política ambiental brasileira para que os compromissos sejam atingidos. Nos últimos anos houve um desmonte da política ambiental brasileira, com retirada de recursos para lutar contra o desmatamento. De onde virá o dinheiro e como será reconstruída a política ambiental brasileira?” – questiona Jamil Chade, reverberando questões que o mundo está fazendo neste momento.

Exposições fotográficas mostram a diversidade e as belezas da Amazônia na COP26

No Climate Action Hub – espaço organizado pela sociedade civil brasileira dentro da COP26 – é possível visitar a exposição “Amazônia”, de Sebastião Salgado, e a mostra “Para quem está por vir”, com fotógrafos da região Norte do Brasil.

A exposição de Sebastião Salgado – que registra o cotidiano de 12 comunidades indígenas da Amazônia – está atualmente em cartaz no Science Museum, em Londres, e terá uma pequena mostra durante a Conferência do Clima. Já a mostra “Para quem está por vir”, tem curadoria de Eduardo Carvalho e Vanessa Gabriel-Robinson e foi montada especialmente para o evento, com fotografias Marcela Bonfim (Rondônia), Nailana Thiely (Pará) e Bruno Kelly (Amazonas).

Transição energética no Nordeste brasileiro é tema de debate

Nesta quinta (4), dentro da programação do Climate Action Hub, haverá a palestra “O Nordeste Brasileiro e o potencial da Transição Energética Justa no Brasil”, quando serão apresentados estudos sobre o potencial de energia renovável da região, com discussão sobre os desafios inseridos nessa transição, entre os quais a pobreza energética e os impactos fundiários. O evento pode ser acompanhado ao vivo, através do site da plataforma.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale

 

O presidente Jair Bolsonaro confundiu o enviado do governo dos Estados Unidos John Kerry com o ator Jim Carrey

O post Mudanças climáticas exigem compromisso claro de países com metas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Na Europa para o G20, Bolsonaro não comparecerá à Conferência do Clima https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/na-europa-para-g20-bolsonaro-nao-comparecera-a-conferencia-do-clima/ Mon, 01 Nov 2021 14:01:57 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/na-europa-para-g20-bolsonaro-nao-comparecera-a-conferencia-do-clima/ Bolsonaro foi recebido pelo presidente italiano, Sergio Matarella, antes do início da Cúpula do G20. Imagem do Brasil está arranhada diante do mundo por conta do desmatamento e da falta de políticas ambientais

O post Na Europa para o G20, Bolsonaro não comparecerá à Conferência do Clima apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viajou para a Europa para participar da reunião do G20 – evento que reúne as 20 maiores economias do mundo e que este ano servirá de aquecimento para a Conferência do Clima da ONU, a COP26. Entretanto, mesmo estando na Itália, o presidente brasileiro não seguirá para Glasglow, na Escócia, onde ocorrerá o debate sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas.

Bolsonaro foi recebido nesta sexta (29) pelo presidente italiano Sergio Matarella e visitará a cidade de Pádua, no Norte da Itália, onde fará uma homenagem aos militares brasileiros que morreram durante a Segunda Guerra Mundial. O presidente brasileiro pretende visitar a basílica de Pádua. A diocese da região informou que não receberá o presidente brasileiro oficialmente, com honras de chefe de estado, mas se ele quiser visitar a igreja como um peregrino, as portas estão abertas.

Bolsonaro e Sergio Matarella antes da reunião do G20
O presidente Jair Bolsonaro se encontrou com o presidente da Itália, Sergio Matarella, nesta sexta-feira (29)/Foto: Alan Santos/PR

Segundo o jornalista Jamil Chade – que está em Roma, na Itália, o Brasil vive um momento de pressão por conta do desmatamento e também por causa das políticas públicas do governo Jair Bolsonaro, de desmonte dos controles ambientais no país. Bolsonaro passou o dia fazendo turismo em Roma, visitou pontos turísticos e caminhou pelas ruas da cidade.

“Hoje Bolsonaro é um personagem tóxico e que não suscita nenhum tipo de credibilidade. No G-20 ele certamente enfrenta resistências e até uma certa desconfiança das outras delegações. Já em Glasglow, ele sequer viajará para a Cúpula do Clima. Mais de cem líderes tomarão a palavra nos dias 1º e 2 de novembro, mas Bolsonaro optou por uma outra programação pela Europa. Bolsonaro optou por não ir à Cúpula do Clima e o mundo percebeu isso”, explicou Chade.

Na próxima segunda (1º), o presidente do Brasil visitará a cidade de Anguillara Veneta, onde receberá o título de cidadão honorário oferecido pela prefeitura local, cuja administradora, a prefeita Alessandra Buoso, é ligada ao partido de extrema direita Liga Norte.

Nesta sexta, houve protestos na cidade, em frente a prefeitura, organizado por grupos políticos e organizações sociais. A fachada da prefeitura foi pichada com a frase “Fora Bolsonaro”.

MyNews terá cobertura especial da Conferência do Clima da ONU, direto da Escócia

O Canal MyNews terá, a partir deste domingo uma cobertura especial da Conferência do Clima da ONU, a COP26, direto de Glasglow, na Escócia. O jornalista Jamil Chade trará diariamente os principais assuntos debatidos na COP26, com informações exclusivas e análises especiais.

O Canal MyNews fará uma cobertura integrada da COP26

* A Cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale.

 

Confira a análise do jornalista Jamil Chade sobre a presença de Bolsonaro no G20, no Canal MyNews

O post Na Europa para o G20, Bolsonaro não comparecerá à Conferência do Clima apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
COP26 começa exigindo compromisso para frear aquecimento global https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/cop26-comeca-exigindo-compromisso-frear-aquecimento-global/ Mon, 01 Nov 2021 14:01:42 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-comeca-exigindo-compromisso-frear-aquecimento-global/ O Brasil – que desde a Rio-92 liderou esse debate, do alto da posição de quem detém o pulmão do mundo – a Floresta Amazônica – chega a Glasglow, na Escócia, com a imagem abalada

O post COP26 começa exigindo compromisso para frear aquecimento global apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Começa neste domingo a COP26 – a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que debaterá até o próximo dia 12 de novembro sobre como o mundo pode se comprometer com metas para reduzir drasticamente o aquecimento global, de modo a frear as mudanças climáticas e o cenário de catástrofes ambientais e humanitárias que um planeta mais quente anuncia já para as próximas décadas.

Sustentabilidade
Lideranças de todo o mundo se reúnem em Glasglow, na Escócia, para debater compromissos ambientais na COP26, até o próximo dia 12 de novembro/Imagem: Pixabay

A meta a ser alcançada é limitar o aumento da temperatura a no máximo 1,5ºC até o final deste século. Um objetivo ousado num cenário de destruição ambiental e de pouco compromisso dos países mais industrializados com as reduções de gases do efeito estufa.

O Brasil – que desde a Rio-92 liderou esse debate, do alto da posição de quem detém o pulmão do mundo – a Floresta Amazônica – chega a Glasglow, na Escócia, com a imagem abalada por uma política ambiental praticamente inexistente e manchada pelo aumento das queimadas, desmantelamento dos órgãos de fiscalização e perseguição aos povos originários.

Estarão presentes 190 líderes mundiais, com expectativa de circulação de mais de 20 mil pessoas no evento. O posicionamento do Brasil durante a cúpula pode amenizar a péssima imagem que o Brasil cultivou nos últimos anos, ou colocar de vez o país como um pária diante da conservação ambiental e do futuro econômico, social e tecnológico que aponta cada vez mais para a necessidade de um pacto de conservação ambiental.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não comparecerá à COP26. Apesar de estar na Europa, onde participou da reunião de Cúpula do G-20 (as 20 maiores economias do mundo) – Bolsonaro optou por permanecer na Itália e viajar para o Norte do país, onde nesta segunda receberá o título de cidadão honorário na pequena cidade de Anguillara Veneta. O título honorário será oferecido pela prefeita Alessandra Buoso – filiada ao partido de extrema direita Liga Norte. A homenagem já provocou diversos protestos na região, organizadas por entidades da sociedade civil e por partidos de esquerda.

Sociedade civil terá espaço para debater compromisso do Brasil com metas ambientais

A sociedade civil organizada brasileira terá um espaço montado dentro da Conferência do Clima, em Glasglow, na Escócia, onde serão debatidas estratégias de como manter vivo o Acordo de Paris e a meta de aquecimento máximo do planeta em 1,5º neste século. A iniciativa, batizada de Brazil Climate Action Hub, é organizada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto ClimaInfo e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

A abertura do espaço acontecerá no dia 2 de novembro, na Zona Azul da COP26, com uma programação que será transmitida através do site https://www.brazilclimatehub.org/ – em português e inglês – com o intuito de aproximar os debates que ocorrem na conferência da população brasileira. A programação será transmitida ao vivo, mas para acompanhar, deve-se considerar o fuso horário de três horas a mais, em relação ao horário de Brasília (DF).

MyNews tem cobertura especial da COP26 até o próximo dia 12 de novembro

O Canal MyNews terá, a partir deste domingo uma cobertura especial da Conferência do Clima da ONU, a COP-26, direto de Glasglow, na Escócia. O jornalista Jamil Chade trará diariamente os principais assuntos debatidos na COP-26, com informações exclusivas e análises especiais.

* A Cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale


O post COP26 começa exigindo compromisso para frear aquecimento global apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Redemoinhos de fogo e tempestades de poeira são reflexo das mudanças climáticas https://canalmynews.com.br/mais/redemoinhos-de-fogo-tempestades-de-poeira-reflexo-mudancas-climaticas/ Sat, 02 Oct 2021 01:23:31 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/redemoinhos-de-fogo-tempestades-de-poeira-reflexo-mudancas-climaticas/ Mudanças climáticas são reais e precisam ser administradas para um futuro mais seguro na terra. Em apenas três anos, Brasil desmatou quase 5% da Amazônia

O post Redemoinhos de fogo e tempestades de poeira são reflexo das mudanças climáticas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Em apenas três anos o Brasil desmatou 5% da cobertura vegetal da Amazônia – quase um terço de todo o desmatamento ocasionado nos últimos 50 anos. Os dados foram citados pela pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Luciana Vanni, em entrevista ao Quinta Chamada Ciência e são parte das justificativas para dois fenômenos climáticos vistos durante a semana no Brasil: as tempestades de poeira e fumaça no interior de São Paulo, Minas Gerais e em Goiás e o redemoinho de fogo no Mato Grosso.

Nuvem de poeira é registrada em cidades de São Paulo e Minas Gerais. Fenômeno é exemplo do que está acontecendo em decorrência das mudanças climáticas/Foto: reprodução/redes sociais

“São fenômenos cada vez mais comuns. É muito importante a gente entender o que está provocando isso. Estamos com uma redução de chuvas, tanto pelas mudanças climáticas globais, que estão levando não só o Brasil a essa condição, mas temos um agravante: estamos mudando muito a cobertura da terra no Brasil. A Amazônia já foi 20% desmatada. Em 50 anos, ela foi 17% desmatada e em apenas nos últimos dois anos foram 3%, e o que se espera é pelo menos mais 1,5% até o final deste ano. Em três anos, foram quase 5% de desmatamento. Quase um terço do que a gente fez em 50 anos, e justamente quando as mudanças climáticas já chegaram”, analisou Luciana Vanni.

Vanni explica que o fato de o solo estar seco – por conta do final do período de colheita – deixa a poeira “solta”. Essa poeira, levantada pelo vento, formou nuvens do tipo “cumulus nimbus” – que começam em 1 quilômetro e podem chegar a até 12 quilômetros de altura – proporcionando a existência de uma grande diferença de temperatura entre a base e o topo da nuvem – ocasionando uma corrente de ar forte de baixo para cima.

A pesquisadora comparou a nuvem a um aspirador de pó – que elevou a poeira para o ar – formando as nuvens vistas no Brasil esta semana. Sobre o redemoinho de fogo, Luciana Vanni também atribuiu ao aquecimento global e a ocorrência de temperaturas extremas.

Mudanças climáticas são realidade e precisam de resposta rápida

Se as mudanças climáticas pareciam um fenômeno distante há algumas décadas, a pesquisadora do Inpe alerta que atualmente elas já fazem parte da realidade e precisam de medidas imediatas, sob o risco de comprometimento da vida na Terra no futuro.

O pesquisador Thiago da Paixão destacou como preocupante o fato de determinados eventos climáticos que antes eram registrados apenas no hemisfério Norte agora serem frequentes também no Brasil. Para ele, essas ocorrências demonstram que o aquecimento global é uma realidade e merece atenção.

“A gente tem que perceber o que está acontecendo. Entender e aceitar que a gente vai ter que administrar o uso e a cobertura da Terra pra gente poder administrar as mudanças climáticas, porque elas já chegaram. A gente já está sofrendo as consequências e dá pra gente ter certeza que já mudamos a natureza muito mais do que poderíamos ter mudado. É preciso um plano de restauração florestal mínimo para garantir o nosso futuro. Um futuro mais seguro, onde tenha chuva. A gente precisa de água. Não dá pra só correr atrás do dinheiro, vender commodities. Não dá pra continuar assim. Chegamos num ponto em que está claro que não dá”, finalizou Luciana Vanni, pesquisadora do Inpe.

Assista ao Quinta Chamada Ciência, no Canal MyNews. O programa também tratou sobre a possibilidade de faltar carne no mundo e a necessidade de adotar dietas baseadas em plantas e até insetos

O post Redemoinhos de fogo e tempestades de poeira são reflexo das mudanças climáticas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Situação da Amazônia é grave e exige ações integradas https://canalmynews.com.br/mais/situacao-da-amazonia-e-grave-e-exige-acoes-integradas/ Fri, 10 Sep 2021 23:47:03 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/situacao-da-amazonia-e-grave-e-exige-acoes-integradas/ O ano de 2020 ficou marcado como o pior em relação ao desmatamento ilegal dos últimos 10 anos. A Amazônia já sofre com mortalidade de árvores e aumento da estação seca

O post Situação da Amazônia é grave e exige ações integradas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Na semana em que se lembrou o Dia da Amazônia, em 5 de setembro, não há muito o que comemorar quando o assunto é a conservação da maior floresta tropical do mundo. O ano de 2020 ficou marcado como o pior em relação ao desmatamento ilegal dos últimos 10 anos, com 10.851 Km² desmatados e 2021 deve superar essa marca, haja vista que entre janeiro e agosto a área devastada já é maior do que no ano passado.

Para a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Luciana Vanni Gatti a situação é grave e já aponta para um impacto grande em relação à situação climática e de preservação da própria floresta. “Com todo o desmatamento que a gente já fez na Amazônia, já existe um impacto muito grande, com redução de chuvas e aumento de temperatura, o que representa um stress muito grande para a floresta. No Sudeste da Amazônia, por exemplo, a mortalidade de árvores é o dobro, às vezes o triplo, do restante da floresta. O desmatamento está levando a uma agudização da estação seca”, explicou a pesquisadora, em entrevista ao Quinta Chamada Ciência.

Imagem aérea de queimada próxima à Flora do Jacundá, em Rondônia. Amazônia sofre com fogo e desmatamento.
Imagem aérea de queimada próxima à Flora do Jacundá, em Rondônia. Amazônia sofre com fogo e desmatamento.
(Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/Fotos Públicas)

Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), elencou problemas em relação a vulnerabilidades e questões referentes à gestão que interferem na conservação da floresta e de toda a biodiversidade da região amazônica. Entre as vulnerabilidades, estão a perda de recursos hídricos, que interfere na situação dos rios de toda a América do Sul, incluindo a Bacia do Prata – que atravessa Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina; a ameaça à biodiversidade da Amazônia – onde está uma de cada cinco espécies de plantas, peixes e aves do planeta; e a desertificação – pois pesquisas já apontam que em algumas áreas existe o risco real de a floresta se transformar num deserto, sem possibilidade de reequilíbrio.

Sob o ponto de vista de gestão, Bocuhy apontou problemas graves em relação à fiscalização, que envolvem a necessidade de integrar ações do Exército, da Polícia Federal e do Ibama, com investimento em inteligência e equipamentos; algo que tem seguido exatamente o caminho contrário – com o sucateamento do Ibama no atual governo. Outro ponto que poderia fortalecer uma gestão eficiente da Amazônia seria o estímulo ao extrativismo sustentável, que incentivasse a harmonia entre as comunidades e a floresta, com foco no fim do desmatamento ilegal.

Na avaliação do coordenador de Comunicação do Observatório do Clima, Cláudio Ângelo, é assustadora a aceleração da mortalidade das árvores, provocada por “stress térmico”. “A gente fez muitas matérias sobre os modelos que mostravam o chamado ‘die back’ – um ponto da mudança climática em que as árvores iriam morrer de stress térmico, agravado pelo desmatamento. Isso tudo era um modelo, o que se esperava que acontecesse com a floresta se o desmatamento progredisse como progrediu. Os cientistas tinham razão e os pesadelos estão se tornando realidade, especialmente no Sudeste da Amazônia, uma área desmatada, ‘sojificada’ e ‘pastificada’”, considerou Cláudio Ângelo, numa referência às plantações de soja e à criação de gado comuns na região.

Para Ângelo, o enfrentamento dessa situação passa por uma mudança no governo central do Brasil e pelas eleições de 2022. “O desafio do Brasil hoje se chama Jair Messias Bolsonaro. Não dá para contornar isso. A gente tem um governo que é contra a floresta. Então para a gente começar a discutir qualquer coisa, precisa de um novo governo. Não, Bolsonaro não vai tomar jeito e não vai ter pressão internacional que dê jeito no Bolsonaro. O futuro depende das eleições, ou de Arthur Lira (PP-AL) encaminhar o impeachment do presidente da República; da mudança de governo para que a gente possa retomar instrumentos de políticas públicas que já vinham dando resultado no passado. Que levaram à redução do desmatamento no passado”, completou.

O jornalista Salvador Nogueira pontuou que a situação é grave também por conta da necessidade de reestruturar o arcabouço legal e as instituições que faziam o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia, pois o atual governo implementou um “desmantelamento” da estrutura para combate ao desmatamento, prejudicou a divulgação de dados científicos do Inpe e alterou a legislação ambiental e de coerção aos crimes ambientais que precisarão ser reconstruídas no futuro.

Quinta Chamada Ciência é transmitido todas as quintas, a partir das 20h30, no Canal MyNews. Sempre com temas interessantes conduzidos pela jornalista Cecília Oliveira e participação de cientistas de diversas áreas

O post Situação da Amazônia é grave e exige ações integradas apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Marcello Brito: agronegócio está preocupado com postura do Brasil em relação ao meio ambiente https://canalmynews.com.br/economia/marcello-brito-agronegocio-preocupado-brasil-meio-ambiente/ Fri, 03 Sep 2021 20:35:04 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/marcello-brito-agronegocio-preocupado-brasil-meio-ambiente/ Descontentes com a política ambiental adotada no governo Jair Bolsonaro, parte dos empresários do agronegócio – especialmente aqueles que atuam com exportações – está preocupada com a imagem do Brasil no exterior em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente

O post Marcello Brito: agronegócio está preocupado com postura do Brasil em relação ao meio ambiente apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Descontentes com a política ambiental adotada no governo Jair Bolsonaro, parte dos empresários do agronegócio – especialmente aqueles que atuam com exportações – está preocupada com a imagem do Brasil no exterior em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente. Com negócios influenciados cada vez mais por novas exigências dos consumidores e também do mercado financeiro – que tem adotado as práticas de ESG como parâmetro de confiabilidade para os investimentos – estar com a imagem relacionada a medidas de destruição ambiental e práticas consideradas ultrapassadas de desenvolvimento econômico e social não é um bom negócio na atualidade.

A necessidade de adotar práticas de conservação ambiental e de voltar a liderar os debates sobre sustentabilidade no mundo – área na qual o Brasil se destacou desde a Rio 92 – é uma das bandeiras de Marcello Brito – presidente da Associação Brasileira de Agronegócio. Brito tem chamado a atenção do agronegócio e do governo brasileiros para os prejuízos à imagem do Brasil e à economia se a política ambiental continuar a ser ignorada.

“Lembro que fui um dos fundadores da mesa redonda do óleo de palma sustentável – a maior mesa redonda de commodities do mundo, em 2003 – e a pressão em cima dos países asiáticos era muito forte. Recordo de dezenas de viagens que fiz para a Indonésia e havia essa repulsa pela questão ambiental. O que o país colheu 10 anos depois desse processo foi ter virado um pária internacional, ao ponto de produtos da Indonésia com certificação internacional valerem menos do que qualquer outro semelhante”, recorda Marcello Brito, complementando que a postura de degradação das florestas e da biodiversidade prejudicou a “marca da Indonésia” no exterior, ao ponto de prejudicar a economia do país.

Marcelo Brito - presidente da Associação Brasileira de Agronegócios
Marcelo Brito – presidente da Associação Brasileira de Agronegócios/Imagem: Reprodução Canal MyNews

Segundo Marcello Brito, esse efeito negativo na economia fez com que há cerca de cinco anos a Indonésia adotasse uma postura diferente sobre as exigências ambientais – visando a uma adequação às exigências mundiais de conservação. “Reduziram o desmatamento em 90%, criaram uma plataforma de monitoramento e integraram diversos setores. Quando olho para esta experiência, que aconteceu na primeira década deste século, vejo que o Brasil está fazendo da mesma forma. O processo de desmatamento da Amazônia só faz aumentar. Na visão das novas gerações não é mais aceitável ter a produção aliada à degradação ambiental. Prejudica a imagem do país e pode ser que venha a nos prejudicar no futuro”, pontua o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, em entrevista a Mara Luquet, no MyNews Entrevista, no Canal MyNews.

Marcello Brito lembrou que o Brasil tem dois meses para se preparar para a COP 26 (26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU), que acontecerá na Escócia no mês de novembro, e que o país chegará como “vilão” e precisa participar com disposição de se comprometer com medidas de conservação ambiental e de enfrentamento ao aquecimento global.

Ele acredita que falta vontade política de resolver algumas questões relacionadas ao meio ambiente e defende que 99% dos agronegócios do país atuam em conformidade com a legislação e seguindo planos de conservação ambiental.

“Quando o GLO das Forças Armadas saiu da Amazônia no ano passado foi uma surpresa. Não entendo por que saíram, pois o vice-presidente Mourão disse que ficariam até 31 de dezembro. Nós sabemos que 11 municípios da Amazônia concentram o desmatamento; as imagens de satélite mostram isso. Se a gente sabe que são 11 municípios por que a gente não consegue fazer uma força de controle em 11 municípios? Falta uma vontade política de resolver essa questão. Quem comanda esse processo tem interesse dentro da Amazônia. (…) É preciso entender as ramificações que existem a partir da Amazônia, entender as ramificações para chegar até Brasília”, considerou.

Para Brito, o trabalho precisa envolver diversos entes, incluindo o Banco Central, os ministérios da Economia, da Agricultura e de Relações Exteriores, o BNDES, entre outras entidades. “O que o Banco Central está fazendo é nada mais do que acompanhar o que os bancos centrais estão fazendo. O mais importante é lembrar que o setor de investimento está se voltando para a conservação ambiental não é porque são ambientalistas. A mudança climática implica em riscos; modelagem climática implica em investimento”, destacou Marcello Brito, destacando que numa palestra para o mercado financeiro perguntou sobre o interesse do setor nas questões relacionadas às mudanças climáticas e recebeu como resposta que apenas em hipotecas imobiliárias em regiões costeiras existem pelo menos 200 bilhões de dólares.

“O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostra a mão inequívoca do homem e já havia mostrado que o que já ocorre em algumas áreas do mundo e do Brasil como possíveis de acontecer, aconteceram”, destacou o presidente da Associação Brasileira de Agronegócio, ao falar sobre a crise hídrica e outros efeitos das mudanças climáticas em diversos habitats, com impacto também para a agricultura e o agronegócio brasileiros.

Agronegócio é diverso e apoia várias tendências políticas, diz Brito

Brito diz não saber quanto do setor do agronegócio ainda apoia o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e não acredita na possibilidade de um golpe militar, mas diz que podem haver confrontos no próximo dia 7 de setembro – quando diversas manifestações estão agendadas em todo o país.

“É difícil responder isso aqui. O agronegócio gera 30 milhões de empregos diretos, são 6 milhões de proprietários rurais, e não estou falando da parte ligada aos insumos, às indústrias, à pesquisa. Existe uma parcela bolsonarista, uma parcela de centro e de esquerda. [o agronegócio] Comporta todas essas frentes. (…) O ambiente não está bom, mas eu não temo não. Já passamos dessa fase de retornar ao ambiente não democrático. A gente monitora e o que tem de vídeos muito pesados, fazendo convocações muito esquisitas. Pode ter confronto, ter gente machucada. Não é bom para o país; é mais uma coisa que vai mostrar uma sociedade fraturada. Se for tudo ordeiro, pacífico, estamos dentro do jogo democrático”, considera.

Marcello Brito diz que nunca se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro, nem com o ex-ministro do meio Ambiente Ricardo Salles e acredita que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, faz um bom trabalho e “roda o Brasil apagando incêndios”.

Sobre a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro mudar a postura em relação às questões ambientais, Marcello Brito é enfático: “Eu não acredito. Quanto mais sofisticada for a abrangência de conhecimento de uma pessoa, melhor ele será como político, como pessoa, como profissional. E quando você tem esse conhecimento, você tem o entendimento que se dá pela vitória coletiva. Todo mundo que trabalha do lado dele diz que não dá pra conversar, que ele diz que está certo”.

Para finalizar, Brito cita alguns números relacionando o agronegócio brasileiro e a conservação ambiental: “São 6 milhões de propriedades rurais do Brasil; 70% têm de 1 a 100 hectares e a grande maioria preserva 25% da cobertura vegetal. Tem um 1,8 milhão de nascentes de água dentro das propriedades privadas brasileiras. O Brasil é quarto maior produtor de alimentos do mundo, o sexto exportador e tem entre 6¢ e 7% do comércio mundial. O mundo está fazendo uma negociação climática. Quem tem o melhor ativo ambiental participa dessa negociação melhor. O Brasil tem uma história de liderar esse debate desde 1992. Em vez de liderar, estamos sendo liderados”.


O post Marcello Brito: agronegócio está preocupado com postura do Brasil em relação ao meio ambiente apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Rogério Studart: Brasil deve decidir se embarca no trem do desenvolvimento sustentável https://canalmynews.com.br/mais/rogerio-studart-brasil-desenvolvimento-sustentavel/ Fri, 27 Aug 2021 19:40:43 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/rogerio-studart-brasil-desenvolvimento-sustentavel/ O economista e pesquisador do World Resources Institute (WRI), Rogério Studart, avalia que o Brasil está atrasado em iniciativas de estímulo ao desenvolvimento sustentável

O post Rogério Studart: Brasil deve decidir se embarca no trem do desenvolvimento sustentável apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Se existe um trem para o futuro, ele já partiu e o Brasil chegou atrasado à estação. Essa é a análise do economista e pesquisador do World Resources Institute (WRI), em Washington (EUA), Rogério Studart – em conversa com a jornalista Mara Luquet, no MyNews Entrevista desta sexta (27) – ao avaliar que o país ainda pode alcançar as grandes nações em relação a medidas de desenvolvimento sustentável e para contornar a crise climática – aproveitando oportunidades socioeconômicas que de fato existem no país. Às vésperas da 26ª Conferência Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Clima (COP26), que acontecerá de 31 de outubro a 12 de novembro, em Glasglow, na Escócia, Studart se diz mais otimista com a forma como governadores e prefeitos de várias regiões do Brasil têm lidado com a temática, buscando soluções inovadoras para questões de meio ambiente e sustentabilidade.

Rogério Studart - economista e pesquisador do WRI fala sobre desenvolvimento sustentável
O economista e pesquisador do WRI, Roberto Studart, avalia como o Brasil está se posicionando em relação às iniciativas de desenvolvimento sustentável/Imagem: Reprodução Internet/Canal MyNews

“O Brasil, na sua representação nacional, chega atrasado à estação. Ainda tem tempo, nada em negociações internacionais é definitivo e sempre é possível mudar a abordagem, a ambição e a sua forma de se apresentar ao mundo. A gente chegou tarde à estação; a nossa ambição apresentada sobre a mudança do clima e à agenda ambiental é no mínimo tímida. Por outro lado, observo diversas iniciativas em nível estadual e municipal que, pelo contrário, têm avançado muito. Tenho acompanhado muitas conversas de governadores e prefeitos e prefeitas com a comunidade internacional. (…) Sou mais otimista com a forma que governadores e prefeitos têm se posicionado”, argumenta o professor, ressaltando que é preciso uma iniciativa do povo brasileiro sobre os temas, para que o país utilize essas discussões sobre meio ambiente e sobre o clima para sair de uma situação socioeconômica complicada.

Entre as iniciativas que têm chamado a sua atenção, Rogério Studart ressalta o Fundo de Gestão da Amazônia Oriental, desenvolvido pelo estado do Pará, e algumas coalizões de governadores do Norte do país pelo clima em nível nacional. “Vi com muito interesse uma conversa com a administração Biden, quando disse que as relações com o Brasil deveriam ser pautadas pelo tema ambiental. (…) Vejo essa e outras iniciativas e uma potencialidade enorme para que prosperem. Enviar essa sinalização [para o mundo] é muito importante porque esse é um trem que não vai parar e o Brasil tem possibilidade de se favorecer e de dar a sua contribuição ao mundo”, acrescenta.

Desenvolvimento Sustentável tem reflexos em oportunidades sociais e econômicas

Parte de um grupo do WRI que tem estudado o tema da sustentabilidade em várias regiões do mundo, o professor elenca diversas oportunidades e benefícios que o Brasil teria se investisse seriamente em projetos sustentáveis, promovendo negócios verdes e energias alternativas, por exemplo. “Há possibilidade de ganhos em crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), aumento da produtividade, diminuição da poluição, melhoria da mobilidade. Investir em cidades inteligentes favorece a população e aumenta a produtividade”, destaca. Para Studart, países como o Brasil – com uma economia continental – necessitam de um eixo de crescimento calcado no desenvolvimento interno, no capital humano, tecnológico e na agricultura.

O Brasil tem um potencial para desenvolvimento nesses segmentos, assim como os Estados Unidos e a China – dois países também continentais, observa o economista. “Basta olhar uma foto de satélite do Brasil e perceber que existe um capital natural extraordinário que está sendo destruído; mas se for utilizado de maneira eficiente, pode se tornar uma potência. Estou falando de biocombustíveis, energia renovável, ônibus elétricos, agricultura sustentável – diversas frentes de investimento e desenvolvimento. Isso acaba atraindo uma juventude e criando empregos em áreas com futuro. A gente perdeu hoje em dia a capacidade de saber como investe no futuro. O Brasil está investindo do passado”, complementou, lembrando que, ao contrário do momento atual, o Brasil tem uma tradição de colocar o conceito de desenvolvimento sustentável na pauta global.

O pesquisador lembra que existem boas iniciativas acontecendo no país em relação ao financiamento para projetos sustentáveis e cita instituições como o BNDES, o Banco Central e o Banco do Brasil com exemplos de iniciativas positivas para atrair, estimular e financiar iniciativas e recursos “verdes”. Para se colocar novamente como um líder em defesa de uma economia sustentável, Rogério Studart diz que é preciso que o país apresente uma visão sobre este futuro, com um discurso claro para agentes privados, investidores, e comunidade internacional, com uma visão de longo prazo. “A gente tem que decidir se sobe ou não no trem. Não é só uma questão de comércio. É tecnologia verde, finanças verdes, investimento verde. É assim que os países se posicionam. China, Estados Unidos, a Colômbia está espetacularmente se apresentado assim ao mundo. Resta saber o que o Brasil quer fazer com isso”, finalizou.

Assista à íntegra do MyNews Entrevista, no Canal MyNews, com o economista Rogério Studart e a jornalista Mara Luquet, sobre as oportunidades do desenvolvimento sustentável para o crescimento socioeconômico

O post Rogério Studart: Brasil deve decidir se embarca no trem do desenvolvimento sustentável apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Negacionismo https://canalmynews.com.br/mais/negacionismo/ Thu, 19 Aug 2021 19:44:07 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/negacionismo/ O negacionismo oferece uma percepção imaginária de um mundo confuso, sem rumo. Na melhor das hipóteses, é um misto de dúvida e de credulidade, na pior, um oportunismo político com objetivo de ganhos de curto e médio prazo

O post Negacionismo apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
O termo negacionismo foi criado pelo historiador francês Henry Rousso, na década dos 80 do século passado. Inicialmente, negacionismo indicava a atitude de negação de um fato histórico como o extermínio dos judeus da Europa pelos nazistas. Os negacionistas visam não a rever ou reexaminar o fato histórico, mas falsear a história, a partir de motivações ideológicas.

Mais recentemente, o negacionismo, como a tentativa de revisar a história, a ciência e influir na política, ressurgiu com força na Europa, em especial na França e na Alemanha, e nos EUA, em particular com Donald Trump. Em 6 de novembro de 2012, já pensando em sua candidatura presidencial, Trump enviou um tweet sobre mudança do clima em que dizia que o conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses para deixar as manufaturas americanas não competitivas. Da vacina à mudança do clima, do genocídio ao terraplanismo, chegou-se, na campanha presidencial e durante o governo de Trump, ao QAnon, movimento de extrema direita, negacionista total, que teve intensa participação na tentativa de invasão do Congresso em Washington, na mais séria ameaça à democracia nos EUA, desde a guerra civil em 1861. Fake News e teorias conspiratórias passaram a negar fatos comprovados e verdades estabelecidas pela ciência com objetivos políticos.

O negacionismo tenta negar as descobertas da ciência
O negacionismo é uma tentativa de revisar a história, a ciência e influenciar a política/Imagem: Pixabay

“O negacionismo vai além de um boato ou fake news pontual. É um sistema de crenças que, sistematicamente, nega o conhecimento objetivo, a crítica pertinente, as evidências empíricas, o argumento lógico, as premissas de um debate público racional, e tem uma rede organizada de desinformação. Essa atitude sistemática e articulada de negação para ocultar interesses político-ideológicos muitas vezes escusos, que tem sua origem nos debates do Holocausto, é inédita no Brasil”, observa muito apropriadamente Marcos Napolitano, professor da Universidade de São Paulo (USP).

O negacionismo oferece uma percepção imaginária de um mundo confuso, sem rumo, em que se vive em condições de opressão, desespero e privações, no qual nada tem de ser aceito sem questionamento e onde ninguém deve ser confiável. O negacionismo, na melhor das hipóteses, é um misto de dúvida e de credulidade, na pior, um oportunismo político com o objetivo de ganhos de curto e médio prazo.

No Brasil, o negacionismo, historicamente presente na discriminação racial e no tratamento das comunidades indígenas, chegou com força no governo Bolsonaro. Durante a pandemia do Covid-19, o governo atual levou o negacionismo a proporções nunca vistas, com a negação ou minimização da gravidade da doença, no boicote às medidas preventivas, na subnotificação dos dados epidemiológicos, na omissão de traçar estratégias nacionais de saúde, no incentivo a tratamentos terapêuticos sem validação científica e na tentativa de descredibilizar a vacina, entre outras políticas e atitudes. Em outras áreas, um ministro do governo não se cansava de repetir sua atitude negacionista no tocante ao globalismo, à mudança climática, ao terraplanismo, ao marxismo cultural.

Causas do negacionismo

Como explicar essa atitude de negação, cujo objetivo, no fundo, é levar o público à confusão, além de outros efeitos paralelos. Muitos são os elementos para se entender a extensão da contaminação e a rápida aceitação de parte significativa das pessoas, em muitos países. Sem entrar em detalhes, por serem autoexplicativos, podem ser mencionados o crescimento da desigualdade social, o aumento da pobreza, a concentração de renda de forma generalizada no mundo e o baixo nível educacional, explorados por políticos populistas e autoritários. Todos esses fatores criaram um sentimento de ceticismo, de simplificação exagerada das coisas, levando a conclusões inadequadas, vitimização, interpretação diferente de fatos não evidentemente conectados e o culto da mentira e da realidade alternativa. Trump, o principal promotor da difusão das “fake news”, encontrou seguidores em outros países, que ajudaram a espalhar mentiras e teorias conspiratórias por todo o globo, com as facilidades oferecidas pela mídia social.

Quais os efeitos e as consequências?

O negacionismo representa um risco muito alto, como ficou evidenciado nos EUA pelas políticas Trump em relação à pandemia, que tornou os EUA o país com mais mortes no mundo e, nos dias atuais, com os efeitos desastrosos para a saúde das crianças, com a recusa de governadores, nos Estados mais contaminados pela Covid 19, de aceitarem o uso de máscaras em lugares fechados e nas escolas. Ou no Brasil, pelas politicas negacionistas na saúde que levaram a um crescente número de mortes, superando os 560.000, e na área política, com a contestação à lisura das eleições, colocando-se em dúvida, sem qualquer evidência, a segurança das urnas eletrônicas.

Em geral, contudo, os efeitos do negacionismo são menos diretos e concretos, mas não menos deletérios. O negacionismo na mudança do clima não conseguiu destruir o consenso científico de que o que está ocorrendo é decorrência da atividade humana. O que o negacionismo conseguiu foi dar respaldo aos que se opõem a políticas mais radicais para a defesa do planeta, inclusive aqueles que criticam um acordo global, o que ajudou a tornar o desafio ainda mais difícil.

O negacionismo também pode criar um ambiente de ódio e de suspeita. No caso do holocausto, o que se deseja é apoiar a nostalgia do regime totalitário e a utopia eugenista de uma nação pura. A negação do genocídio não apenas é uma recusa de aceitação de fatos históricos, como também representa um ataque a aqueles que sobreviveram e a seus descendentes porque procura apresentar os judeus como mentirosos e reabilitar a reputação dos nazistas. A recusa da Turquia em admitir que o massacre dos armênios existiu em 1915 também é um ataque aos armênios de hoje e uma forma de intimidação a outras minorias na Turquia, que questionam seu status e seus direitos.

Outras formas de negacionismo podem ser menos explícitas, mas não deixam de representar um perigo ou ameaça à verdade. A negação da teoria darwiniana da evolução humana não tem nenhum efeito imediato ou prático, apenas ajuda a desacreditar a ciência, o que pode alimentar atitudes que vão contra políticas baseadas em evidências científicas. Mesmo os lunáticos negacionistas – aqueles que aceitam, por exemplo, as teorias do terraplanismo, isto é, que a terra é plana (lembram-se de Galileu na Idade Média?) – embora difíceis de serem levados a sério, ajudam a criar um ambiente no qual a política e o conhecimento científico e acadêmico são colocados em dúvida em nome de uma ampla suspeita de que nada é aquilo que parece ser.

Penetração do negacionismo

O negacionismo passou das áreas marginais para o centro do discurso público ajudado em parte por motivações políticas e em parte pelas novas tecnologias. Na medida em que a informação se tornou mais livre e acessível online e a pesquisa passou a ser aberta a todos pela internet, multiplicam-se as oportunidades para discutir e contestar as verdades, como aceitas até aqui. É difícil ignorar completamente essas vozes, que seriam consideradas normalmente malucas ou totalmente desfocadas. A profusão de vozes, a pluralidade de opiniões, os ruídos despertados pela controvérsia são suficientes para despertar dúvidas sobre aquilo que se deveria acreditar.

Não há como deixar de reconhecer que o negacionismo representa um perigo real. Alguns casos podem ser indicados como exemplos concretos de negacionismo causando dano efetivo. Na África do Sul, o presidente Mbeki, nos primeiros anos deste século, foi muito influenciado por negacionistas da AIDS, que recusavam aceitar a relação entre HIV e AIDS, chegando mesmo a negar a existência da AIDS, lançando dúvidas sobre a efetividade dos remédios antirretrovirais. Estima-se que a aceitação dessa visão equivocada e a relutância de Mbeki em implementar um programa nacional de tratamento usando antivirais tenha custado a vida de cerca de 330.000 pessoas.

Como combater no negacionismo?

A resposta mais comum ao negacionismo é a exposição da mentira. Assim como os negacionistas produzem uma crescente quantidade de artigos, websites, apresentações, vídeos e livros, os que combatem o negacionismo devem responder e estão respondendo na mesma moeda. As alegações negacionistas são refutadas sistematicamente, ponto por ponto, seriamente ou de maneira jocosa.

Há casos em que houve também respostas institucionais, com consequências legais para o negacionismo. Em alguns países, foram aprovadas leis contra o negacionismo. Na França, por exemplo, a legislação proíbe o negacionismo em relação ao holocausto. Nos EUA, a tentativa de ensinar a ciência da criação juntamente com a teoria da evolução encontrou forte resistência e os negacionistas foram impedidos de escrever em revistas acadêmicas e de fazer conferências.

Conclusão

O que surpreende é o número de pessoas que aceitam “face value” essa atitude negacionista e as realidades criadas pelas fake news e teorias conspiratórias. Essa reação nem sempre ajuda a desfazer uma campanha negacionista porque, para os negacionistas, a existência do negacionismo é uma vitória. O argumento central deles é o de que a verdade foi suprimida por seus inimigos. Continuar a existir a negação é um ato heroico, a vitória sobre as forças da verdade. O combate ao negacionismo, nas sociedades democráticas, não se faz por medidas legislativas, mas pelas respostas imediatas e por ações da sociedade civil que exponham a falsidade, a distorção das fake news e a recusa em aceitar as evidências, em muitos casos, para uso político.


Quem é Rubens Barbosa?

Rubens Barbosa é consultor de negócios, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica e da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). É membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP, presidente emérito do Conselho Empresarial Brasil – Estados Unidos. Editor responsável da Revista Interesse Nacional. Foi Embaixador do Brasil em Londres, de janeiro de 1994 a junho de 1999, e em Washington, de junho de 1999 a Março de 2004.


O post Negacionismo apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
Combate ao aquecimento global precisa de medidas imediatas, sob risco de ameaçar vida no planeta https://canalmynews.com.br/mais/aquecimento-global-medidas-imediatas/ Fri, 13 Aug 2021 21:06:32 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/aquecimento-global-medidas-imediatas/ Com a temperatura média da terra 1,1 grau acima da era pré-industrial e as iminentes tragédias ambientais, nações mais industrializadas precisam ser chamadas à responsabilidade pelo aquecimento do planeta

O post Combate ao aquecimento global precisa de medidas imediatas, sob risco de ameaçar vida no planeta apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>
O desafio colocado pelo último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) não é nada fácil de ser alcançado. Com a temperatura média da terra 1,1 grau acima da era pré-industrial e as iminentes tragédias ambientais que já se avizinham em várias regiões do globo, as nações mais industrializadas precisam ser chamadas à responsabilidade para assumirem compromissos reais com a conservação do meio ambiente e com o desenvolvimento e a adoção de energias sustentáveis e alternativas.

Indústria emitindo gases poluentes
É preciso enfrentar a necessidade urgente de mudar a matriz energética global para uma forma mais sustentável de habitar o planeta/Foto: Pixabay

A tarefa de casa precisa ser iniciada imediatamente – sob o risco de prejudicar a produção de alimentos para a própria humanidade, agravar as situações de êxodo de populações e provocar a extinção de várias espécies. “Algumas coisas já não têm volta. O que o planeta aqueceu até agora, não retorna mais. O que é preciso fazer é uma curva, cortar metade das emissões de gases até 2030, para em 2050 a gente conseguir neutralizar o carbono que a gente emite”, explicou Márcio Astrini – do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e secretário-executivo do Observatório do Clima, em participação no programa Quinta Chamada Ciência, no Canal MyNews.

Astrini ressalta que estabelecer uma nova matriz energética para o mundo é essencial para que essa meta ousada seja alcançada e seja possível chegar ao final deste século com uma estabilidade climática. “Os prazos são longos, mas o tempo de fazer isso já acabou. Qualquer tonelada de calor que a gente jogue na atmosfera faz a diferença. O Brasil é um país-chave nesse processo. Se, por exemplo, derreter a cobertura de gelo na Groelândia – dificilmente vai se alcançar a meta. Se as geleiras dos polos derreterem, dificilmente alcançamos. A Amazônia tem estocado 10 anos do que é emitido hoje pela humanidade. Se a gente perde a Amazônia, todos os dados que a gente fala vão para o beleléu”, acrescenta o especialista, alertando que “se todos os líderes do planeta tivessem o comportamento do governo Bolsonaro, eu diria que estávamos perdidos”. “Ele luta veemente para promover o problema. Seja no combate à covid-19, seja no meio ambiente”, destacou.

Aquecimento global é generalizado e acontece de forma rápida

O relatório do IPCC é assinado por mais de 200 pesquisadores que consultaram pesquisas realizadas em diversos países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU). A conclusão do relatório é clara: as mudanças climáticas são generalizadas e acontecem de forma rápida, por responsabilidade da ação humana, do uso de combustíveis fósseis, do desmatamento e de um estilo de vida de consumir o planeta de forma desordenada.

O Quinta Chamada Ciência tem apresentação da jornalista Cecília Oliveira, com convidados especiais a cada semana. Às quintas, a partir das 20h30, no Canal MyNews

Ainda segundo Márcio Astrini, existem cinco cenários possíveis. Os dois primeiros cenários estimam um aquecimento do planeta em até 1,5 grau em comparação à era pré-industrial, com um certo grau de adaptação às repercussões desta situação. Cenários de catástrofes climáticas, desertificação de regiões, falta de água e extinção de espécies não estão descartadas nestas duas primeiras situações. As outras possibilidades falam de um futuro em que várias regiões da terra ficariam inabitáveis, com fluxos migratórios constantes, em busca de alimentos e sobrevivência.

O jornalista Salvador Nogueira pontuou que não dá para salvar o mundo sem o apoio de todos os países. “O Brasil era um líder e agora é um mal exemplo pra o resto do mundo e perdeu o protagonismo. Óbvio que nós somos um exemplo para o resto do mundo. Precisa de todos os governos? Não, talvez não todos. Tem os grandes emissores, os países que pesam mais. Mas é uma mudança global; não dá pra dizer na minha fronteira não tem mudança climática. O Brasil tem um peso enorme por causa da Amazônia, por ser uma potência agrícola. Não dá pra resolver sem governo, nem só com alguns países. É preciso uma governança global, tem que chamar a China e os Estados Unidos – os maiores poluidores – a União Europeia e o Brasil, que era líder, o quanto vai recuperar o respeito perdido nos últimos anos?”, questiona Nogueira.


O post Combate ao aquecimento global precisa de medidas imediatas, sob risco de ameaçar vida no planeta apareceu primeiro em Canal MyNews – Jornalismo Independente.

]]>