Arquivos aquiles reis - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/aquiles-reis/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 08 Nov 2024 22:43:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Gilson Peranzzetta tem um piano elegante https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/gilson-peranzzetta-tem-um-piano-elegante/ Thu, 19 Sep 2024 19:03:23 +0000 https://localhost:8000/?p=46853 Em novo álbum, pianista, compositor, arranjador e maestro homenageia o saudoso João Donato, com quem já dividiu palcos e gravações

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O pianista, compositor, arranjador e maestro Gilson Peranzzetta está lançando Aprendi com Donato (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora Mills Records, uma homenagem ao saudoso João Donato, com quem já dividiu palcos e gravações.

Para tanto, Peranzzetta convidou instrumentistas virtuosos e, ao seu piano, ajuntou a batera de João Cortez e os baixos acústicos e elétricos de três contrabaixistas que se revezaram para tocar com ele: Alexandre Cavallo, Zeca Assumpção e Didier Fernan, além da participação especial de Mauro Senise (sax alto e flauta). Criou também arranjos para canções que distinguiram a carreira de Donato. O repertório é uma extraordinária amostra da genialidade de João Donato. Eis algumas músicas.

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Aprendi Com Donato (Gilson Peranzzetta): o piano inicia. Logo vem o sax alto. A batera de Cortez pulsa. A delicadeza da melodia prevalece. O suingue ajusta a pegada com o baixo acústico (Alexandre Cavallo). O piano improvisa num intermezzo com o DNA de Gilson. Pinta o sax alto, encorpado, puxando o improviso para si, e é como se “chorasse” – o som de Senise é raro.

Emoriô (João Donato e Gilberto Gil): batera, piano e baixo acústico (Didier Fernan) dão conta do recado. Simplicidade é mais, é tudo de belo, inclusive pela consciência musical de Gilson, pois seus arranjos revelam empatia com a obra de Donato. O suingue impera.

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A paz (João Donato e Gilberto Gil): o piano toca a intro e vai à melodia. Cortez toca a batera levemente. O baixo acústico (Zeca Assumpção) segura as pontas. O arranjo é lindo. O intermezzo do piano antecede a volta da melodia, que nos induz a cantar a letra de Gil.

Simples carinho (João Donato e Abel Silva): bela música com letra inspirada do Abel. O trio a tudo engrandece, revelando a capacidade que tem Donato de criar belezas como se fosse fácil. Gilson fez um arranjo sem prosopopeias desnecessárias, que nada acrescentariam.

A rã (João Donato e Caetano Veloso): o balanço da música pulsa no piano, acende na batera e pontifica no baixo acústico (Zeca Assumpção). O arranjo de Peranzzetta tem levada sagaz. Novamente o piano sola a melodia, permitindo que se cantarole os versos.

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Até quem sabe (João Donato e Lysias Enio): Donato e seu irmão Lysias Enio compuseram a canção, um clássico da música brasileira. Desde a intro, o piano se mostra irrepreensível, com destaque para a harmonia de Peranzzetta. A reverência paira no ar, mas sem descuidar de criar detalhes que embelezem ainda mais a obra de Donato.

Valsa (João Donato): obra inédita de João Donato, dos anos 1970, quando ele vivia nos Estados Unidos. A flauta toca a intro. Logo a tampa vai fechando devagar, como se não quisesse acabar, querendo prolongar a sensação causada durante toda a audição de um trabalho feito por instrumentistas que sabem o valor de seu ofício para a vida de quem os ouve.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

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Um trabalho para se ouvir com o coração https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-trabalho-para-se-ouvir-com-o-coracao/ Thu, 05 Sep 2024 20:11:25 +0000 https://localhost:8000/?p=46441 Novo álbum de Daniela Neris reúne quinze compositores gaúchos a um só poeta, Alvaro Barcellos; faixas tornam impossível esquecer tragédia que se abateu sobre o RS

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Os Sonhos e os Sons – Daniela Neris interpreta Alvaro Barcellos (clique neste link para ouvir), de produção independente, é o álbum que reúne quinze compositores gaúchos a um só poeta, o também gaúcho Alvaro Barcellos.

A cantora Daniela é afinada e sincera, encaixando-se perfeitamente às melodias dos parceiros de Alvaro. Ela canta luminosamente, amparada que está por arranjos quase minimalistas, em que se destacam, aqui e ali, apenas um piano ou um violino, por exemplo. Segura, ela se entrega aos versos que, mesmo escritos em épocas distintas, têm um fio de força interligando-os à vida. Eis alguns.

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Entre fintas e canções (Pery Souza* e Alvaro Barcellos)

“Éramos nós com o tom e a voz/ Éramos nós a tocar violões/ Éramos nós com tantas ideias/ Éramos nós com os sonhos e os sons (…)”.

Barroco (Renato Machado e AB)

“Pra proteger a aldeia/ Arvoredos e paisagens/ Me disfarço entre as areias/ E o rio em suas imagens (…)”.

Nas Águas Desse Rio (Lyber Bermudez e AB)

“Mergulho assim nesse rio/ De suas águas me alimento/ Conheço as suas paisagens/ Imagens sombras e ventos/ (…) Onde minha voz não se cala (…)”.

Prata Lunar (Raul Ellwanger e AB)                                                                                 

“(…) E em nome de um mundo bem melhor/ No tumulto das gentes/ (…) Eu que em tanta ocasião/ Vivo à margem de tudo (…)”.

Outras Viagens (Pedro Munhoz e AB)

“(…) Nessas andanças e sonhos meus/ Vi muita coisa nas longas viagens/ E vi matanças e danças e guerras/ Caminhos cegos desertos miragens/ Miséria e seca que o horizonte encerra (…)”.

Nas Tramas do Mago (Paulo Timm e AB)                                                                       

“Circulo entre as histórias/ Ambientes personagens/ Revisito os lugares/ Experimento viagens (…)”.

Ruína (Helio Ramirez e AB)

“(…) Tu que andas por aí impunemente/ Tu que para triunfar entras na dança/ Tu que pisas as mulheres e suas flores/ Tu que sempre machucaste a esperança/ (…) É bom que saibas/ Teu mundo há de ruir”.

Após final tão belo, é quase impossível esquecer a tragédia que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, rincão dos músicos aqui citados; muito menos olvidar a resiliência com que os gaúchos vêm enfrentando o luto, reerguendo suas vidas e cantando à sua terra.

*Quando ainda escrevia este texto, eu soube do falecimento do Pery. Muito triste! Descanse em paz. Minha solidariedade aos seus queridos.

Aquiles Rique Reis

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O viajante avoengo https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/o-viajante-avoengo/ Thu, 22 Aug 2024 16:08:16 +0000 https://localhost:8000/?p=46039 Músico Manu Maltez, que é também artista plástico, uniu seus dois talentos para produzir o álbum 'Madrugada Até o Fim', em celebração a seus 25 anos de carreira

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Hoje trago um álbum que me pegou de jeito: Madrugada Até o Fim (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora YB Music, do contrabaixista, compositor, escritor e artista plástico Manu Maltez. Para celebrar seus 25 anos de carreira, ele lançou o trabalho com várias pinturas suas que, como ele diz, “envolvem o período da meia-noite à alvorada”.

Antes de continuar, permitam-me explicar melhor o talento de Manu Maltez para as artes gráficas: Manu é filho de Hélio de Almeida, um artista gráfico e designer importante para o jornalismo brasileiro. Quando de sua morte em 20 de julho deste ano, Hélio, inclusive, foi homenageado por Ruy Castro com um belo texto.

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Voltemos a Madrugada até o fim. Produzido por Caê Rolfsen, o projeto do filho do Hélio é desafiante: obras de arte inspiradas, amei-as todas; assim como amei cada música e me deixei levar por seus caprichos, tamanha a beleza entrevista a cada aurora do meu ouvir.

Antes da minha hora (Manu Maltez): o violão chama, Maltez vem. A cantora Alessandra Leão está com ele. A percussão puxa o cavaquinho e o baixo, tocados por Caê Rolfsen. Suingue puro. A batera de Thomas Harres marca o tempo no prato. Maltez lança a voz garganta afora.

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Com arranjo rítmico de Caê, Qualquer assombração (Manu Maltez) tem o violão de Manu repetindo um desenho. Baixo, synth bass e a percussão de Caê aceleram a parada. A rabeca de Rafa Barreto dá seu som à música. A gloriosa Assucena se ajunta a Maltez e suas vozes alastram a composição por cima do ouvinte, que gagueja: “O qué qué isso?”

Falseador de mentiras, Maltez faz delas verdades críveis.

Madrugada até o fim (Manu Maltez): Tratando-os com paixão fascinante, Maltez toca violão e piano. Caê ajunta o seu piano ao de Maltez, baralha os sons, que, sampleados, somam-se ao cavaquinho – esse Caê é fera! O cello de Yaniel Matos pontua entre a cantoria. Maltez canta os versos como se fossem os donos de seus sonhos e os oferece à madrugada que molda sua arte.

Reptiliana (Manu Maltez e Lourenço Mutarelli): após recitar um texto inicial, Mutarelli se achega a Manu. Produzida por Caê, com arranjo de Maltez e dele, a canção tem a agilidade da viola de 10 cordas do produtor agregada aos seus baixo e piano, realçados por sua percussão. O piano de Thaís Nicodemo é a cereja do bolo que a todos alimenta.

Fabulando (Manu Maltez) se destaca pelo clarinete de Maria Mange Valencia. Envolta em reverber, a voz de Manu brilha – canta bem o cara!

As canções foram feitas por quem não dormia (Manu Maltez): o tambor inicia. O violão aproxima Maltez e sua voz vem sob o sample que instiga o cavaquinho e dá solidez à música. O piano de Thaís Nicodemo amplia o horizonte sonoro.

Ora, Manu Maltez é um poço de múltiplas opções: das mãos vem o tato para o inimaginável; da voz jorram os ais da vida; da alma desabrocham cores incomuns.

Já a madrugada, que encobre o sol e oferta estrelas ao mundo, ele leva nas costas.

Aquiles Rique Reis

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Música brasileira de qualidade: veja dica de Aquiles Reis

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Em nome do Pai https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/em-nome-do-pai/ Thu, 15 Aug 2024 18:23:45 +0000 https://localhost:8000/?p=45890 Na semana em que se comemorou o Dia dos Pais, faço uma avaliação do novo álbum de Carol Saboya, em que a artista recria músicas compostas pelo pai

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Na semana em que se comemorou o Dia dos Pais, escolhi tratar de Outro Tom — Canções de Antonio Adolfo (AAM), o décimo quarto álbum de Carol Saboya. O carinho da filha Carol Saboya por seu pai, Antonio Adolfo, brota da garganta da cantora carioca e proporciona momentos de arrebatamento ao ouvinte.

O repertório é uma sutura de instantes vivenciados com o pai nos palcos e nos estúdios de gravação. Assim, cada música representa um momento que foi escolhido após ressurgir de profundas recordações.

Pianista que é, Carol foi ao instrumento e recriou, ao seu jeito, dez músicas compostas por Antonio entre os anos 1972 e 1980. Obras para as quais seu pai também escreveu as letras, à exceção de uma, Alegria de carnaval, parceria com o saudoso Tibério Gaspar.

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E já que citei Alegria de carnaval, vamos a ela, que fecha o álbum. Graças à tecnologia, Carol resgatou a gravação desta música, realizada em 1979, que tinha Antonio no piano Fender Rhodes, Binho no trompete, Zé Carlos Bigorna no sax e Serginho Trombone no… trombone, aos quais agora se ajuntaram a guitarra de Gabriel Quinto, o baixo de Guto Wirtti (também produtor musical e arranjador do disco) e a batera de Renato Máximo. Já o vocal, que originalmente estava com o grupo Viva Voz, agora está com Amanda e Joana, filhas de Carol. As duas, mais Carol, tão suaves, entregam-se de corpo e alma ao fervor do frevo.

Outro tom: Carol inicia arritmo. O Fender de Antonio se esmera em protegê-la. O baixo de Wirtti e a batera de Massa encaminham a levada suave, que ainda conta com a pandeirola de André Siqueira. Logo o violão assume os compassos em fino improviso. A voz de Carol leva o canto com doçura infinita. Um coro dá seu ar da graça ao arranjo.

Carola / Acalanto: Carol escolheu duas composições instrumentais feitas por Antonio em louvor a ela, que estalam feito beijos de amor paterno. E Carol trata de nos emocionar com seu canto enternecido, graças aos 60 anos de carreira do pai e, também, aos seus próprios 25 anos de ofício. Arritmo, o Fender de Antonio acompanha os vocalises de Carol. Logo vêm as palavras escritas pelo pai, amorosas que só elas, às quais Carol retribui com o cantar que desde criança traz no coração já adulto. Wirtti dedilha notas no teclado. Ela dobra a voz em vocalises, para exclamar, logo que conclui o canto: “Está lindo, pai, vamos ouvir?” É verdade, Carol, está mesmo!

Aonde você vai: Carol canta com participação de Renato Teixeira (ele que vem compondo parcerias com Antonio). Wirtti toca baixo, pandeiro, zabumba e violão de 12 cordas; Gabriel Quinto, violão, e André Siqueira, percussão. O suingue encandece a riqueza da música. A percussão de Siqueira, somada à de Wirtti, dá ao arranjo o resfolego que se amplia com o recurso do reverber. O astral vai lá em cima!

Cantando em nome do pai, Carol Saboya foi além: doou-lhe abraços e beijos musicais e sonoros. Tocantes!

Aquiles Rique Reis

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Clique e ouça as faixas:

  1. Alegria de carnaval
  2. Outro tom
  3. Carola / Acalanto
  4. Aonde você vai

Imperdível: Aquiles fala sobre música brasileira, tempos modernos e revolução:

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Aquiles Reis, vocalista do MPB4, estreia como colunista do site do MyNews https://canalmynews.com.br/colunistas/aquiles-reis-vocalista-do-mpb4-estreia-como-colunista-do-site-do-mynews/ Thu, 08 Aug 2024 18:39:54 +0000 https://localhost:8000/?p=45733 A partir desta quinta-feira (8), leitores poderão acessar em primeira mão as melhores dicas e resenhas sobre música brasileira independente

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O músico Aquiles Reis, vocalista do MPB4, grupo vocal mais longevo da música popular brasileira, agora faz parte do time de colunistas do MyNews. A partir desta quinta-feira (8), os leitores poderão acessar em primeira mão as melhores dicas e resenhas sobre música brasileira independente — aquelas que, apesar da excelente qualidade, não costumam ter muito espaço nas rádios, e muito menos na TV.

Em entrevista a Mara Luquet, Aquiles afirma que o objetivo da coluna é mostrar que a música brasileira não parou nos anos 1960, embora os nomes mais consolidados sejam artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. A coluna já existe há quase 18 anos e é publicada em diversos veículos, desde jornais impressos até sites de notícias, mas agora será divulgada com exclusividade por aqui.

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“As pessoas me encontram na rua e dizem: ‘Poxa, o que acontece com a música brasileira? Parece que paramos lá atrás, nos anos 1960.’ E não é verdade”, diz Aquiles. “Há muitas pessoas talentosas, tanto novas quanto da jovem guarda, mas elas não têm onde aparecer. As rádios não tocam esse tipo de coisa. O streaming é o que está restando para essa galera.”

Na entrevista abaixo, Aquiles comenta sua coluna e discorre sobre diversos assuntos, desde curiosidades e histórias do MPB4 e batalhas que o grupo enfrentou até o lugar que ocupa hoje a música popular brasileira com a modernização das novas gerações. Assista:

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