Arquivos BRICS - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/brics/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Thu, 02 Jan 2025 14:13:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Brics têm mais de 40% da população global e 37% do PIB mundial https://canalmynews.com.br/noticias/brics-tem-mais-de-40-da-populacao-global-e-37-do-pib-mundial/ Thu, 02 Jan 2025 14:15:25 +0000 https://localhost:8000/?p=49710 De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), os nove países membros do grupo e a Arábia Saudita detêm 26% do comércio internacional

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Os nove países que já integram formalmente o Brics, além da Arábia Saudita, concentram mais de 40% da população global, com tendência de crescimento acima da média do planeta na próxima década. Além disso, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, o grupo responde por 37% da economia mundial, segundo o critério Produto Interno Bruto (PIB) por poder de compra.

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Criado em 2009, o Brics originalmente reunia, além do Brasil, China, Índia e Rússia. A África do Sul foi o quinto país a ingressar, em 2011, e, no ano passado, mais cinco países aderiram ao bloco: Irã, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Arábia Saudita. Ainda em processo de confirmação, a Arábia Saudita tem participado das reuniões do grupo, segundo o Itamaraty.

Tamanho do Brics

Os nove países que já integram oficialmente o Brics, além da Arábia Saudita, atualmente concentram mais de 40% da população global, com tendência de crescimento acima da média do planeta na próxima década. Além disso, respondem por 37% da economia mundial, segundo o critério Produto Interno Bruto (PIB) por poder de compra, de acordo com o Fórum Econômico Mundial.

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Esses países detêm 26% do comércio mundial, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC). E, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o grupo concentra 44% das reservas de petróleo e 53% das reservas de gás natural do planeta. Não apenas isso, hoje produzem 43% do óleo e 35% do gás do mundo.

Setenta e dois por cento das reservas mundiais de terras raras estão nesses dez territórios, assim como 70% da produção global de carvão mineral. Rússia e Brasil detêm as maiores reservas de água doce do planeta.

Em termos militares, o grupo possui pelo menos três potências nucleares (Rússia, China e Índia).

“O Brics de fato tem o peso econômico e militar acentuado, que cada vez mais vem demandando um peso político que seja à altura dos recursos que detêm”, afirma a diretora do Brics Policy Center e professora do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Marta Fernández.

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O termo Bric, um acrônimo para os membros originais, foi criado pelo economista Jim O’Neill, em 2001, para se referir ao grupo de países que apontavam como promissores mercados emergentes no início do milênio. Em entrevistas posteriores, O’Neill disse que nunca pensou no Brics como um grupo político.

Em 2006, no entanto, os quatro membros originais se reuniriam pela primeira vez às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas. A crise financeira mundial de 2008 daria um motivo para que o grupo decidisse se reunir anualmente para buscar uma alteração do sistema de governança global.

Influência mundial

“Na sua origem, ficou muito claro que era uma organização informal, mas que tinha uma agenda reformista da ordem internacional. O Brics surge no contexto de uma crise dos países do Ocidente, com a crise financeira de 2008. Desde a primeira cúpula, está nas declarações a demanda por reforma da ONU, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial”, explica o professor do Núcleo de Estudos dos Países Brics da Universidade Federal Fluminense (UFF), Evandro Carvalho.

Nesse contexto de crise econômica, surgido em um modelo econômico e político liderado pelos países ocidentais (Estados Unidos e União Europeia), os Brics passam a demandar mais influência nos destinos do mundo.

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“Esses países entendiam que eles tinham peso subdimensionado na governança internacional seja na presença nas organizações internacionais, seja na definição dos rumos para a economia internacional”, ressalta o diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Dallari.

Na esteira das críticas à gestão dos grandes bancos internacionais, os Brics criaram, em 2014, sua própria instituição financeira, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), que apoia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento. “Ao criar uma organização internacional, o Brics mostrou sua capacidade de realização numa frente importantíssima”, diz Carvalho.

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Além disso, como uma forma de reduzir a dependência em relação ao dólar, a moeda dos Estados Unidos, nas negociações comerciais internacionais, o Brics defende o uso de moedas locais no comércio entre seus integrantes.

“O Brics está, de alguma forma, gerando preocupações nos Estados Unidos, em relação à manutenção do dólar como moeda de referência, hegemônica. Não que o Brics tenha qualquer pretensão de substituir o dólar. A ideia é que o Brics quer ter o direito de comercializar em diferentes moedas. Isso tem a ver com a construção de um mundo multipolar, onde há vários centros de poder”, explica Marta.

Limitações

Segundo Dallari, fora da discussão da reforma da governança global, há pouca convergência entre os países do grupo, uma vez que têm interesses comerciais e valores ideológicos muito diferentes.

Comissão Nacional da Verdade (CNV) realiza diligência no Hospital Central do Exército (HCE), local da morte de Raul Amaro Nin Ferreira. Na foto, Pedro Dallari, presidente da CNV (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, Pedro Dallari. Foto -Tomaz Silva/Agência Brasil

“O Brics é um foro de concertação de posições. O Brics cumpre muito mais no sentido de um arranjo para um interesse geopolítico e de fortalecimento do multilateralismo do que propriamente pelos resultados efetivos que venha a ter como um bloco ‘econômico’”.

Além disso, Dallari diz que também há divergências em relação a grandes temas globais, como as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, o aquecimento global ou mesmo na contenção de pandemias, como a de covid-19.

“De maneira nenhuma, o Brics pode ser visto como um bloco capaz de atuar de maneira coesa nos grandes temas do nosso tempo, até porque, em muitos desses temas, esses países se contrapõem, são antagonistas”, destaca o professor da USP. “Fora esse desejo mais abstrato de reforma do multilateralismo, eu vejo muito pouca efetividade hoje na ação do Brics”.

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Evandro Carvalho acrescenta que, no comércio internacional, por exemplo, alguns são inclusive competidores em algumas áreas. Ele destaca também que mesmo sendo apenas um grupo informal, o Brics carece de uma estrutura institucional mínima, como uma secretaria executiva, que pudesse dar mais transparência e concentrasse as iniciativas do grupo.

“Se você quer procurar informações sobre uma iniciativa qualquer do Brics, não há sequer um website que concentre isso. Você só vai encontrar nos sites das cúpulas do ano passado, do ano anterior. Não tem um website do Brics que contenha informações, e-mails, como acessar as informações, a quem a gente recorre se quisermos alguma informação para uma pesquisa, para uma entrevista”.

Apesar das limitações do grupo informal, Marta Fernández acredita que o Brics tenha uma força “material, em termos recursos, de população, de minerais críticos, de produção de petróleo, mas cada vez mais também tem uma força muito simbólica, porque, de alguma forma, vem representando uma alternativa à forma de organizar o mundo, de organizar governança global, muito a partir da ideia do sul global”.

“O Brics se tornou quase como um porta-voz ou a maior voz para o sul global, dentro dessa função de reorganização da ordem global”, complementa Carvalho.

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Assista abaixo ao Segunda Chamada de quarta-feira (1º):

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Brasil assume presidência do Brics com foco em temas globais urgentes https://canalmynews.com.br/brasil/brasil-assume-presidencia-do-brics-com-foco-em-mudancas-climaticas-e-inteligencia-artificial/ Wed, 25 Dec 2024 16:59:39 +0000 https://localhost:8000/?p=49581 A partir de 1º de janeiro de 2025, país sul-americano assumirá a liderança do grupo pela quarta vez e será o anfitrião do próximo encontro de membros

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A partir de 1º de janeiro, o Brasil assumirá a presidência do Brics pela quarta vez e será o anfitrião da próxima cúpula do grupo. Com a liderança, o país busca impulsionar debates sobre temas globais urgentes, como mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e governança da inteligência artificial.

O embaixador Eduardo Saboia, negociador-chefe do Brics para 2025, destaca a relevância do bloco no cenário internacional. Juntos, os países membros representam mais de 40% da população mundial e 37% do PIB global ajustado por poder de compra. “Se queremos construir um mundo sustentável, o Brics precisa estar no centro dessa construção. O entendimento entre esses países facilita avanços globais mais amplos”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

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Entre os desafios que serão colocados na mesa de negociações, a questão climática ganha destaque, especialmente porque o Brasil sediará, no mesmo ano, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30), em Belém. Segundo Saboia, o papel do Brics será fundamental, dado que os países membros têm grande influência no setor energético, principal fonte de emissões de gases de efeito estufa.

Outro tema central será a governança da inteligência artificial. Para o embaixador, a ausência de uma estrutura regulatória global para essa tecnologia disruptiva representa um desafio que pode ser abordado sob a liderança brasileira. “Há uma discussão em andamento sobre a governança da IA, e o Brics pode avançar na formulação de uma visão conjunta para orientar seu uso de forma responsável”, disse.

Expansão e novos rumos

Desde a sua criação em 2009, o Brics tem ampliado sua representatividade. Além dos membros fundadores — Brasil, Rússia, Índia e China —, o bloco incorporou a África do Sul em 2011. Mais recentemente, durante a cúpula de 2023, na África do Sul, novos países foram convidados: Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, que passam a integrar o grupo em 2024.

O embaixador Saboia explicou que a ampliação do Brics reflete seu sucesso como plataforma de diálogo entre economias emergentes. “O bloco desperta grande interesse e reforça a representatividade do sul global. Essa expansão está alinhada com a defesa brasileira de uma governança global mais inclusiva, incluindo reformas no Conselho de Segurança da ONU”, observou.

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Além disso, foi criada uma nova modalidade de associação: o status de “países associados”. Cuba, Indonésia, Nigéria e outras nações foram convidadas a participar de reuniões ministeriais e eventos do bloco, como parte de um esforço para integrar mais países ao debate global.

Com a presidência brasileira, o foco será garantir uma transição harmoniosa para os novos membros e fortalecer o papel do Brics como plataforma estabilizadora no cenário internacional. “Queremos que esses países se sintam acolhidos e engajados. A integração deles será crucial para o sucesso das iniciativas do grupo nos próximos anos”, concluiu Saboia.

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Assista abaixo ao Segunda Chamada de

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Entenda como as ameaças de Trump contra o Brics podem ser um tiro no pé https://canalmynews.com.br/noticias/entenda-como-as-ameacas-de-trump-contra-o-brics-pode-ser-um-tiro-no-pe/ Tue, 03 Dec 2024 20:51:27 +0000 https://localhost:8000/?p=49068 Presidente eleito dos EUA prometeu taxar produtos do bloco em 100% caso criem uma moeda para substituir o dólar nas transações entre os países membros

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O presidente eleito dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou no último sábado (30) que deve impor tarifa de 100% sobre os produtos importados dos países do Brics caso o bloco crie uma nova moeda ou invista em uma moeda já existente para substituir o dólar norte-americano.

“Exigimos que esses países se comprometam a não criar uma nova moeda do Brics, nem a apoiar qualquer outra moeda [..], caso contrário, eles sofrerão 100% de tarifas e deverão dizer adeus às vendas para a maravilhosa economia norte-americana”, declarou Trump em sua rede social, Truth Social.

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O desenvolvimento de um mecanismo de compensação das transações em moedas locais foi debatido durante a cúpula do grupo deste ano em Kazan, na Rússia, e é uma das prioridades do Brasil, que assume a presidência do bloco a partir de 2025.

Limites e possíveis consequências da estratégia de Trump

As declarações de Trump antes do retorno à Casa Branca reforçam as propostas protecionistas que o Republicano defendeu durante a campanha eleitoral. Também marca uma mudança política em relação ao primeiro mandato, quando o empresário adotou medidas para enfraquecer o dólar e impulsionar as exportações dos EUA.

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No entanto, as ameaças ao Brics pode prejudicar os laços com as economias emergentes e de rápido crescimento, que também são alguns dos principais parceiros comerciais do EUA, podendo desencadear retaliações.

Por outro lado, o aumento das tarifas sobre os produtos importados poderia aumentar a inflação a nível local e global, desacelerando o crescimento econômico.

O poder do dólar norte-americano

O dólar norte-americano é a moeda padrão circulante no merco internacional, usada principalmente na comercialização e negociação de commodities – como soja, petróleo e café -, além de ser considerada uma espécie de porto seguro dos investidores devido a sua estabilidade. Em entrevista à Agência Brasil, o professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Gilberto Maringoni, destacou que que Trump se preocupa com a principal arma dos EUA para a dominação geopolítica que exerce no mundo.

“A perda do poder do dólar implica uma perda do poder dos Estados Unidos, do poder imperial sobre o mundo. Se a gente pensar que os Estados Unidos são uma potência militar, financeira e política que impõe o seu modo de vida através do cinema, da TV e de bens de consumo, a gente tem que perceber que o centro disso é a hegemonia que o país tem sobre a moeda padrão circulante no mundo inteiro, que é o dólar”, explicou. “Isso dá um poder imenso ao país porque ele pode fixar taxas de juros que serão as taxas de juros base das economias mundiais. Quando o FED [Banco Central dos EUA] mexe nas taxas de juros, isso impacta as taxas de juros no Brasil e outros países da periferia.”

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De forma imediata, as ameaças do presidente eleito nas redes sociais resultaram em um fortalecimento do dólar nos mercados financeiros na segunda-feira (2) e um enfraquecimento do ouro, bem com do yuan chinês, da rúpia indiana e o rand sul-africano.

O Brics e a ideia de uma moeda conjunta

O Brics é um bloco que reúne economias emergentes originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China em 2006. Alguns anos depois, em 2009, a África do Sul passou a integrar o grupo, completando o acrônimo que hoje identifica o bloco. Em 2024, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Irã ingressaram formalmente como membros plenos.

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Há mais de uma década, o Brics discute regularmente o plano de criar uma moeda conjunto para facilitar, principalmente, suas transações internas. No entanto, a proposta progrediu pouco.

Em outubro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que os esforços para a criação de meios de pagamento alternativos ao dólar avançassem. Mas, na segunda-feira (2), o governo sul-africano afirmou que não há planos de criar uma moeda própria do bloco, pois a discussão entre se concentram, na verdade, em ajudar o comércio interno do Brics usando as moedas nacionais dos países membros.

Assista abaixo ao Segunda Chamada de segunda-feira (2):

*Sob supervisão de Sofia Pilagallo

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Brasil critica omissão de países frente à ‘atrocidade’ na Faixa de Gaza https://canalmynews.com.br/noticias/brasil-critica-omissao-de-paises-frente-a-atrocidade-na-faixa-de-gaza/ Thu, 24 Oct 2024 20:58:05 +0000 https://localhost:8000/?p=47930 Em discurso na cúpula dos Brics, ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, condenou a omissão e elogiou países do Sul Global que tentam mediar o conflito

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Em discurso nesta quinta-feira (24) na cúpula do Brics, ampliada com 36 países, em Kazan, na Rússia, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, criticou a omissão de países em relação à situação da Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, elogiou a posição de países do Sul Global que tentam mediar o conflito no Oriente Médio.

“Foram os países do Sul Global que votaram a favor da resolução da Assembleia Geral da ONU que pede a cessação das hostilidades. Enquanto isso, o papel desempenhado por outros países tem sido, no mínimo, decepcionante, para não dizer conivente. Os que se arrogam defensores dos direitos humanos fecham os olhos diante da maior atrocidade da história recente”, afirmou o chanceler brasileiro.

O Sul Global é o termo usado para se referir aos países pobres ou emergentes que, em sua maioria, estão no Hemisfério Sul do planeta.

Vieira afirmou que a situação de Gaza, considerada por Brasil e outros países como um genocídio contra o povo palestino, acabou com a autoridade do Conselho de Segurança da ONU e com a integridade do direito humanitário internacional.

O chefe da diplomacia brasileira acrescentou que não haverá paz sem um Estado palestino independente, solução que vem sendo rejeitada pelo governo de Israel. “A decisão sobre sua existência foi tomada há 75 anos pelas Nações Unidas. Mas a mesma ONU que criou o Estado de Israel hoje se vê de mãos atadas”, acrescentou.

Vieira ponderou que “não há justificativa para os atos terroristas como os praticados pelos Hamas”, mas acrescentou que a resposta desproporcional de Israel “tornou-se punição coletiva ao povo palestino”.

“Já foram lançados sobre Gaza mais explosivos do que os que atingiram Dresden, Hamburgo e Londres na Segunda Guerra Mundial”, disse.

O chanceler brasileiro também destacou a importância do Brics. “Por trás dessas cinco letras, há uma realidade palpável construída ao longo de décadas de esforços por um mundo mais equânime. O Brics deve muito ao G77 e ao Movimento Não-Alinhado. Somos herdeiros dos que lutaram por uma Nova Ordem Econômica Internacional”, destacou.

Cuba

O chanceler brasileiro também fez duras críticas ao embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba, que já dura mais de seis décadas. Segundo Vieira, o Brasil é contrário às sanções unilaterais por princípio porque violam o direito internacional e causam danos às populações dos países afetados.

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“O caso de Cuba é emblemático da irracionalidade dessas medidas, que há mais de seis décadas afetam o desenvolvimento econômico do país e, nos tempos recentes, contribuem para agravar a situação energética, alimentar e de saúde do país caribenho. Renovamos nossa solidariedade com o povo cubano e fazemos um apelo para que sejam imediatamente flexibilizadas essas medidas”, afirmou.

Ucrânia

O chefe da delegação brasileira na 16ª Cúpula do Brics ainda comentou sobre a guerra na Ucrânia destacando a iniciativa do Brasil e da China de criar o grupo Amigos da Paz para tentar resolver o conflito que também envolve a Rússia, que preside o Brics neste 2024.

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“Formamos um clube da paz para fomentar o diálogo e buscar uma solução duradoura. Essa solução duradoura só virá com o respeito ao direito internacional, incluindo os propósitos e princípios consagrados na Carta da ONU, e o papel central das Nações Unidas no sistema internacional”, disse.

Reforma da ONU

Outro destaque do discurso do brasileiro na cúpula do Brics foi a necessidade de reforma das Nações Unidas, que é uma das principais demandas do bloco. O ministro Mauro Vieira afirmou que o país avalia apresentar uma convocação para revistar a carta da ONU, com base no artigo 109.

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O artigo autoriza a convocação de uma Conferência Geral da ONU para rever as regras da organização desde que seja aprovada pelo voto de dois terços dos membros da Assembleia Geral e de nove membros do Conselho de Segurança. Porém, para ser ratificada, mudanças na carta da ONU precisam ser aprovadas por todos os membros permanentes do Conselho de Segurança.

Assista abaixo ao Segunda Chamada sobre o conflito no Oriente Médio:

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Lula e Putin lamentam cancelamento da viagem do brasileiro à Rússia https://canalmynews.com.br/brasil/lula-e-putin-lamentam-cancelamento-da-viagem-do-brasileiro-a-russia/ Tue, 22 Oct 2024 19:37:53 +0000 https://localhost:8000/?p=47818 Cúpula dos Brics começa nesta terça-feira; após queda de Lula na residência oficial, Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou, na manhã desta terça-feira (22), com o presidente russo Vladimir Putin. Em telefonema, os dois lamentaram o cancelamento da viagem de Lula a Kazan, na Rússia, para participar da Cúpula de Líderes do Brics, bloco de países emergentes do qual o Brasil faz parte.

De acordo com nota da Presidência da República, serão feitos os arranjos para que Lula participe da reunião por videoconferência. A cúpula começa hoje e vai até quinta-feira (24) e o Brasil será representado pelo ministro da Relações Exteriores, Mauro Viera.

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“O presidente Putin quis saber do estado de saúde do presidente e lamentou que ele não pode vir à Cúpula dos Brics, e o presidente Lula também, devido ao acidente sofrido no sábado”, diz a nota.

No último sábado (19), Lula sofreu uma queda no banheiro da residência oficial, no Palácio da Alvorada, bateu a cabeça e precisou levar cinco pontos na região da nuca. A equipe médica recomendou, por precaução, evitar viagens de longa distância, como a da Rússia.

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Hoje, o presidente será submetido a novos exames para, então, definir a agenda dos próximos dias, inclusive de viagens.

No retorno da Rússia, estava prevista a participação do presidente em atos de campanha no estado de São Paulo, por ocasião do segundo turno das eleições municipais, no domingo (27), além do voto em São Bernardo do Campo, domicílio eleitoral de Lula.

O presidente tem também uma viagem marcada para Cali, na Colômbia, onde ocorre a conferência das Nações Unidas sobre biodiversidade até o próximo dia 1° de novembro.

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‘Primeiro passo’, diz Kotscho sobre indício de que Lula deve vetar Venezuela nos Brics https://canalmynews.com.br/politica/primeiro-passo-diz-kotscho-sobre-indicio-de-que-lula-deve-vetar-venezuela-nos-brics/ Mon, 21 Oct 2024 20:58:30 +0000 https://localhost:8000/?p=47769 Presidente sinalizou que deve se posicionar contra o ingresso do país sul-americano no bloco, formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul

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O jornalista Ricardo Kotscho, comentarista do MyNews, elogiou a postura do Brasil com relação à entrada da Venezuela nos Brics, durante o programa Pergunte ao Kotscho desta semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou que deve se posicionar contra o ingresso do país sul-americano no bloco, formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.

Após sofrer uma queda na residência oficial da Presidência, em Brasília, Lula não pôde comparecer pessoalmente à cúpula do Brics, em Moscou, mas teve uma conversa com seu time de articulação internacional, chefiado pelo chanceler Mauro Vieira, que deve representá-lo na reunião. A Venezuela, governada por Nicolás Maduro, descumpriu acordos internacionais que o próprio presidente assinou, ao se comprometer a disputar eleições limpas e auditáveis, o que não se concretizou.

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“Eu acho que este é o primeiro passo para mudar um pouco essa política interna”, afirmou Kotscho, acrescentando que um internauta do MyNews tinha “toda razão” ao questioná-lo se Lula não deveria adotar uma postura mais contundente contra o governo de Maduro. “É um absurdo o Brasil não dar nome aos bois. O Maduro é um ditador, comanda uma ditadura e não tem como fugir disso.”

Em entrevista em meados de agosto, cerca de duas semanas depois da eleição na Venezuela, Lula afirmou, em entrevista à Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, que a Venezuela vive um “regime desagradável” sob a administração de Maduro, mas disse que o país vizinho não é uma ditadura. Ao mesmo tempo, não reconheceu o pleito realizado em 28 de julho, em que o presidente venezuelano se declarou eleito sem apresentar as atas eleitorais.

A pesquisa AltaVista, uma contagem independente de votos da eleição na Venezuela, à qual o MyNews teve acesso, aponta a vitória de Edmundo González sobre Maduro por 66,2% a 31,2%. Esta foi uma das quatro contagens independentes que a líder da oposição María Corina Machado declarou ter recebido para contestar o resultado anunciado pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral). Segundo o órgão, o presidente obteve 51,2% dos votos, contra 44,2% de seu opositor.

Pergunte ao Kotscho: 2º turno, Musk na campanha de Trump e fim do inquérito da tentativa de golpe:

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Uso de moedas locais vai agilizar comércio e reduzir custos no Brics, afirma ministro https://canalmynews.com.br/economia/uso-de-moedas-locais-vai-agilizar-comercio-e-reduzir-custos-no-brics-afirma-ministro/ Wed, 06 Sep 2023 20:00:35 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=39411 Declaração é de Mauro Vieira, no programa Bom Dia, Ministro

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O uso de moedas locais para as relações comerciais entre países integrantes do Brics vai agilizar o comércio e reduzir custos internacionais. A afirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante o Programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Após a participação no programa, Mauro Vieira disse que, havendo responsabilidade dos países com relação a suas contas nacionais, o uso de moedas locais nas relações comerciais, também, vai ajudar no fortalecimento de suas moedas. “Mas, claro, isso dependerá das contas nacionais e do volume de comércio”, explicou.

A fim de viabilizar o uso de moedas locais nas relações comerciais entre países do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), foi determinado aos ministros da economia que “estudem mecanismos que possam levar à liquidação do comércio bilateral em suas moedas nacionais”.

Dessa forma, o Brasil, em suas operações internacionais de comércio, poderá pagar em Reais. E, do outro lado, quando exportam, os outros países poderão receber em moedas nacionais. “Isso é um passo importantíssimo porque agiliza o comércio e, sobretudo, reduz os custos internacionais de pagamentos de transferência”.

Ele lembrou que a busca por uso de moedas locais para esse tipo de comércio já havia sido tentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante outros mandatos presidenciais.

“Isso não é uma novidade. Nos dois primeiros mandatos, o presidente lula também perseguiu o mesmo objetivo, e o primeiro acordo foi assinado por volta de 2005 com a Argentina. Esse acordo possibilita que o pagamento do comércio bilateral seja feito nas nossas moedas locais. Ele continua com esse objetivo, promovendo-o agora no Brics”, disse o ministro.

Ele reiterou que não se trata da criação de uma nova moeda. “Não é isso. É fazer a liquidação do comércio, eliminando custos de transferências internacionais, custos bancários. É, sem dúvida nenhuma, uma iniciativa muito importante que vai agilizar e baratear o comércio”, acrescentou ao esclarecer que a “triangulação de moedas” representa mais custos para os países.

Guerra
Durante o Bom Dia, Ministro, o chanceler brasileiro reiterou a posição brasileira, na busca pela solução no conflito entre Rússia e Ucrânia, no leste Europeu.

“O Brasil é um dos poucos países que têm relações diplomáticas com todos os outros demais membros das Nações Unidas. Nessa condição, nós falamos com a Rússia e falamos com a Ucrânia. Isso é indispensável. A diplomacia é a arte de negociar. É arte de conversar, e o presidente Lula vem fazendo um apelo para que se fale mais de paz e menos de guerra”, disse Mauro Vieira.

O ministro acrescentou que a posição brasileira sempre foi contrária à guerra. Lula, lembrou o ministro, manifestava essa posição desde quando era ainda candidato. “Ele tem sempre feito um apelo, chamando atenção de que é impossível continuar falando apenas de guerra e vendo toda a destruição que acontece”, disse Mauro Vieira ao negar que o Brasil tenha algum lado de sua preferência neste conflito.

“O Brasil não está tomando um lado. Ao contrário. Nós condenamos a invasão da Rússia à Ucrânia, inclusive em foros multinacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU). Queremos seguir, agora no G20, um caminho que leve à paz. Há países que sequer conversam com a Rússia e há países que têm a atitude parecida com a brasileira”, acrescentou ao observar que o G20, grupo que abrange as 20 maiores economias do planeta, é o local ideal para esse tipo de debate.

Embaixadas no Continente africano
Ao deixar os estúdios da EBC, Mauro Vieira disse que o governo brasileiro está preparando estudos para definir os países onde instalará embaixadas e consulados no Continente africano – promessa já feita pelo presidente Lula.

Na visita que fez à Angola, o presidente Lula anunciou que abrirá um consulado geral naquele país, onde vivem cerca de 30 mil brasileiros.

“São estudos que estamos fazendo já há algum tempo. [Além do consulado na Angola,] estamos estudando [a possibilidade de] reabrir embaixadas que foram fechadas e abrir em outros países do continente africano. São 54 países [naquele continente], e nós temos embaixadas em apenas 34. Precisamos ter mais, pela nossa identidade política, cultural e social com a África”, explicou.

Perguntado sobre quais seriam as primeiras localidades a receberem embaixadas e consulados, Mauro Vieira disse que isso será definido a partir desses estudos. Ele, no entanto, adiantou que essa definição buscará “um equilíbrio da representação nas diferentes regiões da África”.

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Lula destaca viés social do Banco do Brics em posse de Dilma Rousseff e critica FMI https://canalmynews.com.br/politica/lula-destaca-vies-social-do-banco-do-brics-em-posse-de-dilma-rousseff/ Thu, 13 Apr 2023 15:26:38 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=37026 Nova presidenta do NDB pediu prosperidade comum a todos os países

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Na posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB na sigla em inglês), em Xangai, na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao modelo tradicional de financiamento de instituições financeiras internacionais. O NDB, também conhecido como Banco do Brics (bloco econômico composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), não tem a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou instituições financeiras de países de fora do grupo. Fato destacado por Lula.

“Pela primeira vez, um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido sem a participação de países desenvolvidos em sua fase inicial. Livre, portanto, das amarras e condicionalidades impostas pelas instituições tradicionais às economias emergentes. E mais, com a possibilidade de financiamento de projetos em moeda local”.

Lula continuou exaltando o papel do banco como um instrumento de combate à desigualdade. Para ele, o NDB deve atender os mais afetados por questões climáticas e econômicas, ajudando-os em uma recuperação. “A mudança do clima, a pandemia e os conflitos armados impactam negativamente as populações mais vulneráveis. Muitos países em desenvolvimento acumulam dívidas impagáveis. É nesse contexto que a criação do NDB se impõe”.

Em uma solenidade recheada de deputados e ministros brasileiros, integrantes da comitiva de Lula nesta viagem à China, o presidente brasileiro não poupou críticas ao FMI, a quem acusou de “asfixiar” a Argentina. Para ele, os bancos devem ter “paciência” e ter em mente a palavra tolerância ao renovar seus acordos de financiamento.

“Nenhum governante pode trabalhar com uma faca na garganta porque está devendo”, disse. “Não cabe a um banco ficar asfixiando as economias dos países como está fazendo com a Argentina o Fundo Monetário Internacional”, completou.

Por fim, Lula fez um aceno à comunidade internacional. Em um tom mais abrangente, pediu mais generosidade para as pessoas. “Não podemos ter uma sociedade sem solidariedade, sem sentimento. Temos que voltar a ser generosos. Vamos ter que aprender a estender a mão outra vez. Nós precisamos derrotar o individualismo que está tomando conta da humanidade”.

Dilma
Em seu discurso de posse, Dilma Rousseff também defendeu o viés social do banco e assumiu o compromisso do NDB com a proteção ambiental, infraestrutura social e digital. Sinalizando em toda sua fala o apoio às comunidades mais pobres e a necessidade de ajudá-las a garantir moradia e condições mais dignas, a ex-presidenta da República pediu “prosperidade comum” a todos.

“Assumir à presidência do NDB é uma oportunidade de fazer mais para os países dos Brics, mas também para os países emergentes e os países em desenvolvimento”, disse. “Estou confiante de que juntos podemos realizar nossa visão de desenvolvimento. Queremos que a prosperidade seja comum a todos os países”, acrescentou.

Desafios
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a futura presidenta do Banco do Brics terá oportunidade de ampliar a inserção internacional na instituição, mas enfrentará dois grandes desafios: impulsionar projetos ligados ao meio ambiente e driblar o impacto geopolítico das retaliações ocidentais à Rússia, um dos sócios-fundadores.

Criado em dezembro de 2014 para ampliar o financiamento para projetos de infraestrutura e de projetos de desenvolvimento sustentável no Brics e em outras economias emergentes, o NDB atualmente tem cerca de US$ 32 bilhões em projetos aprovados. Desse total, cerca de US$ 4 bilhões estão investidos no Brasil, principalmente em projetos de rodovias e portos.

Em 2021, o Banco do Brics teve a adesão dos seguintes países: Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos e Uruguai.

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O lado econômico da viagem de Bolsonaro à Rússia https://canalmynews.com.br/economia/o-lado-economico-da-viagem-de-bolsonaro-a-russia/ Wed, 16 Feb 2022 23:14:41 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=24081 Após reunião, presidentes do Brasil e da Rússia fazem menções à relação comercial entre as duas nações. Especialista explica como a importação de fertilizantes russos é fundamental para a economia brasileira.

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Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Rússia, Vladimir Putin, fizeram discursos com foco na economia após realizarem uma reunião de cerca de duas horas em Moscou nesta quarta-feira (16). Não houve abertura para perguntas da imprensa e nenhum dos mandatários citaram a crise na fronteira ucraniana.

Putin começou seu discurso agradecendo a visita brasileira, aproveitando a oportunidade, inclusive, para enviar condolências em referência à tragédia provocada pelas chuvas na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

No discorrer da fala, o russo afirmou que “Brasil e Rússia têm amizade e entendimento, além de laços humanitários e econômicos, e cooperamos nas áreas internacionais nos maiores fóruns, como a ONU e o BRICS. Manifestamos a vontade de aprofundar a ligação econômica dos dois países, […] pois o Brasil é o maior parceiro da Rússia na América do Sul e Caribe”.

O presidente russo ressaltou, ainda, a reativação da comissão empresarial Rússia-Brasil, abordando os investimentos, correntes e futuros, das empresas russas no país em diversas áreas, sobretudo nos setores tecnológicos, aeroespacial e de energia nuclear. Putin enfatizou que busca mais cooperação com o Brasil no âmbito do agrupamento denominado BRICS (composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que desempenha um papel importante na economia mundial.

bolsonaro na rússia

Presidente da República Jair Bolsonaro (PL) durante declaração à Imprensa.
Foto: Alan Santos (PR)

Já Bolsonaro agradeceu a Putin pelo convite e reiterou a pauta de costume e valores: “Conversamos por quase duas horas, uma agenda bastante profícua e de amplo interesse para os nossos países. Compartilhamos valores comuns, como a crença em Deus e a defesa da família tradicional. Também somos solidários com quem quer se empenhar pela paz”.

Assim como o russo, o chefe do Executivo brasileiro ressaltou a colaboração intensa nos principais foros internacionais. No entanto, Bolsonaro aproveitou a ocasião para dar uma alfinetada nos Estados Unidos e nos países da União Europeia.

Após agradecer o convite, Bolsonaro disse ser grato pelo apoio russo à soberania nacional do Brasil, enquanto, por outro lado, “alguns países quiseram transformar a Amazônia em patrimônio mundial da humanidade”.

Os presidentes da República do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Federação Russa, Vladmir Putin, durante declaração à Imprensa. Foto: Alan Santos (PR)

Necessidade comercial

O advogado Emanuel Pessoa, que atua na área de Direito Econômico Internacional, explicou que, por trás da viagem de Bolsonaro e desse encontro entre líderes, a principal pauta em jogo diz respeito ao comércio internacional de fertilizantes.

“Os principais itens de exportação brasileiro são produtos primários, com grande destaque para produtos agrícolas e commodities minerais… Dentro do ponto de vista das commodities agrícolas, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que utiliza; e desse percentual, a Rússia é responsável por 24% – outros 6% é proveniente da Bielorrússia, que é extremamente alinhada ao Kremlin”, elucida Pessoa. “Na prática, dependemos desse eixo Moscou – Minsk importarmos 30% dos fertilizantes que utilizamos”, declarou.

Segundo o advogado, sem essa parceria comercial saudável, o Brasil sofreria um enorme impacto econômico. “Haveria uma queda violentíssima na nossa produtividade agrícola, que impactaria o custo de vida de todos os brasileiros e consequentemente do mundo todo, uma vez que o Brasil é o principal exportador de gêneros alimentícios do planeta. Faria com que o preço da comida disparasse”, afirmou.

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A entrevista completa com o advogado Emanuel Pessoa e mais detalhes sobre o encontro entre Bolsonaro e Putin, você confere no MyNews Investe desta quarta-feira (16):

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