Arquivos coluna do aquiles - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/coluna-do-aquiles/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Thu, 13 Feb 2025 04:18:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 O Som da Roça Nova: Tradição e Música https://canalmynews.com.br/brasil/o-som-da-roca-nova/ Fri, 31 Jan 2025 14:37:24 +0000 https://localhost:8000/?p=50504 Confira a coluna do Aquiles nesta sexta-feira (31) sobre álbum independente da banda mineira

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Hoje falaremos de Corta Quebranto, álbum independente da banda mineira Roça Nova, formada por Bernardo Leitão (percussão), Hector Eiterer (baixo), João Manga (bateria), Marco Maia (guitarra), Pedro Tasca (voz e violão), Tiago Croce (viola caipira e rabeca) e Thalles Oliveira (percussão). O disco conta com 12 faixas que apresentam composições e arranjos desenvolvidos em conjunto pelos integrantes.

Roça Nova

Para executá-las, os músicos combinam instrumentos tradicionais, como viola caipira, rabeca e berrante de chifre, com bateria, guitarra e baixo. A mistura de gêneros engloba congado, folia de reis, baião, salsa, ijexá, coco e funk. O álbum ainda traz participações especiais da Banda de Pau e Corda e do cantor André Prando.

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Quebra-Coco: O Impacto Inicial

O primeiro impacto vem com Quebra-Coco (João Manga), um maracatu arretado conduzido pela caixa e reforçado por viola caipira e baixo. A bateria de João Manga logo pesa a mão, evocando referências como Nação Zumbi e Chico Science. A faixa, cantada pelo autor, traz uma letra enérgica e intensa.

Montaña: Reflexão Revolucionária

Outra faixa de destaque é Montaña (Pedro Tasca), que surpreende ao transitar por uma concepção inicial nordestina e evoluir para uma salsa que exalta a urgência da unidade latino-americana. Com uma letra revolucionária em espanhol e português, a canção apresenta harmonia e melodias cheias de groove, agitadas pelas guitarras.

Os versos cantados por João Manga provocam uma reflexão aguda:

“Palabra viva (montaña) / Te quiero como eres / Hermosa herída (montaña) / Un río que fluye (…) / Lo que olvidamos por el oro / Lo que te haría rico (…) Hasta que nuestras canciones / Y nuestras revoluciones / Se unan como sus aguas / Un río que fluye”.

Criatividade e Identidade Musical

Corta Quebranto evidencia o amadurecimento criativo da Roça Nova. Com uma formação instrumental diversificada, a banda demonstra um anseio por inovação, livre de preocupações mercadológicas ou concessões musicais. Essa postura permite que a música floresça de forma desabrida, mantendo a autenticidade.

Ficha Técnica

  • João Manga: bateria
  • Hector Eiterer: baixo
  • Bernardo Leitão: percussão
  • Thalles Oliveira: percussão
  • Marco Maia: guitarra
  • Tiago Croce: viola caipira e rabeca
  • Advar Medeiros: saxofone
  • Rafael Souza: trompete e flugelhorn
  • Rick Guilhem: percussão
  • Henrique Villela: produção musical, mixagem e masterização

Onde ouvir a canção

Ouça o álbum:

https://open.spotify.com/intl-pt/album/2UV6shp5GH24eKhjbZnPqo?si=s3WAl81FSU6yDb6pSIrSzQ

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Uma ode à música e aos músicos https://canalmynews.com.br/brasil/uma-ode-a-musica-e-aos-musicos/ Fri, 24 Jan 2025 12:00:20 +0000 https://localhost:8000/?p=50346 Em sua coluna nesta sexta-feira (24), Aquiles enaltece a arte e também as brilhantes canções brasileiras

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Hoje trataremos de Lembrando Garoto (Biscoito Fino), álbum de Cristovão Bastos, Romero Lubambo e Mauro Senise. Independente de virtuosidades ou estilos, piano, violão, flauta e saxes não soam só pelos dedos, mas também pela emoção dos três instrumentistas.

            Perdoe-me, mas hoje parece que o chão fugiu sob meus pés. Música é o que resta para disfarçar a dor que sinto; ou, talvez, para entender o medo da dor que vivo.
            Contudo, quando tudo parecia fugir ao controle, ouvir o repertório de um dos nossos grandes violonistas, entremeado por improvisos e fraseados, solos, duos e trios, numa autêntica conciliação libertária dos mestres… restaurou-me a esperança.

Uma ode à música

O samba-canção “Duas Contas” abre a tampa com a flauta (Mauro Senise) e o piano (Cristóvão Bastos). Logo a melodia vem pelas cordas do violão de Lubambo. O arranjo de Cristovão chamou e o sax alto de Senise veio. Improvisos se multiplicam. A jovialidade que brota das seis mãos incrementa certezas e, soando sobre os desvãos da descrença, encobre a desesperança e atina para a alegria perdida em meio ao passar do tempo. Afinal, são elas, as mãos, que desamarram o destino e o apresentam à realidade. São três mosqueteiros a desbravar mistérios e a clarear dúvidas e incertezas. A eles devo gratidão por sentir a beleza que chega aos meus ouvidos. Assim, viajo ao som do choro antigo “Infernal”, que vem com o sax soprano de Senise, cujo affretando final dá ainda mais contemporaneidade ao arranjo.

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Expatriado em uma terra que não me pertence, hoje encontro abrigo e me consolo da tristeza que atormenta, mas que me aponta o caminho das artes de harmonia, melodia e ritmo, resumidos em um só termo: música! Ela salva como os deuses salvam, só que diferente: nos socorre com a beleza que emana de suas entranhas, como no samba “Lamentos do Morro” , com arranjo de Lubambo, que nos oferta uma levada absolutamente inesperada. Legítimo show de bola!

Confira trechos das músicas

            “Tristezas de Um Violão – Choro Triste Nº 1” apresenta a magia do timbre alcançado por Cristovão Bastos, Romero Lubambo e Mauro Senise, num efeito criado com tal talento e sensibilidade que costuma ser ouvido apenas pelos instrumentos dos grandes músicos. Sonoridade que tem o bendito direito de ser consagrada com sublime sabor de obra prima eternizada.

          Fechando a tampa, “Lembrando Garoto”, tema de Cristovão, tem o mesmo título do álbum e traz o trio em atuação digna da expectativa criada desde que se reuniram para gravar o tributo. (Junto com “Theme I”, de Lubambo, são as duas únicas músicas que não são de Garoto.)

            Antes de finalizar, patenteio a impressão que tomou conta de mim ao ouvir este trabalho: música é como a pessoa amada, aquela que nos completa e ampara, dando-nos o poder de encarar a dor, superá-la e substituí-la por autoconhecimento e força inimagináveis.

Confira o álbum nas redes sociais

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Filipe Catto traz Gal em si https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/filipe-catto-traz-gal-em-si/ Fri, 25 Oct 2024 20:50:24 +0000 https://localhost:8000/?p=47954 Pus-me a conhecer nesta semana 'Belezas são coisas acesas por dentro', álbum que reúne as duas grandes cantoras sob uma única emoção

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Eu já ouvira Filipe Catto cantar. Impressionou-me sua voz. Mas foram audições ocasionais. Eis que o amigo Ciro Barcelos me mandou o áudio da Catto cantando algumas músicas de Gal Costa. O choque foi instantâneo: pus-me a conhecer Belezas são coisas acesas por dentro (clique neste link para ouvir), álbum produzido pela gravadora Editsy, que reúne as duas grandes cantoras sob uma única emoção.

No release, lê-se que Catto ainda titubeou um pouco antes de mergulhar no projeto. Mas logo sacou ser uma missão que não se recusa, cumpre-se! Foi com tudo. Primeiro, apresentações em unidades do Sesc Paulista, quando ela e Gal se grudaram espiritualmente, tornando-se um só corpo, uma só voz. Coisas que bolem por dentro, faiscando em busca de luz, devem ser libertas.

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E Filipe Catto deu-se ao roquenrrol (nada tão Gal Costa) com o fervor que só sua voz hipnótica pode dar, o que, até aqui, só Assucena atingiu de forma tão igualmente sedutora e bela.

Com o repertório gravado vibrando à sua frente, Catto intuiu o dia em que ele viria à luz: 26 de setembro de 2024, data em que ela e Gal aniversariam.

Belezas São Coisas Acesas Por Dentro é um álbum coletivo. Para germinar a sua estética musical, Catto trouxe com ela gente que comunga a intenção de fazer da música algo que mexa com o corpo tanto quanto com o sentimento: tentações e amores paridos da alma.

Lágrimas negras (Jorge Mautner e Nelson Jacobina), arritmo, envolta em reverber, Catto vem toda.

Tigresa (Caetano) arrepia com guitarra e voz.

Joia (Caetano) / Oração da Mãe Menininha (Dorival Caymmi): guitarra dedilhada e a voz arritmo, afetuosa e dobrada, clamam à Mãe.

Esotérico (Gilberto Gil): amparada pela harmonia, a voz de Catto vem afinada.

Negro amor (Bob Dylan, versão Caetano e Péricles Cavalcanti) soa emprenhada de pegada roqueira e arrasa.

Nada mais (Steve Wonder, versão Ronaldo Bastos) rola solta, com Catto se entregando à letra envolta novamente em reverber – o recurso, talvez, soa excessivo.

Sem medo, nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero): o couro come na voz pródiga da moça.

Vaca profana é o rock invadindo a canção de Caetano.

Jabitacá (Bactéria, Lirinha e Junio Barreto) dá a Catto o poder de realçar sua persona musical, bela!

E, por fim, Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão) é pura luz.

Ah, baby, apaixonado, íntegro, teu cantar despreza soslaios, vai direto à essência do ouvinte. Ele se põe a teus pés, cativado pela sinceridade de um ser humano inequivocamente abençoado por deusas todas e por deuses todos… já nem sei mais onde encontrar palavras, tamanha a admiração por tua fortaleza.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica:

Produção musical: Filipe Catto e Fabio Pinczowski; arranjos: Catto, Gabriel Mayall, Fabio Pinczowski e Michelle Abu; voz, guitarra e Sruti Box: Catto; baixo: Gabriel Mayall; bateria e percussão: Michelle Abu; guitarras e voz: Fabio Pinczowski.

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O extraordinário Ordinarius https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/o-extraordinario-ordinarius/ Fri, 27 Sep 2024 16:02:25 +0000 https://localhost:8000/?p=47097 Sexteto proporciona o que considero a mais perfeita forma de experimentar música: gente cantando junto, com as vozes abertas em acordes!    

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Estou escrevendo no saguão de um hotel em Campo Grande (MS). Coisas boas estão rolando por aqui. Não só pelo show à noite, como também pelo temporal que desabou agora. Os olhos dos funcionários do hotel brilham de alívio.

Ajuntei o meu olhar solidário ao deles e segui ouvindo o novo álbum autoral do grupo vocal Ordinarius: Nós (clique neste link para ouvir), de produção independente, o trabalho de Augusto Ordine, Maíra Martins, Fabiano Salek, Matias Correa, Beatriz Coimbra e Antonia Medeiros, com o qual comemoram os seus 15 anos de carreira.

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Com ótimas músicas compostas pelo sexteto, seja individualmente, em duplas, em trios ou com outros parceiros, os arranjos e a produção musical são de Augusto Ordine, criador do conjunto. Ótimas cantoras e ótimos cantores individuais, têm vozes irrefutáveis; todavia, o que prepondera no Ordinarius é mesmo o vocal em grupo!

Mas vocês lembram o primeiro parágrafo, o temporal? Pois é, a ele somem o fato de eu estar ouvindo o que considero a mais perfeita forma de experimentar música: gente cantando junto, com as vozes abertas em acordes!

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Outra digressão: certa vez, andando com Chico Buarque numa calçada do Leblon, lá pelos anos 1970, eis que, de repente, quem vem de lá? Hein? “Apenas” João Gilberto! E eu não o conhecia pessoalmente. Meu Deus!

No meio do papo, João vira-se para mim e manda: “Nós somos de vocal, Aquiles! Nós sentimos a música de um jeito peculiar, só quem é de vocal sabe!” Sim, moçada, João Gilberto já integrou um grupo vocal!

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Na música popular, quando a gente fala em vocal, quer dizer exatamente isso, cantar junto: daí vem a expressão “ser de vocal”, ser alguém que canta em coro.

Ora, o coral é a forma mais democrática de cantar, pois permite que a massa sonora invada a alma do vocalista e do ouvinte, lá se instalando para sempre. E eu, um “de vocal raiz”, reparto com o Ordinarius o amor pelo cantar junto que nos une e encanta.

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O álbum Nós tem de tudo muito: gêneros musicais pop e fecundos; letras inspiradas; vocal esmerado, dando cama para que solistas deitem e rolem; alternância de solos com o canto em duplas e trios; arranjos com vocalises elegantes, permitindo ao ouvinte usufruir do som que só vozes cantando juntas permitem.

Revezando momentos de fervor vocal, afinados e plenos de dinâmica, com outros suaves, eles cativam os ouvidos de quem, por (des)ventura, ainda esteja acostumado a só identificar a melodia original de uma canção quando cantada por uma única voz.

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Vale a pena ouvir o Ordinarius! O que eles fazem em Nós é popularizar o vocal, tornando-o totalmente apto a ser consumido por todas e todos que amam a nossa música popular.

Ouvir esses craques é sacar que vocal é como aquela chuva prazenteira (lembram?) que encobre a fumaça vinda do fogo criminoso e permite que o sol surja, celebrando a natureza que renasce e teima em resistir à ação de imbecis.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

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Gilson Peranzzetta tem um piano elegante https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/gilson-peranzzetta-tem-um-piano-elegante/ Thu, 19 Sep 2024 19:03:23 +0000 https://localhost:8000/?p=46853 Em novo álbum, pianista, compositor, arranjador e maestro homenageia o saudoso João Donato, com quem já dividiu palcos e gravações

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O pianista, compositor, arranjador e maestro Gilson Peranzzetta está lançando Aprendi com Donato (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora Mills Records, uma homenagem ao saudoso João Donato, com quem já dividiu palcos e gravações.

Para tanto, Peranzzetta convidou instrumentistas virtuosos e, ao seu piano, ajuntou a batera de João Cortez e os baixos acústicos e elétricos de três contrabaixistas que se revezaram para tocar com ele: Alexandre Cavallo, Zeca Assumpção e Didier Fernan, além da participação especial de Mauro Senise (sax alto e flauta). Criou também arranjos para canções que distinguiram a carreira de Donato. O repertório é uma extraordinária amostra da genialidade de João Donato. Eis algumas músicas.

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Aprendi Com Donato (Gilson Peranzzetta): o piano inicia. Logo vem o sax alto. A batera de Cortez pulsa. A delicadeza da melodia prevalece. O suingue ajusta a pegada com o baixo acústico (Alexandre Cavallo). O piano improvisa num intermezzo com o DNA de Gilson. Pinta o sax alto, encorpado, puxando o improviso para si, e é como se “chorasse” – o som de Senise é raro.

Emoriô (João Donato e Gilberto Gil): batera, piano e baixo acústico (Didier Fernan) dão conta do recado. Simplicidade é mais, é tudo de belo, inclusive pela consciência musical de Gilson, pois seus arranjos revelam empatia com a obra de Donato. O suingue impera.

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A paz (João Donato e Gilberto Gil): o piano toca a intro e vai à melodia. Cortez toca a batera levemente. O baixo acústico (Zeca Assumpção) segura as pontas. O arranjo é lindo. O intermezzo do piano antecede a volta da melodia, que nos induz a cantar a letra de Gil.

Simples carinho (João Donato e Abel Silva): bela música com letra inspirada do Abel. O trio a tudo engrandece, revelando a capacidade que tem Donato de criar belezas como se fosse fácil. Gilson fez um arranjo sem prosopopeias desnecessárias, que nada acrescentariam.

A rã (João Donato e Caetano Veloso): o balanço da música pulsa no piano, acende na batera e pontifica no baixo acústico (Zeca Assumpção). O arranjo de Peranzzetta tem levada sagaz. Novamente o piano sola a melodia, permitindo que se cantarole os versos.

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Até quem sabe (João Donato e Lysias Enio): Donato e seu irmão Lysias Enio compuseram a canção, um clássico da música brasileira. Desde a intro, o piano se mostra irrepreensível, com destaque para a harmonia de Peranzzetta. A reverência paira no ar, mas sem descuidar de criar detalhes que embelezem ainda mais a obra de Donato.

Valsa (João Donato): obra inédita de João Donato, dos anos 1970, quando ele vivia nos Estados Unidos. A flauta toca a intro. Logo a tampa vai fechando devagar, como se não quisesse acabar, querendo prolongar a sensação causada durante toda a audição de um trabalho feito por instrumentistas que sabem o valor de seu ofício para a vida de quem os ouve.

Aquiles Rique Reis

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Um trabalho para se ouvir com o coração https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/um-trabalho-para-se-ouvir-com-o-coracao/ Thu, 05 Sep 2024 20:11:25 +0000 https://localhost:8000/?p=46441 Novo álbum de Daniela Neris reúne quinze compositores gaúchos a um só poeta, Alvaro Barcellos; faixas tornam impossível esquecer tragédia que se abateu sobre o RS

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Os Sonhos e os Sons – Daniela Neris interpreta Alvaro Barcellos (clique neste link para ouvir), de produção independente, é o álbum que reúne quinze compositores gaúchos a um só poeta, o também gaúcho Alvaro Barcellos.

A cantora Daniela é afinada e sincera, encaixando-se perfeitamente às melodias dos parceiros de Alvaro. Ela canta luminosamente, amparada que está por arranjos quase minimalistas, em que se destacam, aqui e ali, apenas um piano ou um violino, por exemplo. Segura, ela se entrega aos versos que, mesmo escritos em épocas distintas, têm um fio de força interligando-os à vida. Eis alguns.

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Entre fintas e canções (Pery Souza* e Alvaro Barcellos)

“Éramos nós com o tom e a voz/ Éramos nós a tocar violões/ Éramos nós com tantas ideias/ Éramos nós com os sonhos e os sons (…)”.

Barroco (Renato Machado e AB)

“Pra proteger a aldeia/ Arvoredos e paisagens/ Me disfarço entre as areias/ E o rio em suas imagens (…)”.

Nas Águas Desse Rio (Lyber Bermudez e AB)

“Mergulho assim nesse rio/ De suas águas me alimento/ Conheço as suas paisagens/ Imagens sombras e ventos/ (…) Onde minha voz não se cala (…)”.

Prata Lunar (Raul Ellwanger e AB)                                                                                 

“(…) E em nome de um mundo bem melhor/ No tumulto das gentes/ (…) Eu que em tanta ocasião/ Vivo à margem de tudo (…)”.

Outras Viagens (Pedro Munhoz e AB)

“(…) Nessas andanças e sonhos meus/ Vi muita coisa nas longas viagens/ E vi matanças e danças e guerras/ Caminhos cegos desertos miragens/ Miséria e seca que o horizonte encerra (…)”.

Nas Tramas do Mago (Paulo Timm e AB)                                                                       

“Circulo entre as histórias/ Ambientes personagens/ Revisito os lugares/ Experimento viagens (…)”.

Ruína (Helio Ramirez e AB)

“(…) Tu que andas por aí impunemente/ Tu que para triunfar entras na dança/ Tu que pisas as mulheres e suas flores/ Tu que sempre machucaste a esperança/ (…) É bom que saibas/ Teu mundo há de ruir”.

Após final tão belo, é quase impossível esquecer a tragédia que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, rincão dos músicos aqui citados; muito menos olvidar a resiliência com que os gaúchos vêm enfrentando o luto, reerguendo suas vidas e cantando à sua terra.

*Quando ainda escrevia este texto, eu soube do falecimento do Pery. Muito triste! Descanse em paz. Minha solidariedade aos seus queridos.

Aquiles Rique Reis

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O viajante avoengo https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/o-viajante-avoengo/ Thu, 22 Aug 2024 16:08:16 +0000 https://localhost:8000/?p=46039 Músico Manu Maltez, que é também artista plástico, uniu seus dois talentos para produzir o álbum 'Madrugada Até o Fim', em celebração a seus 25 anos de carreira

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Hoje trago um álbum que me pegou de jeito: Madrugada Até o Fim (clique neste link para ouvir), produzido pela gravadora YB Music, do contrabaixista, compositor, escritor e artista plástico Manu Maltez. Para celebrar seus 25 anos de carreira, ele lançou o trabalho com várias pinturas suas que, como ele diz, “envolvem o período da meia-noite à alvorada”.

Antes de continuar, permitam-me explicar melhor o talento de Manu Maltez para as artes gráficas: Manu é filho de Hélio de Almeida, um artista gráfico e designer importante para o jornalismo brasileiro. Quando de sua morte em 20 de julho deste ano, Hélio, inclusive, foi homenageado por Ruy Castro com um belo texto.

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Voltemos a Madrugada até o fim. Produzido por Caê Rolfsen, o projeto do filho do Hélio é desafiante: obras de arte inspiradas, amei-as todas; assim como amei cada música e me deixei levar por seus caprichos, tamanha a beleza entrevista a cada aurora do meu ouvir.

Antes da minha hora (Manu Maltez): o violão chama, Maltez vem. A cantora Alessandra Leão está com ele. A percussão puxa o cavaquinho e o baixo, tocados por Caê Rolfsen. Suingue puro. A batera de Thomas Harres marca o tempo no prato. Maltez lança a voz garganta afora.

Leia mais: Um EP caprichado

Com arranjo rítmico de Caê, Qualquer assombração (Manu Maltez) tem o violão de Manu repetindo um desenho. Baixo, synth bass e a percussão de Caê aceleram a parada. A rabeca de Rafa Barreto dá seu som à música. A gloriosa Assucena se ajunta a Maltez e suas vozes alastram a composição por cima do ouvinte, que gagueja: “O qué qué isso?”

Falseador de mentiras, Maltez faz delas verdades críveis.

Madrugada até o fim (Manu Maltez): Tratando-os com paixão fascinante, Maltez toca violão e piano. Caê ajunta o seu piano ao de Maltez, baralha os sons, que, sampleados, somam-se ao cavaquinho – esse Caê é fera! O cello de Yaniel Matos pontua entre a cantoria. Maltez canta os versos como se fossem os donos de seus sonhos e os oferece à madrugada que molda sua arte.

Reptiliana (Manu Maltez e Lourenço Mutarelli): após recitar um texto inicial, Mutarelli se achega a Manu. Produzida por Caê, com arranjo de Maltez e dele, a canção tem a agilidade da viola de 10 cordas do produtor agregada aos seus baixo e piano, realçados por sua percussão. O piano de Thaís Nicodemo é a cereja do bolo que a todos alimenta.

Fabulando (Manu Maltez) se destaca pelo clarinete de Maria Mange Valencia. Envolta em reverber, a voz de Manu brilha – canta bem o cara!

As canções foram feitas por quem não dormia (Manu Maltez): o tambor inicia. O violão aproxima Maltez e sua voz vem sob o sample que instiga o cavaquinho e dá solidez à música. O piano de Thaís Nicodemo amplia o horizonte sonoro.

Ora, Manu Maltez é um poço de múltiplas opções: das mãos vem o tato para o inimaginável; da voz jorram os ais da vida; da alma desabrocham cores incomuns.

Já a madrugada, que encobre o sol e oferta estrelas ao mundo, ele leva nas costas.

Aquiles Rique Reis

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Música brasileira de qualidade: veja dica de Aquiles Reis

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Em nome do Pai https://canalmynews.com.br/coluna-do-aquiles/em-nome-do-pai/ Thu, 15 Aug 2024 18:23:45 +0000 https://localhost:8000/?p=45890 Na semana em que se comemorou o Dia dos Pais, faço uma avaliação do novo álbum de Carol Saboya, em que a artista recria músicas compostas pelo pai

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Na semana em que se comemorou o Dia dos Pais, escolhi tratar de Outro Tom — Canções de Antonio Adolfo (AAM), o décimo quarto álbum de Carol Saboya. O carinho da filha Carol Saboya por seu pai, Antonio Adolfo, brota da garganta da cantora carioca e proporciona momentos de arrebatamento ao ouvinte.

O repertório é uma sutura de instantes vivenciados com o pai nos palcos e nos estúdios de gravação. Assim, cada música representa um momento que foi escolhido após ressurgir de profundas recordações.

Pianista que é, Carol foi ao instrumento e recriou, ao seu jeito, dez músicas compostas por Antonio entre os anos 1972 e 1980. Obras para as quais seu pai também escreveu as letras, à exceção de uma, Alegria de carnaval, parceria com o saudoso Tibério Gaspar.

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E já que citei Alegria de carnaval, vamos a ela, que fecha o álbum. Graças à tecnologia, Carol resgatou a gravação desta música, realizada em 1979, que tinha Antonio no piano Fender Rhodes, Binho no trompete, Zé Carlos Bigorna no sax e Serginho Trombone no… trombone, aos quais agora se ajuntaram a guitarra de Gabriel Quinto, o baixo de Guto Wirtti (também produtor musical e arranjador do disco) e a batera de Renato Máximo. Já o vocal, que originalmente estava com o grupo Viva Voz, agora está com Amanda e Joana, filhas de Carol. As duas, mais Carol, tão suaves, entregam-se de corpo e alma ao fervor do frevo.

Outro tom: Carol inicia arritmo. O Fender de Antonio se esmera em protegê-la. O baixo de Wirtti e a batera de Massa encaminham a levada suave, que ainda conta com a pandeirola de André Siqueira. Logo o violão assume os compassos em fino improviso. A voz de Carol leva o canto com doçura infinita. Um coro dá seu ar da graça ao arranjo.

Carola / Acalanto: Carol escolheu duas composições instrumentais feitas por Antonio em louvor a ela, que estalam feito beijos de amor paterno. E Carol trata de nos emocionar com seu canto enternecido, graças aos 60 anos de carreira do pai e, também, aos seus próprios 25 anos de ofício. Arritmo, o Fender de Antonio acompanha os vocalises de Carol. Logo vêm as palavras escritas pelo pai, amorosas que só elas, às quais Carol retribui com o cantar que desde criança traz no coração já adulto. Wirtti dedilha notas no teclado. Ela dobra a voz em vocalises, para exclamar, logo que conclui o canto: “Está lindo, pai, vamos ouvir?” É verdade, Carol, está mesmo!

Aonde você vai: Carol canta com participação de Renato Teixeira (ele que vem compondo parcerias com Antonio). Wirtti toca baixo, pandeiro, zabumba e violão de 12 cordas; Gabriel Quinto, violão, e André Siqueira, percussão. O suingue encandece a riqueza da música. A percussão de Siqueira, somada à de Wirtti, dá ao arranjo o resfolego que se amplia com o recurso do reverber. O astral vai lá em cima!

Cantando em nome do pai, Carol Saboya foi além: doou-lhe abraços e beijos musicais e sonoros. Tocantes!

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Clique e ouça as faixas:

  1. Alegria de carnaval
  2. Outro tom
  3. Carola / Acalanto
  4. Aonde você vai

Imperdível: Aquiles fala sobre música brasileira, tempos modernos e revolução:

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