Arquivos COP26 - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/cop26/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Sun, 12 Jun 2022 14:20:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 O apequenamento do Brasil aos olhos do mundo https://canalmynews.com.br/creomar-de-souza/o-apequenamento-do-brasil-aos-olhos-do-mundo/ Sat, 11 Dec 2021 18:38:12 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-apequenamento-do-brasil-aos-olhos-do-mundo/ O apequenamento da participação do Brasil em diálogos internacionais de alto nível é fruto de uma dinâmica que atende interesses eleitorais de curto prazo. Contudo, os custos desta postura podem afetar interesses e negócios até mesmo daqueles que hoje apoiam o governo Bolsonaro

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O Brasil de 2021 é uma referência política desglobalizante. O esforço empreendido pelo governo em desconstruir as estratégias de inserção internacional que linearmente foram conduzidas desde o início da Nova República foram bem-sucedidas. Diante desta constatação, cabe a pergunta: qual o impacto disto perante a vida de milhões de brasileiros? Aqueles menos afeitos ao cotidiano das relações internacionais podem dizer que esta correlação é inexistente; porém, se o olhar for um pouco mais atento, uma resposta distinta pode aflorar como fruto desta reflexão.

Em primeiro plano, parece ser importante lidar com alguns preconceitos que rondam um número considerável de formadores de opinião no Brasil acerca do impacto de alguns temas sobre tomadores de decisão estrangeiros. Aqui, do ponto de vista explicativo, a ausência do Presidente da República na COP26 é um bom ponto de partida. De saída, é importante considerar que Presidentes não decidem nada sozinhos, e que uma decisão como esta – de não participar de uma conferência bastante relevante – é fruto de um processo de aconselhamento daqueles que cercam a liderança política.

Se de um lado, a decisão resguarda um componente ideológico de rejeição às estruturas de governança global, de outro, ela beira a ingenuidade ao considerar que a não presença diminuiria o tom de crítica reservado ao governo brasileiro. A saída de cena de Bolsonaro não só facilita a criação de constrangimentos ao país, como passa a mensagem de que o Brasil é o inimigo a ser combatido nos temas ambientais. A omissão acaba sendo punida com a transformação do país e do seu Chefe de Governo em tudo aquilo que é visto como errado por uma parcela crescente do eleitorado em países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos.

Em reunião do G20, Bolsonaro é isolado e ironizado pela mídia internacional.
Em reunião do G20, Bolsonaro é isolado e ironizado pela mídia internacional. Foto: Alan Santos (PR)

O crescimento do voto ambiental em democracias de alta qualidade e o próprio amadurecimento da agenda em países não democráticos, coloca o Brasil em uma situação que talvez não seja vista desde meados dos anos 1980. Naquele momento, graças ao arrefecimento dos embates da Guerra Fria, constituiu-se uma verdadeira onda de debates ambientais. Assim, o Brasil recém redemocratizado, viu-se acuado diante de uma conjuntura marcada pelo amadurecimento de uma temática em que os dados e as políticas públicas davam indicações negativas acerca do status do país no mundo.

Graças ao esforço louvável do corpo diplomático brasileiro e de respostas efetivas em políticas públicas, o país conseguiu reverter essa imagem e entrou nos anos 1990 – mais precisamente a partir da ECO-92 sediada no Rio de Janeiro – como um campeão nas pautas ambientais. O ganho de relevância veio acompanhado de boa vontade de outros atores e de créditos internacionais que viabilizaram programas de combate à degradação ambiental. A transformação da imagem internacional do país neste tema permitiu que olhares positivos fossem lançados sobre outras pautas e necessidades nacionais.

Este engrandecimento facilitou créditos, negociações, e avanços também em outras áreas. É possível, inclusive, estabelecer uma relação causal entre a boa reputação do país em termos ambientais e o controle de ofensivas e ameaças ao agronegócio nacional. Não por acaso a transformação do agronegócio e o avanço de nossos produtos em mercados com crescente preocupação ambiental está diretamente relacionada à tese aqui descrita. E em sentido contrário, o crescimento de restrições comerciais e sanitárias, certamente irá se apoiar nos equívocos negociais e de gestão que possamos cometer daqui por diante.

Nesse sentido, é fundamental entender que a ausência em debates internacionais ou a tentativa de circunscrevê-los a uma lógica meramente eleitoral é um erro que tenderá a afligir até aqueles que hoje apoiam o Presidente. Se o apequenamento do país em termos internacionais é útil como plataforma eleitoral pensando em 2022, os efeitos concretos deste processo terão impactos fortíssimos na condução do país a partir de janeiro de 2023.

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Greenpeace denuncia garimpo ilegal no Rio Madeira https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/greenpeace-denuncia-garimpo-ilegal-rio-madeira/ Thu, 25 Nov 2021 21:51:50 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/greenpeace-denuncia-garimpo-ilegal-rio-madeira/ Garimpo ilegal foi organizado após boatos sobre descoberta de ouro na região. Atividade é de grande impacto ambiental

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Menos de um mês após o fim da Conferência do Clima da ONU, a COP26, quando o Brasil chegou a fazer promessas de mudar as políticas ambientais e retomar um histórico de conservação da Amazônia e de sua biodiversidade, uma denúncia feita pela Organização Não-Governamental Greenpeace mostra que a realidade não segue os mesmos caminhos prometidos no âmbito internacional. Imagens feitas numa operação especial do Greenpeace mostram centenas de balsas de um garimpo ilegal no Amazonas, na cidade de Rosarinho, a 110 quilômetros da capital, Manaus. As balsas no Rio Madeira fazem a extração ilegal de ouro – após um boato sobre extração do metal precioso na região.

Segundo o Greenpeace, os garimpeiros utilizam dragas e outros equipamentos para cavar o fundo do rio, remexendo a areia e água, com impacto direto no habitat e implicando em repercussões para a fauna, a flora e as comunidades da região.

Garimpo ilegal no Rio Madeira
Imagem feita pelo Greenpeace mostra balsas de garimpo ilegal no Rio Madeira, no Amazonas/Foto: Bruno Kelly/Greenpeace

“O que vimos no sobrevoo é o desenrolar de um crime ocorrendo à luz do dia, sem o menor constrangimento. Isso tudo, óbvio, é referendado pelo presidente Bolsonaro, que dá licença política e moral para que os garimpeiros ajam dessa maneira”, declara o porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace, Danicley Aguiar, ressaltando que o Rio Madeira é o rio com a maior biodiversidade do mundo, abrigando ao menos mil espécies já identificadas.

A organização não-governamental denuncia que o garimpo ilegal é prática comum na região e aumentou desde que o estado de Rondônia regulamentou a prática no seu território, em janeiro deste ano.

Em entrevista ao Canal MyNews durante a COP26, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva alertou para a necessidade de cobrar do governo federal medidas efetivas para a conservação ambiental e para a falta de credibilidade do governo Bolsonaro.

“A credibilidade é zero. O governo Bolsonaro fez algo que é completamente irracional. É como se você tivesse uma árvore, tivesse que limpar um galho que está à tua frente. Você cerrasse o galho e deixasse ele bem fraquinho e depois tivesse que pular para ele. Foi isso que o governo Bolsonaro fez. Durante esses quase três anos do seu governo, ele ficou cerrando o galho da credibilidade, da proteção ao meio ambiente, da governança ambiental, da alocação de recursos. Tudo o que ele podia fazer para desconstruir o que ele encontrou e ainda agravar mais a situação, ele fez. Agora ele tenta recuperar isso sem nenhuma credibilidade de que terá como dar sustentação ao peso desses compromissos que assumiu”, analisou a ex-ministra.

garimpo ilegal no Rio Madeira - Amazonas
Balsas de garimpo ilegal foram fotografadas por equipe do Greenpeace/Foto: Bruno Kelly/Greenpeace

O Greenpeace lembra que em agosto deste ano, a Justiça Federal determinou que o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) anulasse diversas licenças concedidas de maneira irregular para a extração de ouro no Rio Madeira, sob a alegação de que não houve análises sobre os impactos ambientais da atividade para a concessão das autorizações.

Marina Silva disse acreditar que o governo Bolsonaro se comprometeu com algumas metas apenas para ganhar tempo. “O que ele faz é isso: anuncia o Conselho da Amazônia e ganha tempo para desmatar mais e queimar mais. Agora ele faz o mesmo movimento, por pressão internacional e pressão interna brasileira, que é muito grande. A falta de credibilidade do governo é algo irreversível”, pontuou.

 

Veja mais detalhes sobre o garimpo ilegal no Amazonas no Almoço do MyNews, com apresentação de Myrian Clark

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COP26: Txai Suruí alerta para necessidade de cobrar promessas do Brasil https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/cop26-txai-surui-alerta-necessidade-cobrar-promessas-do-brasil/ Sat, 13 Nov 2021 00:04:51 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-txai-surui-alerta-necessidade-cobrar-promessas-do-brasil/ Para a ativista indígena Txai Suruí COP26 teve de positiva a visibilidade alcançada pelos povos indígenas e pelo movimento quilombola. Liderança jovem ainda vê o mundo distante de alcançar metas para contornar a crise climática

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A ativista indígena brasileira Txai Suruí considera que apesar da condescendência dos países europeus e dos Estados Unidos de darem um voto de confiança ao governo brasileiro sobre as promessas de zerar o desmatamento e implementar medidas concretas para contribuir com a redução do aquecimento global, é preciso que estas nações cobrem os compromissos assumidos pelo Brasil como uma premissa para realizar negociações econômicas e diplomáticas.

“É claro que o discurso [do Brasil] é mais positivo. Mas tem que ter cuidado. Esses países têm que entender que têm responsabilidade também. É importante que eles exijam que os direitos indígenas sejam respeitados como uma premissa. É o mínimo que podem fazer porque senão vão estar incentivado a destruição da Amazônia. [o que eu diria] é que o Brasil tem responsabilidade e vocês têm responsabilidade de pressionar para que isso seja realmente feito”, disse Txai Suruí, em entrevista ao programa Cruzando Fronteiras, apresentado pelo jornalista Jamil Chade, no Canal MyNews.

Txai Surui - mudanças climáticas - COP26
Ativista indígena brasileira Txai Surui disse que países fecharam os olhos para as mudanças climáticas/Foto: Fotos Públicas

Para Txai Suruí, o mundo está muito distante de alcançar as metas para contornar a crise climática. Mesmo assim, ela enxerga que a COP26 teve de positiva a visibilidade alcançada pelos povos indígenas, pelo movimento quilombola e por outros segmentos da sociedade civil organizada. “Independente dos acordos, a luta vai continuar de qualquer jeito. Pessoalmente, tive a oportunidade de conhecer muita gente, muitos futuros parceiros bons. O Brasil conseguiu mostrar que no Brasil tem gente com compromisso com a pauta climática e a gente consegue reverter isso se tiver compromisso”, complementou.

A ativista indígena foi destaque no primeiro dia da conferência – com um discurso contundente sobre a necessidade de compromisso das nações com a conservação ambiental e por denunciar a situação vivida no Brasil – com o desmonte das políticas ambientais e a perseguição aos povos originários, com consequente destruição de diversos habitats. Após a repercussão de suas palavras – que reverberaram em todo o mundo, Txai Suruí passou a receber ataques nas redes sociais e também foi intimidada dentro do ambiente da COP26 por um pessoa com um crachá de identificação da comitiva brasileira.

“Depois do meu discurso, durante as entrevistas que concedi, notei que havia um homem cercando, rondando, e num certo momento ele veio interromper e não foi uma situação legal. Veio falar para que eu não atacasse o Brasil e não falasse mal do Brasil. Olhei para a credencial dele e ele falou ‘eu sou parte do Brasil’. Ali eu entendi como uma intimidação do governo brasileiro. Eu não estou atacando o Brasil. Eu estou trazendo a realidade do que está acontecendo. Se a gente fechar os olhos, a gente não vai encontrar as soluções”, contou a liderança indígena, que chegou a ser comparada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o cacique indígena caiapó Raoni Metuktire – que percorreu o mundo no final da década de 1980, denunciando a situação dos povos indígenas brasileiros e da Amazônia.

“Levaram uma índia para substituir Raoni e atacar o Brasil”, disse Bolsonaro, em 3 de novembro. Após essa declaração, a jovem Txai Suruí disse que passou a ser atacada nas redes sociais com mensagens violentas e que pensa em denunciar a intimidação do governo brasileiro e as ameaças às autoridades competentes dentro da Organização das Nações Unidas.

“Saio daqui confiante e preocupada. Não imaginava o tamanho da repercussão que o discurso ia ter. É importante ouvir a voz dos povos indígenas e o sentido de urgência que a gente precisa ter neste momento. A importância dos povos indígenas estarem no centro do debate neste momento que vai decidir o nosso futuro. Levar a voz dos jovens indígenas do Brasil para o mundo. (…) A própria ONU entrou em contato comigo e a Embaixada Brasileira também, por toda a situação”, revelou Suruí, dizendo não apenas ela, mas outras lideranças indígenas também sofreram intimidações.

“Outros episódios que aconteceram com outros indígenas. Nós somos a verdadeira delegação brasileira, que está mostrando que tem gente no Brasil que tem responsabilidade e com a agenda climática. Logo depois do discurso de Bolsonaro, que disse que eu vim atacar o Brasil, recebi muitas mensagens de ódio e também surgiram algumas fakenews sobre a minha pessoa. Essas pessoas agem como se fosse uma quadrilha”, analisou.

Txai Suruí não acredita nas promessas do governo e chama atenção para a necessidade de acompanhar o que será feito a partir de agora. “O governo brasileiro não é confiável e isso é verdade. Parece uma grande falácia. Aqui se diz que vai acabar o desmatamento e proteger a floresta. Mas a política que vem acontecendo no Brasil é totalmente contrária a isso. Dados do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostram que o desmatamento aumentou e que outubro foi o segundo pior mês em desmatamento. Existe a tentativa de aprovar o marco temporal e acabar com as terras indígenas e são os indígenas que vêm sustentando a floresta. Existe o desmonte dos órgãos ambientais, o desmanche da legislação ambiental. A política que está sendo executada no Brasil é totalmente contrária do discurso que está sendo feito aqui”, alertou a ativista indígena brasileira.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale

 

Veja a íntegra do Cruzando Fronteiras, com Txai Suruí e Jamil Chade, no Canal MyNews

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COP26 termina nesta sexta (12) sem acordos em diversos compromissos https://canalmynews.com.br/tecnologia/cop26-termina-sexta-12-sem-acordos-diversos-compromissos/ Fri, 12 Nov 2021 00:35:02 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-termina-sexta-12-sem-acordos-diversos-compromissos/ Brasil sinalizou possibilidade de acordo, mas documento final da COP26 deve frustrar expectativas sobre metas para conter o aquecimento global

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As delegações dos países devem passar esta madrugada entre quinta e sexta-feira negociando um acordo final para a Conferência do Clima da ONU (COP26). A tentativa é encontrar um ponto em comum sobre temas ainda polêmicos como o financiamento para que países emergentes invistam em redução de emissão de gases poluentes e noutras medidas que representem compromisso com metas claras sobre como reduzir os impactos das mudanças climáticas no mundo.

Um acordo que deve sair é uma meta conjunta sobre a questão dos créditos de carbono. “O Brasil sinalizou flexibilidade, abriu mão de uma postura tradicional do país nos últimos anos e indicou que poderá haver de fato um acordo, fundamental para estabelecer o livro de regras do acordo de Paris de 2015”, explicou o jornalista Jamil Chade – que faz a cobertura da COP26 direto de Glasglow, na Escócia.

COP26 deve terminar sem acordo em vários pontos
COP26 deve terminar sem acordo entre os países em vários pontos. Manifestantes pedem justiça de gênero em protesto da Conferência do Clima/Foto: Kiara Worth/UNFCCC.

Segundo Chade, ainda existem resistências dos países ricos sobre a questão do financiamento aos países emergentes. “Em 2009 foi estabelecido que os países ricos deveriam destinar aos emergentes 100 bilhões de dólares por ano para promover, ou facilitar a transição climática. Mas uma década depois esse dinheiro ainda não chegou de uma forma completa. Agora os emergentes insistem que este valor sequer será suficiente e que um novo mecanismo terá que ser criado para repensar o valor a ser destinado aos emergentes”, detalhou Jamil Chade.

O principal indicativo é que ao fim da conferência, nesta sexta (12), alguns compromissos das nações em relação à crise climática devem ficar para o futuro.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale.

 

Conferência do Clima da ONU termina nesta sexta, em Glasglow, na Escócia. Acompanhe a cobertura do Canal MyNews

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COP26: mudanças climáticas têm maior impacto sobre mulheres e meninas https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/cop26-mudancas-climaticas-maior-impacto-mulheres-e-meninas/ Wed, 10 Nov 2021 01:38:16 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-mudancas-climaticas-maior-impacto-mulheres-e-meninas/ Aquecimento global deve agravar desigualdade de gênero, afetando a saúde de mulheres e meninas. Compromissos assumidos pelos países na COP26 são insuficientes para frear as mudanças climáticas

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A COP26 debateu nesta terça (9) o grande impacto que o aquecimento global tem na vida das mulheres de várias regiões do mundo. Um estudo do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) aponta que as mudanças climáticas terão impacto direto em questões como saúde e direitos sexuais e reprodutivos – expondo especialmente as mulheres e as meninas em países mais pobres e com grandes desigualdades sociais a percorrerem distâncias maiores para coletar água, alimentos, e outros meios para garantir a subsistência.

Mulheres refugiadas
Mulheres e meninas são as mais afetadas pelo aquecimento global, especialmente em países com grandes desigualdades sociais e de gênero/Foto: Fotos Públicas/União Europeia/Peter Biro

A situação deve provocar, inclusive, uma exposição maior das mulheres a situações de violência sexual e de gênero e também coloca em risco a saúde materna e neonatal – com pesquisas indicando que a elevação da temperatura pode aumentar a probabilidade de natimortos. A pandemia do Covid-19 agravou esta situação e colocou ainda mais as mulheres em situação de vulnerabilidade em diversas regiões do mundo.

Entre as ações propostas pela Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável para proteger as mulheres e meninas estão iniciativas que permitam a maior participação feminina na política e em posições de decisão – promovendo uma maior equidade de gênero em postos de liderança.

A Conferência do Clima da ONU, que acontece na Escócia até a próxima sexta (12), recebeu uma boneca gigante representando meninas e mulheres refugiadas em todo o mundo. Little Amal, fantoche de 3,5 metros, representa uma jovem refugiada síria – uma forma de lembrar que as mulheres representam nada menos que 80% das pessoas refugiadas por desastres e mudanças climáticas no mundo.

COP26 - Little Amal
Na COP26, a boneca gigante Little Amal lembrou as refugiadas sírias e todas as mulheres e meninas afetadas pelas mudanças climáticas/Foto: Fotos Públicas/Kiara Worth/UNFCCC

Para a diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Inger Andersen, existe uma “lacuna de liderança” para guiar as nações para um documento final de compromissos da COP26 e que o mundo “não está fazendo o suficiente e precisa dar um passo à frente com mais ação, urgência e ambição”.

O Relatório de Lacunas de Emissões do Pnuma revelou que com os atuais compromissos assumidos pelos países, o mundo reduzirá apenas 7,8% das emissões de gases de efeito estufa até 2030; muito pouco para alcançar a meta de limitar o aquecimento do planeta em 1,5ºC até o fim deste século – tendo como base a temperatura da Terra antes da era industrial. Andersen destacou que as promessas até agora têm sido vagas e pouco transparentes.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews é realizada em parceria com a Vale


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O Brasil está acuado na COP26, diz deputado https://canalmynews.com.br/politica/brasil-esta-acuado-na-cop26-diz-deputado/ Tue, 09 Nov 2021 01:17:56 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/brasil-esta-acuado-na-cop26-diz-deputado/ Rodrigo Agostinho avalia que mudanças de ministro no Itamaraty e Meio Ambiente ajudam na COP26, mas não são suficientes para mudar imagem do Brasil

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O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP), integrante da bancada ambientalista, avaliou em entrevista ao MyNews que o Brasil está acuado diante das pressões no mundo inteiro na COP26 (a Conferência do Clima da ONU) e ressaltou que, para reverter o cenário, serão necessárias mudanças mais profundas na prática.

Em março deste ano, Ernesto Araújo pediu demissão do Ministério de Relações Exteriores, depois de se envolver em uma polêmica com os senadores. Em junho, foi a vez de Ricardo Salles se afastar do comando do Ministério do Meio Ambiente. Ambos eram integrantes da ala chamada ideológica do governo, negavam a necessidade de o Brasil ceder na pauta ambiental e insistiam que, para mudar os rumos da política climática, era necessário o financiamento por parte das economias ricas. Seus substitutos, Carlos França e Joaquim Leite, respectivamente, são tidos como mais técnicos.

Demissão de Ernesto Araújo e Ricardo Salles facilita diálogo na COP26, mas não é suficiente, avalia deputado. Foto: Arthur Max/AIG-MRE
Demissão de Ernesto Araújo e Ricardo Salles facilita diálogo na COP26, mas não é suficiente, avalia deputado. Foto: Arthur Max/AIG-MRE

“Essa troca [dos ministros] de certa forma ajuda nas discussões. Na conferência passada, o governo ficou passando o pires o tempo todo e atrapalhando muito as negociações. Nessa conferência, o Brasil está acuado. O mundo inteiro está cobrando uma atitude mais forte”, avaliou.

Para o deputado, a mudança de postura reflete uma preocupação do governo com a presença em fóruns internacionais e com a ameaça a acordos comerciais. O mundo está de olho nas ações do Brasil e sabe o que está acontecendo, para além das promessas.

“Nós perdemos nos três anos desse governo uma área de floresta do tamanho da Bélgica. […] O Brasil quer ocupar espaços internacionais importantes, quer concluir o acordo com o Mercosul, quer entrar pra OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), quer poder sentar à mesa com os países grandes. Para que isso aconteça, o Brasil vai precisar assumir compromissos e de certa forma mostrar que está fazendo alguma coisa”, pontua.

Obama cobra compromissos do Brasil na COP26

Em passagem pela COP26 nesta segunda-feira (8), o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama cobrou que o Brasil e países como Índia e Rússia liderem o combate à crise climática. 

Barack Obama na COP26
O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama cobrou compromisso de países em desenvolvimento com as metas ambientais/Foto: Fotos Públicas/Kiara Worth

“Foi particularmente desanimador ver os líderes de dois dos maiores emissores do mundo, China e Rússia, se recusarem a comparecer ao evento, e seus planos nacionais refletem o que parece ser uma perigosa falta de urgência, uma vontade de manter o status quo, da parte de ambos os países”, afirmou Obama. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também não compareceu ao encontro da cúpula.

“Isso é uma vergonha. Precisamos de economias avançadas como os EUA e a Europa liderando essa questão. Mas também precisamos de China e Índia, Rússia e Indonésia, África do Sul e Brasil. Não podemos permitir ninguém à margem”, completou o ex-presidente americano.

O Brasil firmou, na COP26, compromisso de reduzir em 30% as emissões de metano até 2030, um dos gases que geram o efeito estufa. Para o deputado federal Rodrigo Agostinho, trata-se de um objetivo factível, desde que haja investimento em tecnologia.

De acordo com o Sistema de Estimativa de Emissões de Remoções de Gases de Efeitos Estufa, 71,85% dessas emissões vêm da pecuária. E economias desenvolvidas já fazem a rastreabilidade da carne brasileira para garantir, por exemplo, que seja cultivada apenas em áreas já desmatadas anteriormente.

O parlamentar comentou ainda o negacionismo climático. Segundo ele, há o negacionismo por estupidez, por ignorância, e o negacionismo por interesse. “A maior parte da delegação aqui é de representantes da indústria do petróleo. A gente também tem um negacionismo por interesses, não apenas por estupidez e, claro, atrapalha. Tanto que a gente está na 26ª COP e até agora a gente não conseguiu criar ferramentas para enfrentar o problema da mudança climática”, declarou.

* A cobertura do Canal MyNews sobre a COP26 é realizada em parceria com a Vale

Fique por dentro das principais notícias do Brasil e do mundo no Café do MyNews, com apresentação de Juliana Braga

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Mudanças climáticas colocarão mundo em cenário de pobreza e fome https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/mudancas-climaticas-colocarao-mundo-em-cenario-pobreza-fome/ Tue, 09 Nov 2021 01:00:03 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mudancas-climaticas-colocarao-mundo-em-cenario-pobreza-fome/ Análises apontam para aumento da pobreza extrema e da fome. Mudanças climáticas também devem provocar queda do PIB, da produtividade agrícola, instabilidade política e social

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A Conferência do Clima da ONU (COP26) chegou nesta segunda (8) a um impasse sobre se os países conseguirão firmar um acordo para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e assumir compromissos com metas firmes e factíveis até a próxima sexta (12) – quando o evento será encerrado. Uma posição inusitada adotada em conjunto por Brasil, China e Índia deu um recado aos países ricos: se não transferirem recursos financeiros aos países com economias emergentes, não haverá acordo firmado na conferência de Glasglow.

É o que destaca o jornalista Jamil Chade – que realiza uma cobertura especial do evento, diretamente da Escócia. Chade teve acesso a um rascunho confidencial do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) – que será lançado apenas em fevereiro de 2022. O cenário mostrado pelo documento aponta para o aumento da pobreza, da fome e para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em diversos países.

Marcha para o Clima (Glasglow Green) na COP26/Foto: Fotos Públicas/The Left in the European Parliament

“A crise na negociação é profunda e a COP26 entra na sua fase final numa situação delicada. Não existe nesse momento uma perspectiva de que esse acordo chegue até sexta. O relatório do IPCC vai apontar justamente o impacto social das mudanças climáticas. Os números são assustadores”, alerta Jamil Chade.

As análises dos especialistas apontam para o aumento da pobreza extrema para mais 132 milhões de pessoas até 2030 e o aumento da fome para mais 80 milhões de pessoas. Também devem ocorrer a queda do PIB e da produtividade agrícola em várias regiões do mundo, num cenário que aponta para instabilidade política e social.

COP26 - protesto contra mudanças climáticas
Pessoas protestam por medidas para conter as mudanças climáticas durante a COP26, em Glasglow, na Escócia/Foto: Fotos Públicas/The Left in the European Parliament

As mudanças climáticas terão impacto direto noutra agenda firmada por 192 países: a Agenda 2030 do desenvolvimento sustentável. Se os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – negociados a partir da Rio+20 já pareciam distantes de serem alcançados no prazo, o aquecimento global pode distanciar o mundo ainda mais de compromissos como a erradicação da pobreza e da fome, saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero, universalização do acesso a água limpa e saneamento, energia acessível e limpa, consumo e produção responsáveis, crescimento econômico sustentável, entre outras metas.

No caso do Brasil, desde 2016 o país vem se distanciando do alcance desses objetivos, especialmente com a adoção do teto de gastos, com o desmonte das políticas ambientais e das políticas públicas com foco na redução das desigualdades sociais. Os dados sobre desmatamentos e queimadas, violência contra povos originários, quilombolas e agricultores familiares e o aumento da pobreza, do desemprego e da fome no país apontam para uma imagem deteriorada que não vai se recuperar com promessas vazias.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews é realizada em parceria com a Vale

 

Acompanhe a cobertura da COP26 do Canal MyNews, com o jornalista Jamil Chade, diretamente de Glasglow, na Escócia

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Sociedade civil cobra compromissos concretos das nações na COP26 https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/sociedade-civil-cobra-compromissos-concretos-nacoes-cop26/ Sun, 07 Nov 2021 18:31:35 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/sociedade-civil-cobra-compromissos-concretos-nacoes-cop26/ COP26 entra na semana final ainda sem acordo das nações sobre compromissos ambientais. Protestos acontecem em Glasglow, denunciando que Cúpula do Clima pode terminar sem resultados concretos

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Ao final da primeira semana da Conferência do Clima da ONU, a COP26, que acontece em Glasglow, na Escócia até o próximo dia 12 de novembro, as lideranças políticas responsáveis por se comprometerem com metas concretas de redução das emissões de gases de efeito estufa e demais medidas para frear o aquecimento global e, por consequência, as mudanças climáticas, têm enfrentado uma série de protestos da sociedade civil e de grupos que militam pelas causas ambientais. A principal crítica é a de que estão sendo anunciadas metas sem comprometimento efetivo e estratégias para alcançá-las.

COP26 - manifestação
Protestos têm tomado as ruas de Glasglow, na Escócia. Movimentos da sociedade civil exigem compromissos ambientais das nações na COP26/Foto: Redes Sociais/Reprodução

Na última sexta-feira (5) um protesto com cerca de 25 mil pessoas, segundo o jornal Washington Post, criticou o posicionamento das grandes nações – principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa. Outras manifestações reunindo milhares de pessoas aconteceram também no sábado (6) e neste domingo (7). A ativista Greta Thunberg chegou a classificar a COP26 como “um fracasso”. Thunberg afirmou que não é possível “resolver uma crise com os mesmos métodos que nos colaram nela”.

Entre os protestos, a Coalizão Negra por Direitos – entidade que reúne cerca de 250 organizações e movimentos sociais, lançou um manifesto exigindo a regularização das terras quilombolas e o comprometimento com a meta de zero desmatamento, além do fim do racismo ambiental no Brasil. A organização luta contra o genocídio da população negra, na cidade e no campo, “defendendo a terra, os territórios e as territorialidades negras como espaços de vida ambiental e humana, lutando, portanto, também, contra o racismo ambiental”.

“O governo do Brasil tem violado leis e códigos ambientais e o resultado tem sido o aumento do desmatamento das florestas na Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e no Pantanal. No caso da Amazônia, a floresta, os povos indígenas e as comunidades quilombolas têm sofrido os impactos do desmatamento e das atividades criminosas da mineração legal e ilegal. As ações criminosas se somam às queimadas legais e ilegais em escalas expressivas nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, impactando nos territórios dos povos e comunidades tradicionais. Assim como, historicamente, são as regiões onde mais ativistas de direitos humanos, indígenas, quilombolas e ambientalistas na luta em defesa das terras, das águas, das florestas e dos territórios são assassinados”, denuncia o documento da Coalizão Negra por Direitos.

Brasil tenta liderar acordo para transferência de recursos, mas esbarra em desconfiança de países na COP26

Segundo o jornalista Jamil Chade – que realiza cobertura especial da COP26 para o Canal MyNews, o governo brasileiro tenta apresentar uma proposta para criar um compromisso dos países ricos de transferirem recursos financeiros para as economias emergentes, no intuito de garantir a transição energética e climática.

Chade explica que a proposta foi apresentada no sábado (6), num momento crítico das negociações, na reta final do encontro, quando se espera que as nações cheguem de fato a acordos para reduzir as emissões de gases poluentes e se comprometam com ações tangíveis para frear o aquecimento global. A questão financeira está no centro do debate. O ponto crucial é sobre quem pagará a conta.

“Não há neste momento uma garantia de que esse acordo seja anunciado porque vários pontos, inclusive sobre o mercado de carbono, continuam em aberto. A parte técnica da negociação já foi concluída, mas a partir de segunda-feira (8) caberá aos ministros encaminharem a negociação e aí as decisões não serão mais técnicas, mas essencialmente políticas”, explica Jamil Chade.

O jornalista acrescenta que os países ricos estão hesitantes em se comprometerem com a distribuição de dinheiro, sem que haja um compromisso de redução, por exemplo, de desmatamento e de emissões de gases de efeito estufa. Na outra ponta, estão os países emergentes – argumentando que sem uma garantia de dinheiro, não será possível garantir um compromisso.

Marina Silva
Marina Silva foi a primeira entrevistada de Jamil Chade no Cruzando Fronteiras/Imagem: Reprodução/Canal MyNews

Na sexta (5), a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, na estreia do programa Cruzando Fronteiras – do Canal MyNews, considerou inexistente a credibilidade do governo brasileiro para assumir compromissos de conservação ambiental. “A credibilidade é inexistente. (…) O governo Bolsonaro se especializou em fazer anúncios vazios para ganhar tempo de fazer mais queimadas, mais desmatamentos e mais emissão [de gases]”, pontuou Marina Silva.

A semana promete ser de muito debate e pressão social para que políticos e grandes empresas se responsabilizem por ações ambientais concretas que terão impacto sobre a existência de vida na Terra em várias regiões do mundo ainda neste século XXI.

 

Acompanhe a cobertura especial do Canal MyNews sobre a COP26, diariamente, com o jornalista Jamil Chade

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews é realizada em parceria com a Vale


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Marina não acredita em promessas de conservação ambiental do governo Bolsonaro https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/marina-nao-acredita-promessas-conservacao-ambiental-governo-bolsonaro/ Sat, 06 Nov 2021 22:33:28 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/marina-nao-acredita-promessas-conservacao-ambiental-governo-bolsonaro/ Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva analisou o desmonte das políticas ambientais no governo Bolsonaro na estreia do novo programa de Jamil Chade no Canal MyNews

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Em entrevista ao jornalista Jamil Chade, na estreia do programa Cruzando Fronteiras, no Canal MyNews, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva disse não acreditar que o governo Bolsonaro vai realmente se comprometer com as metas ambientais propostas em Glasglow, na Escócia, onde acontece, até o próximo dia 12 de novembro, a Conferência do Clima da ONU (COP26). Para Marina Silva, a credibilidade do governo brasileiro atualmente é inexistente quando se trata de pautas ambientais.

“A credibilidade é zero. O governo Bolsonaro fez algo que é completamente irracional. É como se você tivesse uma árvore, tivesse que limpar um galho que está à tua frente. Você cerrasse o galho e deixasse ele bem fraquinho e depois tivesse que pular para ele. Foi isso que o governo Bolsonaro fez. Durante esses quase três anos do seu governo, ele ficou cerrando o galho da credibilidade, da proteção ao meio ambiente, da governança ambiental, da alocação de recursos. Tudo o que ele podia fazer para desconstruir o que ele encontrou e ainda agravar mais a situação, ele fez. Agora ele tenta recuperar isso sem nenhuma credibilidade de que terá como dar sustentação ao peso desses compromissos que assumiu”, analisou a ex-ministra brasileira.

Marina Silva
Marina Silva foi a primeira entrevistada de Jamil Chade no Cruzando Fronteiras/Imagem: Reprodução/Canal MyNews

Marina lembrou que diante do que já havia sido acordado na conferência de Paris, já existia um deficit em relação às metas ambientais e se o Brasil quisesse dar a contribuição que a gravidade do problema exige, no intuito de alcançar o patamar máximo de aumento da temperatura global em até 1,5ºC, em comparação com a temperatura do mundo na era pré-industrial, o compromisso assumido pelo país deveria ser uma redução na emissão de gases de efeito estufa de 80%, e não de 50% – como foi anunciado.

“Mas mesmo assim, ele [Bolsonaro] deu a pedalada e depois ele retoma o que foi acordado em Paris, mas não tem credibilidade. Qualquer meta precisa ser acompanhada de como se vai fazer. O governo Bolsonaro se especializou em fazer anúncios vazios para ganhar tempo de fazer mais queimadas, mais desmatamentos e mais emissão [de gases]”, pontuou Marina Silva.

O jornalista Jamil Chade – que está na Escócia fazendo a cobertura da COP26, com flashes diários para o Canal MyNews – lembrou que na conferência os especialistas em meio ambiente têm chamado o Brasil de “Black Friday” – numa referência as promoções realizadas no final de novembro nos Estados Unidos, por ocasião do Dia de Ação de Graças.

“Muitas pessoas destacaram que o Brasil agiu como a Black Friday, em que muitas lojas elevam os preços alguns dias antes e depois anunciam uma promoção de 50%. Assim, alcançar as metas fica fácil. Outro ponto que gerou desconfiança aqui em Glasglow foi quando o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Pereira Leite, mostrou uma perspectiva de queda do desmatamento em linha reta nos próximos anos e os especialistas dizem que é impossível que a redução do desmatamento aconteça em linha reta”, explicou Jamil Chade.

Marina Silva considera que o governo Bolsonaro se comprometeu com algumas metas apenas para ganhar tempo. “O que ele faz é isso: anuncia o Conselho da Amazônia e ganha tempo para desmatar mais e queimar mais. Agora ele faz o mesmo movimento, por pressão internacional e pressão interna brasileira, que é muito grande. A falta de credibilidade do governo é algo irreversível.

Para Marina Silva é preciso recompor a legislação ambiental e fortalecer as políticas públicas

Para a ativista ambiental, ex-senadora e ex-ministra é difícil estabelecer um prazo para que o desmonte nas políticas ambientais possam ser mitigados e revertidos, pois não se têm a total ideia do que representa esse desmonte.

“O que precisa fazer é recompor os orçamentos do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama e do ICMBio, recompor o quadro técnico, parar de sinalizar que vai mudar a legislação para tornar legal o ilegal. Uma corrupção normativa para mudar a lei. Deixar de perseguir as comunidades indígenas e alinhar o trabalho do Ibama e do ICMBio, agindo conjuntamente. O interessante é que já se sabe como fazer e tem como retomar e atualizar as medidas. É preciso retomar a criação de unidades de conservação e deixar de empoderar os criminosos. Hoje eles estão altamente empoderados com as ações do governo”, afirmou Marina Silva, lembrando que recentemente garimpeiros ilegais assassinaram indígenas isolados na comunidade Yanomami.

A entrevista com Marina Silva marcou a estreia do novo programa de Jamil Chade no Canal MyNews. O Cruzando Fronteiras trará sempre temas atuais, debatidos com convidados interessantes, e será transmitido diretamente da sede da ONU na Suíça.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale

 

Veja a íntegra da entrevista de Jamil Chade com Marina Silva, no Cruzando Fronteiras, no Canal MyNews

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Sem Bolsonaro, governadores lideram posição do Brasil na COP26 https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/governadores-lideram-posicao-brasil-cop26/ Sat, 06 Nov 2021 00:46:58 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/governadores-lideram-posicao-brasil-cop26/ Os governadores presentes na COP26 fizeram o lançamento oficial do Consórcio Brasil Verde – organizado pelo movimento Governadores pelo Clima

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Sem a presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Conferência do Clima da ONU (COP26), os governadores têm assumido o protagonismo, liderando negociações em busca de recursos e se apresentando como representantes do Brasil na conferência. Os governadores presentes na COP26 fizeram o lançamento oficial do Consórcio Brasil Verde – organizado pelo movimento Governadores pelo Clima, na manhã desta quinta (4). Participaram do evento os governadores do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) – presidente do consórcio; do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM).

COP26 - Governadores pelo Clima
Governadores estão liderando negociações em nome do Brasil na COP26 e lançaram o Consórcio Brasil Verde/Foto: Maurício Tonetto/Fotos Públicas/Palácio Piratini

Ao todo, 22 estados participam do Consórcio Brasil Verde: Alagoas, Amapá, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Segundo o jornalista Jamil Chade, que realiza a cobertura da COP26 diretamente de Glasglow, na Escócia, as lideranças estaduais tiveram reuniões com representantes de diversos países e blocos econômicos, incluindo Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos, China e França, entre outros possíveis parceiros, em busca de formas de viabilizar projetos.

“Apresentando metas, mas tentando descolar a imagem do governo brasileiro. Um dos encontros nesta quinta (4) foi com o Príncipe Charles, do Reino Unido, um dos ativistas que trata das questões climáticas há alguns anos. Foi esse mesmo ativista monarca que no fim de semana foi esnobado por Jair Bolsonaro. No domingo, no final da reunião do G20, em Roma (Itália), o príncipe Charles fez um discurso sobre mudanças climáticas e sobre a necessidade de agir, e um líder não apareceu para ouvir o príncipe: Jair Bolsonaro”, destaca Jamil Chade.

 

Acompanhe os boletins diários de Jamil Chade direto da COP26, na Escócia, diariamente, no Canal MyNews

O Reino Unido tem liderado uma mobilização bilionária de recursos para financiar a proteção da floresta amazônica, com meta de reverter o desmatamento da floresta e também de proteger outros biomas brasileiros, como o cerrado. Entre os investimentos que estão sendo mobilizados aparecem iniciativas já existentes, como o Financiamento Internacional sobre o Clima (ICF), que deve receber mais 300 milhões de libras, e a Coalizão LEAF, com um aporte de mais 200 milhões de libras.

A iniciativa faz parte do acordo assinado pelos mais de 100 líderes mundiais para acabar com o desmatamento no mundo, com recursos que alcançam 8,75 bilhões de libras em financiamento público e 5,3 bilhões de libras em investimentos privados.

COP26 quer incluir mercado financeiro nos compromissos de conservação ambiental

A COP26 também tem discutido como atrair o mercado financeiro para as iniciativas de conservação ambiental, integrando compromissos entre governos e instituições financiadoras para criar novos critérios de investimentos em atividades produtivas sustentáveis.

O Brasil é um dos 28 países signatários da nova Declaração de Florestas, Agricultura e Comércio de Commodities (Fact) – que pretende colocar em prática um conjunto de medidas para permitir um comércio local e internacional sustentável, que reduza o impacto ambiental e ao mesmo tempo apoie a agricultura familiar e melhore as cadeias produtivas. Esses países representam 75% do comércio global de commodities com potencial de ameaçar a conservação florestal, entre as quais estão a soja, o cacau e o óleo de palma.

“A COP26 chegou à constatação que no setor financeiro está parte da solução para o debate ambiental. Para a COP26 só haverá uma solução quando governos, empresas e ambientalistas estiverem na mesma rota e que exista dinheiro para financiar novos projeto e novas tecnologias”, analisou o jornalista Jamil Chade, para quem o setor financeiro precisa de novos parâmetros para determinar seus investimentos, para não financiar – muitas vezes com dinheiro público, atividades que provocam danos ambientais.

“No caso brasileiro, a pecuária é subsidiada pelo Estado e vai precisar provar que é ambientalmente correta para continuar vendendo para a Europa. O financiamento público precisará ser repensado de forma que ajude a lidar com a questão climática e não aprofunde a crise ambiental”, pontuou Chade.

Agressões a jornalistas em Roma são denunciadas à ONU

O jornalista Jamil Chade e o jurista Paulo Lugon Arantes denunciaram as agressões sofridas por jornalistas brasileiros durante a viagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao encontro do G20 (grupo de países mais ricos do mundo), em Roma (Itália), no último domingo (31/10).

Foi entregue à ONU e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos uma petição para que as entidades cobrem explicações ao governo brasileiro sobre as agressões aos jornalistas que acompanhavam um passeio de Jair Bolsonaro pelas ruas da capital italiana. Os jornalistas tentavam fazer algumas perguntas ao presidente durante a caminhada. Um repórter da Rede Globo recebeu um soco e o jornalista Jamil Chade teve o celular retirado e o braço torcido, enquanto gravava as imagens da agressão por parte de supostos seguranças da comitiva presidencial.

“Não há explicação sobre quem cometeu as agressões. Não há explicações por parte das autoridades. Quem contratou, ou se são policiais oferecidos pelo governo italiano para garantir segurança de Jair Bolsonaro”, explicou Jamil Chade, que aguarda que as entidades cobrem do governo brasileiro respostas sobre as agressões aos jornalistas.

* A cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale

 

COP26 mira o mercado financeiro como parceiro estratégico para alcançar metas de conservação ambiental. Confira no Quarta Chamada, no Canal MyNews

* Com informações da Embaixada do Reino Unido

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Bolsonaro não vai a Glasgow para COP-26 https://canalmynews.com.br/politica/bolsonaro-nao-vai-a-glasgow-na-cop-26/ Thu, 04 Nov 2021 13:30:53 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/bolsonaro-nao-vai-a-glasgow-na-cop-26/ Ausência do governo na COP-26 deve limitar ainda mais o relacionamento do Brasil com demais países. Enquanto ações sobre o meio ambiente são discutidas, indígenas brasileiros seguem reivindicando espaço sem serem ouvidos

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Começou a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, COP-26, em Glasgow, Escócia. O evento tem como objetivo reafirmar os riscos que o planeta corre com as mudanças climáticas, enfatizar a importância da defesa da natureza e obter compromissos dos líderes mundiais. Ações de desenvolvimento e preservação do meio ambiente, emissão de gases que provocam efeito estufa e aquecimento global são temas que devem ser debatidos no evento.

Ao todo, segundo os signatários do Acordo de Paris, a COP-26 reúne representantes de 196 países.  Cerca de 20 mil pessoas estão envolvidas para que o evento previsto até o dia 12 de novembro possa ser realizado.

Nesta edição, o presidente Jair Bolsonaro optou em não comparecer. Bolsonaro, que estava na Itália participando do G20, permaneceu no país para visitar a cidade de seus antepassados e realizar homenagens a militares mortos na guerra. Em pronunciamento gravado, o presidente discursou com poucas soluções práticas, mas afirmou que o país é capaz de diminuir a emissão de carbono.

Pronunciamento Bolsonaro a COP-26
Pronunciamento em rádio e TV Foto: Reprodução

Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente, foi o representante do Brasil na abertura da COP-26. Ele afirmou que o país poderá reduzir a emissão de gases em 50% até 2030. Leite projetou que o país vai neutralizar as emissões até 2050. Ainda em seu pronunciamento, o ministro enfatizou que o governo brasileiro irá zerar o desmatamento ilegal até 2028. Assim como o presidente, Leite não esteve em Glasgow para participar do evento. Sua transmissão foi feita de Brasília. 

No governo Bolsonaro foram registrados crescimento de desmatamento, queimadas, emissões de gases do efeito estufa e invasões de áreas públicas. 

Em entrevista ao Almoço do MyNews, o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, que está participando do COP-26 diretamente de Glasgow, disse que “o presidente não estar aqui (em Glasgow) com tantos líderes globais ao mesmo tempo é uma perda de oportunidade. Na verdade, o prejuízo do Brasil viria de qualquer maneira, ele vindo ou não vindo, ele prejudica a imagem do país. Bolsonaro não desperdiçou nenhuma oportunidade em colocar propostas absurdas, chegando a negar a questão ambiental na Assembleia Geral da ONU, e diz que a culpa do desmatamento era dos indígenas e que a Amazônia não pegava fogo”.

Diante dessa imagem, um discurso que precisa ser valorizado é o da indígena brasileira Txai Suruí. A jovem questionou as ações políticas realizadas até o momento e acusou os líderes políticos de fecharem os olhos para a realidade. Para ela, a ação precisa ser feita agora que o seu povo vem sendo assassinado por proteger a terra.

“Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, e nós precisamos estar no centro das decisões sendo tomadas aqui”, afirmou Suruí.

Boris Johnson, primeiro-ministro da Inglaterra, fez a abertura da conferência com um discurso enfático sobre a importância de ações rápidas, pois os efeitos da emissão de dióxido de carbono, poluição ambiental e desmatamento são problemas atuais e que precisam ser resolvidos agora. Discurso pragmático e emergencial, mas que já foi feito por outras autoridades até mesmo em edições anteriores à conferência em Glasgow.

“O Boris Johnson quando diz isso, parece que ele se exime da responsabilidade que ele mesmo realiza dentro do seu governo. A Inglaterra não paralisou os investimentos em combustíveis fósseis. Tem planos para o futuro, investindo em energia renovável, mas continua com subsidio para estes combustíveis (fósseis)   “  afirma Marcio Astrini.

A meta prevista pela COP-26 é limitar o aumento da temperatura global em 1,5ºC até o final deste século. Um objetivo ousado num cenário de destruição ambiental. O evento será transmitido no site https://www.brazilclimatehub.org/ – em português e inglês – com o intuito de aproximar os debates que ocorrem na conferência da população brasileira

* A Cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale.

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Mudanças climáticas exigem compromisso claro de países com metas https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/mudancas-climaticas-exigem-compromisso-paises/ Wed, 03 Nov 2021 22:39:09 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/mudancas-climaticas-exigem-compromisso-paises/ Brasil ainda é visto como pouco flexível a firmar acordos para frear as mudanças climáticas. Compromissos assumidos precisam estar no documento final do evento

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Depois dos discursos iniciais das autoridades de mais de 100 países que abriram os trabalhos na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP26), que acontece em Glasglow, na Escócia, até o próximo dia 12 de novembro, a expectativa dos participantes do evento é de que os compromissos anunciados pelas lideranças realmente façam parte do documento final. O processo de negociação sobre que acordos que serão firmados para garantir a conservação ambiental nas próximas décadas e para frear o aquecimento global é lento e demanda muito esforço.

No primeiro dia do evento, a ativista indígena brasileira Txai Surui, de 24 anos, falou que os líderes globais “fecharam os olhos” para a mudança climática e apelou por medidas imediatas, e não com metas para 2030, ou 2050.

Txai Surui - mudanças climáticas - COP26
Ativista indígena brasileira Txai Surui disse que países fecharam os olhos para as mudanças climáticas/Foto: Fotos Públicas

A meta principal da COP26 é conseguir o comprometimento dos países com o limite de 1,5ºC de aumento da temperatura da Terra, até o final desse século – tendo como referência a temperatura global da era pré-industrial. Longe de ser uma meta simples, as medidas necessárias para alcançar esse objetivo demandarão bastante negociação e que os principais emissores de gases do efeito estufa realmente se comprometam com modos de produção sustentáveis.

“As primeiras impressões apontam que não será um acordo fácil. A cúpula está sendo vista como a última chance, pois o mundo sabe que está se esgotando o tempo para que medidas concretas sejam adotadas. No caso do Brasil, o país está tentando quitar suas hipotecas internacionais acumuladas nos últimos dois anos e meio. Mas de nada valem as declarações sem acordos no texto final”, explica o jornalista Jamil Chade – que faz uma cobertura especial da COP26 para o Canal MyNews.

 

Acompanhe a cobertura especial de Jamil Chade na COP26 no Canal MyNews

Chade explica que o Brasil ainda é visto com uma posição resistente e pouco flexível para firmar acordos e se quiser mudar a imagem do país, precisará adotar uma outra postura nas negociações. Apesar dos compromissos assumidos de reduzir as emissões de CO2 e de metano e de frear o desmatamento até 2030 – a expectativa ainda é de que o governo apresente de forma clara como mudará a política ambiental implementada nos últimos anos.

“O país anunciou o corte nas emissões de CO2 e metano até 2030 e inclusive foi aplaudido por John Kerry – enviado especial dos Estados Unidos para questões climáticas – e não o ator Jim Carrey, como confundiu o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas não se pode confundir anúncio com medidas concretas e o Brasil precisa dizer o que vai mudar na política ambiental brasileira para que os compromissos sejam atingidos. Nos últimos anos houve um desmonte da política ambiental brasileira, com retirada de recursos para lutar contra o desmatamento. De onde virá o dinheiro e como será reconstruída a política ambiental brasileira?” – questiona Jamil Chade, reverberando questões que o mundo está fazendo neste momento.

Exposições fotográficas mostram a diversidade e as belezas da Amazônia na COP26

No Climate Action Hub – espaço organizado pela sociedade civil brasileira dentro da COP26 – é possível visitar a exposição “Amazônia”, de Sebastião Salgado, e a mostra “Para quem está por vir”, com fotógrafos da região Norte do Brasil.

A exposição de Sebastião Salgado – que registra o cotidiano de 12 comunidades indígenas da Amazônia – está atualmente em cartaz no Science Museum, em Londres, e terá uma pequena mostra durante a Conferência do Clima. Já a mostra “Para quem está por vir”, tem curadoria de Eduardo Carvalho e Vanessa Gabriel-Robinson e foi montada especialmente para o evento, com fotografias Marcela Bonfim (Rondônia), Nailana Thiely (Pará) e Bruno Kelly (Amazonas).

Transição energética no Nordeste brasileiro é tema de debate

Nesta quinta (4), dentro da programação do Climate Action Hub, haverá a palestra “O Nordeste Brasileiro e o potencial da Transição Energética Justa no Brasil”, quando serão apresentados estudos sobre o potencial de energia renovável da região, com discussão sobre os desafios inseridos nessa transição, entre os quais a pobreza energética e os impactos fundiários. O evento pode ser acompanhado ao vivo, através do site da plataforma.

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O presidente Jair Bolsonaro confundiu o enviado do governo dos Estados Unidos John Kerry com o ator Jim Carrey

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COP26: líderes mundiais assinam compromisso para diminuir a emissão de metano em 30% https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/cop26-lideres-mundiais-assinam-compromisso-para-diminuir-a-emissao-de-metano-em-30/ Wed, 03 Nov 2021 22:29:15 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-lideres-mundiais-assinam-compromisso-para-diminuir-a-emissao-de-metano-em-30/ O Brasil é um dos cinco maiores emissores de metano no mundo e assinou o acordo

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Nesta terça-feira (2), na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), cem líderes mundiais assinaram os compromissos de reduzir emissões de metano em 30% e acabar com o desmatamento em 2030. Os esforços para a assinatura do acordo partiram dos Estados Unidos e União Europeia. A conferência da ONU sobre o clima está sendo realizada em Glasgow, na Escócia, desde domingo (31).

O Brasil é um dos cinco maiores emissores de metano no mundo e assinou o acordo. No entanto, China, Rússia e Índia, que também estão entre os principais poluentes, não estão entre os signatários.

O metano é um gás muito poluente e tem um poder de aquecimento 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono, sendo um dos principais gases causadores do efeito estufa. Minas de carvão a céu aberto, pecuária, petróleo e aterros são fontes do gás.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Foto: Doug Peters/ UK Government

Recado da Rainha na COP26

Em uma mensagem de vídeo divulgada nesta terça, a Rainha Elizabeth II disse para os líderes participantes da COP26 se elevarem acima das políticas do momento e agirem como verdadeiros chefes de Estado para promoverem um futuro mais seguro e estável para o planeta.

A rainha era esperada para participar da conferência, mas por motivos médios, cancelou a participação.  Já o príncipe Charles e o príncipe William, filho e neto da monarca, estão participando da reunião da ONU.

 

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Brasil está comprometido com as urgências da COP26? https://canalmynews.com.br/politica/brasil-esta-comprometido-com-as-urgencias-da-cop26/ Wed, 03 Nov 2021 22:18:13 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/brasil-esta-comprometido-com-as-urgencias-da-cop26/ Discurso dos líderes mundiais durante a COP26 não reflete a realidade e urgência do problema representado pela emissão de carbono. Promessas do passado repetem-se hoje sem grandes avanços.

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O governo brasileiro se comprometeu a cortar 50% das emissões de carbono, gás que contribui para o efeito estufa. O anúncio, feito nesta segunda-feira (01) durante o painel do país na COP26, a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, em Glasgow,  pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite,  prevê a neutralização das emissões de carbono até 2050.

Este direcionamento atualiza a contestada posição pré firmada pelo governo antes da Cúpula do Clima, em que se comprometia a cortar 43% da emissão de gases. O novo anúncio foi criticado por ser o mesmo corte anteriormente firmado por Dilma Rousseff em 2015, no Acordo de Paris. A diferença agora é o uso de uma nova base de cálculo.

Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, em painel da COP26/Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Em 2015, o cálculo foi feito em relação ao padrão de 2005, que era de 2,1 gigatoneladas anuais de CO2e (dióxido de carbono equivalente). Já o governo atual, em dezembro de 2020, realizou uma nova estimativa do nível de emissão de 2005. Agora a referência é de  2,8 gigatoneladas de CO2e. 

“Me parece mais uma fala para encontro internacional, para tentar mais recursos neste campo do que um compromisso sério do governo brasileiro”, afirma Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unifesp, em entrevista ao Almoço do MyNews.

Para a professora, o governo brasileiro realiza um projeto de destruição ambiental que vem vigorando desde 2019 com mudanças de regras, desmonte dos órgãos ambientais, de fiscalização, de formalização de políticas públicas e, também, um desmonte no setor de ciência e tecnologia.

“Não existem políticas públicas reais que estejam trabalhando no sentido de mostrar ao mundo e trazer para sociedade brasileira a sensação que algo vai ser feito para mudar aquilo que vem sendo aplicado desde 2019”, acrescenta Pecequilo.

Discursos na COP26 não impressionam

O Brasil é um dos mais de 100 países que se comprometeram a realizar reduções drásticas nas emissões de gases do efeito estufa até 2030. Essa diminuição é vista como uma realidade que não pode ser deixada em segundo plano, com riscos de refletir em mudanças climáticas irreversíveis sentidas por esta geração nos próximos anos. Se as medidas forem cumpridas, ainda sim, o planeta vai registrar 1,5ºC de aumento na temperatura média da Terra.

Para a professora, os discursos na COP26 não impressionam: “A gente vem acompanhando as manifestações desde a Rio 92, e veja, nós estamos hoje em 2021, e lá já se falava de aquecimento global, preservação das florestas e oceanos, extinção das espécies. Tudo aqui que está na mesa, em Glasgow, é uma agenda que vem desde aquele momento. Para a gente, que vem cobrindo há muitos anos, causa um certo desamparo. Toda vez que vamos ter uma COP ou uma conferência ambiental de grande porte, os assuntos são os mesmos, os problemas são os mesmos e as questões vêm se agravando. Pelo que me parece existe um descolamento do que os líderes falam, o que eles praticam e o que eles passam para a população. Existe negacionismo sobre o meio ambiente desde a Rio 92”.

Primeiro Ministro da Inglaterra Boris Johnson faz discurso de abertura da Cop26. Foto: Karwai Tang/ UK Government

A temperatura média do planeta subiu 1,1 graus desde a Revolução Industrial, no século 19. O aumento da temperatura é irreversível e, no melhor dos casos, podemos chegar a 1,5°C nas próximas duas décadas. Com base nestes fatos, os cientistas afirmam que o nível dos oceanos vai se elevar. 

* A Cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale.


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Na Europa para o G20, Bolsonaro não comparecerá à Conferência do Clima https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/na-europa-para-g20-bolsonaro-nao-comparecera-a-conferencia-do-clima/ Mon, 01 Nov 2021 14:01:57 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/na-europa-para-g20-bolsonaro-nao-comparecera-a-conferencia-do-clima/ Bolsonaro foi recebido pelo presidente italiano, Sergio Matarella, antes do início da Cúpula do G20. Imagem do Brasil está arranhada diante do mundo por conta do desmatamento e da falta de políticas ambientais

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viajou para a Europa para participar da reunião do G20 – evento que reúne as 20 maiores economias do mundo e que este ano servirá de aquecimento para a Conferência do Clima da ONU, a COP26. Entretanto, mesmo estando na Itália, o presidente brasileiro não seguirá para Glasglow, na Escócia, onde ocorrerá o debate sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas.

Bolsonaro foi recebido nesta sexta (29) pelo presidente italiano Sergio Matarella e visitará a cidade de Pádua, no Norte da Itália, onde fará uma homenagem aos militares brasileiros que morreram durante a Segunda Guerra Mundial. O presidente brasileiro pretende visitar a basílica de Pádua. A diocese da região informou que não receberá o presidente brasileiro oficialmente, com honras de chefe de estado, mas se ele quiser visitar a igreja como um peregrino, as portas estão abertas.

Bolsonaro e Sergio Matarella antes da reunião do G20
O presidente Jair Bolsonaro se encontrou com o presidente da Itália, Sergio Matarella, nesta sexta-feira (29)/Foto: Alan Santos/PR

Segundo o jornalista Jamil Chade – que está em Roma, na Itália, o Brasil vive um momento de pressão por conta do desmatamento e também por causa das políticas públicas do governo Jair Bolsonaro, de desmonte dos controles ambientais no país. Bolsonaro passou o dia fazendo turismo em Roma, visitou pontos turísticos e caminhou pelas ruas da cidade.

“Hoje Bolsonaro é um personagem tóxico e que não suscita nenhum tipo de credibilidade. No G-20 ele certamente enfrenta resistências e até uma certa desconfiança das outras delegações. Já em Glasglow, ele sequer viajará para a Cúpula do Clima. Mais de cem líderes tomarão a palavra nos dias 1º e 2 de novembro, mas Bolsonaro optou por uma outra programação pela Europa. Bolsonaro optou por não ir à Cúpula do Clima e o mundo percebeu isso”, explicou Chade.

Na próxima segunda (1º), o presidente do Brasil visitará a cidade de Anguillara Veneta, onde receberá o título de cidadão honorário oferecido pela prefeitura local, cuja administradora, a prefeita Alessandra Buoso, é ligada ao partido de extrema direita Liga Norte.

Nesta sexta, houve protestos na cidade, em frente a prefeitura, organizado por grupos políticos e organizações sociais. A fachada da prefeitura foi pichada com a frase “Fora Bolsonaro”.

MyNews terá cobertura especial da Conferência do Clima da ONU, direto da Escócia

O Canal MyNews terá, a partir deste domingo uma cobertura especial da Conferência do Clima da ONU, a COP26, direto de Glasglow, na Escócia. O jornalista Jamil Chade trará diariamente os principais assuntos debatidos na COP26, com informações exclusivas e análises especiais.

O Canal MyNews fará uma cobertura integrada da COP26

* A Cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale.

 

Confira a análise do jornalista Jamil Chade sobre a presença de Bolsonaro no G20, no Canal MyNews

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G20: Bolsonaro mente sobre popularidade e economia brasileira https://canalmynews.com.br/politica/g20-bolsonaro-mente-sobre-popularidade-e-economia-brasileira/ Mon, 01 Nov 2021 14:01:44 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/g20-bolsonaro-mente-sobre-popularidade-e-economia-brasileira/ Conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ocorreu na antessala da reunião do G20

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mentiu em uma conversa com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ao falar que tem amplo apoio popular e que a economia brasileira está crescendo. A conversa ocorreu na antessala do local onde o G20 se reuniu neste sábado (30), em Roma.

Ao lado do ministros Paulo Guedes (Economia) e Carlos França (Itamaraty), o presidente ainda criticou a Petrobras e a imprensa.

Na ocasião, Bolsonaro ignorou Olaf Scholz, vencedor das eleições na Alemanha, país que é parceiro comercial do Brasil.

 

Menor crescimento em 2022

De acordo com uma pesquisa da Reuters, a economia brasileira deve registrar o pior desempenho entre as 20 principais do mundo em 2022. O estudo ainda mostrou que o país pode enfrentar uma recessão no próximo ano.

Já sobre a popularidade de Jair Bolsonaro, a última pesquisa Datafolha, divulgada em 16 de setembro, mostrou que a reprovação do presidente ficou em 53%, pior índice do mandato.

Reunião da cúpula de líderes do G20, em Roma, na Itália. Foto: Alan Santos/PR

MyNews terá cobertura especial da Conferência do Clima da ONU, direto da Escócia

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COP26 começa exigindo compromisso para frear aquecimento global https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/cop26-comeca-exigindo-compromisso-frear-aquecimento-global/ Mon, 01 Nov 2021 14:01:42 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/cop26-comeca-exigindo-compromisso-frear-aquecimento-global/ O Brasil – que desde a Rio-92 liderou esse debate, do alto da posição de quem detém o pulmão do mundo – a Floresta Amazônica – chega a Glasglow, na Escócia, com a imagem abalada

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Começa neste domingo a COP26 – a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que debaterá até o próximo dia 12 de novembro sobre como o mundo pode se comprometer com metas para reduzir drasticamente o aquecimento global, de modo a frear as mudanças climáticas e o cenário de catástrofes ambientais e humanitárias que um planeta mais quente anuncia já para as próximas décadas.

Sustentabilidade
Lideranças de todo o mundo se reúnem em Glasglow, na Escócia, para debater compromissos ambientais na COP26, até o próximo dia 12 de novembro/Imagem: Pixabay

A meta a ser alcançada é limitar o aumento da temperatura a no máximo 1,5ºC até o final deste século. Um objetivo ousado num cenário de destruição ambiental e de pouco compromisso dos países mais industrializados com as reduções de gases do efeito estufa.

O Brasil – que desde a Rio-92 liderou esse debate, do alto da posição de quem detém o pulmão do mundo – a Floresta Amazônica – chega a Glasglow, na Escócia, com a imagem abalada por uma política ambiental praticamente inexistente e manchada pelo aumento das queimadas, desmantelamento dos órgãos de fiscalização e perseguição aos povos originários.

Estarão presentes 190 líderes mundiais, com expectativa de circulação de mais de 20 mil pessoas no evento. O posicionamento do Brasil durante a cúpula pode amenizar a péssima imagem que o Brasil cultivou nos últimos anos, ou colocar de vez o país como um pária diante da conservação ambiental e do futuro econômico, social e tecnológico que aponta cada vez mais para a necessidade de um pacto de conservação ambiental.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não comparecerá à COP26. Apesar de estar na Europa, onde participou da reunião de Cúpula do G-20 (as 20 maiores economias do mundo) – Bolsonaro optou por permanecer na Itália e viajar para o Norte do país, onde nesta segunda receberá o título de cidadão honorário na pequena cidade de Anguillara Veneta. O título honorário será oferecido pela prefeita Alessandra Buoso – filiada ao partido de extrema direita Liga Norte. A homenagem já provocou diversos protestos na região, organizadas por entidades da sociedade civil e por partidos de esquerda.

Sociedade civil terá espaço para debater compromisso do Brasil com metas ambientais

A sociedade civil organizada brasileira terá um espaço montado dentro da Conferência do Clima, em Glasglow, na Escócia, onde serão debatidas estratégias de como manter vivo o Acordo de Paris e a meta de aquecimento máximo do planeta em 1,5º neste século. A iniciativa, batizada de Brazil Climate Action Hub, é organizada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto ClimaInfo e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

A abertura do espaço acontecerá no dia 2 de novembro, na Zona Azul da COP26, com uma programação que será transmitida através do site https://www.brazilclimatehub.org/ – em português e inglês – com o intuito de aproximar os debates que ocorrem na conferência da população brasileira. A programação será transmitida ao vivo, mas para acompanhar, deve-se considerar o fuso horário de três horas a mais, em relação ao horário de Brasília (DF).

MyNews tem cobertura especial da COP26 até o próximo dia 12 de novembro

O Canal MyNews terá, a partir deste domingo uma cobertura especial da Conferência do Clima da ONU, a COP-26, direto de Glasglow, na Escócia. O jornalista Jamil Chade trará diariamente os principais assuntos debatidos na COP-26, com informações exclusivas e análises especiais.

* A Cobertura da COP26 do Canal MyNews está sendo realizada em parceria com a Vale


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Clima Internacional https://canalmynews.com.br/dialogos/clima-internacional/ Fri, 29 Oct 2021 21:16:55 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/clima-internacional/ Às vésperas da COP-26 em Glasgow, que reunirá lideranças para discutir metas e compromissos dos países em relação às mudanças no clima, a imagem do Brasil continua altamente deteriorada

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Meio Ambiente é tema essencial da agenda brasileira. Tem sido assim historicamente. Pioneiro em criar uma estrutura governamental para sistematizar o setor e detentor de uma das mais importantes biodiversidades do mundo, o Brasil é um player relevante nesta matéria, servindo de referência ao longo dos anos em política ambiental por diversos governos.

Internacionalmente o país se tornou interlocutor respeitado no assunto logo depois de sediar a Rio 92, conferência internacional das Nações Unidas, que recebeu dezenas de Chefes de Estado e Governo, assim como lideranças ambientais e ONGs para amplo debate sobre os rumos da questão ambiental. A partir daquele momento, o Brasil, que retomava sua democracia, adquiria legitimidade real para tratar do tema.

Termômetro mostra aumento da temperatura - mudanças no clima
De interlocutor respeitado na Rio-92 à imagem arranhada na COP-26. Como o Brasil chega a Glasglow?/Imagem: Pixabay

Fato é que a imagem internacional do Brasil dialogou de forma profícua com a questão ambiental ao longo dos anos, passando a um entrelaçamento natural. Tanto na esfera multilateral, como nas relações bilaterais, esta agenda integrou-se em nossa política externa como tema relevante e estratégico. Isto significa, em outras palavras, que a percepção internacional do Brasil passou a transitar também por este assunto.

No governo Bolsonaro houve uma inversão. O Brasil saiu da posição de player para pária na questão ambiental. Às vésperas da COP-26 em Glasgow, que reunirá lideranças de todo o mundo para discutir metas e compromissos dos países em relação às mudanças climáticas, a imagem do Brasil continua altamente deteriorada quando o assunto é meio ambiente. Foram negativas 80,7% das 114 reportagens sobre o tema publicadas sobre o país de janeiro a setembro deste ano em alguns dos mais importantes veículos das Américas.

Grande número de notícias nos primeiros nove meses do ano deu destaque a questões relativas a Amazônia e políticas do presidente Bolsonaro “que estão ativamente prejudicando a floresta tropical”. Algumas reportagens colocaram o tema ambiental em perspectiva mais ampla, na esfera das chamadas melhores práticas em governança, mas sempre em desfavor do Brasil. Isto ficou estampado em publicações como Wall Street Journal, The Economist, Libération, Toronto Star e La Nación. Muitas matérias têm especial foco em Minas Gerais, pois citam a terrível tragédia em Brumadinho, além do desastre em Mariana e a contaminação do Rio Doce.

O Brasil tem diante de si mais uma oportunidade para operar uma guinada profunda em sua imagem internacional. A conferência em Glasgow apresenta-se como instrumento para este caminho. Os governos estrangeiros pouco esperam de Bolsonaro, é verdade, mas uma política mais profissional e menos ideológica já cairia muito bem para o Brasil.

Ao dialogar de forma propositiva, existe real possibilidade de colhermos êxito. Podemos discutir a agenda climática, fortalecendo nossa posição histórica de referência no meio-ambiente e construir pontes para a discussão de uma série de assuntos estratégicos. Assim como no período pós-Rio-92, seria inteligente voltar a liderar esta agenda como o mais importante player internacional. Uma estratégia de longo prazo com benefícios políticos e sociais, além dos reflexos positivos diretos na imagem internacional do Brasil.


Quem é Márcio Coimbra?

Márcio Coimbra é presidente da Fundação Liberdade Econômica. Ex-Diretor da Apex-Brasil. Cientista Político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos, Espanha.


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Biden reúne líderes para debater meio ambiente e Bolsonaro fica de fora https://canalmynews.com.br/mais/biden-reune-lideres-debater-meio-ambiente-bolsonaro-fica-fora/ Fri, 17 Sep 2021 22:04:20 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/biden-reune-lideres-debater-meio-ambiente-bolsonaro-fica-fora/ Reunião ocorre antes da COP26. Joe Biden se reuniu com representantes de vários países. Entre latinos, México e Argentina participaram, Brasil não

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu virtualmente nesta sexta-feira (17) com líderes mundiais para debater as mudanças climáticas. O evento foi batizado de Fórum das Grandes Economias sobre Energia e Clima, MEF na sigla em inglês, e não contou com a participação de representantes do Brasil.

Jair Bolsonaro escuta o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a Cúpula do Clima. Foto: Marcos Corrêa/PR/Fotos Públicas.
Jair Bolsonaro escuta o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a Cúpula do Clima. Foto: Marcos Corrêa/PR/Fotos Públicas.

O objetivo do encontro é iniciar as discussões para a COP26, a conferência sobre mudanças climáticas da ONU. O encontro acontece entre 1º e 12 de novembro em Glasgow, na Escócia.

Entre os participantes da reunião liderada por Biden estão o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, representantes da União Europeia, Grã-Bretanha, Bangladesh, Indonésia e Coreia do Sul. Da América Latina, representantes de Argentina e México estiveram presentes. O Brasil não participou do evento. Líderes da China e da Rússia também ficaram de fora.

No discurso, Biden pediu aos líderes mundiais para reduzir as emissões de metano. Estados Unidos e União Europeia concordaram em cortar as emissões do gás em um terço até o final desta década.

Assista ao Jornal do MyNews, de segunda a sexta, a partir das 18h40, no Canal MyNews. Apresentação de Myrian Clark e Hermínio Bernardo

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Marcello Brito: agronegócio está preocupado com postura do Brasil em relação ao meio ambiente https://canalmynews.com.br/economia/marcello-brito-agronegocio-preocupado-brasil-meio-ambiente/ Fri, 03 Sep 2021 20:35:04 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/marcello-brito-agronegocio-preocupado-brasil-meio-ambiente/ Descontentes com a política ambiental adotada no governo Jair Bolsonaro, parte dos empresários do agronegócio – especialmente aqueles que atuam com exportações – está preocupada com a imagem do Brasil no exterior em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente

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Descontentes com a política ambiental adotada no governo Jair Bolsonaro, parte dos empresários do agronegócio – especialmente aqueles que atuam com exportações – está preocupada com a imagem do Brasil no exterior em relação à sustentabilidade e ao meio ambiente. Com negócios influenciados cada vez mais por novas exigências dos consumidores e também do mercado financeiro – que tem adotado as práticas de ESG como parâmetro de confiabilidade para os investimentos – estar com a imagem relacionada a medidas de destruição ambiental e práticas consideradas ultrapassadas de desenvolvimento econômico e social não é um bom negócio na atualidade.

A necessidade de adotar práticas de conservação ambiental e de voltar a liderar os debates sobre sustentabilidade no mundo – área na qual o Brasil se destacou desde a Rio 92 – é uma das bandeiras de Marcello Brito – presidente da Associação Brasileira de Agronegócio. Brito tem chamado a atenção do agronegócio e do governo brasileiros para os prejuízos à imagem do Brasil e à economia se a política ambiental continuar a ser ignorada.

“Lembro que fui um dos fundadores da mesa redonda do óleo de palma sustentável – a maior mesa redonda de commodities do mundo, em 2003 – e a pressão em cima dos países asiáticos era muito forte. Recordo de dezenas de viagens que fiz para a Indonésia e havia essa repulsa pela questão ambiental. O que o país colheu 10 anos depois desse processo foi ter virado um pária internacional, ao ponto de produtos da Indonésia com certificação internacional valerem menos do que qualquer outro semelhante”, recorda Marcello Brito, complementando que a postura de degradação das florestas e da biodiversidade prejudicou a “marca da Indonésia” no exterior, ao ponto de prejudicar a economia do país.

Marcelo Brito - presidente da Associação Brasileira de Agronegócios
Marcelo Brito – presidente da Associação Brasileira de Agronegócios/Imagem: Reprodução Canal MyNews

Segundo Marcello Brito, esse efeito negativo na economia fez com que há cerca de cinco anos a Indonésia adotasse uma postura diferente sobre as exigências ambientais – visando a uma adequação às exigências mundiais de conservação. “Reduziram o desmatamento em 90%, criaram uma plataforma de monitoramento e integraram diversos setores. Quando olho para esta experiência, que aconteceu na primeira década deste século, vejo que o Brasil está fazendo da mesma forma. O processo de desmatamento da Amazônia só faz aumentar. Na visão das novas gerações não é mais aceitável ter a produção aliada à degradação ambiental. Prejudica a imagem do país e pode ser que venha a nos prejudicar no futuro”, pontua o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio, em entrevista a Mara Luquet, no MyNews Entrevista, no Canal MyNews.

Marcello Brito lembrou que o Brasil tem dois meses para se preparar para a COP 26 (26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU), que acontecerá na Escócia no mês de novembro, e que o país chegará como “vilão” e precisa participar com disposição de se comprometer com medidas de conservação ambiental e de enfrentamento ao aquecimento global.

Ele acredita que falta vontade política de resolver algumas questões relacionadas ao meio ambiente e defende que 99% dos agronegócios do país atuam em conformidade com a legislação e seguindo planos de conservação ambiental.

“Quando o GLO das Forças Armadas saiu da Amazônia no ano passado foi uma surpresa. Não entendo por que saíram, pois o vice-presidente Mourão disse que ficariam até 31 de dezembro. Nós sabemos que 11 municípios da Amazônia concentram o desmatamento; as imagens de satélite mostram isso. Se a gente sabe que são 11 municípios por que a gente não consegue fazer uma força de controle em 11 municípios? Falta uma vontade política de resolver essa questão. Quem comanda esse processo tem interesse dentro da Amazônia. (…) É preciso entender as ramificações que existem a partir da Amazônia, entender as ramificações para chegar até Brasília”, considerou.

Para Brito, o trabalho precisa envolver diversos entes, incluindo o Banco Central, os ministérios da Economia, da Agricultura e de Relações Exteriores, o BNDES, entre outras entidades. “O que o Banco Central está fazendo é nada mais do que acompanhar o que os bancos centrais estão fazendo. O mais importante é lembrar que o setor de investimento está se voltando para a conservação ambiental não é porque são ambientalistas. A mudança climática implica em riscos; modelagem climática implica em investimento”, destacou Marcello Brito, destacando que numa palestra para o mercado financeiro perguntou sobre o interesse do setor nas questões relacionadas às mudanças climáticas e recebeu como resposta que apenas em hipotecas imobiliárias em regiões costeiras existem pelo menos 200 bilhões de dólares.

“O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostra a mão inequívoca do homem e já havia mostrado que o que já ocorre em algumas áreas do mundo e do Brasil como possíveis de acontecer, aconteceram”, destacou o presidente da Associação Brasileira de Agronegócio, ao falar sobre a crise hídrica e outros efeitos das mudanças climáticas em diversos habitats, com impacto também para a agricultura e o agronegócio brasileiros.

Agronegócio é diverso e apoia várias tendências políticas, diz Brito

Brito diz não saber quanto do setor do agronegócio ainda apoia o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e não acredita na possibilidade de um golpe militar, mas diz que podem haver confrontos no próximo dia 7 de setembro – quando diversas manifestações estão agendadas em todo o país.

“É difícil responder isso aqui. O agronegócio gera 30 milhões de empregos diretos, são 6 milhões de proprietários rurais, e não estou falando da parte ligada aos insumos, às indústrias, à pesquisa. Existe uma parcela bolsonarista, uma parcela de centro e de esquerda. [o agronegócio] Comporta todas essas frentes. (…) O ambiente não está bom, mas eu não temo não. Já passamos dessa fase de retornar ao ambiente não democrático. A gente monitora e o que tem de vídeos muito pesados, fazendo convocações muito esquisitas. Pode ter confronto, ter gente machucada. Não é bom para o país; é mais uma coisa que vai mostrar uma sociedade fraturada. Se for tudo ordeiro, pacífico, estamos dentro do jogo democrático”, considera.

Marcello Brito diz que nunca se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro, nem com o ex-ministro do meio Ambiente Ricardo Salles e acredita que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, faz um bom trabalho e “roda o Brasil apagando incêndios”.

Sobre a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro mudar a postura em relação às questões ambientais, Marcello Brito é enfático: “Eu não acredito. Quanto mais sofisticada for a abrangência de conhecimento de uma pessoa, melhor ele será como político, como pessoa, como profissional. E quando você tem esse conhecimento, você tem o entendimento que se dá pela vitória coletiva. Todo mundo que trabalha do lado dele diz que não dá pra conversar, que ele diz que está certo”.

Para finalizar, Brito cita alguns números relacionando o agronegócio brasileiro e a conservação ambiental: “São 6 milhões de propriedades rurais do Brasil; 70% têm de 1 a 100 hectares e a grande maioria preserva 25% da cobertura vegetal. Tem um 1,8 milhão de nascentes de água dentro das propriedades privadas brasileiras. O Brasil é quarto maior produtor de alimentos do mundo, o sexto exportador e tem entre 6¢ e 7% do comércio mundial. O mundo está fazendo uma negociação climática. Quem tem o melhor ativo ambiental participa dessa negociação melhor. O Brasil tem uma história de liderar esse debate desde 1992. Em vez de liderar, estamos sendo liderados”.


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Rogério Studart: Brasil deve decidir se embarca no trem do desenvolvimento sustentável https://canalmynews.com.br/mais/rogerio-studart-brasil-desenvolvimento-sustentavel/ Fri, 27 Aug 2021 19:40:43 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/rogerio-studart-brasil-desenvolvimento-sustentavel/ O economista e pesquisador do World Resources Institute (WRI), Rogério Studart, avalia que o Brasil está atrasado em iniciativas de estímulo ao desenvolvimento sustentável

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Se existe um trem para o futuro, ele já partiu e o Brasil chegou atrasado à estação. Essa é a análise do economista e pesquisador do World Resources Institute (WRI), em Washington (EUA), Rogério Studart – em conversa com a jornalista Mara Luquet, no MyNews Entrevista desta sexta (27) – ao avaliar que o país ainda pode alcançar as grandes nações em relação a medidas de desenvolvimento sustentável e para contornar a crise climática – aproveitando oportunidades socioeconômicas que de fato existem no país. Às vésperas da 26ª Conferência Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Clima (COP26), que acontecerá de 31 de outubro a 12 de novembro, em Glasglow, na Escócia, Studart se diz mais otimista com a forma como governadores e prefeitos de várias regiões do Brasil têm lidado com a temática, buscando soluções inovadoras para questões de meio ambiente e sustentabilidade.

Rogério Studart - economista e pesquisador do WRI fala sobre desenvolvimento sustentável
O economista e pesquisador do WRI, Roberto Studart, avalia como o Brasil está se posicionando em relação às iniciativas de desenvolvimento sustentável/Imagem: Reprodução Internet/Canal MyNews

“O Brasil, na sua representação nacional, chega atrasado à estação. Ainda tem tempo, nada em negociações internacionais é definitivo e sempre é possível mudar a abordagem, a ambição e a sua forma de se apresentar ao mundo. A gente chegou tarde à estação; a nossa ambição apresentada sobre a mudança do clima e à agenda ambiental é no mínimo tímida. Por outro lado, observo diversas iniciativas em nível estadual e municipal que, pelo contrário, têm avançado muito. Tenho acompanhado muitas conversas de governadores e prefeitos e prefeitas com a comunidade internacional. (…) Sou mais otimista com a forma que governadores e prefeitos têm se posicionado”, argumenta o professor, ressaltando que é preciso uma iniciativa do povo brasileiro sobre os temas, para que o país utilize essas discussões sobre meio ambiente e sobre o clima para sair de uma situação socioeconômica complicada.

Entre as iniciativas que têm chamado a sua atenção, Rogério Studart ressalta o Fundo de Gestão da Amazônia Oriental, desenvolvido pelo estado do Pará, e algumas coalizões de governadores do Norte do país pelo clima em nível nacional. “Vi com muito interesse uma conversa com a administração Biden, quando disse que as relações com o Brasil deveriam ser pautadas pelo tema ambiental. (…) Vejo essa e outras iniciativas e uma potencialidade enorme para que prosperem. Enviar essa sinalização [para o mundo] é muito importante porque esse é um trem que não vai parar e o Brasil tem possibilidade de se favorecer e de dar a sua contribuição ao mundo”, acrescenta.

Desenvolvimento Sustentável tem reflexos em oportunidades sociais e econômicas

Parte de um grupo do WRI que tem estudado o tema da sustentabilidade em várias regiões do mundo, o professor elenca diversas oportunidades e benefícios que o Brasil teria se investisse seriamente em projetos sustentáveis, promovendo negócios verdes e energias alternativas, por exemplo. “Há possibilidade de ganhos em crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), aumento da produtividade, diminuição da poluição, melhoria da mobilidade. Investir em cidades inteligentes favorece a população e aumenta a produtividade”, destaca. Para Studart, países como o Brasil – com uma economia continental – necessitam de um eixo de crescimento calcado no desenvolvimento interno, no capital humano, tecnológico e na agricultura.

O Brasil tem um potencial para desenvolvimento nesses segmentos, assim como os Estados Unidos e a China – dois países também continentais, observa o economista. “Basta olhar uma foto de satélite do Brasil e perceber que existe um capital natural extraordinário que está sendo destruído; mas se for utilizado de maneira eficiente, pode se tornar uma potência. Estou falando de biocombustíveis, energia renovável, ônibus elétricos, agricultura sustentável – diversas frentes de investimento e desenvolvimento. Isso acaba atraindo uma juventude e criando empregos em áreas com futuro. A gente perdeu hoje em dia a capacidade de saber como investe no futuro. O Brasil está investindo do passado”, complementou, lembrando que, ao contrário do momento atual, o Brasil tem uma tradição de colocar o conceito de desenvolvimento sustentável na pauta global.

O pesquisador lembra que existem boas iniciativas acontecendo no país em relação ao financiamento para projetos sustentáveis e cita instituições como o BNDES, o Banco Central e o Banco do Brasil com exemplos de iniciativas positivas para atrair, estimular e financiar iniciativas e recursos “verdes”. Para se colocar novamente como um líder em defesa de uma economia sustentável, Rogério Studart diz que é preciso que o país apresente uma visão sobre este futuro, com um discurso claro para agentes privados, investidores, e comunidade internacional, com uma visão de longo prazo. “A gente tem que decidir se sobe ou não no trem. Não é só uma questão de comércio. É tecnologia verde, finanças verdes, investimento verde. É assim que os países se posicionam. China, Estados Unidos, a Colômbia está espetacularmente se apresentado assim ao mundo. Resta saber o que o Brasil quer fazer com isso”, finalizou.

Assista à íntegra do MyNews Entrevista, no Canal MyNews, com o economista Rogério Studart e a jornalista Mara Luquet, sobre as oportunidades do desenvolvimento sustentável para o crescimento socioeconômico

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