Arquivos desinformação - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/desinformacao/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Tue, 14 Jan 2025 17:50:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Extremismo distorce conceito de liberdade de expressão, afirma Sidônio https://canalmynews.com.br/noticias/extremismo-distorce-conceito-de-liberdade-de-expressao-afirma-sidonio/ Tue, 14 Jan 2025 17:50:03 +0000 https://localhost:8000/?p=50095 Em primeiro discurso como chefe da Secom, publicitário criticou os efeitos da desinformação na percepção das pessoas sobre as ações do governo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu posse, nesta terça-feira (14), ao publicitário Sidônio Palmeira, na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), no lugar de Paulo Pimenta. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto e contou com grande presença de ministros do governo.

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No seu primeiro discurso já como chefe da pasta responsável pela formulação e implementação da política de comunicação e divulgação social do Poder Executivo federal, Sidônio criticou os efeitos da desinformação na percepção das pessoas sobre as ações do governo.

“A informação dos serviços não chega na ponta. A população não consegue ver o governo nas suas virtudes. A mentira nos ambientes digitais fomentada pela extrema direita cria uma cortina de fumaça na vida real, manipula pessoas inocentes e ameaça a humanidade”, disse o ministro.

Sidônio afirmou que a liberdade de expressão foi apropriada por setores que promovem discurso de ódio, descaracterizando o seu sentido. “Defendemos a liberdade de expressão. Lamentamos que o extremismo esteja distorcendo esse conceito para viabilizar a liberdade de manipulação”, enfatizou.

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Ao pontuar que a comunicação é guardiã da democracia, Sidônio Palmeira defendeu o combate a desinformação, e disse que a sua gestão vai incentivar processos regulatórios, além de garantir que a população tenha acesso à informação.

O agora ministro voltou a criticar as recentes mudanças anunciadas pela multinacional Meta, empresa de tecnologia que controla o Facebook, Instagram e WhatsApp, na política de moderação de conteúdo dessas redes sociais, que vai facilitar a propagação de discurso de ódio e eliminar a checagem de fatos.

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Sidônio assume a Secom na metade do mandato do presidente Lula, com o principal desafio de melhorar a comunicação política do governo, na última etapa da gestão.

“A comunicação está no centro dos grandes desafios mundiais e nosso trabalho é compreendê-lo em sua complexidade e convocar todos, uma vez que esse desafio não é só da Secom”, disse.

Em seu último discurso à frente da Secom, Paulo Pimenta fez reiterados agradecimentos ao presidente, narrou sua trajetória de militante e parlamentar do PT e disse ter recuperado a estrutura da Secom. Pimenta disse ainda ter recuperado uma relação de respeito entre governo, agências de comunicação e imprensa e projetou sucesso no trabalho do sucessor.

“Eu tenho absoluta convicção de que nós vamos dar um salto na qualidade nesse trabalho. Conheço o Sidônio, as pessoas que estão vindo para cá com ele”, afirmou.

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Assista abaixo ao Segunda Chamada de segunda-feira (13):

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A Era do Ceticismo:A Desinformação Política e Notícias Falsas na Era Digital https://canalmynews.com.br/tecnologia/a-era-do-ceticismoa-desinformacao-politica-e-noticias-falsas-na-era-digital/ Mon, 18 Sep 2023 16:12:20 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=39769 A desinformação na era digital é um desafio crescente, com notícias falsas e deepfakes difundindo-se rapidamente. Para combater isso, a verificação de fatos e o pensamento crítico são fundamentais.

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Em uma era onde um simples clique pode inundar sua tela com informações, o desafio de discernir a verdade da falsidade nunca foi tão urgente. A internet, uma ferramenta projetada para democratizar a informação, ironicamente se tornou um terreno fértil para desinformação e notícias falsas. Este artigo tem como objetivo dissecar os fatores que alimentam essa epidemia digital e oferecer conselhos práticos para navegar nessa nesse cenário complexo.

A Ascensão da Desinformação

A desinformação é um fenômeno que existe há séculos, mas a internet ampliou significativamente seu alcance e velocidade. Agora, rumores que antes levavam semanas para se espalhar podem alcançar milhões de pessoas em segundos. Nesse contexto, a internet, potencializada pelas plataformas de redes sociais, torna-se um terreno fértil para a disseminação tanto de notícias fidedignas quanto de informações ilegítimas, alterando a forma como consumimos informações.

A velocidade da internet é uma faca corta para os dois lados nesse cenário. Embora permita o compartilhamento rápido de informações, muitas vezes essa rapidez compromete a precisão dos dados.

Para combater esse cenário, plataformas como Twitter e Facebook introduziram recursos para denunciar notícias falsas. No entanto, a responsabilidade não recai apenas sobre as plataformas; os usuários também têm um papel crucial. Vigilância, verificação de fatos e compartilhamento responsável de informações são etapas necessárias para mitigar o impacto da desinformação na sociedade.

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

O Perigo da Desinformação e as Ferramentas que auxiliam na Verificação de Fatos

Notícias falsas são histórias inteiramente fabricadas ou narrativas parcialmente falsas projetadas para enganar o público. Exemplos comuns incluem artigos que atribuem falsamente declarações a políticos ou usam imagens manipuladas para apoiar narrativas falsas.

A desinformação não se limita apenas a notícias falsas. Deepfakes, por exemplo, utilizam aprendizado de máquina para criar vídeos ou áudios hiper-realistas que são completamente deturpados da realidade. Isso faz com que pareça que indivíduos estão dizendo ou fazendo coisas que nunca fizeram, como um vídeo deepfake de um político fazendo declarações controversas ou um áudio manipulado imitando a voz de um líder.

Além de notícias falsas e deepfakes, a desinformação também pode ser tendenciosa ou enviesada, servindo muitas vezes a uma agenda específica. Isso pode ser observado em meios de comunicação que favorecem um determinado partido político ou que divulgam algum fato com a intenção de desvirtuá-lo da realidade. Para avaliar o nível de viés em diversos meios de comunicação, o site Media Bias/Fact Check pode ser uma ferramenta útil.

Para combater isso, existem recursos confiáveis que ajudam a identificar a veracidade dos conteúdos e canais de comunicação, como Snopes, FactCheck.org, PolitiFact, Deepware Scanner e o próprio site Media Bias/Fact Check.

A Psicologia por Trás da Crença em Notícias Falsas

Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia, por exemplo, revela que as pessoas são mais propensas a compartilhar informações que se alinham com suas crenças, independentemente de serem verdadeiras ou não. Esse comportamento dificulta a análise imparcial que nos permite discernir entre o fato e a ficção, reforçando apenas as informações e contextos que corroboram a nossa própria visão e crença sobre o tema, independentemente da sua veracidade.

Esse fenômeno é ainda mais complicado pelo efeito Dunning-Kruger, um viés cognitivo que faz com que pessoas com conhecimento limitado ou superficial sobre um determinado tema superestimem sua própria competência. Esse excesso de confiança pode levar à disseminação de desinformação, pois esses indivíduos não apenas acreditam em notícias falsas, mas também as compartilham, pensando que estão bem informados.

Assim, essas tendências psicológicas trabalham em conjunto para criar um ambiente propício ao rápido compartilhamento de desinformação.

Nosso Papel no Combate a Desinformação

Navegar pelo campo minado da desinformação na era digital é uma tarefa complexa que exige um conjunto diversificado de habilidades e conhecimentos. A primeira linha de defesa nessa batalha é, sem dúvida, a verificação de fatos. Mas é importante entender que essa prática vai além de simplesmente checar se uma afirmação é verdadeira ou falsa. Ela demanda uma investigação meticulosa que leva em conta as nossas próprias crenças e valores, os quais podem distorcer nossa percepção da realidade e nos tornar suscetíveis a acreditar em informações inverídicas e nada fidedignas.

Além disso, a alfabetização midiática se torna crucial. Não basta apenas consumir informações; é preciso entender de onde elas vêm, quem as produz e com que intenção. Afinal, cada veículo de notícias tem sua própria abordagem para reportar eventos, e essa abordagem pode influenciar significativamente como interpretamos essas informações.

Mas a habilidade mais importante de todas é, talvez, o pensamento crítico. Em um mundo inundado de informações e desinformações, a capacidade de questionar é mais valiosa do que nunca. Isso envolve analisar a fonte da informação, entender sua intenção e avaliar seu conteúdo de forma crítica antes de formar uma opinião ou compartilhá-la. O pensamento crítico nos permite separar o joio do trigo e nos protege contra a manipulação e a exploração.

Em resumo, a era digital nos colocou em uma posição única: somos simultaneamente consumidores e potenciais disseminadores de desinformação. Portanto, estar ciente dos perigos, ser crítico em nossa abordagem e proativo em nossa busca pela verdade são passos fundamentais para não sermos apenas parte do problema, mas sim da solução. A responsabilidade é coletiva, e cada um de nós tem um papel a desempenhar para garantir que a verdade prevaleça. Portanto, a questão que permanece é: como vamos adaptar nossas estratégias para continuar eficazes na busca pela verdade? A resposta a essa pergunta não é apenas crucial para o indivíduo, mas para a sociedade como um todo. Tudo é falso até que se prove o contrário; a jornada pela verdade não tem ponto final.

Autor

Allex Ferreira, um artista visionário e fotógrafo, tem sido um pioneiro na intersecção de tecnologia e arte. Desde 2011, Allex tem explorado a tecnologia blockchain, sendo um dos primeiros adeptos do Bitcoin. Recentemente, voltou sua atenção para a inteligência artificial, integrando-a em seu trabalho artístico. Allex também contribui com escritos sobre blockchain, oferecendo uma perspectiva única sobre esta tecnologia revolucionária. Seja através da lente de uma câmera ou das últimas tendências tecnológicas, Allex sempre busca novas maneiras de unir tecnologia e arte.

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‘É preciso garantir a liberdade de expressão’, diz relator do PL das Fake News https://canalmynews.com.br/politica/e-preciso-garantir-a-liberdade-de-expressao-diz-relator-do-pl-das-fake-news/ Fri, 03 Feb 2023 14:33:36 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=35762 Projeto que tramita desde 2020 no Congresso deve voltar a ser discutido pelos parlamentares no governo Lula (PT)

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Em discussão no Congresso Nacional desde 2020, o Projeto de Lei 2.630/2020, que visa criar a chamada “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet” – também conhecido como PL das Fake News -, deve voltar a ser debatido pela Câmara dos Deputados na nova legislatura, iniciada em fevereiro deste ano.

A proposta foi aprovada pelos senadores, mas ainda não há consenso na outra Casa. O parlamentar Orlando Silva (PCdoB-SP) é o relator do projeto e ainda busca aprimorar o texto para que possa ser aprovado pela maioria.

“A regulação das plataformas digitais é um tema que está sendo discutido no mundo inteiro. O meu relatório do PL das Fake News tem parâmetros bem precisos: transparência dos algoritmos, como os critérios para derrubar ou manter determinado conteúdo no ar. Se ele é confiável ou não, se vai ser impulsionado. O usuário precisa ter o direito do contraditório”, disse Orlando, em entrevista ao Almoço do MyNews.

“No texto também há a determinação de um código de conduta nas plataformas, para que preservem a liberdade de expressão, a contestação do usuário e a moderação que elas devem fazer. É preciso garantir a liberdade de expressão”, complementou o deputado.

Outro tópico mencionado pelo parlamentar foi a valorização do jornalismo profissional, principalmente como agente de combate à desinformação. “Se o MyNews, por exemplo, produz um conteúdo relevante, o Google se utiliza do prestígio do MyNews para capitalizar em cima. É necessário que esta monetização seja melhor dividida com os veículos de imprensa. É uma forma de valorizar o jornalismo de qualidade. Fake News se combate com informação, apuração, profissionais sérios, checagem e fontes”, concluiu.

Assista à entrevista na íntegra.

 

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“Gamers ajudam a alimentar máquina de desinformação”, diz professor https://canalmynews.com.br/brasil/gamers-ajudam-a-alimentar-maquina-de-desinformacao-diz-professor/ Tue, 09 Aug 2022 18:00:16 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=32663 Grupo seria fisgado pela comunicação da extrema direita com discurso a favor da diminuição de impostos e que defende que a cultura gamer está em perigo.

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selo agência pública

Jogos de aventura, de futebol ou de guerra? Independentemente do estilo favorito, alguns grupos de jogadores estão servindo como megafone de intolerância e perseguição. É o que diz Ivan Mussa, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e autor do artigo “Ódio ao jogo: cripto-fascismo e comunicação anti-lúdica na cultura dos videogames”, que investiga o uso de jogos para propagar o discurso da extrema direita.

Em conversa com a Agência Pública, Mussa explica como o fenômeno chegou no Brasil e aproximou a comunidade gamer ao bolsonarismo, transformando o grupo em um de seus principais aliados nas eleições de 2018.

Leia os principais trechos da entrevista:

O que é cripto-fascismo?

É uma estratégia de comunicação de forças políticas fascistas. Depois da Segunda Guerra, houve todo um esforço para estigmatizar a política fascista, porque ela não estava presente só na Alemanha ou nos países do Eixo, mas em todos os lugares. Por conta da derrota desse grupo, ficou muito difícil para essas forças se identificarem como fascistas ou mesmo um partido. Então eles disfarçaram as mensagens de uma forma que elas ficassem mais fáceis de circular na mídia em geral. O fascismo nos países europeus, por exemplo, sempre esteve ligado à ideia de supremacismo branco, o que faz alusão ao nazifascismo. Um partido britânico chamado BNP [Partido Nacional Britânico] fez uma estratégia de reformular a comunicação para “nós não somos contra outras raças e outras etnias, mas nós queremos um país só para os britânicos”. Parecem coisas diferentes, mas esse era o objetivo do nazifascismo, um território livre de outras raças consideradas por eles como inferiores. É a mesma pauta, só que colocada com palavras mais palatáveis e que poderiam circular na mídia.

Como isso aparece na comunidade gamer?

Existiu na indústria de videogames um incentivo muito forte ao público consumidor masculino e se convencionou que todos os personagens seriam brancos e homens, criando uma cultura gamer que aceita isso como norma. A partir do momento que vão surgir jogos que vão trazer outros tipos de personagem, isso vai ser entendido por um certo grupo como um choque e os políticos estrategistas de comunicação da extrema direita tentam infiltrar valores fascistas nesse choque. O exemplo mais óbvio é o Steve Bannon [ex-estrategista-chefe de Donald Trump], que pegou o evento do gamergate, que foi uma conspiração contra uma jornalista, e falou que aquilo fazia parte de um plano da esquerda para destruir os videogames e colocar mulheres, colocar negros e acabar com a cultura. A partir disso, o sujeito que estava tendo aquele choque pensa “faz sentido, é por isso que estão mudando, eles estão tentando acabar com a nossa identidade”, e aí algumas dessas pessoas vão ser levadas a entender isso como parte do marxismo cultural, que seria uma estratégia da esquerda de mudar a sociedade pela cultura. E aí você entra no buraco do coelho das teorias da conspiração que vai ligar isso a um projeto globalista, ao comunismo e faz a ligação dos games com essas outras teorias da extrema direita. Não é que as pessoas que jogam sejam fascistas, mas sim porque elas estão assistindo um conteúdo crítico pensando que estão defendendo a identidade delas, mas estão ajudando a alimentar uma máquina de desinformação fascista.

Além dos Estados Unidos e do Brasil, você enxerga isso em outros países?

É uma coisa mais pontual do Ocidente, me parece. Um dos pontos principais dessa constelação de crenças é que esses elementos da “nova cultura midiática” são resultados de um ataque à cultura ocidental. Para essas pessoas, você tem uma cultura superior e existem grupos que não se adaptam a ela, como negros, judeus, feministas, e a mídia estaria combatendo isso porque ela é contra esse projeto. Se você observar o discurso dos partidos de extrema direita aqui, existe essa idealização da cultura ocidental, que é uma coisa vaga, ninguém sabe dizer o que é. Mas, quando você vai ver o que essas pessoas valorizam, é a família tradicional, as religiões cristãs e uma interpretação muito enviesada do que é esse cristianismo. Tudo que ameaça isso é um complô da esquerda, dos comunistas para tomar o poder.

Não quer dizer que todo mundo que vê um vídeo com esse tipo de conteúdo vai acreditar nisso, mas, quando entram as tais máquinas de desinformação, é natural que uma ou outra pessoa acabe caindo e sendo desinformada. Aí ela vai parar em um grupo que tem uma voz muito alta, que é o dos gamers, com uma capacidade de mobilização muito  perigosa.

Qual é o perfil da comunidade gamer hoje no Brasil?

Existe uma diferença entre aquela pessoa que se identifica como fã, quase como um “fã-ativista”, e quem simplesmente consome certos produtos. Nos últimos anos, principalmente com os smartphones, quase todo mundo joga alguma coisa. O perfil desse gamer [ativista] é um público em geral masculino, branco, de classe média ou classe média alta, que faz um consumo específico de jogos que chamamos de “consoles caseiros”, PlayStation 5 e Xbox Series X, que são mais modernos e caros. É um ativismo de marca, não só político: tem os “sonystas”, que gostam mais da Sony, e os “caixistas” que gostam mais do Xbox e se dividem em alianças por marcas e jogos específicos. Dentro dessa discussão e linguagem, acabam surgindo as pautas políticas. Nesse trabalho que fizemos no Metagame [Rede de Pesquisa em Jogo e Cultura Política], nós percebemos que existe uma forte rejeição à ideia de Estado. Nós medimos a rejeição do público gamer a um projeto de lei, o PLS 383, que viria a ser rejeitado, atacado, por esses gamers ativistas. Neste estudo conseguimos mapear esse discurso anti-Estado, do que eles acreditam ser uma ameaça a cultura gamer brasileira.

A antropóloga Isabela Kalil coloca os gamers como um dos grupos da base bolsonarista em 2018. Como foi o papel da comunidade gamer nas eleições?

Isso é feito mais através do discurso do que dos jogos em si. O que importa mesmo é o ser gamer, essa ideia do Estado mínimo, que fecha com uma pauta que mobiliza muito o discurso online que é a redução do imposto. Você pode ver que o governo Bolsonaro fez vários anúncios de redução dos impostos sobre games que não abaixaram o preço dos jogos nem dos aparelhos. Nós contamos quatro ou cinco em três anos e meio, para colocar combustível na mobilização desse grupo, porque isso fecha muito com a coisa do consumo. Eles valorizam muito o consumo das marcas e valorizam a pauta contra o Estado. Menos imposto significa mais desenvolvimento dentro da ideologia desse grupo.

A redução de impostos não ter diminuído o preço dos produtos teve um efeito negativo?

O que temos de concreto em uma pesquisa com um canal de games que é abertamente bolsonarista é que eles ainda mantêm a propaganda do governo de uma forma que pareça natural. De vez em quando eles estão falando que algum produto aumentou de preço e que a culpa é dos impostos, aí trazem de volta as notícias de que o governo baixou o imposto e está lutando contra isso, então vira uma espécie de propaganda subliminar. Se isso está pegando com o público, já é uma pergunta que falta responder.

Como é esse movimento de defesa? Você já viu algum caso em que o próprio governo ou pessoas ligadas à política acionaram as redes gamers para defenderem Bolsonaro?

Pelo que nós pesquisamos neste canal específico, o Canal Central, existe um apoio que aparenta ser espontâneo. Não conseguimos afirmar que existe um contato direto, por exemplo, de políticos bolsonaristas patrocinando ou apoiando isso de maneira formal ou informal. O que tem é uma aliança, incentivada por personalidades bolsonaristas, como o Jair Renan, filho mais novo do Bolsonaro, que tem envolvimento com projetos de games, foi streamer. O Carlos Bolsonaro, quando tem redução de imposto, sempre faz questão de pontuar e divulgar isso como uma forma de legitimar essa relação com o público gamer.

 

*Reportagem originalmente publicada na Agência Pública

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Movimento Sleeping Giants Brasil completa um ano de atuação https://canalmynews.com.br/mais/movimento-sleeping-giants-brasil-completa-um-ano-de-atuacao/ Sat, 22 May 2021 15:23:24 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/movimento-sleeping-giants-brasil-completa-um-ano-de-atuacao/ Grupo desmonetizou em mais de R$ 14 milhões páginas que propagam notícias falsas, discursos de ódio e desinformação na internet

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O Sleeping Giants Brasil, um grupo liberal de ativistas digitais que atua na luta contra a propagação das famosas fake news, está completando um ano de atuação. Neste período, o grupo desmonetizou em mais de R$ 14 milhões páginas que propagam notícias falsas, discursos de ódio e desinformação na internet. Esses sites e perfis deixaram de receber por anúncios e visualizações.

De maio de 2020 até maio deste ano, o Sleeping Giants realizou 31 campanhas. O grupo alerta empresas que anunciam em páginas que espalham notícias e teorias falsas, além de pressionar outros serviços que remuneram esses sites, como plataformas de financiamento coletivo e de streaming de vídeo, entre elas o YouTube e a Twitch. A intenção é que as empresas, ao serem citadas publicamente nos perfis das redes sociais do grupo, deixem de financiar esses perfis por critérios de responsabilidade social e para evitar prejuízos às marcas.

Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal, fundadores do Sleeping Giants Brasil. Foto: Reprodução/MyNews

“Destacamos o volume desmonetizado nesse primeiro ano de vida como uma forma de demonstrar a conscientização crescente de consumidores e empresas”, afirma Mayara Stelle, que, ao lado de Leonardo de Carvalho Leal, fundou o Sleeping Giants Brasil. “Somos parte de um movimento global e coletivo de cidadãos que expõe o financiamento do discurso de ódio e das fake news. Nosso objetivo sempre foi esclarecer para onde está indo o dinheiro de marketing aplicado em anúncios da internet. Muitas vezes as empresas nem sabem quais páginas estão financiando.”

Um exemplo, entre os casos de sucesso, é o do Banco do Brasil. Ainda no início da sua atuação, o grupo questionou a instituição financeira sobre seu anúncio no site do Jornal da Cidade Online, apontado por eles como um importante propagador de notícias falsas. Inicialmente, o Banco respondeu ao movimento afirmando que iria retirar a publicidade, mas uma hora depois, após os filhos do presidente Jair Bolsonaro anunciarem que a situação seria contornada, o setor de marketing do Banco, comandado por Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, emitiu uma nota dispensando o veto às propagandas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) foi acionado e determinou que o Banco do Brasil suspendesse parte de suas campanhas digitais em sites, blogs e redes sociais, atendendo ao pedido do Ministério Público de Contas para abertura de investigação sobre suposta interferência na entidade por parte do então secretário de Comunicação do Planalto, Fabio Wajngarten, e do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

“O trabalho apenas está começando, há ainda muito a ser feito em relação ao combate à desinformação e ao discurso de ódio. O SGBR surgiu como um perfil no Twitter, se consolidou como um movimento e acreditamos que tem espaço para virar algo ainda maior. Representamos mais de 640 mil consumidores e não podemos parar, há ainda muitas empresas a se conscientizar”, finalizam os fundadores do grupo.

Sleeping Giants Brasil no Dinheiro na Conta

Assista à entrevista com Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal no Dinheiro na Conta de sexta-feira (21):

Dinheiro na Conta de sexta-feira (21).

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Eleições 2022: Coronelismo, desinformação e voto https://canalmynews.com.br/politica/coronelismo-desinformacao-e-voto/ Fri, 14 May 2021 15:08:34 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/coronelismo-desinformacao-e-voto/ Remontando a execrável maquinação da República Velha, o coronelismo digital dos dias atuais soterra as liberdades democráticas do Brasil

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O falseamento da vontade popular foi um dos elementos que alçou o coronelismo ao estatuto de sistema político na obra de Victor Nunes Leal. Operava na República Velha à margem das leis, dos próprios desígnios do povo que iludia ou coagia, e longe do respeito aos modos de exercício e vigilância do poder. O voto de cabresto desse passado tem considerável resiliência e vem assumindo novas formas. Edson Fachin.

Victor Nunes Leal foi um jurista brasileiro, escritor, ministro do Supremo Tribunal Federal e professor da atual UFRJ.
Victor Nunes Leal foi um jurista brasileiro, escritor, ministro do Supremo Tribunal Federal e professor da atual UFRJ. Foto: Wikicommons (com alterações).

Ressurge agora, mais chocante, no populismo repaginado por meio de quem nega vigência à Constituição que jura defender, vociferando contra instituições democráticas e embotando o debate público, com a finalidade mediata de refundar, em bases de uma legitimidade falseada, um poder imune à substituição pelo escrutínio público e a todas as outras espécies de controle social.

A retórica bélica, o diversionismo e o sequestro dos fatos, nesse contexto, cumprem funções-chave no jogo de manipulação. A linguagem populista, como regra, deprecia as manifestações do dissenso, elege alvos de interesse variáveis e investe na polarização como estratégia, asfixiando, até o limite do possível, as possibilidades de entendimento entre grupos contestatórios do espaço social. Ambiciona, igualmente, monopolizar, artificialmente, a confiança do conjunto social, como estratégia para a reivindicação subsequente de todas as franjas do poder do Estado.

O aprisionamento da liberdade de escolha política, como se sabe, constitui um mal histórico da nossa República, cuja engenharia eleitoral enfrenta, principalmente até o nascimento da Justiça Eleitoral, a influência deletéria do coronelismo que, conforme a leitura clássica de Victor Nunes Leal, remete ao peso das estruturas oligárquicas para o exercício de um domínio amplo sobre a população, por ocasião do chamamento às urnas.

A esse clássico mandonismo se lançou como aditivo, mais recentemente, o “coronelismo nas mídias digitais”, também descritivo de práticas relacionadas com o exercício do controle político do eleitorado.

A eclosão da internet promoveu impactos colossais na seara da comunicação, com a abundância de fontes de informação rápida e a custo zero; paralelamente, a necessidade de adaptação às tendências veio alimentando o défice de aprofundamento das notícias, com grandes prejuízos para a elevação da consciência coletiva.

A abertura de canais para a manifestação do pensamento – conquanto sobejamente salutar, em si – foi fisgada pela difusão de teorias conspiratórias destinadas ao descredenciamento das instituições democráticas, das funções públicas e da própria autoridade da ordem jurídica.

Essa erosão da confiança estimula um ceticismo que, em última instância, deprime a capacidade de convencimento das informações confiáveis, o que se percebe, em nosso cenário, no arco de debates que envolvem a segurança e a eficácia das vacinas e das urnas eletrônicas.

Nos últimos pleitos, a desinformação, associada à práticas digitais ilegais, foi compreendida como fator decisivo.
Nos últimos pleitos, a desinformação, associada à práticas digitais ilegais, foi compreendida como fator decisivo. Foto: Christoph Scholz (Flickr).

A manipulação das consciências a partir da desinformação, dentro desse cenário, inaugura novo capítulo de um romance conhecido e secular, e que se apresenta, a rigor, como a face contemporânea de um recauchutado coronelismo.

Sendo constatado que um número cada vez maior de pessoas utiliza as mídias sociais como fonte primária de informação política, segue-se que na internet emerge um palco de uma guerra de narrativas.

Se por um lado é certo que esse cenário incrementa as chances de vitória de atores políticos que capitalizam sobre a desinformação, é preciso notar, como assenta Irene Lozano, que “o sistema de manipulação tem limites”.

Como consequência, o quadro mental do pensamento despótico se planeja para essa contingência, sendo essa a raiz subjacente que embala o discurso contra o sistema eleitoral: o questionamento infundado das eleições brasileiras não é senão tática elementar desse coronelismo digital, cujas intenções miram, em suma, a demissão das liberdades públicas e o soterramento da democracia.

Em desfavor de sociedades livres e abertas, e flertando com regimes fechados, arbitrários e abusivos, a captura paulatina da democracia, do pluralismo de ideias, e da liberdade sinaliza um “processo de demolição”, na esteira de ações comunicativas que lucram com o crescimento sucessivo de uma execrável mentalidade de rebanho.

Como sentencia Ignacio Jiménez, sempre é mais fácil distribuir ignorância do que conhecimento.


Luiz Edson Fachin, ministro do STF.
Atual ministro do STF e vice-presidente do TSE, Edson Fachin

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