Arquivos DISCURSO DE LULA NA ONU - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/discurso-de-lula-na-onu/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Wed, 20 Sep 2023 11:52:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Lula faz discurso de estadista, é aplaudido 7 vezes e lava a alma do Brasil na tribuna da ONU https://canalmynews.com.br/balaio-do-kotscho/lula-faz-discurso-de-estadista-e-aplaudido-7-vezes-e-lava-a-alma-do-brasil-na-tribuna-da-onu/ Tue, 19 Sep 2023 18:23:25 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=39830 Foi mesmo de lavar a alma dos brasileiros, depois dos vexames dos anos bolsonaristas na ONU

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As coisas precisam ser ditas como as coisas são, sem medo de errar nem de incomodar ninguém.

Que me perdoem os coleguinhas da imprensa isenta, mas deu orgulho de ver Lula hoje na tribuna da ONU, tecendo um discurso histórico, ao denunciar asdesigualdades, de todos os gêneros, em todas as latitudes, ainda o grande mal da humanidade neste início de século 21.

Foi mesmo de lavar a alma dos brasileiros, depois dos vexames dos anos bolsonaristas na ONU. Quem ouviu os discursos de Bolsonaro, em 2022, e o de Lula, nesta terça-feira, 19 de setembro de 2023, nem pode acreditar que os dois são originários do mesmo país.

Lula fez um discurso de estadista, com começo, meio e fim, falando para o mundo, enquanto o outro se dirigia apenas aos seus devotos no Brasil, em permanente campanha eleitoral, espancando os fatos e a realidade factual, sem conseguir falar mais do que 7 minutos para uma plateia esvaziada que não prestava a menor atenção.

Para quem acha exagero, pergunto quem são os outros estadistas respeitados fora de seus países no mundo de hoje, além do papa Francisco?

Lula falou em nome do Sul Global, uma nova força geopolítica formada por países da América do Sul, da África e da Ásia que procuram se unir exatamente para enfrentar as desigualdades provocadas nas relações desiguais de comércio até hoje existentes pelo domínio do velho Norte Global.  

Mais do que as 7 vezes em que Lula foi aplaudido em cena aberta, ao longo dos 21 minutos de discurso na abertura da assembleia-geral, em que não falou uma palavra a mais, nem a menos, impressionou-me o silêncio da plateia, acompanhando atentamente sua fala com fones no ouvido e acenos de concordância com a cabeça.  

Em seguida, foi a vez de Joe Biden falar, e surpreender os jornalistas brasileiros, que esperavam um duro embate entre os dois, com visões de mundo tão diferentes.

Ao contrário, como se tivesse lido o discurso de Lula antes de escrever o dele, Biden concordou com quase tudo o que Lula falou, a começar pela cobrança de mais ajuda dos países ricos e dos organismos multilaterais para o Terceiro Mundo. Os dois têm um encontro marcado hoje em Nova York para discutir um plano de combate ao trabalho precarizado, uma das pontas soltas da desigualdade econômica e social entre os países e dentro de cada um deles.

Transcrevo abaixo alguns trechos do discurso de Lula que foram mais aplaudidos.

“O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e política que hoje assola as democracias. Seu legado é uma massa de deserdados e excluídos. Em meio aos seus escombros, surgem aventureiros de extrema direita, que negam a política e vendem soluções tãofáceis quanto equivocadas. Muitos sucumbiram à tentação de substituir o neoliberalismo por um nacionalismo primitivo, conservador e autoritário”.

Em tempo: o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro não foi citado nenhuma vez.

“ Para vencer a desigualdade, falta vontade política daqueles que governam o mundo. Se hoje eu retorno à honrosa condição de presidente do Brasil, é graças à vitória da democracia em meu país. Somente movidos pela força da indignação poderemos agir com vontade e determinação para vencer a desigualdade e transformar efetivamente o mundo ao nosso redor.
“Não haverá sustentabilidade sem paz. Conhecemos os horrores e os sofrimentos produzidos por todas as guerras. É perturbador ver que persistem antigas disputas não resolvidas e que surgem ou ganham vigor novas ameaças. Bem o demonstra a dificuldade para garantir a criação de um Estado para o povo palestino.

Em tempo: Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, sua pauta mais delicada no cenário internacional, Lula disse que o Brasil tem pregado a paz e criticou os países da Otan (Organização dos Países do Atlântico Norte) por continuaram fornecendo armas para o país invadido. Hoje, Lula tem encontro finalmente marcado com Volodomyr Zelenski e também deverá tratar da guerra com Joe Biden. Agenda de estadista, como se vê (Lula também tem reuniões bilaterais marcadas com Alemanha, Noruega, para tratar do Fundo Amazônia, e uma dezena de outros países).

“A fome, tema central da minha fala neste Parlamento mundial 20 anos atrás, atinge hoje 735 milhões de seres humanos, que vão cormir esta noite sem saber se terão o que comer amanhã. O mundo está cada vez mais desigual. Os dez maiores bilionários possuem mais riqueza que os 40% mais pobres da humanidade. “

Desde o seu primeiro discurso, como candidato a presidente, em 1989, Lula nunca deixou de tratar a questão da fome como uma prioridade dos seus programas de governo. “Três refeições por dia para todos”, era o lema dele _ e continua sendo. Faz isso, não porque ouviu falar que se trata de um grave problema no Brasil e no mundo, ou leu a vasta bibliografia existente sobre o assunto, mas porque viveu na pele o que é ir dormir sem saber se terá comida amanhã.

Valeu, presidente Lula.

Vida que segue.

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Agenda 2030 pode ser “maior fracasso” da ONU, diz Lula https://canalmynews.com.br/internacional/agenda-2030-pode-ser-maior-fracasso-da-onu-diz-lula/ Tue, 19 Sep 2023 17:41:07 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=39817 Desigualdade é o principal desafio da humanidade

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (19), que a agenda de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) pode se tornar o maior fracasso da entidade. Ao abrir o debate geral de chefes de Estado da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Lula disse que a desigualdade é o principal desafio da humanidade e, para superá-la, “a fome, a pobreza, a guerra, o desrespeito ao ser humano” precisam inspirar indignação nos líderes políticos.

ebc.pngLula defendeu uma reforma no sistema de governança global e disse que a comunidade internacional está mergulhada “em um turbilhão de crises múltiplas e simultâneas”. O presidente citou a pandemia da covid-19, a crise climática e as inseguranças alimentar e energética, que, segundo ele, são ampliadas por “crescentes tensões geopolíticas”.

“Se tivéssemos que resumir em uma única palavra esses desafios, ela seria desigualdade. A desigualdade está na raiz desses fenômenos ou atua para agravá-los. A mais ampla e mais ambiciosa ação coletiva da ONU voltada para o desenvolvimento, a Agenda 2030, pode se transformar no seu maior fracasso. Estamos na metade do período de implementação e ainda distantes das metas definidas. A maior parte dos objetivos de desenvolvimento sustentável caminha em ritmo lento”, disse Lula.

“O imperativo moral e político de erradicar a pobreza e acabar com a fome parece estar anestesiado. Nesses 7 anos que nos restam, a redução das desigualdades dentro dos países e entre eles deveria se tornar o objetivo síntese da Agenda 2030”, acrescentou o presidente.

“Somente movidos pela força da indignação poderemos agir com vontade e determinação para vencer a desigualdade e transformar efetivamente o mundo a nosso redor. A ONU precisa cumprir seu papel de construtora de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Mas só o fará se seus membros tiverem a coragem de proclamar sua indignação com a desigualdade e trabalhar incansavelmente para superá-la”, disse o brasileiro aos líderes mundiais.

De acordo com o presidente, o Brasil quer “dar sua devida contribuição ao enfrentamento dos principais desafios globais”. Ele citou programas e ações implementados pelo governo brasileiro, como o Brasil sem Fome, o Bolsa Família, a taxação de super-ricos, a lei da igualdade salarial entre homens e mulheres, o combate ao feminicídio e defesa de direitos de grupos LGBTQI+ e pessoas com deficiência.

Lula afirmou ainda que o Brasil está comprometido com a implementação de todos os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, “de maneira integrada e indivisível”, e que quer alcançar a igualdade racial na sociedade brasileira, como um décimo oitavo objetivo “que adotaremos voluntariamente”.

Mudanças climáticas

O combate às mudanças climáticas também foi destaque no discurso do brasileiro. Lula cobrou que os países ricos cumpram os compromissos assumidos no âmbito internacional, como a doação de US$ 100 bilhões ao ano para que países em desenvolvimento preservem suas florestas. Para o presidente, a destinação desses recursos permanece “apenas uma longa promessa”.

“Hoje esse valor seria insuficiente para uma demanda que já chega à casa dos trilhões de dólares”, destacou.

Segundo Lula, os países ricos cresceram baseados em um modelo com altas taxas de emissões de gases danosos ao clima. E afirmou que as nações em desenvolvimento não querem repeti-lo, e que agir contra a mudança do clima implica enfrentar desigualdades históricas.

“A emergência climática torna urgente uma correção de rumos e a implementação do que já foi acordado. Não é por outra razão que falamos em responsabilidades comuns, mas diferenciadas. São as populações vulneráveis do Sul Global as mais afetadas pelas perdas e danos causados pela mudança do clima. Os 10% mais ricos da população mundial são responsáveis por quase a metade de todo o carbono lançado na atmosfera”, disse.

Ao citar as potencialidades das energias limpas, ele acrescentou que um modelo de desenvolvimento “socialmente justo e ambientalmente sustentável” é possível. Lula falou sobre a realização da Cúpula da Amazônia, em agosto, em Belém, e lembrou que os países da região lançaram uma agenda de colaboração comum, que engloba o combate ao desmatamento e a inclusão produtiva dos povos da região, e que tem como base a soberania sobre os territórios.

Debate geral

Este ano, o tema do debate geral da Assembleia Geral da ONU é Reconstruir a confiança e reacender a solidariedade global: acelerando ações para a Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável rumo à paz, prosperidade, ao progresso e à sustentabilidade para todos. Nesta sessão de trabalho, os chefes dos Estados-membros da ONU são convidados a discursar em uma oportunidade para apontar suas visões e preocupações diante do sistema multilateral.

Cabe ao governo brasileiro fazer o primeiro discurso da Assembleia das Nações Unidas, seguido do presidente dos Estados Unidos. Essa tradição vem desde os princípios da organização, no fim dos anos 1940.

Esta é a oitava vez que o presidente Lula abre o debate geral dos chefes de Estado. Ao longo de seus dois mandatos anteriores, ele participou do evento todos os anos entre 2003 e 2009. Em 2010, foi representado pelo então ministro das Relações Exteriores e atual assessor especial da Presidência Celso Amorim.

  1. O presidente desembarcou em Nova York na noite de sábado (16), onde participou de reuniões com empresários e autoridades estrangeiras. Nesta quarta-feira (20), ele se encontrará com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky. Ainda nesta quarta-feira, Lula será recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com quem lançará uma iniciativa global para promoção do trabalho decente.

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