Arquivos Floresta Amazônica - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/floresta-amazonica/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Sat, 20 Jul 2024 14:47:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 ‘Vi a Amazônia queimando’: ela virou jornalista ambiental depois de um ritual xamânico, mas um burnout a fez recalcular a rota https://canalmynews.com.br/brasil/vi-a-amazonia-queimando-ela-virou-jornalista-ambiental-depois-de-um-ritual-xamanico-mas-um-burnout-a-fez-recalcular-a-rota/ Fri, 19 Jul 2024 16:29:01 +0000 https://localhost:8000/?p=44970 Ao longo de cinco anos, Karina Miotto viu de perto o sofrimento dos povos originários da floresta e chegou a receber ameaças por escrever reportagens de denúncia

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O início da carreira da jornalista e ativista ambiental Karina Miotto foi marcado por uma crise de identidade. Ela sabia que queria ser jornalista, mas desejava trabalhar com propósito. Precisava de um norte. Então, certo dia, uma experiência xamânica com ayahuasca escancarou o óbvio.

Após cinco anos morando na Amazônia, escrevendo reportagens de denúncia, vendo de perto o sofrimento dos povos originários e enfrentando ameaças, Karina teve um quadro de burnout, e decidiu que era hora de ir embora. Hoje, segue firme no ativismo, mas recalculou a rota. Ela escreveu um livro sobre tudo o que passou — Changemakers, a coragem de transformar o mundo —, a ser lançado neste domingo (21), em São Paulo. Ao MyNews, ela conta sua história:

 

“Eu estava perdida. Sabia que queria ser jornalista, mas não sabia para quê. Até então, já havia passado pelos principais veículos do país, como as revistas do grupo Abril e o jornal Folha de São Paulo, mas não me identificava com nenhuma pauta que fazia. Desejava trabalhar com propósito. E então, em um ritual xamânico, tive a resposta que tanto buscava.

Sempre fui uma pessoa muito conectada com a natureza. Era óbvio que eu precisava trabalhar com isso, mas, por algum motivo, não conseguia enxergar essa possibilidade. No dia do ritual, tudo ficou muito claro. Foi minha segunda experiência com a ayahuasca.

Eu estava com um grupo de pessoas na Serra do Mar. Depois de tomar o chá, nos foi proposto um exercício: pegar uma cadeira, colocá-la sobre as costas e andar, em silêncio, até o topo de uma montanha. Assim fizemos. Ao longo da caminhada, comecei a sentir uma energia muito forte entrando pelos meus pés. Essa energia me atravessou. Percorreu meu corpo todo, saiu pelo topo da minha cabeça e começou a vir em ondas.

Quando olhei para o lado, vi uma montanha. Ela não era mais só uma montanha, era a Dona Montanha. Enxerguei a entidade ali, o ser. Olhei para as árvores. Comecei a sentir a energia de cada uma, como indivíduos. A brisa parecia me acariciar o rosto. Olhei para uma formiga que carregava uma folha nas costas e comecei a chorar. Pensei, comigo: ‘Qual é a diferença entre nós? Você, aí, carregando essa folha. Eu, carregando essa cadeira.’

Chegando no topo da montanha, decidi sentar perto de um enxame de abelhas. Parece loucura, mas eu tinha certeza, no íntimo, de que elas não iriam me ferroar. Nesse lugar, havia várias flores silvestres amarelas. Quando bati o olho em uma delas, ouvi uma voz dentro da minha cabeça: ‘Karina, cuida da gente’. E então eu entendi. Nesse momento, tudo ficou mais do que claro. Fui embora daquele ritual com a certeza de que jamais faria uma reportagem que tivesse outro intuito a não ser o de beneficiar a natureza.

Vista da Serra do Mar em Ubatuba (SP)

Vista da Serra do Mar, em Ubatuba (SP) | Foto: Wikipédia

Saindo de lá, enviei uma mensagem a todos os repórteres e editores do site O Eco. Ninguém me respondeu. Então descobri que o diretor desse veículo também havia passado por um processo parecido — de ter escrito para vários lugares até entender que o caminho dele era cuidar da natureza por meio do jornalismo. Pensei: ‘É isso’. Mandei uma mensagem. Ele me respondeu que estava com a vida corrida, que iria viajar a São Paulo na quarta-feira seguinte e que depois me escreveria. Não me contentei.

Sem avisar, peguei um táxi e fui encontrá-lo no aeroporto. Em um pedaço de papel, escrevi o nome dele e fiquei lá, esperando. Em determinado momento, ele sai por uma porta, vê a placa e dá risada. Olha para mim e diz: ‘Estou impressionado’. E foi assim que virei repórter freelancer d’O Eco.

No início, continuei morando em São Paulo e escrevendo sobre os problemas que via por aqui. Em paralelo, segui participando de rituais com ayahuasca e me conectando com a espiritualidade. Até que, certo dia, tive outra visão, que novamente mudaria o rumo de tudo.

Eu vi a Amazônia queimando. Em um plano, via as árvores queimando desde a base, o fogo subindo e elas sendo tombadas. Os animais correndo. Em outro, via um céu esfumaçado, cinza e laranja. Os planos se alternavam entre si.

Vista da natureza em chamas, gerada por Inteligência Artificial (IA)

Vista da natureza em chamas (imagem gerada por Inteligência Artificial) | Foto: Freepik

A visão conectou a minha dor com a dor da Amazônia. Me fez sentir a floresta como um ser. Eu sentia a dor das árvores, dos animais. E então, ouvi novamente, dentro de mim, uma voz: ‘Venha. Você está pronta agora’. Gosto de dizer que aquilo não foi um convite para um chá da tarde. Foi uma convocação. E, ali, eu já não tinha mais nenhuma dúvida.

Cheguei em casa e chorei por uma semana seguida, lembrando da visão do ritual, que ainda estava muito vívida. Avisei meus pais que me mudaria para Manaus dali a seis meses. Tudo fluiu magicamente, como se a espiritualidade estivesse do meu lado.

Certo dia, uma colega do Eco me chamou para ir a uma conferência de imprensa do Greenpeace. Lá, conheci a diretora da organização, que me convidou para ser voluntária na Amazônia, com tudo pago. Avisei meus editores d’O Eco, que logo manifestaram interesse de me ter como correspondente. Aceitei a proposta.

Karina Miotto

Karina Miotto boia nas águas de um rio na Amazônia | Foto: Arquivo pessoal

Morei na Amazônia entre 2006 e 2012. Ao todo, foram cinco anos, porque fiz uma pausa de um ano para ir aprender inglês nos Estados Unidos. Durante o tempo trabalhando na floresta, fiz inúmeras reportagens de denúncia. Escrevia sobre o desrespeito aos povos originários e a destruição do ecossistema.

Os problemas ambientais são inúmeros. Não é só o desmatamento, como muitas pessoas pensam. É retirada ilegal de madeira, barragem em rio, invasão de terra indígena. Fora o problema da violência. Eu mesma já cheguei a ser ameaçada.

Com o tempo, o sentimento de impotência diante de tanto sofrimento foi me consumindo, e comecei a adoecer. Ao mesmo tempo em que escrevia reportagens de denúncia para O Eco, também trabalhava em uma ONG para impedir a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, que afetaria comunidades ribeirinhas da região.

A gota d’água do meu esgotamento emocional se deu no dia em que entrei em uma comunidade e uma senhora, bastante abalada, veio falar comigo. Com lágrimas nos olhos, ela disse: ‘Karina, por favor, nos ajude a salvar a nossa terra’. E eu sabia que a terra dela seria alagada. Ver aquela cena me destruiu.

Demorei a entender o que estava acontecendo comigo. Naquela época, não se falava em burnout, ainda mais em ativistas. Eu soube que tinha algo de muito errado comigo quando percebi que já não estava mais feliz. Não conseguia sentir alegria ou entusiasmo. Meu mundo ficou preto e branco. Então decidi que era a hora de ir embora.

Saí da Amazônia e fui morar no Rio de Janeiro. Lá, fiz cursos e aprendi sobre Ecologia Profunda. Percebi que, para salvar a Amazônia, eu precisava despertar a conexão emocional das pessoas com a floresta. Então criei o Reconexão Amazônia, um projeto pioneiro para promover o despertar emocional das pessoas em relação à floresta. Dali em diante, eu seria como o beija-flor da fábula, que joga uma gotinha de água na floresta pegando fogo. Faria a minha parte, à minha maneira.

Em 2019, uma paixão avassaladora me fez sair do Brasil para ir morar na Austrália. O relacionamento não deu certo, mas continuei morando lá mesmo assim. Ao longo de cinco anos vivendo no país, escrevi um livro sobre tudo o que passei. No fim, acho que eu precisava desse distanciamento.

Ainda na Amazônia, e depois do burnout, participei de vários rituais com ayahuasca, mas nunca obtive uma resposta. Nunca entendi o por quê de ter passado por tudo isso. Pensando bem, foi melhor assim. Se eu tivesse entendido tudo logo de cara, teria tomado outros caminhos. E esse livro provavelmente não existiria.”

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Floresta Amazônica tem 30 a 40 mil espécies só de plantas, mostra estudo https://canalmynews.com.br/meio-ambiente/floresta-amazonica-tem-30-a-40-mil-especies-so-de-plantas-mostra-estudo/ Fri, 08 Jul 2022 12:41:36 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=31280 Trabalho divulgado nesta sexta-feira mapeia pesquisas científicas na região.

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Açaí, tucumã e buriti são os insumos da Floresta Amazônica que mais apareceram em estudos científicos publicados de 2017 a 2021 por instituições de pesquisa brasileiras sobre matérias-primas da região. Os estudos foram mapeados na publicação Bioeconomia amazônica: uma navegação pelas fronteiras científicas e potenciais de inovação, divulgada nesta sexta-feira (8).

O levantamento foi coordenado pela World-Transforming Technologies (WTT), com a participação da Agência Bori, e mapeou 1.070 artigos científicos publicados nos últimos cinco anos na base internacional de periódicos Web of Science. As áreas mais pesquisadas são ciência das plantas, ciências ambientais, ciência e tecnologia de alimentos, ecologia, bioquímica e biologia molecular.

“A gente precisa dar visibilidade à ciência feita na Amazônia e sobre a Amazônia. Há muita pesquisa sobre os ativos da biodiversidade que têm o potencial de resolver problemas importantes da sociedade, como tratamento de câncer, tratamento para prevenção de infecção com mercúrio, biomateriais, bioplástico. Há muita coisa interessante sendo pesquisada que pode, de fato, virar tecnologia, solução para problemas da sociedade”, diz o idealizador do estudo e gerente de operações da WTT, Andre Wongtschowski.

O bioma amazônico é continental, ocupa quase metade do território do país, é compartilhado por países vizinhos como Colômbia e Peru e se destaca como território de megabiodiversidade. Conforme ressalta a publicação, o número total de espécies de animais e plantas ainda não é conhecido, mas estima-se que existam pelo menos de 30 a 40 mil espécies apenas de plantas.

Insumos mais citados

A partir do mapeamento dos 1.070 artigos científicos, foram analisados 621 estudos, que seguem critérios de geração de novos conhecimentos e possíveis inovações a partir da sociobiodiversidade amazônica. Entre eles, 11 insumos aparecem em praticamente uma a cada três pesquisas: açaí, tucumã, buriti, piper, aniba, castanha do Brasil, andiroba, cupuaçu, lippia, guaraná e bacaba.

As pesquisas são variadas. Nelas, os insumos são usados, por exemplo, para supressão tumoral de células de câncer de ovário, agente sensibilizador para terapia fotodinâmica de câncer e como agente em combate a doenças infecciosas. As pesquisas trabalham também com a validação científica da utilização de insumos tradicionalmente empregados na medicina popular no tratamento de anemia, diarreia, malária, dores, inflamações, hepatite e doenças renais, dadas as atividades anti-inflamatória e antidiarreica, entre outras.

A aplicação pode ser feita também em diversas atividades industriais, como produtos artesanais, fabricação de tecidos, fios e redes de pesca, materiais cimentícios para construções sustentáveis, filmes biodegradáveis.

“Temos que dar visibilidade a essas pesquisas promissoras, para que elas saiam das prateleiras, saiam do papel e, de fato, se transformem em soluções para problemas importantes”, defende Wongtschowski.

Política nacional de inovação

Segundo o pesquisador, é necessária uma política nacional de inovação que estabeleça grandes objetivos a partir dos desafios do Brasil, que precisam ser resolvidos com a ciência. Nas soluções, é preciso engajar a comunidade científica, empresas, governos, organizações não governamentais e a sociedade em geral.

“É importante que esses desafios conversem com os desafios da sociedade, essas soluções precisam justamente olhar para os desafios que a gente tem como sociedade, sejam eles sociais ou ambientais”, diz Wongtschowski. “É preciso ter realmente a colaboração entre esses vários setores para que as soluções desenvolvidas fiquem de pé, para que configurem uma cadeia de valor de ponta a ponta, que entregue benefícios à população, que fomente a manutenção da floresta em pé, ou seja, que dê valor para os produtos da biodiversidade”, complementa.

A publicação traz ainda, em destaque, o resumo de sete estudos, selecionados a partir de critérios como potencial inovativo e relevância científica, social e econômica, além de cinco artigos analíticos inéditos escritos por pesquisadores, gestores e empreendedores de renome na área.

Ciência na Amazônia

A publicação destaca também que as especificidades e a complexidade da Amazônia devem ser levadas em consideração quando se trata de inovação. Uma vez que bases da bioeconomia no Amazonas encontram-se diretamente ligadas aos recursos nativos da fauna, flora e microrganismos do bioma amazônico, é preciso, acima de tudo, conservar a floresta e levar em consideração as populações locais.

Os autores propõem quatro princípios: conservação da biodiversidade; ciência e tecnologia voltadas ao uso sustentável da sociobiodiversidade; diminuição das desigualdades sociais e territoriais e expansão das áreas florestadas biodiversas e sustentáveis.

“Cada processo inovador necessita considerar as questões culturais, as salvaguardas socioambientais, os diversos territórios e o impacto a ser gerado para que essas tecnologias possam ser transformadoras do mundo, em um processo que fortaleça as populações locais e mantenha a floresta em pé”, diz a professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Tatiana Schor, em um dos artigos da publicação.

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Observatório do Clima desmente discurso do governo federal https://canalmynews.com.br/mais/observatorio-do-clima-desmente-discurso-do-governo-federal/ Fri, 07 May 2021 15:37:49 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/observatorio-do-clima-desmente-discurso-do-governo-federal/ Em relatório divulgado nesta sexta-feira, entidade apresenta números que comprovam a falta de políticas de combate ao desmatamento

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Enquanto o presidente Jair Bolsonaro discursava na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, em 22 de abril, a extensão de áreas desmatadas na Amazônia aumentava. Durante todo o mês, houve um aumento de 42,5% no número de alertas em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo informações do Observatório do Clima e com base nos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram desmatados 580,5 km² até o dia 29 de abril, contra 407,2 km² em abril de 2020. O número é recorde para o mês desde 2016.  

‘Operação Amazônia Viva 5’ embarga propriedade em Moju após flagrante de desmatamento.
‘Operação Amazônia Viva 5’ embarga propriedade em Moju após flagrante de desmatamento. Foto: Alex Ribeiro (Ag.Pará).

E pode ser maior. Durante o período analisado, 26% da Amazônia estava coberta de nuvens, ficando invisível ao satélite. É o maior percentual de nuvens para o mês na série iniciada em 2015. Ou seja: pode haver mais desmatamento escondido.

Os dados conflitam com os números apresentados pelo governo federal como resultado da ação do Exército na Amazônia: queda de cerca de 15% nos alertas entre agosto de 2020 e abril de 2021 (em relação ao mesmo período anterior). “Os alertas têm oscilado mês a mês para cima e para baixo, o que mostra que não existe uma política consistente ou uma ação sustentada da administração federal para controlar a devastação”, afirma o Observatório do Clima.

Ainda segundo informações da entidade, “a queda geral de 15% só apareceu nos dados porque os alertas em julho, agosto e setembro de 2019 foram completamente fora da curva — somente em julho de 2019 uma área equivalente a uma vez e meia a cidade de São Paulo tombou na Amazônia”.

Os números de abril não são os únicos recordes em 2021. Em março, o Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do Inpe, detectou perda de 367 km² de floresta, um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período de 2020 e maior área da série histórica para o mês. 

Em 2020, o desmatamento anual atingiu 11.088 km², índice recorde desde 2008.

Carta de repúdio e contradições

Após o discurso de Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima, entidades divulgaram uma carta de repúdio às tentativas do presidente de tentar persuadir a comunidade internacional sobre a necessidade de apoio financeiro para salvar a Amazônia. No documento, eles alegam que o governo tem ido no sentido oposto quanto a políticas de preservação ambiental no Brasil.

“O Plano Amazônia 21/22 e o discurso na cúpula climática expressam a falta de competência, credibilidade e compromisso com resultados efetivos de combate ao desmatamento, que comprometerão não apenas a saúde ambiental do Brasil e da Amazônia brasileira, como também a economia nacional, que ficará manchada pelo impacto climático e socioambiental desse desgoverno. Oferecer recursos ao Brasil, neste contexto, seria entregar um cheque em branco que aumentará a violência e a destruição da Amazônia”, diz a carta.

Operação de apreensão de madeira ilegal, parte do 'Plano Amazônia'.
Operação de apreensão de madeira ilegal, parte do ‘Plano Amazônia’. Foto: Reprodução (Agência Brasil).

Assinam o documento as organizações Greenpeace Brasil, Instituto de Estudos Econômicos (INESC), Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto Socioambiental (ISA), Observatório do Clima (OC) e SOS Mata Atlântica.

De fato, considerando as promessas de Bolsonaro durante a reunião da Cúpula, o governo tem agido na contramão do combate ao desmatamento. Na próxima semana, está na pauta da Câmara dos Deputados – em proposta do governista Arthur Lira (PP-AL)- , a votação de um projeto de lei que estabelece um novo marco legal para o licenciamento ambiental no Brasil. A proposta pode mudar de forma irreversível a legislação e aumentar ainda mais o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa do país.

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Proposta orçamentária para o Ministério do Meio Ambiente é a menor em 21 anos https://canalmynews.com.br/mais/proposta-orcamentaria-para-o-meio-ambiente-e-a-menor-em-21-anos/ Fri, 22 Jan 2021 22:15:21 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/proposta-orcamentaria-para-o-meio-ambiente-e-a-menor-em-21-anos/ Análise do Observatório do Clima demonstra que orçamento para 2021 é o mais baixo do século para a pasta

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Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (22) pelo Observatório do Clima (OC), o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021, ainda sujeito à análise do Congresso, apresenta a menor proposta de orçamento para o Ministério do Meio Ambiente desde 2000, disponibilizando R$ 1,72 bilhão para a pasta.

Dentre as cláusulas do documento, denominado “Passando a Boiada”, para além do déficit fiscal destacam-se dois pontos.

Um deles é a redução, em comparação com o valor autorizado em 2020, de 27,4% no orçamento federal direcionados para a fiscalização ambiental e combate a incêndios florestais (em relação a 2019, a queda é ainda maior: 34,5%). Outro é o corte de 61,5% dos recursos previstos especificamente para o desenvolvimento e gestão de Unidades de Conservação (UCs) – em relação ao ano de 2018, sob a gestão de Michel Temer, a perda é de 61,4%.

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente
Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente. Foto: José Cruz (Agência Brasil)

O aumento do desmatamento nos últimos dois anos (9,5% em 2020, depois de ter subido 34% em 2019) coincide com uma diminuição de 42% das multas por infrações contra a flora nos 9 estados que compõem a Amazônia Legal.

De acordo com o OC, o projeto orçamental para esse ano “reafirma a estratégia da atual gestão de continuar sufocando a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e, na prática, acabar com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)”.

Questões sociais também foram pontuadas no relatório: segundo o Conselho Indigenista Missionário, foram registrados 256 casos de invasões às terras indígenas (em 2019 foi anotado um acréscimo de 135%) e, de acordo com levantamento da Comissão Pastoral da Terra, ao menos 18 pessoas foram mortas durante conflitos no campo em 2020.

Orçamentos para o Ministério do Meio Ambiente desde 2000
Orçamentos para o Ministério do Meio Ambiente desde 2000

Plano de desmonte ambiental

Apesar do aumento consecutivo nos últimos dois anos no número de desmatamentos e queimadas, o Governo Federal pretende iniciar 2021 com reduções no orçamento do Ibama e do Instituto Chico Mendes, órgãos responsáveis pela preservação ambiental.

O corte de recursos se configura ainda mais desastroso com as recentes adoções de medidas que fomentam a flexibilização do controle da exportação de madeira, o loteamento de cargos com policiais militares nos órgãos ambientais e a proposta de extinção do Instituto Chico Mendes – em dezembro de 2019, o ministério popôs a fusão entre o Ibama e o ICMBio, mas voltou atrás após receber fortes críticas do setor ambientalista.

“O relatório mostra que, nos últimos dois anos, a pauta ambiental e climática no Brasil sofreu retrocessos inimagináveis e em escala assustadora. Bolsonaro adotou a destruição do meio ambiente como política e sabotou os instrumentos de proteção dos nossos biomas, sendo responsável diretamente pelo aumento das queimadas, do desmatamento e das emissões nacionais. A situação é dramática, porque o governo federal, que é quem poderia trabalhar soluções para esse cenário, hoje é o foco do problema”, analisa Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório.

Suely Araújo, especialista sênior em Políticas Públicas, explica que “o governo Bolsonaro colocou em prática suas promessas de campanha em relação à política ambiental. O Ministério do Meio Ambiente/Administração Direta se apequenou como produtor de políticas públicas e, atualmente, gere valores irrisórios que nem justificam sua própria existência. O Ibama está fragilizado e deslegitimado pela narrativa do próprio presidente da República e de outras autoridades. Além disso, há evidências de que o Instituto Chico Mendes tende a ser extinto ainda no primeiro semestre deste ano, em retrocesso que não podemos deixar ocorrer. É um projeto de destruição que está sendo concretizado”.

Procurado pela reportagem, o Ministério do Meio Ambiente não se manifestou até o fechamento deste texto.

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Macron insinua boicote à soja brasileira: entenda o que isso significa https://canalmynews.com.br/economia/macron-insinua-boicote-a-soja-brasileira-entenda-o-que-isso-significa/ Wed, 13 Jan 2021 19:19:23 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/macron-insinua-boicote-a-soja-brasileira-entenda-o-que-isso-significa/ Fala do presidente francês mistura protecionismo e pressão contra a política ambiental do governo Bolsonaro

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Nesta terça-feira (12), o presidente da França, Emmanuel Macron, em mensagem nas redes sociais, afirmou que “continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia”.

Respaldando-se em ambições ecológicas, o mandatário alegou que é coerente ao ambientalismo fomentado no país, e que está lutando para “produzir soja europeia ou equivalente”.

Para analistas políticos e profissionais jurídicos, a declaração do francês externa interesses comerciais protecionistas, mas não deixam de refletir uma conjuntura diplomática que pressiona o Brasil acerca da postura federal frente à devastação florestal e o agronegócio.

Em entrevista para o Almoço do MyNews, o advogado e ex-deputado federal Airton Soares caracterizou a investida de Macron como metodologia de defesa, considerando as distintas condições naturais para a exploração de soja no Brasil, em detrimento da realidade agrária.

Colheita de soja em fazenda no Brasil
Colheita de soja em fazenda no Brasil. Política ambiental brasileira pode atrapalhar o agronegócio nacional.
(Foto: Pixabay)

“A soja é um pretexto. Na verdade, o Macron defende a agropecuária e os produtores de alimentos da França. Aí, então, entra a questão do frango que chega até lá, das laranjas, abacaxis, legumes… todos produzidos aqui no Brasil, afetando a produção francesa, além de concorrer, segundo ele, de maneira desleal”, explicou.

O vice-presidente Hamilton Mourão, na manhã desta quarta-feira, criticou o posicionamento do dirigente francês: “Macron desconhece a produção de soja do Brasil. Nossa produção de soja é feita no cerrado ou no sul do país […] Então, eu acho que nada mais, nada menos, ele externou aí aqueles interesses protecionistas dos agricultores franceses. Faz parte do jogo político”, completou.

De acordo com Soares, Macron se utilizou da preservação ambiental, de fato concebida como uma das principais agendas dos líderes europeus, para, indiretamente, potencializar o mercado doméstico. “É válida a primeira parte, ele tem mesmo que encampar – não é só o Macron que não tolera conviver com políticos como o Bolsonaro, mas também toda a realidade europeia e todos os democratas que estão no poder ao redor do mundo”, esclareceu.

Uma questão diplomática

Participando também da entrevista, o cientista político e professor da UERJ Christian Lynch rememorou o acordo de livre comércio engendrado entre os países do Mercosul e da União Europeia. Para ele, a resolução celebrada recentemente “foi muito difícil, sujeita ainda à ratificação, e que aqueles dados como vencidos certamente têm interesse de criar empecilhos para valorizar os próprios produtos”.

Em uma economia cada vez mais globalizada e interdependente, pautas progressistas ganham forças políticas por meio da adesão popular, delineando novos valores a práticas comerciais, principalmente àquelas atreladas às transformações e reformas sociais.

“Estamos em um ambiente de competição internacional, somos os únicos produtores de soja no mundo. O risco que a gente corre é que aconteça com a soja o mesmo que aconteceu com a borracha no começo do século XX: se você não se aplica a tentar vender bem o seu produto, a concorrência vai superá-lo”, elucidou Lynch.

Macron e Biden

Como toda nação, o Brasil também está sujeito às fiscalizações e regulamentações por parte da comunidade internacional. Além desse policiamento e das dificuldades naturais das transações, ainda “temos um presidente da república que dá todos os pretextos para boicotarem e imporem sanções econômicas. Temos que entender que o Macron está olhando o lado dele, mas nós, infelizmente, não estamos olhando o nosso. Quer dizer, a sociedade civil vê, mas quem deveria olhar por nós, na defesa dos interesses brasileiros em ambiente internacional, não está fazendo sua parte”, acrescentou.

A vitória de Joe Biden nos Estados Unidos estreita ainda mais o cerco contra o Brasil. Durante a campanha eleitoral, o democrata fez um alerta ao governo brasileiro: “Parem de destruir a floresta. Se vocês não pararem, sofrerão significativas consequências econômicas”. A questão diplomática, no entanto, ainda parece estar longe de ser definida.

“Diplomacia a gente tem, mas ela não está podendo falar nem agir. Esse governo tenta se impor por meio dos cargos de direção, colocando pessoas que não têm liberdade para fazerem o que querem mesmo sendo simpatizantes do próprio Bolsonaro. Em casos específicos, como o da pasta do Meio Ambiente, os ministros compram o pacote completo desse populismo reacionário radical. Diplomacia a gente tem, mas ela está impedida de atuar por causa dessa diretriz, existindo apenas para servir aos interesses da família presidencial. Os interesses do Brasil, como Estado, não importam, o que importa, na verdade, é tudo aquilo que se pode cacifar para esse projeto”, concluiu.   

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