Arquivos gal costa - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/gal-costa/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Mon, 14 Nov 2022 22:10:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Meu nome é Gal https://canalmynews.com.br/maria-aparecida-de-aquino/meu-nome-e-gal/ Mon, 14 Nov 2022 21:32:16 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34644 "Ouvindo Gal Costa tenho a sensação de escutar um pássaro"

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Capa do disco Índia, de Gal Costa, foi censurada pela ditadura

Capa do disco Índia, de Gal Costa, foi censurada pela ditadura

O título deste artigo faz referência a uma das músicas mais conhecidas de Gal Costa (1945-2022), cujo nome completo era Maria da Graça Costa Penna Burgos. Nascida em Salvador (BA) e morta em São Paulo (SP). Para nosso orgulho, como paulistanos, Gal Costa resolveu morar em São Paulo nos últimos anos – sim, uma baiana em São Paulo que já foi chamado, preconceituosamente, de “túmulo do samba” – e aqui criar seu filho que adotou aos 2 (dois) anos de idade.

A canção a que se refere o título é de 1969, de autoria de Roberto e Erasmo Carlos que, nela, lhe fazem uma homenagem bastante carinhosa:

Meu nome é Gal
E desejo me corresponder
Com um rapaz que seja o tal
Meu nome é Gal…

Como música quero falar de sua voz. O que mais ouvi a respeito foi “cristalina”. Mas, é mais que isso. Ouvindo Gal Costa tenho a sensação de escutar um pássaro. É tão precisa e preciosa como uma ave rara cantando. E era rara mesmo.

Felizmente, nos incontáveis necrológios que assisti após sua morte, todos ressaltaram seu papel, além da intérprete genial. Quero destacar dois aspectos que a mim falam muito.

O primeiro deles, a coragem. Durante os anos da Ditadura Militar Brasileira (1964-1985), juntamente, com tantos outros, Caetano Veloso e Gilberto Gil, seus amigos de sempre, precisaram se exilar e foram para Londres. Gal Costa permaneceu aqui e, corajosamente, se posicionou contra o regime ditatorial que vivenciávamos. No período cantou a música, Divino maravilhoso, composta por Caetano Veloso e arranjada por Gilberto Gil para o festival de Música Popular Brasileira (MPB) de 1968. A música alertava para os perigos de se viver sob um regime repressivo e para a necessidade de resistir:

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte (…)
Atenção. Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte…

 

O segundo aspecto a ser destacado é seu papel como mulher. Era bissexual e, desde 1998, vivia com a empresária Wilma Petrillo. Algumas vezes expos o seu corpo naturalmente, o que chocou muitos. Em 1973, ao lançar o disco Índia, a capa apresentava Gal com uma tanga bem pequena e, na contracapa, a cantora com os seios de fora.

Isso motivou – que novidade! – a censura da Ditadura Militar e o disco precisou ser acondicionado em um plástico preto. Em 1994, no show, dirigido por Gerald Thomas, O sorriso do gato de Alice, apareceu com uma camisa semiaberta e, novamente, com os seios nus, já prestes a completar 50 anos. Ela cantava a poderosa e agressiva canção de Cazuza, Brasil:

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer (…)
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim…

Poderia lembrar de muitas canções magníficas interpretadas por Gal Costa. Mas, quando lembro dela, sempre me vem à cabeça a doçura de Chuva de Prata (1984) de autoria de Ed Wilson e Ronaldo Bastos:

Chuva de prata que cai sem parar
Quase me mata de tanto esperar
Um beijo molhado de luz
Sela o nosso amor…

E foi assim. Na “terra da garoa”, na São Paulo que ela escolheu viver, sob uma suave chuva que Gal Costa foi enterrada. Prefiro acreditar que se tratava de uma chuva de prata que ela merecia. Símbolo da cultura brasileira, sempre engajada, nos últimos tempos, se posicionou contra as sandices do governo atual. Estrela de magnífica grandeza, o Brasil “mostra tua cara” empobrecida pela sua ausência.

*Maria Aparecida de Aquino é Profa. Dra. do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Tem mestrado e doutorado pela FFLCH/USP; Pós-doutorado pela UFSCar. É especialista em estudos sobre a Ditadura Militar brasileira (1964-1985).

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Gal Costa: 7 discos para entender a carreira da cantora https://canalmynews.com.br/brasil/gal-costa-7-discos-para-entender-a-carreira-da-cantora/ Wed, 09 Nov 2022 18:52:18 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34592 Veja uma seleção com 7 álbuns essenciais na discografia da intérprete baiana

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Gal Costa, uma das maiores vozes da música, morreu nesta quarta-feira (9), aos 77 anos. A informação foi confirmada na manhã de hoje (9) pela assessoria de imprensa, que não divulgou detalhes sobre a causa do falecimento.

Na ativa desde a década de 1960, Gal começou a carreira no cerne da Tropicália e, ainda nos anos 60, emplacou sucessos icônicos, como Divino Maravilhoso e Baby, de Caetano Veloso. Depois, a artista passou por uma série de reinvenções e dialogou com diversas vertentes da música brasileira.

Veja uma lista com oito álbuns para entender a versatilidade de Gal Costa:

1) Gal Costa (1969)
No início da carreira, o primeiro clássico de Gal é marcado por uma sonoridade e estética tropicalista. Cinco das doze composições são de um dos maiores parceiros da cantora, Caetano Veloso. “Não identificado”, que já havia sido gravada por Caê, ganha sua versão mais marcante; o mesmo acontece com “Baby” e “Divino Maravilhoso”. O disco tem, ainda, tons de samba-rock, com Que Pena (Ela já não gosta mais de mim), de Jorge Ben.

2) Fa-tal (1971)
“Gal a todo vapor”, como diz o subtítulo do álbum. Trata-se de um dos álbuns ao vivo mais importantes da música brasileira, que reúne registros da cantora em diversas apresentações no ano de 1971. É dividido em duas partes: voz e violão e a apresentação com banda; nesta última, destacamos a versão de “Vapor Barato”, de Jards Macalé e Wally Salomão. Ainda, há versões únicas de músicas populares e de sons contemporâneos ao lançamento do disco, como “Dê um Rolê”, dos Novos Baianos.

3) Cantar (1974)
Parceria com Caetano, produtor, e João Donato, responsável pelos arranjos, Cantar é um mergulho de Gal em um espaço mais musical. Há aqui músicas mais “solares”, como “Barato Total”, composição de Gilberto Gil; mas também há momentos pra baixo, como “Lágrimas Negras”, um dos clássicos da carreira de Gal.

4) Água Viva (1979)
Para ilustrar a fase mais pop de Gal, indicamos Água Viva. Lançado no fim dos anos 1970, o disco traz indícios do que seria a carreira da cantora na década seguinte. Os anos 80 trouxeram uma Gal popular, com hits, aparições em novelas, especiais de TV e duetos marcantes. Água Viva tem “Folhetim”, de Chico Buarque; “Paula e Bebeto”, de Milton Nascimento, entre outras canções marcantes.

5) O sorriso do Gato de Alice (1993)
Um dos registros mais potentes de Gal. Consolida uma transição entre a artista essencialmente pop, responsável por hits estrondosos marcados por sonoridades típicas dos anos 1980, e uma Gal mais introspectiva, reclusa.

6) Recanto (2011)
De 1993, damos um salto para os anos 2010. Aqui, Gal assume uma roupagem moderna, dialogando intensamente com bases eletrônicas (tem até autotune!). Tem a produção de Moreno Veloso e do pai, Caetano, que compôs a maioria das músicas. Esse disco apresenta uma roupagem que Gal assumiria ao longo da década e nos últimos anos da sua carreira.

7) A pele do futuro (2018)
Depois de Estratosférica (2015), Gal volta ao estúdio e lança “A pele do Futuro”, um disco marcado por uma mistura de sonoridades que vão da dance music (na dançante “Sublime”) ao sertanejo moderno de Marília Mendonça, com quem Gal faz um dueto marcante em “Cuidando de Longe”. “Palavras no Corpo”, de Silva e Omar Salomão, também merece destaque; a música compôs, inclusive, o setlist da última turnê de Gal, “As várias pontas de uma estrela”.

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