Arquivos Guerra da Ucrânia - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/guerra-da-ucrania/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 24 Jun 2022 12:39:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Com mortos e feridos, aumentam os prejuízos da invasão da Ucrânia https://canalmynews.com.br/internacional/com-mortos-e-feridos-aumentam-os-prejuizos-da-invasao-da-ucrania/ Fri, 24 Jun 2022 12:39:41 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30571 Em quatro meses desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, os dois lados perderam um grande número de soldados. Guerra por ter matado 100 soldados ucranianos por dia.

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Em quatro meses desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, os dois lados perderam um grande número de soldados.

No dia 11 de junho, o conselheiro presidencial da Ucrânia, Oleksiy Arestovych, sugeriu que seu país estivesse perdendo cerca de 100 soldados por dia. Ele observou também que o total geral de mortes de soldados ucranianos poderá chegar a 10 mil.

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou, em fins de março, que 1.351 soldados do país haviam morrido em batalhas na Ucrânia. Depois disso, a Rússia não voltou a divulgar números.

Contudo, no dia 23 de maio, o Ministério da Defesa do Reino Unido sugeriu que cerca de 15 mil militares russos podem ter morrido na Ucrânia.

Durante uma entrevista concedida à revista norte-americana National Defense, no dia 15 de junho, um comandante de logística do comando de forças terrestres da Ucrânia disse que seu país perdeu cerca de 400 tanques de guerra, 1.300 veículos de combate de infantaria e 700 sistemas de artilharia, podendo chegar a 50% dos respectivos totais.

Poder de fogo

No dia 12 de junho, o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, disse à revista The Economist, que em algumas regiões as forças russas têm dez vezes mais poder de fogo que a Ucrânia. O ministro exortou países do Ocidente a apressar o suprimento de armas para a Ucrânia.

O prejuízo econômico dos bombardeios terrestres e aéreos da Rússia também está aumentando.

Segundo um relato da Escola de Economia de Kiev, o prejuízo direto à infraestrutura da Ucrânia até o dia 8 de junho havia atingido 103,9 bilhões de dólares. O relato acrescentou que estradas, aeroportos, instituições de saúde e escolas foram danificados.

Segundo uma estimativa, até o fim de maio o prejuízo econômico da Ucrânia teria atingido o equivalente a cinco vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

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O dia seguinte da Guerra da Ucrânia https://canalmynews.com.br/internacional/o-dia-seguinte-da-guerra-da-ucrania/ Fri, 10 Jun 2022 11:53:23 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=29643 À medida que a guerra da Ucrânia prossegue, a relevância do assunto vai diluindo. Mas este conflito é, sem dúvida, o de maior impacto geopolítico nas próximas décadas.

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À medida que a guerra da Ucrânia prossegue, com mais de cem dias já ultrapassados, a relevância do assunto vai, paulatinamente, diluindo. No entanto, não podemos esquecer que este conflito é, sem dúvida, o de maior impacto geopolítico nas próximas décadas.

Algumas questões derivam desta guerra e determinarão os rumos da governança global. Uma das dúvidas principais é relativa à capacidade da manutenção hegemônica dos Estados Unidos no sistema global e a sua capacidade de combater duas Guerras Frias – China e Rússia – ao mesmo tempo. A resposta parece negativa e os Estados Unidos provavelmente não conseguirão. Sob a perspectiva militar, a Rússia, mesmo após a tentativa de estrangulamento dos Estados Unidos por meio de sanções e isolamento completo do país, parece manter a sua capacidade de atuação militar. Apesar dos erros incorridos inicialmente na Guerra da Ucrânia, a Rússia tem mantido os seus objetivos no conflito, conseguiu reajustar-se e ainda retém poderio suficiente para contender com os Estados Unidos.

Do ponto de vista econômico, apesar da pandemia e das restrições temporárias ocorridas em várias cidades da China, o desenvolvimento contínuo e estável da economia chinesa se contrapõe a um cenário de inflação ascendente, reduzido poder político do atual ocupante da Casa Branca, e provável recessão nos Estados Unidos nos próximos anos. Tal deterioração econômica, por certo, não permitirá aos Estados Unidos prosseguirem num embate contínuo contra Rússia e China. As concessões que, eventualmente, os Estados Unidos terão de fazer nos próximos anos, não permitirão ao país lograr a dissociação entre China e Rússia, particularmente em suas ações de alcance global, o que dificultará aos Estados Unidos manter a sua posição dominante, militar e economicamente.

Além disso, existem dois possíveis resultados da Guerra (ou Operação Militar Especial, segundo Moscou) na Ucrânia. O primeiro cenário, sem dúvida, seria o de uma vitória da Rússia no conflito. Se isto viesse a ocorrer, estaríamos diante do fim da hegemonia norte-americana e o surgimento e consolidação de novos grupos políticos e econômicos regionais, o que elevaria a competição global pelo poder a níveis jamais observados. A Guerra da Ucrânia poderá significar para os Estados Unidos aquilo que a Crise de Suez significou para o Império Britânico: o declínio inevitável.

A competição entre as potências desafiadoras e os Estados Unidos poderia gerar alguns benefícios globais, mas Washington, DC, parece mais inclinada à ressurreição da Guerra Fria como estratégia de retenção de poder. Para a Europa, a vitória russa seria um desastre, porque na ausência de um comando central, o continente seria obrigado a permanecer atrelado a uma potência global, como os Estados Unidos, agora com menor relevância e poderio, e com interesses domésticos de maior preocupação do que a parceria transatlântica, que já enfrenta desafios há anos.

No cenário em que a Rússia perde a guerra, certamente a posição norte-americana seria altamente fortalecida e o mundo retornaria a um contexto unipolar, com os Estados Unidos e seus aliados moldando a ordem internacional, conforme seus interesses, por décadas. Por certo, a China ficará no polo passivo desta reorganização global e sofrerá com o incremento da agressividade norte-americana, maior pressão sobre o comércio internacional chinês, além do possível aumento em ações diretas e intervenções, em outras partes do globo, com o uso do poderio militar, direta ou indiretamente. No caso da atuação contra a China – e eventuais opositores a esta ordem internacional – os Estados Unidos deverão incitar, particularmente, Japão e União Europeia a adotarem políticas econômicas mais hostis, para conter qualquer avanço no ritmo de desenvolvimento ou eventual tentativa de desafio ao poderio hegemônico norte-americano. Além disso, deveremos assistir a mais guerras limitadas contra os “inimigos”, baseados no discurso da defesa dos direitos humanos, soberania e valores democráticos.

O fato é que a Guerra da Ucrânia é um conflito regional que se transformou numa questão global de enorme divisão e escala entre Ocidente e Oriente. Se o conflito prosseguir por muito tempo, com enorme impacto sobre a economia global, talvez ainda assistamos a um conflito militar direto entre Rússia e OTAN. Se a Rússia perder o conflito – e esta é a esperança e desejo do Ocidente – veremos o país sofre a sua pior derrota econômica e política. Para a China também significará um sinal vermelho quanto a qualquer movimentação política relativa a Taiwan. É importante, por fim, ressaltar que esta Guerra da Ucrânia também prejudica a China substancialmente, pois representa a importação de inflação, em razão do aumento no preço das commodities, flutuação nas taxas de câmbio e disfunções políticas, dentre outros.

A mídia russa tem comparado a guerra atual ao conflito franco-russo do início do século XIX e ao dos Aliados contra os fascistas na Segunda Guerra Mundial. Se a Rússia perder, o entendimento é que o país, como conhecemos, deixará de existir. Se vencer, no entanto, Putin eliminará o confronto representado pelo Ocidente e os últimos cinco séculos de hegemonia global ocidental. É o temor da derrota que faz com que Putin siga – com apoio popular – no conflito, porque o país não suportaria as consequências de uma derrota.

Talvez um cessar-fogo – e não uma rendição como foi o desastroso Tratado de Versalhes – fosse o cenário mais interessante neste momento, sob a percepção de que os dois lados garantiram algum tipo de benefício. “Salvar a cara” seria a melhor forma de alcançar algum resultado positivo deste conflito para os dois lados.

 

*Marcus Vinícius De Freitas é professor Visitante, China Foreign Affairs University, Senior Fellow, Policy Center for the New South

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Parlamento da Finlândia aprova entrada do país na OTAN https://canalmynews.com.br/gabriela-lisboa/parlamento-da-finlandia-aprova-entrada-do-pais-na-otan/ Tue, 17 May 2022 20:29:46 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=28493 Seguindo os passos da vizinha, Suécia assina carta de adesão e deve fazer o pedido oficial para entrar na aliança ainda esta semana

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O parlamento da Finlândia aprovou a entrada do país na OTAN por maioria esmagadora. Com 188 votos a favor e apenas 8 contra, os parlamentares finlandeses aprovaram, nesta terça-feira (17), a entrada da Finlândia na OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Com a vitória, o pedido formal deve ser apresentado nos próximos dias, o que marca uma reviravolta histórica. A Finlândia deixa de ser um país neutro militarmente para se aliar ao grupo comandado pelos Estados Unidos.

Outro país historicamente neutro, a Suécia se prepara para seguir o mesmo caminho. A ministra das Relações Exteriores, Ann Linde, confirmou que assinou o pedido de adesão à OTAN e que o documento deve ser entregue nos próximos dias. Em um comunicado, a ministra disse que tinha acabado de assinar “uma histórica carta de indicação do governo sueco para o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg. Nossa candidatura à Otan está agora oficialmente assinada”.

Os dois países já têm uma reunião marcada com com o presidente americano, Joe Biden, na quinta-feira (19), para discutir as candidaturas. O encontro vai acontecer entre Biden, o presidente finlandês, Sauli Niinistö, e a primeira-ministra da Suécia, Magdelena Andersson.

A Guerra na Ucrânia começou no fim de fevereiro, com a invasão russa no país. O MyNews passou dez dias em Lviv, no Oeste ucraniano, para mostrar como a guerra mudou a vida das pessoas.

O processo de adesão de um novo membro na OTAN não é simples e pode levar até um ano porque o país precisa atender a uma série de requisitos. Além disso, todos os atuais membros, 30 países, devem concordar com a entrada, a decisão tem que ser unânime. Nesse caso, a pedra no sapato é a Turquia, que já se manifestou contra, a declaração foi dada pelo próprio presidente turco, Recep Erdogan. Os países disseram que vão enviar uma delegação para negociar com o presidente, na pauta pode entrar a venda de armamento sueco para os turcos – as negociações foram canceladas há três anos.

Nesta semana, o MyNews Explica conversou com o professor de Relações Internacionais da FAAP, Gustavo Poggio, sobre a entrada dos países nórdicos na OTAN.

Veja a entrevista no vídeo abaixo:

 

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Nem todo oligarca é russo https://canalmynews.com.br/voce-colunista/nem-todo-oligarca-e-russo/ Wed, 11 May 2022 13:12:00 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=28080 Por que chamamos os bilionários russos de oligarcas? Quantas vezes usamos o termo oligarca atualmente? Afinal de contas, o que é um oligarca?

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Estamos em meio a uma guerra de repercussões globais, onde os principais líderes do mundo estão diretamente ou indiretamente envolvidos. E uma coisa que sabemos desde que a guerra é guerra, e que se reforçou com as guerras televisionadas, desde a Guerra do Vietnã, é que o controle da narrativa é uma arma de guerra.

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Isso significa que devemos ser críticos às informações advindas de todos os lados da guerra. É fato que Putin se utiliza de métodos extremos de controle e censura da internet e da imprensa. Mas também é fato que já faz décadas que o ocidente domina modos de manipular as narrativas de guerra de modo muito mais sutil. Basta lembrarmos de como foi feita a cobertura midiática da invasão do Iraque e de como os EUA usou de desinformação para manipular a opinião pública mundial.

Se é fato que Putin é claramente do país beligerante, e também um ditador de posse do maior arsenal nuclear do mundo, isso não faz com que tudo o que se noticia contra a Rússia seja verídico e objetivo.

Um dos exemplos mais claro disso é a cobertura em referência aos oligarcas russos. Uma das melhores formas de se manipular uma notícia é falar uma verdade, ou várias, mas sutilmente transmitir uma distorção ao mesmo tempo. Por que chamamos os bilionários russos de oligarcas? Quantas vezes usamos o termo oligarca atualmente? Afinal de contas, o que é um oligarca?

Bandeira da Rússia no céu. Foto: Egor Filin (Unsplash)

Etimologicamente oligarquia é o governo de poucos. O termo oligarca então se refere originalmente a membros de uma pequena casta que domina o poder político de uma nação. Um exemplo seria as famílias reais e demais nobres em monarquias absolutistas. Ou os diretores de um partido em um regime de partido único.

Nesse sentido o termo não pode ser aplicado aos bilionários russos. O governo lá é exercido por políticos eleitos (em eleições nada confiáveis) e burocratas, e não pela elite econômica. Mas no século XIX e início do século XX era comum usar o termo oligarca para os magnatas que usavam seu poder econômico como meio de obter influência nos poderes políticos, e com isso aumentar ainda mais suas fortunas. E sim, os bilionários russos são um exemplo clássico.

A atual oligarquia econômica russa se forma na década de 1990, quando ocorreu a privatização das empresas estatais soviéticas, compradas a preço de banana para pessoas com bons contatos com os burocratas do governo Yeltsin e Putin. Ou seja, a amizade com os governistas transformaram em poucos anos algumas pessoas levemente abastadas em alguns dos homens mais ricos do mundo. E esse enriquecimento ilícito e súbito conquistado devido à proximidade com o poder político faz a elite russa merecer o título de oligarca.

Mas e os outros bilionários do mundo seriam realmente diferentes, ou podemos falar de oligarcas brasileiros, estado-unidenses, franceses, alemães, e, cometerei a heresia, ucranianos?

A Rússia sofre de um capitalismo tardio, iniciado há 40 anos, e por isso podemos traçar com clareza como se fez a acumulação do capital. Já nas democracias ocidentais, séculos separam a formação das fortunas das grandes famílias e o presente.

Mas se formos olhar, por exemplo, a realidade brasileira, a maioria das famílias realmente ricas tem sua origem na atividade mais lucrativa do Brasil colonial e imperial. E não, não foi a monocultura de açúcar ou do café. Foi o tráfico negreiro. As grandes fortunas ao redor do mundo, a maioria terá, assim como no Brasil, uma origem mais repugnante que a corrupção da Rússia de Yeltsin e Putin.

Claro, não podemos culpar os tataranetos pelos crimes de seus ancestrais, mas sua fortuna herdada foi cunhada em sangue. E os bilionários de hoje estão também usando de seu poder econômico para influenciar ou controlar o poder político. Às vezes sequer por meios indiretos, Trump que o diga.

Então, basicamente, quase todo bilionário no mundo merece o título de oligarca. E alguns merecem mais que os russos. Mas usamos o adjetivo atualmente apenas para russos, e talvez os detentores dos petrodólares árabes.

Isso é um exemplo menor de um mal grave, um erro ou estratégia nefasta que estamos cometendo na construção ocidental da narrativa ao redor da invasão da Ucrânia. Se Putin comete o grave insulto de perverter as nacionalidades russa e ucraniana para criar o mito da Grande Rússia e negar a existência do povo ucraniano, nós estamos alimentando de forma perigosa e irresponsável discurso de anti-rússia. Estamos transformando uma das nações mais influentes e poderosas do mundo não apenas em um pária, mas em vilões.

Estamos boicotando não apenas a economia russa, nem sequer os bilionários russos. Estamos boicotando atletas, e até mesmo símbolos culturais. Chegou-se ao extremo de retiramos filmes como Anastasia e debatermos sobre proibir cursos sobre Dostoevsky.

O ódio a um povo é uma ferramenta potente, mas perigosa. E isso se reflete em atos concretos. A Rússia foi expulsa do Parlamento Europeu e também da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Em um momento onde todo esforço diplomático com a Rússia deveria ser bem vindo, para evitar que esse conflito escale de forma catastrófica, estamos apostando em subir a tensão e a pressão.

Vale a pena lembrar um pouco de história. Quando o mundo diplomático tenta encurralar o Japão com sua criminosa invasão da Manchúria, o resultado foi a saída daquela potência da Liga das Nações. E foi o princípio do fim do maior fórum diplomático do mundo à época. Uma das causas diretas da Segunda Guerra Mundial.

A Rússia, devido sua produção energética, seu poderio militar, e em especial, seu poderio nuclear, é inevitável. Não há como contorná-la ou ignorá-la. A piada já dizia que a bomba atômica é a arma do diálogo. Quando temos uma, todos querem conversar com você.

Estranhamente estamos optando pelo oposto. E Putin já mostrou claramente que pode ser um mentiroso costumaz, mas não costuma a blefar. Costuma cumprir suas ameaças. E não apenas rompendo o diálogo, mas chutando os russos para fora. Pagar para ver não me parece uma escolha saudável.

Falar mal de Putin é fácil. Ele é um governante repugnante em vários aspectos. Mas ao escolher transformar a Guerra da Ucrânia em uma luta do bem contra o mal (inclusive banalizando os diversos problemas internos que a sociedade ucraniana atravessa) estamos forçando a um ditador russo a cumprir um papel completamente demoníaco. A que preço?

Mesmo que isso não acabe em um desastre nuclear (algo que ainda parece improvável, mas já deixou de ser impensável), resta a pergunta: a quem interessa uma Ucrânia demolida? Certamente não a Rússia, que deseja uma Ucrânia como sua zona de influência. Mas as ações do ocidente não estão de forma alguma dando segurança a Ucrânia. Putin continua sendo o principal agressor, mas parece que nós estamos cada vez mais felizes em forçar a ele se manter neste papel.

Se é verdade que não podemos tolerar a agressão e invasão promovida pela Rússia, não podemos transformar a necessária resistência em atos de ódio e isolamento. Estamos apagando fogo com gasolina.

Se é difícil entender plenamente as intenções de Putin, me parece ainda mais difícil entender o tipo de propaganda que estamos contando para nós mesmos. Apenas o povo ucraniano parece interessado em encerrar o conflito. E enquanto transformamos Zelensky em Churchill e Putin em Hitler criando uma narrativa delirante, oligarcas de todas as nações dançam na beira do abismo.

E o povo ucraniano morre. E a economia global entra em caos. E o apocalipse nuclear volta a assombrar a geopolítica mundial.

*As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews

Quem é Aniello Olinto Guimarães Greco Junior?

Servidor público concursado do Tribunal Superior do Trabalho, Aniello Greco passou tempo demais na universidade, sem obter diploma. Já fingiu ser jogador de xadrez, de poker, crítico de cinema, sommelier de cerveja. Sabe de quase tudo um pouco, e quase tudo mal.


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A Nova Ordem Mundial Policêntrica https://canalmynews.com.br/internacional/a-nova-ordem-mundial-policentrica/ Wed, 30 Mar 2022 20:54:02 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=27083 Uma Nova Ordem Mundial Policêntrica foi desenhada pela Rússia e China dias antes do início da guerra na Ucrânia. Cientista político e pesquisador comenta sobre motivações.

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A queda do muro de Berlim em 1989 e o desmantelamento da URSS em 1991 deram lugar ao fim da Ordem Mundial Bipolar que imperou sobre o mundo durante quase meio século. Como “Ordem Mundial”, podemos entender, a partir da literatura da História das Relações Internacionais, essencialmente, um determinado conjunto (em movimento) reunindo normas, instituições e estruturas de autoridade que modificam, limitam e dirigem o comportamento dos atores que compõem o Sistema-Mundo durante um determinado período.

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Há dois movimentos históricos inequívocos nas transições e estabelecimento de uma determinada Ordem Mundial: a caneta e a bomba, isto é, a guerra e a paz. Assim se deu na “Paz de Westfália”, em 1648, com o desfecho das nominadas Guerras Religiosas.

Em Viena, em 1815, após as Guerras Napoleônicas, e o chamado “Concerto Europeu”. Na denominada “Paz de Versalhes”, em 1919, no desenlace da I Guerra Mundial. Ou ainda em Yalta, Potsdam e São Francisco, em 1945, com o fim da II Grande Guerra. Após o colapso soviético, em 1991, o bombardeio dos EUA ao Iraque, na I Guerra do Golfo, estabeleceu através do poder das armas, os novos rumos no campo internacional.

Todavia, esta Ordem Mundial anglo-saxônica dos últimos trinta anos parece finalmente ter entrado em esgotamento. Nas últimas décadas assistimos ao renascimento russo e ascensão chinesa, respectivamente a segunda maior potência militar e a segunda economia do Sistema Mundial. Ambas com manifesta vontade de mudar o status quo da hierarquia do poder mundial, e agora, mais unidas do que em qualquer outro momento histórico.

No dia 4 de fevereiro deste ano, de 2022, estrategicamente na abertura das Olimpíadas de Inverno, Xi Jinping e Vladimir Putin, se reuniram em Pequim. Além de participarem da cerimônia de abertura dos jogos, os dois chefes de estado divulgaram uma “Declaração Conjunta” que chama a atenção tanto pela assertividade como pela amplitude.

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Mapa do leste europeu. Foto: MabelAmber (Pixabay)

Em essência, o conjunto do documento representa uma candente defesa do multilateralismo e de uma nova Ordem Mundial Policêntrica. Revela uma sólida intenção dos dois países em unidade, contestarem abertamente a Ordem Mundial Pós-Guerra-Fria, atlanticista e anglo-saxônica, assim como o fim da hegemonia norte-americana.

Diz o documento: “As partes opõem-se a um maior alargamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e apelam à aliança para que abandone as suas abordagens ideologizadas da Guerra Fria, respeite a soberania, a segurança e os interesses de outros países, a diversidade das suas origens civilizacionais, culturais e históricas e tenha uma atitude objetiva em relação ao desenvolvimento pacífico de outros estados”.

Assinala para um inexorável deslocamento “euroasiático” do poder. A expressão de tal força, além da própria parceria e documento seria dentre outros, o projeto de desenvolvimento chinês das “Novas Rotas da Seda”, a maior integração euroasiática e Organizações Multilaterais como o G20, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), os Brics e em especial, a Organização para Cooperação de Xangai (SCO).

Já no final, uma das conclusões do texto evidencia: “A Rússia e a China pretendem fortalecer de forma abrangente a Organização de Cooperação de Xangai (SCO) e aprimorar ainda mais seu papel na formação de uma Ordem Mundial Policêntrica baseada nos princípios universalmente reconhecidos do direito internacional, multilateralismo, segurança igualitária, conjunta, indivisível, abrangente e sustentável”.

A História das Relações Internacionais demonstra que toda quebra de uma Ordem Mundial estabelecida, implica necessariamente no uso da força. Vinte dias após a visita de Putin a Xi, em Pequim, e a divulgação deste documento sino-russo que contesta clara e inequivocamente a Ordem Internacional Pós-Guerra Fria, a Rússia invade a Ucrânia. E, pelo poder das armas, claro, suportado pelo seu grande aliado, a China, inaugura um novo tempo do mundo.

Uma Nova Ordem Mundial Policêntrica, dando fim ao expansionismo infinito da OTAN e da hegemonia do EUA, que se perpetuaram por trinta longos anos.


Quem é Pedro da Costa Júnior?

Cientista político, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro “Colapso ou Mito do Colapso?” (Editora Appris, 2019).

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Manhattan Connection estreia na quinta (31) diretamente da Ucrânia https://canalmynews.com.br/internacional/manhattan-connection-estreia-nessa-quinta-no-mynews-diretamente-da-ucrania/ Tue, 29 Mar 2022 18:08:32 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=27048 Tradicional programa televisivo volta em novo formato virtual no YouTube. Transmissão ao vivo começa às 20h30 da quinta-feira (31), no canal do MyNews.

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O jornalista Lucas Mendes vai ancorar a estreia do programa Manhattan Connection direto da Ucrânia na próxima quinta-feira (31) às 20h30. A ideia de viajar para o país em guerra uma semana antes da estreia foi do próprio Lucas Mendes.

“O novo Manhattan está ágil, informal e quentíssimo. Unimos o conteúdo, a sensibilidade e a bagagem de Lucas Mendes com a nossa expertise e a linguagem das redes”, diz Mara Luquet, sócia fundadora do My News. “A missão mais difícil da equipe vai ser cuidar do velho, missão impossível”, brincou Lucas Mendes, 77 anos, numa das chamadas do novo programa.

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O My News, canal de jornalismo no Youtube, providenciou com urgência os aparatos para a segurança do embarque da equipe do Manhattan Connection: Lucas Mendes, apresentador, Gabriela Lisbôa, produtora e repórter e Cézar Fernandes, editor de imagens.

O grupo foi primeiro até Varsóvia, na Polônia, via Lisboa, e depois seguiu para Liviv, na Ucrânia. No trajeto, reuniram um material riquíssimo com refugiados, combatentes, voluntários de guerra e autoridades.

A Agência de Notícias Associated Press (AP) dará o apoio para a conexão da ancoragem de Mendes da Ucrânia com o estúdio. Mara Luquet e Caio Blinder estarão nos estúdios de Nova York.

O cientista político Felipe Nunes completa o time do Manhattan no MyNews. Ele é CEO da Quaest, empresa responsável pelas pesquisas eleitorais da Genial Investimentos, e promete levar semanalmente notícias reveladas pelos seus algoritmos que acompanham as redes sociais. O jornalista Diogo Mainardi, que não faz parte do elenco fixo da atração, entrará como convidado especial na estreia.

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