Arquivos inovação - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/inovacao/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Wed, 06 Sep 2023 17:29:12 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Inteligência Artificial: o futuro radiante e os desafios inerentes https://canalmynews.com.br/tecnologia/inteligencia-artificial-o-futuro-radiante-e-os-desafios-inerentes/ Fri, 11 Aug 2023 17:48:24 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38827 Os desafios e riscos inerentes à Inteligência Artificial merecem atenção cuidadosa e reflexão profunda

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A era contemporânea é marcada pela ascensão vertiginosa da Inteligência Artificial (IA), uma fronteira tecnológica que tem capturado a imaginação e o engenho humano. Dotada de capacidade de aprendizado e evolução, a IA promete remodelar a existência humana de formas até então inexploradas, abrindo portas para inovações em campos tão diversos quanto medicina, educação, transporte e entretenimento. A promessa é luminosa, repleta de possibilidades que podem enriquecer nossas vidas e transformar a maneira como interagimos com o mundo.

Contudo, essa jornada rumo ao desconhecido não é isenta de complexidade. Os desafios e riscos inerentes à Inteligência Artificial merecem atenção cuidadosa e reflexão profunda. A ética, a segurança, a regulamentação e o impacto social são questões que se entrelaçam com o potencial transformador dessa tecnologia. Ela não é apenas uma ferramenta; é um espelho de nossas aspirações, medos e valores, e sua compreensão é vital para o futuro que desejamos construir.

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

A Compreensão da Inteligência Artificial

Para compreender a essência da Inteligência Artificial (IA), é instrutivo observar o exemplo do AlphaZero. Diferente de sistemas tradicionais que dependem de regras programadas por humanos, o AlphaZero aprendeu a dominar o xadrez através da observação e compreensão do que significa vencer. Esse exemplo não é apenas uma façanha tecnológica, mas simboliza uma transição significativa de sistemas baseados em algoritmos rígidos para sistemas de aprendizagem autônoma, onde a máquina aprende por si mesma, sem a necessidade de instruções explícitas.

O avanço exponencial do poder computacional tem sido um catalisador fundamental para essa transformação. A capacidade de processar grandes volumes de dados em velocidades vertiginosas permitiu o surgimento de ferramentas de IA cada vez mais sofisticadas. Essa evolução não se limita a jogos como o xadrez, mas estende-se a diversas áreas, desde diagnósticos médicos até a condução autônoma de veículos, demonstrando a versatilidade e o potencial ilimitado da IA.

A IA, em sua natureza multifacetada, transcende a mera execução de tarefas. Ela representa uma nova forma de interação entre homem e máquina, onde a aprendizagem contínua e a adaptação são centrais. A complexidade e a beleza da IA residem em sua capacidade de aprender, evoluir e, em alguns casos, até mesmo superar a habilidade humana em tarefas específicas. Essa nova era de inteligência artificial promete não apenas transformar a maneira como vivemos e trabalhamos, mas também desafiar nossas concepções sobre inteligência, criatividade e a própria natureza da colaboração entre humanos e máquinas.

Os Desafios da Inteligência Artificial

A despeito de seu potencial revolucionário, a Inteligência Artificial (IA) não está isenta de desafios profundos e perturbadores. Um dos mais notórios é o risco de “jogos de especificação”, uma falha potencialmente catastrófica na programação de objetivos. Neste cenário, a IA, na busca determinada por um objetivo específico, pode ignorar ou mesmo aniquilar outros valores essenciais à humanidade. A possibilidade teórica de levar a consequências extremas, como a extinção humana, não é mera fantasia distópica, mas uma preocupação real que ressoa nas mentes dos especialistas.

O “Alignment Problem” ou Problema de Alinhamento é uma questão multifacetada que se estende ao cerne da interação entre a IA e os valores humanos. Refere-se à dificuldade em alinhar os objetivos e valores da IA com os da humanidade, uma tarefa que transcende a mera programação e adentra o domínio da ética e filosofia. Como garantir que a IA entenda e respeite os complexos valores humanos, éticos e morais? Como evitar que ela interprete de maneira literal ou restritiva os objetivos que lhe são atribuídos, levando a resultados indesejados ou até catastróficos?

Essas questões são centrais no debate sobre a segurança e a responsabilidade na implementação da IA. A falha em resolver o Problema de Alinhamento pode resultar em sistemas de IA que, embora eficientes em suas tarefas designadas, agem de maneiras que são contraproducentes ou até mesmo perigosas para os interesses humanos. A complexidade inerente aos valores humanos torna este alinhamento uma tarefa profundamente desafiadora, exigindo não apenas avanços técnicos, mas também uma profunda reflexão sobre o que valorizamos como sociedade e como esses valores podem ser incorporados em sistemas autônomos.

Tal risco, juntamente com o Problema de Alinhamento, ressalta a imperatividade de uma regulamentação e controle criteriosos sobre a tecnologia. A IA, desprovida de consciência moral, pode, se mal orientada, transformar-se em uma força destrutiva, consumindo tudo em seu caminho para alcançar um objetivo mal definido. A ausência de leis e normas rigorosas pode abrir caminho para um futuro onde a IA se torna uma ameaça incontrolável, uma espada de Dâmocles pendendo sobre a civilização.

O equilíbrio entre o aproveitamento das capacidades transformadoras da IA e a prevenção de seus perigos inerentes é uma tarefa delicada e complexa. Em sua essência, é uma ferramenta poderosa, mas como uma chama, pode tanto iluminar quanto destruir. A humanidade encontra-se em uma encruzilhada, onde a escolha errada pode desencadear uma cadeia de eventos irreversíveis. A questão não é apenas técnica, mas profundamente ética e filosófica, exigindo uma reflexão coletiva sobre o que significa ser humano em uma era dominada pela inteligência artificial.

Os Benefícios da IA

Em contrapartida, a IA detém a capacidade de conferir benefícios substanciais à humanidade, especialmente na área da medicina e ciência. Um exemplo notável é a utilização da IA na predição da estrutura tridimensional de proteínas. Este avanço não é apenas teoricamente fascinante, mas tem implicações práticas profundas. A compreensão da estrutura proteica pode levar a descobertas revolucionárias em tratamentos de doenças, desenvolvimento de medicamentos e terapias genéticas. Neste contexto, atua como uma ferramenta poderosa que pode acelerar a pesquisa e tornar possíveis descobertas que, de outra forma, levariam décadas.

Além da medicina, a IA apresenta um otimismo palpável quanto ao seu potencial em enfrentar desafios globais complexos, como as mudanças climáticas. Através da análise de grandes conjuntos de dados, a IA pode ajudar a prever padrões climáticos, otimizar o uso de recursos naturais e desenvolver soluções energéticas mais eficientes. A capacidade da IA de processar informações em uma escala que transcende a capacidade humana pode ser fundamental na criação de estratégias sustentáveis e na tomada de decisões informadas para proteger nosso planeta.

A versatilidade da Inteligência Artificial estende-se ainda mais, tocando em quase todos os aspectos da vida moderna. Desde a otimização do tráfego urbano até a personalização da educação, essa tecnologia está remodelando a maneira como vivemos e trabalhamos. A automação, impulsionada por essa inovação, está transformando indústrias, tornando-as mais eficientes e abrindo novas oportunidades de emprego e crescimento econômico. A promessa é vasta, e estamos apenas começando a arranhar a superfície de seu potencial. À medida que avança, podemos esperar ver uma integração cada vez maior em nossas vidas, trazendo benefícios que atualmente podemos apenas imaginar.

A fronteira emergente da computação quântica e IA representa um horizonte empolgante e promissor. A computação quântica, com sua capacidade de realizar cálculos em uma escala e velocidade sem precedentes, tem o potencial de ampliar exponencialmente o poder da IA. Essa sinergia pode levar a avanços em áreas como otimização, simulações complexas e resolução de problemas que atualmente estão além do alcance da tecnologia convencional. A união entre essas duas forças tecnológicas pode abrir portas para uma nova era de inovação e descoberta, marcando um capítulo significativo na jornada da humanidade em direção ao futuro.

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

Conclusão

A jornada futura da Inteligência Artificial (IA) é um caminho sinuoso, repleto de possibilidades empolgantes e desafios ainda não mapeados. A escolha entre a manutenção do status quo e a aceitação de um futuro repleto de potencial, mas também de incógnitas, com a IA, é um dilema que nos confronta diariamente. O potencial extraordinário dessa tecnologia é inegável, abrindo portas para inovações e soluções que podem transformar a sociedade. Como ponderou um especialista: “E se eles realmente funcionarem?” Essa indagação, simples mas profunda, nos convida a meditar sobre as possibilidades ilimitadas que a IA pode desvelar.

No entanto, essa reflexão também nos leva a reconhecer a necessidade de abordar a Inteligência Artificial com responsabilidade e visão. A exploração ética e a regulamentação cuidadosa são imperativas para garantir que essa tecnologia seja uma força para o bem, e não uma ferramenta mal utilizada. À medida em que avançamos para um futuro onde ela desempenhará um papel cada vez mais central, a questão não é apenas o que a tecnologia pode fazer, mas o que devemos permitir que ela faça. Essa é uma conversa que está apenas começando, e todos nós temos um papel a desempenhar na formação desse futuro promissor, mas ainda não escrito.

Allex Ferreira, um artista visionário e fotógrafo, tem sido um pioneiro na intersecção de tecnologia e arte. Desde 2011, Allex tem explorado a tecnologia blockchain, sendo um dos primeiros adeptos do Bitcoin. Recentemente, voltou sua atenção para a inteligência artificial, integrando-a em seu trabalho artístico. Allex também contribui com escritos sobre blockchain, oferecendo uma perspectiva única sobre esta tecnologia revolucionária. Seja através da lente de uma câmera ou das últimas tendências tecnológicas, Allex sempre busca novas maneiras de unir tecnologia e arte.

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Deepfakes: Uma Revolução na Desinformação e Questões Legais https://canalmynews.com.br/tecnologia/deepfakes-uma-revolucao-na-desinformacao-e-questoes-legais/ Fri, 04 Aug 2023 14:11:35 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38723 A capacidade dos deepfakes de distorcer a realidade e manipular percepções representa uma nova fronteira na era digital

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Deepfakes, uma inovação revolucionária alimentada por inteligência artificial, têm a capacidade de gerar vídeos falsos hiper-realistas que são quase indistinguíveis da realidade. Esta tecnologia, que combina e superpõe imagens e vídeos existentes para criar conteúdo novo e muitas vezes enganoso, está impondo desafios inéditos à sociedade e ao sistema legal. À medida que essa tecnologia se torna mais sofisticada e acessível ao público em geral, o risco de uso impróprio aumenta exponencialmente. Isso pode levar a uma série de consequências sociais e legais expressivas, desde a disseminação de desinformação até a violação de direitos de privacidade. A capacidade dos deepfakes de distorcer a realidade e manipular percepções representa uma nova fronteira na era digital, exigindo uma reavaliação de como lidamos com a veracidade e a autenticidade do conteúdo online.

O Reflexo Social dos Deepfakes

Deepfakes constituem um obstáculo considerável para nossa fé e confiança no conteúdo visual. Em um mundo onde ver não é mais garantia de veracidade, como podemos confiar no que observamos online? A título de exemplo, um vídeo deepfake de Elon Musk promovendo uma nova criptomoeda induziu alguns investidores a transferir fundos para uma carteira de criptomoedas, apenas para descobrir posteriormente que o vídeo era um deepfake.

 

O potencial dos deepfakes para disseminar desinformação e propaganda é vasto. Eles podem ser empregados para criar notícias falsas, manipular a opinião pública e até incitar violência ou agitação. Por exemplo, durante as fases iniciais da invasão da Ucrânia pela Rússia, supostos atores russos divulgaram um vídeo deepfake que mostrava o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pedindo a seu exército para se retirar. O impacto imediato deste vídeo é desconhecido, mas certamente contribuiu para a avalanche de desinformação disseminada pela Ucrânia enquanto a Rússia invadia o país.

 

O impacto psicológico nos indivíduos e na sociedade é profundo. Deepfakes podem causar angústia aos indivíduos cujas imagens são usadas sem consentimento, e podem semear dúvida e desconfiança na sociedade em geral. A grande maioria das ameaças ao indivíduo está relacionada à pornografia não consensual. Esses vídeos, muitas vezes contendo a falsa semelhança de mulheres celebridades, podem causar danos psicológicos à vítima, reduzir a empregabilidade e afetar os relacionamentos.

 

Já foram registrados diversos casos de problemas sociais causados por deepfakes, desde pornografia de vingança e chantagem até manipulação política. Cibercriminosos também utilizaram a tecnologia deepfake para realizar fraudes online. Por exemplo, um esquema recente utilizou áudio artificialmente gerado para combinar com a voz do CEO de uma empresa de energia. Quando o falso “CEO” ligou para um funcionário para transferir dinheiro, seu leve sotaque alemão e cadência de voz combinavam perfeitamente. O funcionário transferiu $243.000 para o cibercriminoso antes de perceber seu erro.

Imagem criada por Allex Ferreira & Midjourney

Deepfakes e o Sistema Legal

O desafio de usar provas de vídeo em tribunal na era dos deepfakes é significativo. Isso levanta questões sobre a validade das provas de vídeo em tribunal, pois se torna cada vez mais difícil distinguir entre o real e o falso.

 

As leis e regulamentos atuais sobre deepfakes variam amplamente. Alguns estados nos EUA, como Virgínia, Texas e Califórnia, têm regulamentos contra questões legais de deepfakes. A lei na Virgínia impõe penalidades criminais sobre a distribuição de pornografia deepfake não consensual, enquanto a lei no Texas proíbe a criação e distribuição de vídeos deepfake destinados a prejudicar candidatos a cargos públicos ou influenciar eleições.

 

As limitações das leis existentes no tratamento de deepfakes são evidentes. Por exemplo, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) afirma que deepfakes podem causar problemas mais graves, como violação dos direitos humanos, direito à privacidade, direito à proteção de dados pessoais, etc. do que violações de direitos autorais. Portanto, de acordo com a OMPI, a principal preocupação aqui é se os direitos autorais devem mesmo ser concedidos à imagens deepfake, em vez de a quem os direitos autorais de um deepfake devem pertencer.

 

As implicações legais dos deepfakes ainda estão sendo exploradas, com alguns acadêmicos argumentando que as leis existentes são inadequadas para lidar com os desafios apresentados por esta tecnologia. À medida que os deepfakes se tornam mais sofisticados e difundidos, é provável que veremos mais respostas legais e regulatórias a este problema.

 

À medida que a tecnologia continua a evoluir, torna-se cada vez mais importante que as leis e regulamentos se adaptem para proteger os indivíduos e preservar a confiança no conteúdo digital. O surgimento dos deepfakes, portanto, não apenas apresenta um desafio significativo para a sociedade e o sistema jurídico, mas também abre um novo campo de discussão e reflexão sobre como lidar com as consequências dessa nova era de desinformação.

Este é um momento crucial na história da tecnologia e da sociedade. Estamos navegando por águas desconhecidas, onde a linha entre o real e o artificial está se tornando cada vez mais tênue. A necessidade de políticas eficazes e regulamentações robustas nunca foi tão urgente.

No entanto, além das respostas legais e regulatórias, é fundamental que a sociedade como um todo se envolva nessa discussão. Precisamos de uma conscientização pública mais ampla sobre os deepfakes e suas implicações, bem como de uma educação digital mais sólida para que as pessoas possam navegar com segurança neste novo cenário.

A era dos deepfakes pode ser um desafio, mas também é uma oportunidade para inovação, para o desenvolvimento de novas ferramentas e estratégias para garantir a autenticidade do conteúdo digital. A jornada à frente é incerta, mas com a colaboração entre legisladores, tecnólogos e a sociedade em geral, podemos enfrentar os desafios que os deepfakes apresentam e moldar um futuro digital que seja seguro, confiável e equitativo para todos.

 

Allex Ferreira, um artista visionário e fotógrafo, tem sido um pioneiro na intersecção de tecnologia e arte. Desde 2011, Allex tem explorado a tecnologia blockchain, sendo um dos primeiros adeptos do Bitcoin. Recentemente, voltou sua atenção para a inteligência artificial, integrando-a em seu trabalho artístico. Allex também contribui com escritos sobre blockchain, oferecendo uma perspectiva única sobre esta tecnologia revolucionária. Seja através da lente de uma câmera ou das últimas tendências tecnológicas, Allex sempre busca novas maneiras de unir tecnologia e arte.

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Rio Innovation Week mostra impactos da tecnologia nos negócios https://canalmynews.com.br/economia/rio-innovation-week-mostra-impactos-da-tecnologia-nos-negocios/ Tue, 08 Nov 2022 14:36:09 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34583 Evento começa hoje e vai até o dia 11 no Pier Mauá

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O Píer Mauá, na região portuária no Rio de Janeiro, recebe de hoje (8) a 11 deste mês a segunda edição do Rio Innovation Week (RIW), cujo objetivo é preparar os participantes para o futuro e os impactos da tecnologia na transformação dos negócios, dos esportes e da sociedade. O evento reúne negócios, networking (serviço de rede profissional), educação e soluções.

Segundo um dos idealizadores do RIW, Fábio Queiróz, a expectativa é que sejam gerados grandes negócios e que também possam ser entregues experiências e conhecimento. “Esse é o maior evento de tecnologia das Américas. Minha expectativa é que o público compareça e que possamos plantar a semente da transformação digital, seja em que escala ele estiver. Se for transformado digitalmente, que a gente aprimore isso, que ele tenha contato com a tecnologia, que experimente”.

A ideia é que as tecnologias ganhem escala para que fiquem mais baratas e aplicáveis pelo público. Fábio Queiróz afirmou que se o público ainda não está transformado digitalmente, a meta é plantar na cabeça dele a semente de que a tecnologia não é tão cara como se pensa e que as tecnologias hoje são feitas de forma mais simples, para que sejam aplicadas também de forma simples. “Acabar com aquele medo de que isso é muito complexo, não é da minha geração. Experimentando e tomando contato com a tecnologia, quebra-se esse mito ou paradigma”.

Expansão
A primeira edição ocorreria em novembro do ano passado mas, devido à variante Ômicron, da covid-19, foi realizada em janeiro deste ano no Jockey Club, em razão da temporada de cruzeiros no Píer Mauá. Queiróz deixou claro, porém, que o RIW foi desenhado para ser sempre no Píer Mauá, no mês de novembro.

Até o momento, o público inscrito é de 70 mil pessoas. São 1.700 conferencistas em 27 palcos. A primeira edição recebeu 48 mil pessoas e mais de 1.500 conferencistas em 19 palcos. “Mais de um quilômetro de evento, 27 nichos onde a tecnologia e a inovação buscam modificar a sociedade, a humanidade”. O RIW conta ainda com o Armazém do Kobra, que tem 16 mil metros quadrados de área construída.

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Novecentos pitchs (apresentação verbal concisa de uma empresa) já foram agendados por 2.200 startups (empresas emergentes). Novecentas delas já agendaram com os investidores para fazer sua apresentação e sair dali com investimento para virar unicórnio (nome que se dá às startups que conseguem grande valor de mercado em dólares). ”É muito importante isso”.

Presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) e vice-presidente da Associação dos Supermercados das Américas (Alas), Fábio Queiróz disse que no mesmo pavilhão haverá startups, investidores e mentores. Se por acaso, uma startup procurar um investidor e ele apontar que faltam condições para que a empresa obtenha os investimentos necessários, ela pode se dirigir a um mentor que a orientará a cumprir as exigências para retornar ao investidor.

Negócios
Na primeira edição, foram gerados R$ 300 milhões em negócios. Nesta segunda, a perspectiva é atingir R$ 1 bilhão. “Porque o evento está muito maior”, comentou Queiróz. “Não só está maior, mas mais maduro. E aumentou muito o número de startups”. Em janeiro, eram 1.500 inscritas. Agora são 2.200, em todas as áreas. “São 27 nichos: agro, turismo, cultura, saúde, games (jogos), varejo, sociedade 5.0, educação, sustentabilidade, música. A nova forma de se fazer música e de se consumir música”. Em cada nicho desses, há startups que vão caminhando para se tornar grande empresa ou unicórnio. Será discutido, entre outros temas, o legado que a tecnologia pode deixar para as cidades.

Entre os nomes anunciados para essa edição do RIW estão os do vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson; do cineasta Spike Lee; de Steve Forbes, presidente e editor da publicação Forbes; do publicitário Nizan Guanaes; de Dan Cockerel, que foi vice-presidente da Disney World; de Steve Blank, empreendedor do Vale do Silício; de Bianca Andrade, empresária e influenciadora digital; e de Aaron Ross, autor do livro Receita Previsível.

Os ingressos para a nova edição do Rio Innovation Week estão sendo vendidos na plataforma Sympla.

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A importância da diversidade para inovar https://canalmynews.com.br/juliana-macedo/importancia-diversidade-para-inovar/ Fri, 12 Nov 2021 21:42:38 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/importancia-diversidade-para-inovar/ O último Censo de Design, realizado pela Associação Americana dos Profissionais de Design, reforça a falta de diversidade nas equipes empenhadas em gerar soluções inovadoras

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Toda equipe de projeto estava reunida em uma sala e a nova estagiária contava suas impressões sobre as primeiras semanas de trabalho. Uma fala que chamou minha atenção: “Foi muito difícil saber quem era quem, todo mundo é muito parecido. Até as roupas são iguais.” Realmente ela tinha razão, éramos quase uma plateia do show dos Los Hermanos.

Essa observação coloca em debate uma das ferramentas mais utilizadas nos processos de inovação de grandes empresas, o “How Might We…?”, ou em português, “Como podemos…?”.

A diversidade deve estar em todos os níveis de uma empresa.
A diversidade deve estar em todos os níveis de uma empresa. Foto: Reprodução (PixaBay)

Que funciona da seguinte forma: criamos uma questão sobre como podemos resolver o problema que está sendo trabalhado, lançamos a indagação para o grupo e os participantes escrevem possíveis soluções para a pergunta. Por exemplo: “Como poderíamos aumentar as vendas de guardanapos?”.

Dizem que essa ferramenta foi criada no início dos anos 1970, quando a equipe de marketing da P&G estava trabalhando no desenvolvimento de um sabonete para concorrer com o Irish Spring, um sucesso de vendas da companhia rival, quando se deram conta que não estavam fazendo a pergunta correta, que os permitisse chegar em uma boa solução.

Nasce então o “Como podemos criar um sabonete melhor que o da concorrência?”, que veio substituir o “Por que o sabonete da concorrência é melhor?”.

A mudança fez tanto sucesso que passou a fazer parte do processo de criação da P&G, e até hoje é indicada pelos mais relevantes nomes em inovação em negócios como um recurso que deve ser utilizado no desenvolvimento de novas ideias.

Já entendemos que existe uma maneira melhor de elaborar questões para auxiliar o percurso de criação, mas o que me incomoda nessa abordagem não é a pergunta, mas sim quem a responde.

Uma amostra de 10 mil designers entrevistados nos Estados Unidos revelou que 71% dos entrevistados se identificaram como brancos e apenas 11% das mulheres designers ocuparam cargos de liderança. Este último Censo de Design, realizado pela AIGA – Associação Americana dos Profissionais de Design, reforça a falta de diversidade na equipe empenhada em gerar soluções inovadoras.

Inclusive, a presença de pessoas da mesma cultura, classe social, formação acadêmica e gênero, acaba por perpetuar esse comportamento, uma vez que levará ao mercado produtos e serviços desenvolvidos por meio dos insights gerados nesse grupo homogêneo.

Durante esse exercício, também é possível notar que existe maior contribuição de acordo com a hierarquia, as pessoas com mais tempo de empresa e cargos mais altos, que acabam por calar os participantes mais tímidos ou recém-contratados.

A grande pergunta que esse pensamento nos deixa é: como a falta de diversidade existente nas empresas ou nas consultorias de inovação pode criar soluções disruptivas para um público completamente diferente?


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Sex will save the city https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/sex-wil-save-the-city/ Thu, 07 Oct 2021 11:12:19 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/sex-wil-save-the-city/ As cidades estão crescendo de forma muito rápida, numa escala superlinear, mas seus componentes urbanos não acompanham esse ritmo. Algo parece sair do controle em desfavor da qualidade de vida

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Há um problema com as grandes cidades. Aliás, vários. No geral, o nome da confusão se chama deterioração da qualidade de vida, que é obviamente um conceito relativo, pois envolve tanto questões facilmente mensuráveis, como oferta de leitos hospitalares, quanto de muito difícil medição, como satisfação pessoal. Entender e explicar como funcionam as cidades é matéria para especialistas. Mas como a gente vive nelas e é parte da sua construção cotidiana, temos uma espécie de autoridade cidadã para opinar e contribuir para o debate. Cidades são incríveis construções humanas.

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No passado, elas prosperavam principalmente porque eram dotadas de abundância de recursos naturais, porque ficavam em encruzilhadas de grandes fluxos de pessoas em caravanas ou porque detinham posição geográfica privilegiada para fins de defesa militar. Hoje, quando conhecimento e inovação são os principais ativos econômicos, elas crescem porque são capazes de formar, atrair e reter gente. Especialmente, capital humano qualificado. Adicionalmente, cidades bem estruturadas também são mais eficientes e atrativas para capitais financeiros de risco, tornando-se assim mais habilitadas para impulsionar negócios competitivos criadores de riqueza em escala crescente.

Mas há uma contradição estrutural nas dinâmicas urbanas. Cidades são grandes incubadoras sociais. Quanto mais elas crescem, mais aptas a proverem infraestruturas, serviços e oportunidades para os moradores elas se tornam. Mais ainda, elas facilitam conexões e relacionamentos entre pessoas, que geram alma, senso de comunidade e dão vida às cidades. Esse é o lado positivo dessas dinâmicas de crescimento exponencial. Mas isso tem um preço.

Distanciando-se cada vez mais do jeito meio Londres, mansamente urbanizada em longas filas (no dizer aqui adaptado de João Cabral) – filas dos ônibus, dos postos de saúde, dos carros em vias engarrafadas… – com o tempo elas se tornaram agressivamente desiguais, colapsadas em infraestruturas precárias, violência urbana, falta de oportunidades, moradias caras, para a classe média, e inexistentes, para as camadas de mais baixa renda progressivamente expelidas para periferias distantes dos núcleos civilizados das cidades. E, ainda assim, seguem sendo atrativas para mais pessoas que imigram e vão se somando às outras nos depósitos de gente com baixa qualidade humana. O que reforça o problema.

O físico e biólogo inglês Geoffrey West (Scale, disponível na Amazon) explora a questão da escala urbana por meio de analogias com os padrões comuns ao crescimento biológico, em busca de uma espécie de modelo geral capaz de explicar os movimentos das cidades ou mesmo dos negócios. A eficiência das cidades é reflexo dos ganhos de escala. E seu oposto também. De postos de gasolina a redes de esgoto, vias e habitações, tudo parece indicar que as infraestruturas e serviços tendem a andar em descompasso com o crescimento das cidades numa proporção mais ou menos constante, algo como, em elas dobrando de tamanho, resultasse num encolhimento dos ativos urbanos em cerca de 15% (assim como os batimentos cardíacos dos mamíferos caem 25% quando estes duplicam seu tamanho).

E as cidades estão dobrando, triplicando de tamanho. Numa projeção para os próximos 30 anos, serão urbanizados cerca de 1,5 milhão de habitantes por semana. Elas crescem numa escala superlinear, mas seus componentes urbanos crescem de forma sublinear. Algo parece sair fora de controle em desfavor da qualidade de vida de todos.

Esses insights nos fazem refletir que o equilíbrio da vida urbana passa a depender de pelo menos três fatores: i. do ritmo e intensidade das inovações destinadas a aumentar a eficiência no uso dos recursos urbanos; ii. da exploração equilibrada dos recursos naturais finitos, dita sustentabilidade; e iii. da estabilidade epidemiológica. Esse último ponto entra na equação agora basicamente por conta da covid, pois quanto mais tempo o vírus perdurar – o corona e os próximos – mais transformador ele será, implicando em mudanças estruturais nos processos de trabalho que envolvem categorias de trabalhadores em serviços tecnológicos e outros de mais alta qualificação e renda – precisamente aqueles que tracionam a competitividade das cidades.

Finda essa pandemia, o cenário de que pelo menos 20% das horas trabalhadas passem a se dar de forma remota delineia um panorama negativo para os grandes centros. Pois são esses trabalhadores de renda média mais elevada que efetivamente têm capacidade de implementar um novo estilo de vida. Seu deslocamento para satélites urbanos, digamos assim, resultará na redução do nível de dispêndio nas cidades de origem, com forte impacto nos serviços e comércio tradicionais. Como eles são grandes empregadores, e já enfrentam a concorrência do comércio eletrônico e da automação das atividades, tenderão a experimentar uma espiral descendente de consumo, ocupação e renda. Em outras palavras, declínio urbano, para as cidades emissoras, prosperidade, para as receptoras. O que nos remete aos fatores i e ii anteriores.

Mas existe um outro personagem nessa mesma equação, que são os muito jovens zillennials e os gen zers’, cujas expectativas quanto ao trabalho remoto são/serão distintas da média dos trabalhadores millennials pra trás. Eles buscam maiores interações, novas conexões humanas, outras perspectivas. A experiência recente da covid deu sinais muito claros: é difícil segurar toneladas de testosterona em longos programas de quarentena. As cidades são mais competitivas quanto mais sejam capazes de atrair os melhores talentos, isso já foi dito. Mas, se tiverem um olhar no futuro, serão melhores ainda aquelas que se prepararem para receber os mais jovens, oferecendo-lhes não apenas infraestruturas padrão Washington ou Brasília, mas cultura, sustentabilidade, conhecimento, tolerância com a diferença. Em resumo, novas e diferentes oportunidades de criação de coisas e negócios e a possibilidade de terem uma vida mais vibrante.

Jovens querem e precisam se encontrar. That’s the point. E daí a razão do título deste artigo (roubado de um artigo publicado em Bloomberg).


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O futuro do trabalho: você está preparado? https://canalmynews.com.br/juliana-macedo/futuro-do-trabalho-voce-esta-preparado/ Wed, 06 Oct 2021 21:13:55 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/futuro-do-trabalho-voce-esta-preparado/ Há alguns meses o MyNews promoveu um debate sobre o futuro do trabalho. Logo no início, falamos sobre quais serão as profissões do futuro e isso me remeteu ao começo carreira. No futuro vão existir profissões que ainda nem sabemos

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Em 2002 eu era aluna do curso de Desenho Industrial no Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo, e durante uma aula de História do Design a professora apresentou para a classe um vídeo da ABC, onde uma empresa chamada Ideo tinha o desafio de aprimorar o conceito do carrinho de supermercado em uma semana.

Na equipe de projeto havia pessoas com diferentes formações trabalhando juntas para desenvolver uma solução inovadora. Logo pensei “Está é a profissão mais legal do mundo, é isso que eu quero fazer”, e fui buscar informações sobre o que era necessário para trabalhar nessa área. Porém, não existia muito material sobre o tema e eu não sabia sequer qual o nome dessa profissão no Brasil.

Não era um trabalho que fizesse parte do departamento de marketing, nem de uma agência de publicidade. Eu simplesmente não tinha ideia de por onde começar. Dez anos se passaram até eu encontrar esse trabalho e o nome do cargo era Consultora de Inovação Estratégica.

Há alguns meses o MyNews promoveu um debate sobre o futuro do trabalho – exclusivo para membros. Foi uma conversa muito interessante que participei com Mara Luquet, Thiago Coelho e Luiz Gustavo Mariano. Logo no início da conversa, falamos sobre quais serão as profissões do futuro e essa questão me remeteu à busca do começo da minha carreira profissional. Afinal, no futuro vão existir profissões que ainda nem sabemos o nome ou não temos ideia de que será algo necessário.

Profissional do futuro

Muitas das profissões que conhecemos hoje serão substituídas por inteligência artificial e já possível ver essa mudança em áreas como medicina e direito, onde os processos mais básicos e padronizados já não precisam ser executados por pessoas.

O profissional do futuro será um generalista, ou um especialista? Os generalistas são aqueles que contam com um vasto conhecimento, em diferentes áreas, e que pode ser aplicado em diversos tipos de trabalho, não importa qual seja o mercado. São profissionais de marketing, gestão de pessoas, ou psicólogos, por exemplo.

Já o especialista possui uma grande qualificação a respeito de um tema muito relevante, como um engenheiro especialista em nanorrobôs. Normalmente esse profissional é responsável por uma parte mais técnica, em comparação a um generalista, resolvendo problemas específicos relacionados à sua área de conhecimento.

Porém, existe uma desvantagem nesse perfil, muitas vezes não é viável manter um funcionário com atuação específica dentro de uma empresa, além da possibilidade de sua especialidade se tornar obsoleta.

Independente de ser um profissional generalista ou especialista, os soft skills também fazem parte das exigências do mercado de trabalho no futuro: criatividade, proatividade, raciocínio lógico e facilidade para resolver problemas de forma ágil, comunicação clara, bom relacionamento interpessoal e empatia – não só para se colocar no lugar do outro, como também para lidar com ideias e visões que sejam diferentes das suas. Não importa o mercado ou a área de atuação, esses requisitos já estão presentes nos anúncios de contratação.


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Escola de Inovadores da INOVA CPS inscreve para programa gratuito de empreendedorismo até sexta (10) https://canalmynews.com.br/mais/escola-inovadores-inova-cps-programa-gratuito-empreendedorismo/ Wed, 08 Sep 2021 22:24:06 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/escola-inovadores-inova-cps-programa-gratuito-empreendedorismo/ Programa de empreendedorismo do Centro Paula Souza tem inscrições abertas até 10 de setembro. Por causa da pandemia de Covid-19, as aulas serão online

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Criada em 2015 para fomentar o empreendedorismo através de um curso de extensão, a Escola de Inovadores do Centro Paula Souza está com inscrições abertas até o próximo dia 10 de setembro (sexta-feira) para pessoas que desejem se tornar empreendedoras. O curso é focado na criação e desenvolvimento de empresas ou startups com foco em inovação.

O público-alvo são alunos e ex-alunos de cursos técnicos e tecnológicos do Centro Paula Souza, ou de instituições de ensino público ou privado de nível médio, médio-técnico ou superior, ou empreendedores do Estado de São Paulo.

Em decorrências das restrições sanitárias impostas para conter a propagação do novo coronavírus, desde 2020 a Escola de Inovadores adotou o ambiente digital para a realização da capacitação. Os conteúdos e as atividades foram adaptados para o ambiente virtual.

Empreendedorismo
Escola de Inovação da INOVA CPS está com inscrições abertas para pessoas que desejem investir no próprio negócio/Imagem: Pixabay

O que é o Centro Paula Souza e como se inscrever no curso de empreendedorismo?

O Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza é uma autarquia do Governo do Estado de São Paulo, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, que administra as 220 Escolas Técnicas e as 66 Faculdades de Tecnologia do Estado.

Para iniciar o processo de inscrição na Escola de Inovadores, é preciso selecionar uma unidade de Escola ou Faculdade do Centro Paula Souza próxima da sua cidade ou região.

Confira o calendário de inscrição e seleção dos projetos e acesse o edital de seleção:

  • 16/08 a 10/09 – Inscrições
  • 13/09 a 14/09 – Seleção dos Projetos
  • 15/09 – Divulgação dos Selecionados
  • 16/09 a 24/09 – Início das Atividades.

Mais informações: inovadores@cps.sp.gov.br / inova@cps.sp.gov.br


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Porto Digital: bit, beat e outras vibrações por trás de um ecossistema de inovação https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/porto-digital-bit-beat-vibracoes-ecossistema-inovacao/ Wed, 08 Sep 2021 18:18:35 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/porto-digital-bit-beat-vibracoes-ecossistema-inovacao/ Fundado há 21 anos, o Porto Digital se transformou num ecossistema de inovação robusto no Nordeste brasileiro, que atualmente fatura 2,5 bilhões por ano

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A formação de um ambiente de inovação pode ser contada de diferentes maneiras. Idealizadores, construtores, sustentadores, empreendedores, cada um tem a sua própria leitura sobre como, desafiando o improvável e revirando o impossível, um punhado de gente botou de pé um ecossistema robusto de inovação, suportado por tecnologias digitais e muita criatividade. Estamos falando do Porto Digital, parque tecnológico do Recife fundado em 2000 e que hoje abriga cerca de 350 empresas, mais de 11 mil trabalhadores do conhecimento e fatura R$ 2,5 bilhões.

Porto Digital - um ambiente de inovação no Recife
Porto Digital transformou-se num ecossistema de inovação na capital pernambucana/Imagem: Pixabay

É preciso recuar no tempo para ir ao rizoma desse movimento. Aliás, desses movimentos. O Recife vivia a sua pior fase na virada dos anos 80-90, dentro de um país que descia ribanceira abaixo nos tresloucados anos Collor. A secularmente próspera capital pernambucana desandava e o estado perdia posição relativa na economia nordestina. Mas os fundamentos estavam lá, intactos e desafiados. Falamos aqui de conhecimento, tecnologia, criatividade: os ingredientes da nova economia. Havia uma vibração diferente em alguns segmentos da academia, especialmente o Centro de Informática da UFPE, e do mundo das artes, com destaque para o cinema, as artes plásticas e a música.

Era o tempo da globalização, das mudanças políticas de orientação liberal e da revolução tecnológica que se (re)inaugurava com a internet. Seja lá o que isso significasse para os protagonistas naquele momento (clareza a gente só tem depois), a ideia era abrir janelas para o mundo que se redesenhava nesse redemoinho e criar novas alternativas para economias periféricas como o Recife. Do outro lado do mundo, na Austrália, começavam a ser usinadas novas leituras acadêmicas para explorar as possibilidades conceituais e práticas da economia criativa – aquela encruzilhada entre ciência, tecnologia, artes e negócios, no contexto da nova sociedade hiperconectada em que o lado não prático das coisas, a dimensão simbólica escondida por trás dos objetos, a subjetividade da forma (estética) e a criação original em escala passavam a ter valor de mercado e significado econômico.

Do lado de cá, numa sincronicidade quase premonitória, eram criados dois movimentos paralelos: o Movimento Mangue e o Delta do Capibaribe. Com o primeiro, com sua icônica imagem de uma parabólica enfiada na lama, a inquietação ganhou forma e os coletivos criativos – a brodagem, numa palavra bem nossa – produziam freneticamente filmes, experimentações visuais, músicas e festivais. Com o segundo, espécie de prolongamento natural de uma longa história de pioneirismo em tecnologia tanto na universidade como no mercado, foram multiplicados empreendimentos de base tecnológica (ainda não havia startups no repertório dos negócios inovadores).

Foi nesse caldo de cultura, sem trocadilho, que as barreiras seculares que excluíam mutuamente cientistas e artistas foram rompidas. Para o bem de todos, os universos das artes e da tecnologia se encontravam e compartilhavam a mesma mesa de bar. Se a parabólica conectava a raiz ao éter, a frase-seminal de Fred Zero Quatro – “computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro” – conectava as artes e as tecnologias digitais ao mercado.

Um registro que não pode passar em branco: as dinâmicas eram tão entrelaçadas que quase não havia distinção, na própria imprensa inclusive, entre as palavras beat (unidade rítmica) e bit (unidade computacional). Uma das primeiras incubadoras de negócios de tecnologia de chamava BEAT – Base de Empreendimentos Avançados de Tecnologia. E o site que precariamente reverberava isso tudo, em especial a música, se chamava MANGUE BIT. Daí para a criação do CESAR, e deste para o Porto Digital, e do PD para a comunidade empreendedora Manguezal, que agrega centenas de startups, e do conjunto de tudo para fazer do Recife a maior concentração per capita de estudantes em cursos de computação e informática do país foi um pulo. Mas não foi fácil.

E não será nunca, pois a construção de ecossistemas de inovação depende, entre tantas outras coisas, dos nontradable goods – aquela porção de componentes intrínsecos a cada lugar, a fração de características peculiares do pensar e fazer de cada realidade que não se compra e nem se vende em prateleiras. Mas a experiência do Porto Digital pode ser apropriada naquilo que é comum aos ambientes que constroem futuros: capital humano como base, inovação como regra, diversidade como princípio e conexões como meio para negócios. E muito trabalho.


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Como nascem as ideias? https://canalmynews.com.br/juliana-macedo/como-nascem-as-ideias/ Tue, 24 Aug 2021 19:37:04 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/como-nascem-as-ideias/ A necessidade de inovar rapidamente fez com que muitos negócios se aproximassem de ferramentas muito utilizadas em processos de criação dos designers

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A necessidade de inovar rapidamente fez com que muitos negócios de diferentes tamanhos e segmentos se aproximassem de ferramentas muito utilizadas em processos de criação dos designers, onde o usuário é figura central no desenvolvimento da solução.

Tentando se recriar esse processo no mundo dos negócios, surgiram as reuniões no “modelo fora da caixa” (onde todos ficam em pé, pendurando papéis na parede em um ambiente descontraído), com o intuito de que após algumas horas a equipe saia da sala com muitas ideias disrupitivas.

Este tipo de ação dificilmente atinge o resultado esperado e o principal motivo é que muitas vezes essas reuniões são tratadas como eventos, um acontecimento pontual dentro de um cenário mais amplo e complexo. Infelizmente, as ferramentas de inovação ainda são vistas como entretenimento e não como forma estratégica de abordar problemas e oportunidades.

Uma solução inovadora é fruto de um processo e, apesar de existir um planejamento inicial, o caminho pode e deve ser adaptado de acordo com a necessidade de cada uma das etapas. Consequentemente, as ferramentas e atividades também devem ser revistas e adequadas ao novo trajeto.

É durante este caminho que as ideias são construídas. Inicialmente, existem apenas hipóteses; e a partir da escuta ativa e da observação de todo o cenário, não apenas relacionado ao cliente final, mas também aos concorrentes, à cultura e aos mercados análogos, geram os ‘insights’. Ao longo do percurso algumas hipóteses são descartadas, diversos ‘insights’ perdem o sentido, enquanto outros ganham novas camadas e um refinamento.

As ideias geradas ao longo dessa jornada devem ser suportadas por argumentos claros, para que façam sentido quando forem apresentadas a quem não participou ativamente do processo de construção.

Começamos explicando o que é a ideia e qual o principal objetivo a ser atingido. Em seguida, indicamos como funciona – de que maneira será utilizada na prática. E concluímos apresentando brevemente o contexto em que a oportunidade foi encontrada e justificando sua relevância para o negócio e para aqueles que serão impactados, caso a iniciativa seja implementada.

Toda essa trajetória é de extrema relevância para auxiliar no sucesso de uma ideia gerada, sendo necessário muito mais do que uma reunião para a construção de uma ideia que agregue valor ao negócio.


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Reflexos da pandemia no empreendedorismo de baixo impacto https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/reflexos-pandemia-empreendedorismo/ Wed, 21 Jul 2021 23:14:56 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/reflexos-pandemia-empreendedorismo/ Um dos reflexos da pandemia do novo coronavírus no Brasil tem se dado no empreendedorismo de baixo impacto

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Dizia um amigo que, no torniquete, os números confessam qualquer coisa. Estatísticas requerem cautela no trato. Deveriam provocar mais reflexões do que afirmações conclusivas. O Brasil sempre se orgulhou de ser uma potência do empreendedorismo. Em certos momentos, chegou a ter a maior taxa de empreendedorismo do mundo. Hoje anda em 7º lugar.

Isso é calculado como a proporção de empreendedores, formais ou informais, sobre a população adulta na faixa de 18 a 64 anos que i. ou têm um negócio estabelecido (em operação há mais de 3,5 anos); ou ii. têm um negócio inicial, subdividido aqui em duas categorias: os nascentes (em processo de gestação ou criados há no máximo 3 meses); e os novos (até 3,5 anos). Em números absolutos, são 44 milhões de empreendedores no país. Em termos relativos, 31,6%.

A fonte usada é a pesquisa GEM – Global Entrepreneurship Monitor. É um trabalho realizado há 21 anos em mais de uma centena de países. Coisa séria, conduzida no Brasil pelo SEBRAE e pelo IBQP – Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade. A divulgação recente passou meio em branco pelos analistas. Mas é bom olhar alguns insights. Apenas para contextualizar, a pesquisa foi realizada no 2⁰ semestre do ano passado, o que dá autoridade aos números para falar sobre o que se passava no auge da 1ª onda da pandemia.

No geral, a taxa total de empreendedorismo caiu cerca de 20% em relação a 2019. Não é um movimento usual, especialmente em tempos de crise. Mas a retração econômica na pandemia foi particularmente impiedosa com os negócios estabelecidos há mais de 3,5 anos, eliminando cerca de metade deles. No outro lado da balança, cresceu enormemente aquela categoria de empreendimentos iniciais. Podemos afirmar que esse segmento segurou o tombo.

Hoje, eles representam 74% do total de empreendimentos do país, o maior índice de toda a série histórica do GEM e o dobro do que se observa em épocas de PIB em alta. A questão é que, dentro dessa categoria, mais da metade são os chamados empreendedores por necessidade. (Aliás, a principal razão para se empreender no Brasil é a falta de emprego, citada por 82% dos empreendedores em resposta múltipla).

Na pressa de cacarejar alguns índices, como a já falada taxa total de empreendedorismo, quase nunca nos damos conta de que o tipo de empreendedorismo brasileiro é no geral de baixo impacto econômico. Não inova, não exporta, na sua maioria não gera empregos, funcionando basicamente como alternativa de ocupação própria para quem empreende. Nessa linha de raciocínio, podemos considerar que o povo brasileiro empreende acima de tudo uma grande política social, talvez a maior d país, muito maior, por exemplo, do que o Bolsa Família, que alcança 14 milhões de lares.

Empreendendo por necessidade

Empurrados para o mercado por falta de opção no país do desemprego a 15% – e não por vocação ou vontade – milhões de pessoas abrem negócios sem nenhuma ou muito pouca qualificação para ir além da autossustentação. Esse esforço não é desprezível, em especial porque funciona como um amortecedor para as tensões sociais. Mas as chances de acerto do ponto de vista econômico são mínimas. A resultante é a realimentação do ciclo de empobrecimento e a ampliação das desigualdades sociais num mundo em que novas habilidades, inclusive empreendedoras, são requeridas a cada instante, impulsionadas pela revolução tecnológica em curso. Esse é o significado real do empreendedorismo por necessidade.

Historicamente, há uma relação direta entre crise econômica e crescimento desse tipo de empreendedorismo. Mas três outras características chamam atenção nesse cenário de pandemia. A primeira é um certo envelhecimento do contingente de novos empreendedores. Possivelmente tem relação com a já mencionada força da destruição dos negócios já estabelecidos, onde predominam pessoas mais maduras. Sem alternativa na crise, mudam de status, e vão se somar àqueles que começam do zero. Nos últimos três anos, a participação relativa dos empreendedores acima de 45 anos vai de 21% para 27,1%, enquanto a faixa de 18 até 34 anos decresce de 57% para 47,2%, alterando a proporção, em números redondos, de 1:3 para 1:2 entre os dois grupos etários.

Desigualdade de gênero

Outra mudança de perfil diz respeito a gênero. Quando se analisa a série de 20 anos de pesquisas, não se identifica um padrão de comportamento dentro do segmento de negócios iniciais. A participação de mulheres, tanto cai, como sobe, em momentos de declínio ou de expansão, gerando, na média dos últimos dez anos, uma divisão rigorosamente igualitária. Mas o fato é que as mulheres parecem ter sido mais penalizadas pela pandemia. Hoje, mulheres empreendedoras são apenas 45% do total, contra 55% de homens.

Informalidade, baixa escolaridade e desalento

Por último, a componente escolaridade. Nesse caso, independentemente da pandemia, vem acontecendo nos últimos anos uma mudança expressiva no padrão de formação daqueles que iniciam novos negócios. O fundamental incompleto, que por anos representava em torno de 25% do total, agora é inferior a 10%. Por outro lado, a escolaridade superior salta de 6%, em 2017, para 24%, em 2020.

Há muitas interrogações a serem respondidas com o intuito de conhecer esse novo perfil do empreendedorismo brasileiro. A pergunta central é: para onde estão indo os jovens, mulheres e pessoas de baixa escolaridade? Serão eles maioria no segmento de desalentados? Estarão acomodados com o auxílio emergencial e outros programas sociais de governo, como afirma o andar de cima? Estão alocados em ocupações informais, secundárias e mesmo dispensáveis, tão à margem do trabalho decente que sequer são enxergados por estudos como GEM?

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Inovação entre a intenção e gesto https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/inovacao-entre-a-intencao-e-gesto/ Tue, 30 Mar 2021 17:31:18 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/inovacao-entre-a-intencao-e-gesto/ O fato é que nos últimos 10 anos o país perdeu posição relativa no índice de inovação

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No dia em que o governo federal lança a medida provisória de ambiente de negócios, a Folha de São Paulo repercute o resultado do IGIÍndice Global de Inovação 2020, discutido em um de seus seminários regulares sobre o tema, com moderação de Vinícius Torres.  Esta classificação é feita anualmente pelo Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi), em parceria com a Universidade de Cornell (Estados Unidos) e com o Instituto Europeu de Administração de Empresas (Insead). Coisa séria. O plano do Ministério da Economia mira em um outro ranking, o do Banco Mundial (Doing Business 2020), igualmente sério, porém restrito. Foca essencialmente numa visão microeconômica, associada a dez indicadores que vão da criação, funcionamento, financiamento, tributos até o encerramento de um negócio. No primeiro ranking, o Brasil está na 62ª posição, enquanto no segundo fica na 124ª.

O título da apresentação distribuída pelo ME fala em caminho para o top 50 países mais competitivos. Pelos caminhos traçados, não vamos chegar nunca no destino. O propósito do plano é essencialmente a melhoria do ambiente de negócios. Fundamental, pois estamos 50 anos atrasados nesse quesito. Mas é conveniente não confundir as coisas. Competitividade e ambiente de negócios são coisas relacionadas, mas distintas. Ficaram de fora temas críticos como a educação, pesquisa e desenvolvimento, qualidade do capital humano, inovação tecnológica, além de questões ambientais, identitárias e outras que o mundo fora da bolha, o mundo real, elegeu como prioridades para a atratividade dos negócios e competitividade dos países. É como se numa disputa de um campeonato de futebol, o presidente do clube priorizasse a melhoria do gramado achando que com isso o time iria pra série A. Tem mais coisas em jogo. 

Existe uma indústria de rankings. Há ranking para tudo. Poucos merecem ser considerados, estudados e tomados como referência para um bom planejamento, o que não é o caso do Banco Mundial. Mas daí a torná-lo objetivo de uma política nacional parece um tremendo equívoco.  Está lá escrito, melhorar a posição do Brasil no indicador doing business do WB. O propósito da boa política pública será sempre aumentar o bem estar social, a sustentabilidade sócio-ambiental e a prosperidade econômica da nação por meio da competitividade, principal resultante da inovação. É isso que realmente importa em uma economia de mercado em um mundo aberto.

É aí onde enxergamos a luz cada vez mais distante. A competitividade possui dezenas de atributos, e a qualidade do ambiente de negócios é apenas um deles. Isso quer dizer basicamente menos burocracia, menos impostos e menos governo asfixiando o empreendedor. Uma parte da equação, portanto. Se tomarmos como referência o IGI e seus sete pilares, estamos falando grosso modo de um sete avos do problema a ser resolvido. Carregando aqui nas tintas, a Alemanha, que é o 9º no IGI, é o 90º em termos de custos de mão de obra e 96º em facilidade de se abrir um negócio. Com esses números, seria um Brasil que deu certo. Resumo da ópera: um país sem infraestrutura logística, sem internet de qualidade, sem bons níveis educacionais, sem altos investimentos em ciência, tecnologia e inovação, sem universidades de alto padrão, sem instituições sólidas, sem estabilidade política dificilmente avançará. Talvez nem mesmo no ranking selecionado pelo governo. 

O fato é que nos últimos 10 anos o país perdeu posição relativa no índice de inovação, sendo hoje o 62º (era o 47º em 2011). Pior, ficando cada vez mais distante do bloco de países competidores diretos. No antigo e já inútil BRICS, por exemplo, o Brasil já foi o segundo, agora é o último, atrás de Rússia, Índia e África do Sul. Na América Latina, perdemos para Chile, Costa Rica e México. Este último, aliás, progrediu no período da 81ª para a 55ª posição. 

Lembrava há anos o ministro Luiz Roberto Barroso que não somos atrasados por acaso. O atraso é bem defendido entre nós. Pelas corporações, para manutenção de seus privilégios; por segmentos empresariais, para arrancar mais um naco de um estado secularmente privatizado; pelo clientelismo da classe política em sua infindável relação patrimonialista com a coisa pública. Os governos seguem dando a sua demão, enfrentando os complexos desafios do século 21 com um repertório do século passado. 

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Tecnologia “traz ferramentas novas para resolver problemas antigos”, diz fundador da 99 https://canalmynews.com.br/economia/tecnologia-traz-ferramentas-novas-para-resolver-problemas-antigos-diz-fundador-da-99/ Fri, 19 Mar 2021 22:49:33 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/tecnologia-traz-ferramentas-novas-para-resolver-problemas-antigos-diz-fundador-da-99/ Paulo Veras, um dos fundadores do primeiro unicórnio brasileiro, falou ao MyNews sobre empreendedorismo

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Uma “ideia brilhante” não é o suficiente para garantir o sucesso de um negócio. Em entrevista ao MyNews, Paulo Veras, um dos fundadores da 99, fala sobre empreendedorismo, o papel da tecnologia e sua nova área de investimento.

Em 2018, a companhia chinesa Didi Chuxing comprou a 99 em uma transação que fez o aplicativo de transporte transformar-se no primeiro unicórnio brasileiro. Unicórnio é o termo utilizado para batizar startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

Agora, Veras revela que investe na área de alimentação, apostando na oferta de alimentos para vegetarianos. “Fora questões de crueldade animal, você tem uma questão grande de sustentabilidade.”

Sobre o aplicativo de transportes que ajudou a colocar de pé, o empresário afirma que a tecnologia permitiu sanar o problema de encontrar táxis nas grandes cidades: “A questão da tecnologia é que ela traz ferramentas novas para resolver problemas antigos, o aplicativo da 99 fez isso. Era muito difícil achar um táxi nas cidades grandes, você ligava para a cooperativa e demorava meia hora para chegar um carro. Os motoristas ficavam rodando e gastando gasolina buscando passageiros. Esse problema ficou por décadas sem solução”.

Sobre a atuação em startups, Veras diz que é possível aproveitar os custos baixos para empreender e que uma das práticas importantes da área é fazer testes e, quando for necessário, “errar rápido” para, então, ajustar o curso.

“Vida de startup, você está testando coisas o tempo inteiro. E a maior parte das coisas que você testa não funciona, não é que a empresa dá certo porque você teve uma ideia brilhante que funcionou lindamente e tudo se encaixou e virou um unicórnio. É porque você testou tanta coisa que você foi encontrando os caminhos e construindo junto com seus clientes as melhores soluções”, diz o empresário.

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Ambientes de inovação e o declínio das cidades https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/ambiente-de-inovacao-e-o-declinio-das-cidades/ Wed, 03 Mar 2021 12:30:01 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/ambiente-de-inovacao-e-o-declinio-das-cidades/ As cidades hoje têm que ser mais competitivas segundo os parâmetros da sociedade do conhecimento

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Um dos efeitos colaterais da pandemia sobre os negócios da economia digital é a hipermobilidade do capital humano. Para empresas e lugares mais fragilizados, isso tem outro nome: fuga de cérebros. Mais do que um problema restrito apenas aos negócios com reduzida capacidade de retenção de seus melhores talentos, o fenômeno fragiliza as cidades. Principalmente aquelas em estágio intermediário de desenvolvimento, que se caracterizam, de um lado, por possuírem boa base de formação acadêmica e, de outro, reduzida demanda por capital humano criativo devido ao baixo dinamismo e tradicionalismo de seu tecido produtivo.

É como se essas cidades fossem involuntariamente convertidas em plataformas de lançamento de talentos para outros lugares, beneficiando-se pouco ou quase nada do potencial de geração de riqueza desse ativo na nova economia. Elas arcam com o ônus da formação, mas não usufruem de nenhum bônus da mesma. E pior: nessa segunda onda do brain drain, o cérebro vai e o corpo fica, restando às cidades assistirem impotentes a seu declínio tendo a solução literalmente à mão. Esse é um paradoxo duro de roer.

O problema não é recente, e seu enfrentamento há décadas passa pela criação de parques tecnológicos e mecanismos promotores de novos negócios inovadores, como aceleradoras, incubadoras, espaços de coworking, maker spaces, entre outros. Estes ecossistemas de inovação são espaços de formulação, articulação e implementação de políticas de desenvolvimento de longo prazo para promoção de novas dinâmicas produtivas intensivas em conhecimento e inovação. Transplantando o conceito para a prática, são plataformas de lançamento de negócios competitivos em escala global, ajudando as cidades a substituírem os paradigmas seculares de vantagens locacionais baseadas, por exemplo, em recursos naturais ou posição estratégica para fins de logística ou defesa militar.

As cidades hoje têm que ser mais competitivas segundo os parâmetros da sociedade do conhecimento. Para tal, precisam ser atrativas para pessoas de fora e para capitais financeiros de risco conectados com a nova economia. Mais eficientes para a população, com melhores serviços e infraestruturas urbanas e, como consequência, mais capazes de reter talentos criativos. Mais justas socialmente, mais inclusivas, mais participativas, mais democráticas. E, naturalmente, mais amigáveis para os negócios inovadores. Como a dispersão de fatores não ajuda nesse esforço, os ecossistemas de inovação tornaram-se o ponto focal dessa estratégia devido a sua capacidade singular de concentrar ativos críticos como infraestruturas e serviços tecnológicos de alto valor agregado, gerar múltiplas interações entre pessoas e empresas, estimular fluxos de conhecimento, fortalecer vínculos de cooperação e sinergia para desenvolvimento de negócios competitivos.

Se tomarmos como verdade que o capital humano é o único que cria soluções originais para problemas relevantes, o êxito de um ambiente de inovação repousa essencialmente na sua capacidade de gerar, atrair e reter os melhores talentos criativos, sendo todo o resto quase que consequência. Botando o coronavírus na jogada, a crise sanitária revelou que o isolamento não foi apenas uma imposição. Foi uma descoberta: podemos produzir mais e melhor de forma remota para uma quantidade apreciável de atividades. É fato que o território tangibiliza muito mais do que qualquer instância virtual. Mas a realidade tornou-se muito mais híbrida. Ao mesmo tempo, a criação segue sendo um esforço coletivo. Desta maneira, o sentido literal da fixação de capital humano ganhou outro significado: pessoas podem trabalhar de qualquer lugar, desde que trabalhem para o seu lugar, em prol da sua cidade: temos então que reter cérebros. Ambientes de inovação precisam assimilar essa nova realidade e serem reconfigurados para que se mantenham como alavancas do desenvolvimento local.

Qualquer esforço de reconfiguração deve partir de dois vetores. O primeiro, a necessidade de se intensificarem as interações humanas, sem as quais o processo de criação de valor por meio do compartilhamento do conhecimento entre talentos perde potência; o segundo, o reconhecimento da impossibilidade de se manter o mesmo padrão de trabalho em escritórios de antes, do que resulta um esvaziamento crescente dos espaços físicos.

Cruzando estes dois vetores, discussões realizadas na ANPROTEC – Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores – vêm sinalizando para duas alternativas não excludentes. Uma trata da conversão de espaços em co-livings, que são moradias compartilhadas com infraestruturas para trabalho e serviços comuns, a serem ocupadas por jovens empreendedores, startups e trabalhadores das empresas desses ambientes de inovação. A outra ideia consiste na fragmentação dos parques tecnológicos e sua rearticulação em diferentes pontos da cidade, criando o conceito de parque em rede, cujos nós teriam infraestruturas e serviços comuns e seriam compartilhados pelos atores que o integram de acordo com sua conveniência. As atuais sedes desses parques seriam o nó central, o back-bone dos parques em rede, abrigando a gestão e serviços de maior complexidade.

Assim, os modelos híbridos ganhariam outra conotação, com ganhos para as cidades, empresas e trabalhadores.

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Qual a origem e como enfrentar a questão da baixa competitividade no Brasil? https://canalmynews.com.br/economia/qual-a-origem-e-como-enfrentar-a-questao-da-baixa-competitividade-no-brasil/ Sat, 16 Jan 2021 12:45:28 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/qual-a-origem-e-como-enfrentar-a-questao-da-baixa-competitividade-no-brasil/ Há uma desconexão entre o potencial do pais, considerando seus recursos (naturais, humanos), e a sua capacidade produtiva

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Há uma grande interrogação sobre o Brasil: temos abundantes riquezas naturais, uma grande quantidade de pessoas com excelente qualificação, mas amargamos posições ruins nos rankings globais de competitividade, produtividade e inovação. Como isso é possível?

Buscando responder a essa questão, no início de 2021 lançamos o livro O Elo Perdido (FGV Editora). Trata-se de uma síntese de 16 anos de pesquisas e consultorias em gestão da cultura e produtividade em grandes empresas no Brasil. O livro é o resultado da busca por compreender e desvendar o enigma da baixa competitividade do Brasil no cenário global e a dificuldade de resolver problemas internos às nossas organizações que se apresentam como entraves à prosperidade. É a busca pelo “elo perdido” que possa conectar nosso potencial como nação à nossa capacidade de produzir riquezas.

A grande contribuição da obra é identificar os elementos da cultura que explicam as dificuldades históricas do Brasil em ocupar um lugar dentre as economias mais desenvolvidas. Há uma desconexão entre o potencial do pais, considerando seus recursos (naturais, humanos), e a sua capacidade produtiva. Falamos muito em inovação e geração de valor, mas temos uma grande dificuldade para coordenar ações coletivas e promover o associativismo, quando nos comparamos com outros países desenvolvidos.

Baixa produtividade e competitividade

Temos um desafio como nação: Nossa cultura nacional traz em si elementos com forte relação negativa com a produtividade, e sabemos que, no Brasil, comparativamente, temos uma baixa produtividade do trabalho. Há elementos que a apoiariam, mas não conseguimos enxerga-los presos aos fatores negativos. Ao contrário das afirmações oriundas do senso comum, esta baixa produtividade está mais relacionada ao modelo de gestão e suas consequências em termos organizacionais do que ao baixo nível de escolaridade da mão-de-obra.

Certamente, temos uma elite muito bem formada em detrimento a uma base carente de formação técnica adequada, mas a causa principal da nossa baixa produtividade encontra-se mais relacionada à baixa capacidade de gerarmos coordenação eficiente na organização do trabalho do que promover educação formal. Taylor provou isso quando, utilizando-se de uma mão-de-obra com baixíssima especialização, aumentou cerca de 300 vezes a produtividade atuando essencialmente na organização do trabalho.

Um bom time em uma empresa deve ser formado por pessoas de habilidades técnicas, pessoais e origens diferentes
Capacidade organizacional é um dos desafios diante do Brasil para melhorar sua competitividade perante o mundo.
(Foto: Pixabay)

O modelo de gestão que prevalece no Brasil possui três características marcantes: alta concentração e uso discricionário do poder, baixa confiança interpessoal e institucional e foco excessivo no curto prazo. As três principais consequências desse modelo são:

1) uma baixa capacidade de agregar valor ao processo produtivo e criar qualidade;
2) baixa captura da inteligência coletiva e altos custos de transação
3) alto risco para fazer a coisa certa em termos de produção de valor de médio e longo prazos.

Em geral, por traços de cultura, somos autoritários, distantes da execução, fazemos planejamento reativo e controlamos resultados apenas por retornos financeiros de curto prazo. A distância entre a tarefa prescrita e a tarefa real é enorme. Isso mata a qualidade da operação e gera a percepção, nos níveis hierárquicos inferiores, que seus superiores, os gestores de nível médio, são inimigos e dificultam o seu trabalho.

Na pratica, essa resistência legítima acaba por romper os vínculos de cooperação espontânea e confiança, abrindo espaços para as resistências não legítimas: aquelas derivadas da vaidade, da complacência com baixos padrões de qualidade e da falta de disciplina operacional e pessoal. Olhar para esse processo de forma fragmentada é fonte de resistência à mudança e propensão ao conflito. Há que se olhar de forma integrada e trabalhar o senso de missão, a visão e os valores organizacionais de forma concreta (não cênica). Sem isso, o planejamento estratégico é uma peça de ficção e, a missão, a visão e os valores, quadros decorativos das paredes.

Superando paradigmas

Por essas razões, o contexto organizacional brasileiro é extremamente árido para a inovação e diferenciação. A tentação de produzir produtos de menor preço para aumentar a competitividade no mercado de commodities e/ou para ampliar as vendas para as classes C e D somam-se a essas dificuldades históricas, criando círculos viciosos que nos mantêm preços à posição de provedores de produtos e serviços de baixo valor. Poucas empresas brasileiras estão descobrindo, por meio de casos de erros e acertos, ainda de forma errática, como atingir a excelência operacional e aumentar a oferta de valor para o cliente final, movendo-se para um novo modelo baseado na consciência da interdependência e da necessidade da soma de inteligências para promover inovações incrementais e outras. Para muitas empresas, esse permanece ainda como um discurso absolutamente descolado da prática da gestão.

O passo inicial para enfrentar esse desafio é expandir a consciência sobre esses fatores e desenvolver as lideranças no topo das organizações, aumentando a capacidade de produzir cooperação em jogos ganha-ganha, de médio e longo prazos. Isso se faz pela gestão da cultura da organização. O foco em comando e controle e na visão de curto prazo destrói ou impede o desenvolvimento dos ativos intangíveis.

O Elo Perdido traz essa reflexão essencial para ocuparmos uma posição melhor nos rankings de competitividade, produtividade e inovação. Está nas empresas e na atividade empreendedora a capacidade de promovermos uma mudança sustentável em direção a maior competitividade e produtividade.


Marco Tulio Zanini é Professor Pesquisador da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Sócio fundador da Symbállein, consultoria especializada em Cultura, Liderança e Fatores Humanos na Gestão de Riscos.

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E o ano não acabou em pizza para a ciência https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/e-o-ano-nao-acabou-em-pizza-para-a-ciencia/ Tue, 22 Dec 2020 12:42:24 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/e-o-ano-nao-acabou-em-pizza-para-a-ciencia/ Este mês de dezembro trouxe algum alento para as instituições que lidam com educação, ciência, tecnologia e inovação no país

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Os ecossistemas brasileiros de educação e de ciência, tecnologia e inovação andam na lona. Mas este mês de dezembro trouxe algum alento para as instituições que lidam com o assunto no país. O Congresso trabalhou como se espera e aprovou três projetos relevantes. Um deles foi a Lei do Fundeb (PL 4373/20), que destina recursos para valorização da escola pública e seus profissionais, favorecendo especialmente os municípios mais pobres e seus mais de 8 milhões de alunos.

Espertalhões tentaram incluir escolas ligadas a igrejas e entidades filantrópicas como beneficiárias. Para não escancarar o real propósito de turbinar o ensino doutrinário nestas escolas e aliviar seus custos com pessoal, incluíram também aquelas ligadas ao Sistema S. Dois equívocos aí. O primeiro é que o Fundeb é um fundo filosoficamente destinado ao aperfeiçoamento da educação básica pública. Igrejas são entes privados. O segundo é que entidades como Senai, Sesi, Sesc e Senac, que também são de natureza privada, simplesmente não precisam.

Claro que não se trata apenas de injetar mais recursos para melhorar salário ou infraestrutura das escolas. Isso é necessário mas não resolve. Há um déficit crônico de gestão da educação, do ministério sem rumo à escola sem prumo. Assim como faltam novas abordagens engajadoras e motivadoras para os alunos perceberem valor na escola e desejarem frequentá-la. A aprovação do Fundeb não garante nada disso, mas tudo fica mais fácil quando se tem recursos para financiar o longo prazo.

Inovação, ciência, tecnologia
Fim de 2020 trouxe algum alento para as instituições que lidam com educação, ciência, tecnologia e inovação no Brasil.
(Foto: Pixabay)

Um outro Projeto de Lei aprovado foi o das Startups (PLC 146/19). Ainda falta o Senado se pronunciar. Esse PL está estritamente relacionado com inovação e ajuda o Brasil a desenvolver um olhar diferenciado a respeito desses novos arranjos empreendedores para alcançar padrões mais elevados de produtividade e competitividade. Startups são conceitualmente novos empreendimentos capazes de escalar de forma acelerada por meio de inovações tecnológicas e novos modelos de negócios. Elas criam exponencialmente mais valor do que qualquer outro grupo em termos de empregos e receitas. Por isso recebem tratamento especial em muitos países.

O país estava muito atrasado, e a nova lei traz avanços ao simplificar a burocracia para o empreendedor, dar mais segurança jurídica para o investidor, propiciar mais flexibilidade para o governo contratar inovação junto às startups. Mas deveríamos ir muito além. Por que não conceder imunidade fiscal, previdenciária e trabalhista para as startups, por um certo período, para compensar os vários gaps de quase tudo que contribuem para jogar o país na fila do fundo quando o assunto é inovação e competitividade?

O Brasil precisa ser mais radical em muitas coisas. Mas o passado pesa muito mais do que o futuro na formulação de leis e políticas públicas, e por esta razão as propostas mais ousadas e justas não foram aprovadas. Por exemplo, investidores-anjo continuarão a ser tributados sobre o ganho de capital, se houver. É como se você fosse punido por ter colocado o seu dinheiro em uma startup – que é, por definição, uma operação de alto risco – e por estimular a inovação no país. Nesse caso, é melhor investir numa LCA ou LCI, operações em que ganhos de capital não são tributados. Ainda há tempo do senado aperfeiçoar o projeto. Como fez com o Fundeb. Toc, toc, toc…

O último dos projetos aprovados em favor da comunidade de C,T&I foi o PLP 135, que descontingencia o FNDCT e o transforma em um fundo contábil-financeiro. É uma espécie de Fundeb para a pesquisa e desenvolvimento e, como este, aguarda sanção presidencial. Este PL foi assunto da coluna anterior.

Como vemos, são três movimentos em paralelo que endereçam a educação, a pesquisa, a inovação e potencialmente, o futuro do país. Admitindo-se que os três sejam sancionados em breve, teremos um ano de 2021 com pelo menos dois novos grandes desafios para gestores públicos e entidades do meio.

O primeiro é regulamentar o uso dos recursos. A burocracia legislativa tem disso e as leis nunca são autoaplicáveis. O Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, promulgado em 2016, levou mais de dois anos para ser regulamentado.

O outro desafio é muito mais complexo: trata-se de elaborar a estratégia de uso dos recursos viabilizados pelas novas leis. O ponto de partida é reconhecer que falhamos. Por décadas à fio. Se repetirmos o mesmo modelo de sempre, ficaremos no lugar de sempre. E, como sempre, o Brasil não terá perdido mais uma oportunidade de perder uma oportunidade… como nos lembra o professor Sílvio Meira.

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De apagão em apagão, o Brasil desce ribanceira abaixo https://canalmynews.com.br/francisco-saboya/de-apagao-em-apagao-o-brasil-desce-ribanceira-abaixo/ Tue, 15 Dec 2020 14:03:59 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/de-apagao-em-apagao-o-brasil-desce-ribanceira-abaixo/ O atraso do Brasil é um projeto. Só assim podemos explicar o que somos diante do que poderíamos ter sido

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Há quase 20 anos o Brasil apagou, faltou luz. Literalmente.  Faltou energia para casas, fábricas, para o comércio. O PIB cresceu apenas 1,5% em 2001, contra 4,3% no ano anterior. A imprensa se referia a esse episódio como apagão. Palavra fácil, que comunicava com clareza o drama nacional. Meses seguidos de racionamento de consumo geraram intimidade com o tema e fizeram o país adotar essa palavra quase como autojustificativa para as coisas que não dão certo. Falhou? É culpa do apagão. Como aquele 7 x1 que tomamos da Alemanha em casa, com tudo iluminado para o mundo apreciar melhor nossa tristeza. Locutores atordoados tentavam justificar o fracasso e, pimba!, foi o apagão. Para comentaristas mais sensíveis, foi um bloqueio psicológico diante da pressão extrema de se ter que ganhar em casa; para a geral, foi falta de vergonha mesmo. Mas esse tipo de apagão a gente tira de letra.

Difícil mesmo é conviver com o apagão da ciência, tecnologia e inovação. Porque este, quando combinado com outro apagão, o da educação, resulta no estreitamento das possibilidades do desenvolvimento nacional, na perpetuação das diferenças sociais e na implosão do futuro das novas gerações. Darcy Ribeiro se dedicou a entender as raízes da desigualdade e a crise da educação. Conclusão: o atraso do Brasil é um projeto. Só assim podemos explicar o que somos diante do que poderíamos ter sido e entender o paradoxo da pobreza de quase todos em meio à abundância de quase tudo.

Congresso Nacional, em Brasília, durante apagão que afetou a Esplanada dos Ministérios em junho de 2016
Congresso Nacional, em Brasília, durante apagão que afetou a Esplanada dos Ministérios em junho de 2016.
(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Existem certas situações que somente se explicam por escolhas deliberadas. Por exemplo: o Brasil é, ainda, a 10ª economia do mundo e o 15º produtor mundial de conhecimento em publicações acadêmicas. Mas é apenas o 54º produtor de patentes internacionais, o 62º em inovação (caiu 20 posições nos últimos 10 anos, ficando atrás inclusive de 5 outros países latino-americanos), e o 80º em competitividade. Daí vêm duas lições. A primeira é que não conseguimos converter conhecimento em tecnologia produtiva e fonte de geração de riqueza e emprego. A segunda é que, apesar de tudo, o país segue vivo, esbanjando resiliência. Mas basta olhar o movimento de países como Coreia do Sul , Índia e outros para ver que essa nossa condição tem dias contados. E em breve seremos a 12ª, 15ª ….

Esse tipo de apagão faz com que o déficit da balança comercial de produtos de elevada intensidade tecnológica e mais alto valor agregado venha crescendo sistematicamente. Voltamos a ser um país preponderantemente exportador de commodities. Há quem veja ganhos nisso, mas é bom lembrar que a soma das exportações de soja, minérios e petróleo – nossas principais estrelas – não paga o que importamos de computadores, produtos eletrônicos, óticos e outros da pauta relevante das economias modernas. 

Como chegamos até aí? É que o projeto a que se referia Darcy Ribeiro continua de pé e hegemônico. Um dos seus pilares é o baixo volume de investimentos em C,T&I como proporção do PIB. Andamos na casa do 1%, muito baixo se comparado com a media de 2% da OCDE e baixíssimo em relação a países como Coreia e Israel, que investem por volta de 4%. O orçamento federal destinado ao MCTI [Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação] para 2021 é de cerca de R$ 5,3 bilhões, dos quais perto de 90% estão contingenciados, restando míseros R$ 500 milhões (contra R$ 3,7 bilhões de sete anos atrás) para equipar laboratórios, formar pesquisadores, apoiar parques tecnológicos, subvencionar inovação nas empresas etc. O principal instrumento de fomento, o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) está igualmente contingenciado, com mais de R$ 25 bilhões retidos no Tesouro Nacional para formação de superávit, num caso escandaloso de desvio de finalidade.

Sem recursos não se perenizam ações de longo prazo. Ciência não combina com imediatismo. Inovação não combina com incerteza política. Desenvolvimento tecnológico rima, mas não combina com terraplanismo ideológico. Se quiser sair do nó em que se meteu, o Brasil vai ter que se livrar antes das mentes apagadas que nos governam desde Brasília, desde sempre. (ET: se o Congresso Nacional quiser dar uma chance ao país, aprova o PL 135/2020, que tramita em regime de urgência e que descontingencia o FNDCT). 

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