Maio acumula o maior número de crises digitais do governo Crise no IOF, escândalo do INSS, Janja na China tornaram este mês ruim para o Planalto nas redes |Foto: Arte/MyNews ALGORITMO MALVADO

Maio acumula o maior número de crises digitais do governo

Crise do IOF, escândalo do INSS, desgaste de Janja na China tornaram este mês péssimo para o Planalto nas redes: “Estamos diante de uma sequência de bombas mal desarmadas", diz Alek Maracajá, autor do estudo

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  • Em maio, a Ativaweb identificou o maior número de crises digitais contra o governo federal.
  • O mapa de insatisfação mostrou que Nordeste e Norte lideram o engajamento crítico, desfazendo a tese de desgaste restrito ao Sudeste.
  • Análise de sentimento apontou que a falta de narrativa oficial e de porta‑voz digital fez a indignação ser amplificada pelos algoritmos.
  • Hashtags como #governoladrão, #povootário, #taxadd e #emendasparlamentares dominaram o debate, enquanto a oposição se beneficia da reação popular.

A explosão de críticas contra o aumento do IOF nas redes sociais não é um episódio isolado é o ápice de uma sequência de erros de comunicação e falta de leitura do ambiente digital por parte do governo. Segundo estudo da Ativaweb, com análise de 5 mil menções públicas, 89% das postagens são negativas, com foco direto em Fernando Haddad e Lula. Apenas 1% defende a medida, geralmente com o argumento desgastado de que “o Brasil precisa arrecadar”.

A crise do IOF não começou no dia do anúncio. Ela fermentava há meses. Desde janeiro, o governo acumula desgastes: a tentativa de taxar o PIX, os escândalos envolvendo o INSS, as críticas à alta dos alimentos, a rejeição à postura da primeira-dama Janja e o vaivém das trocas ministeriais. Maio foi o mês com maior número de crises digitais desde o início do mandato. “Estamos diante de uma sequência de bombas mal desarmadas. O IOF só acendeu o estopim.”

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A coleta da Ativaweb também revelou o mapa regional da insatisfação: Nordeste e Norte lideram o engajamento crítico, desafiando a tese de que o desgaste está restrito ao “sudeste bolsonarista”. Ou seja: o campo de rejeição se ampliou e isso deve preocupar (muito) o Planalto.

A análise de sentimento mostra que o governo perdeu a narrativa por inação. Não houve contenção, nem prévia, nem reativa. Não houve “guerra de hashtags”, nem porta-voz digital. Apenas silêncio, ruído e a máquina algorítmica fazendo seu trabalho: amplificar a indignação. “O digital não perdoa silêncio. Onde falta narrativa oficial, sobra revolta amplificada.”

As hashtags mais citadas falam por si só: #governoladrão, #povootário, #taxadd, #emendasparlamentares, #hadadd, #foralula. É uma tempestade sem centro de controle. A oposição surfa, o povo explode e o governo… observa.

Estamos em um cenário onde a governança fiscal bate de frente com a governança algorítmica. E Lula precisa escolher com urgência quem vai comandar sua narrativa “Haddad está vestindo o terno de ministro, mas esquecendo que a crise hoje começa no feed.” Alek Maracajá

  • Alek Maracajá | Especialista em Big Data e Estratégia Digital

 

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