Elias Jabbour e renan santos
soberania nacional
Elias Jabbour prega convergência sobre soberania e reindustrialização para derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno
A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, a busca por apoio na reta final levou o meio político a discutir novos arranjos e convergências pragmáticas. Em entrevista ao Canal MyNews, o deputado federal eleito Elias Jabbour (PCdoB-RJ) defendeu a necessidade de uma ampla articulação política que inclua até mesmo setores conservadores para isolar a extrema-direita.
O intelectual marxista voltou a repercutir sua aproximação e acenos ao eleitorado de Renan Santos, uma das figuras de liderança do MBL (Movimento Brasil Livre) e idealizador do partido Missão. Para Jabbour, embora existam profundas divergências ideológicas com esses grupos, há pautas de soberania e reindustrialização que permitem o diálogo.
Elias Jabbour destacou que o debate sobre a política industrial não é apenas acadêmico, mas afeta diretamente o cotidiano da população. Segundo o parlamentar, a construção de uma cadeia produtiva voltada ao processamento e exploração das terras raras, aliada ao fortalecimento do complexo industrial da saúde e da indústria de defesa, tem capacidade de gerar milhares de empregos de alta qualificação e deflagrar uma nova revolução industrial no Brasil.
“A reindustrialização é o que pode tirar o Brasil das garras do fascismo”, afirmou Jabbour, apontando que essas propostas de autonomia nacional e defesa da capacidade produtiva do país encontram pontos de contato com discursos defendidos por nomes da chamada direita propositiva.
Para o deputado do PCdoB, o cenário político atual viu o surgimento de uma extrema-direita com posturas alinhadas aos interesses internacionais (“entreguistas”), em contraste com uma tradição conservadora histórica no país que, mesmo oposta à esquerda, mantinha projetos de soberania e desenvolvimento nacional.
O deputado enfatizou que a tática de aliança que defende não se baseia em dogmas, mas sim em uma análise pragmática da correlação de forças políticas atuais. Dirigindo-se à militância do grupo Missão e aos apoiadores de Renan Santos, Jabbour classificou a disputa do segundo turno como uma “questão existencial” tanto para a democracia quanto para a viabilidade dos próprios partidos de centro-direita no futuro.
Segundo a avaliação do parlamentar, a manutenção do grupo político de oposição nas eleições de 2030 depende diretamente da derrota da extrema-direita no pleito atual. Por isso, fez um apelo para que esses eleitores reconsiderem suas restrições ao PT e a Luiz Inácio Lula da Silva, argumentando que este representa o centro democrático viável contra uma ameaça autoritária.
A entrevista também resgatou precedentes na história política brasileira, como o diálogo entre lideranças de campos opostos durante o processo de redemocratização na década de 1980 — citando encontros entre José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e articulações estratégicas de figuras históricas como João Amazonas.
Para Elias Jabbour, a política exige colocar a “bola no chão” e construir pontes para garantir a governabilidade e a preservação institucional, reiterando que o isolamento de propostas extremistas é o passo primordial para que o país retome o crescimento econômico e a estabilidade democrática.