Manifestação em São Paulo reuniu políticos e jovens eleitos; Fernando Haddad fez críticas à direita e mencionou Daniel Vorcaro, enquanto Erika Hilton questionou apoio ao fim da escala 6×1
O ato em defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no Largo da Batata, em São Paulo, nesta terça-feira (13), foi marcado por discursos de mobilização eleitoral, defesa da democracia e cobrança pelo fim da escala de trabalho 6×1. Entre os participantes que discursaram estavam Fernando Haddad, Marina Silva, Simone Tebet, Erika Hilton e deputados federais e estaduais, como Guilherme Cortez, Duda Hidalgo, Luna Zarattini e Sâmia Bomfim.
As falas reforçaram a tentativa de mobilizar apoiadores para a reta final da campanha, com apelos para conquistar novos votos e críticas aos adversários políticos. A participação de jovens também foi destacada nos discursos, assim como temas relacionados à soberania nacional e aos direitos sociais.
O deputado federal eleito Guilherme Cortez agradeceu aos 275.450 eleitores que lhe deram votos em São Paulo e defendeu a mobilização diária dos apoiadores de Lula, tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
“Não tem nada mais importante nesses próximos 13 dias do que a gente ganhar cada voto para tirar o nosso país da escuridão”, afirmou.
Cortez também rejeitou o pessimismo entre os apoiadores e incentivou a participação ativa na campanha. “Eu não quero mais ouvir falar de derrotismo. Eu não quero mais ouvir falar de pessimismo. Eu quero ver gente na rua ganhando voto, todo dial”, disse.
O deputado eleito ainda afirmou que os adversários estariam preocupados com a mobilização pró-Lula. Ao comentar a repercussão dos atos e as disputas nas redes sociais, declarou: “Eles têm medo. E cada vez que eles censuram, vem mais um milhão de soldados do Lula.”
A ministra Marina Silva recorreu a uma metáfora ligada ao comportamento de insetos para defender uma estratégia de comunicação com diferentes vozes e formas de mobilização.
“Do trabalhador, da trabalhadora, a nossa estratégia, preste atenção, ela é feromônica”, afirmou.
Para Marina, a mobilização política não deve depender de uma única liderança ou de uma mensagem uniforme.
“Não é comando único, não é voz única, é uma polifonia de vozes”, disse.
A ministra defendeu que diferentes grupos sociais dialoguem com seus próprios públicos. “Quem é trabalhador, fala como trabalhador. Quem é religioso, como religioso. Quem é artista, como artista. Cientista, como cientista. Idoso, como idoso. Jovem, como jovem.”
Ao concluir, Marina afirmou: “Em defesa da democracia, Lula de novo. Quem manda é o povo.”
Durante o discurso, o ex-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad criticou a escolha de representantes da direita e afirmou que o campo político poderia ter apresentado um nome que considerasse mais razoável.
“A direita podia apresentar alguém razoável. Nós somos 215 milhões de habitantes aqui, mas parece que eles resolveram pinçar o que tinha de pior neste país para apresentar à nação”, declarou.
A ex-ministra Simone Tebet defendeu a continuidade da mobilização nas ruas e afirmou que diferentes grupos sociais estariam unidos em torno da defesa da democracia.
“Eles não imaginavam que a juventude, as mulheres e os trabalhadores fossem se unir por uma causa”, disse.
Em seguida, definiu o que considera o principal objetivo da mobilização: “E qual é a causa que nos une? É a democracia e a liberdade contra a barbárie e o autoritarismo.”
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) destacou a participação da juventude e criticou setores da direita que, segundo ela, passaram a defender o fim da escala de trabalho 6×1.
Ao abordar a escala 6×1, Erika questionou a mudança de posicionamento de políticos que passaram a defender a proposta durante a campanha.
“E não adianta agora fingir que quer aprovar o fim da escala 6×1, quando eles foram os que articularam desde sempre para que a nossa proposta não fosse aprovada”, afirmou.
Na avaliação da deputada, o apoio recente ao tema estaria relacionado à disputa eleitoral. “Sabe por que eles dizem agora que querem aprovar o fim da escala 6×1? Porque eles subiram na tamanca. Porque eles acham que esse jogo está bom. Porque eles acham que a vitória é certa”, disse.
Nesta terça-feira (13), o repórter João Vitor Revedilho, da Jovem Pan, foi hostilizado por manifestantes durante o ato em defesa da reeleição de Lula, no Largo da Batata, em São Paulo.
Enquanto Fernando Haddad discursava no palco, o jornalista se preparava para gravar uma entrada ao vivo para o canal, mas foi impedido pela reação de parte da multidão.
Em meio a gritos de “Recua, fascista, recua!” e ofensas direcionadas à emissora, o repórter foi alvo de arremesso de cubos de gelo, garrafas de refrigerante, copos e uma pedra. Os manifestantes continuaram a provocá-lo e a impedir que realizasse o trabalho.