Foto: Band
Jornal Do MyNews
Renato Dorgan afirma que a disputa também será marcada pela expectativa sobre o desempenho de Lula e cobra discussões sobre segurança pública, educação e inteligência artificial.
O debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) deste domingo (18), na Band, pode influenciar a percepção dos eleitores no segundo turno. Segundo Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia e especialista em pesquisas eleitorais, o desempenho dos candidatos será importante para a disputa. Além disso, a expectativa em torno de Lula cresceu diante da necessidade de reconstruir sua imagem durante a campanha.
De acordo com Dorgan em entrevista ao Jornal MyNews nesta sexta (16), Flávio Bolsonaro teve pouca exposição pública desde a disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016. Agora, porém, o senador está no centro da disputa presidencial. Ao mesmo tempo, a expectativa sobre Lula aumentou após o episódio em que o presidente passou mal durante um debate anterior.
Nesse cenário, o cientista político avalia que os eleitores esperam ver Lula em uma situação de enfrentamento direto com o adversário. Ou seja, o público quer observar sua capacidade de responder às críticas e sustentar suas posições diante das provocações.
Na avaliação de Dorgan, parte do eleitorado compara o presidente atual com a imagem de Lula nas campanhas de 1998 e 2002. Naquela época, esses eleitores o percebiam como um candidato mais incisivo e enérgico.
Entretanto, o presidente está em outra fase da vida. Por isso, a comparação com seu desempenho de décadas atrás pode gerar frustração entre aqueles que esperam a mesma postura. Nesse sentido, a forma como Lula se comportar no debate pode influenciar a percepção do público.
Ainda assim, a expectativa não se limita à postura do presidente. O confronto também representa uma oportunidade para os candidatos apresentarem propostas. Dessa forma, os eleitores podem avaliar não apenas o desempenho de cada um, mas também suas respostas aos principais problemas do país.
Dorgan também critica a falta de discussões aprofundadas sobre temas centrais para o Brasil. Entre eles, estão a segurança pública, a educação e a inteligência artificial. Segundo o especialista, essas questões precisam ocupar mais espaço na campanha.
Além disso, o debate eleitoral não deveria se concentrar apenas em embates pessoais e estratégias de comunicação. Em vez disso, os candidatos precisam explicar como pretendem enfrentar os problemas que afetam a população.
A segurança pública merece atenção especial. De acordo com Dorgan, desde 2014, o tema não recebe o aprofundamento necessário nas disputas eleitorais. Apesar de sua relevância para os eleitores, a discussão sobre soluções concretas acaba ficando em segundo plano.
Da mesma forma, a educação e a inteligência artificial exigem respostas dos candidatos. Enquanto a educação envolve desafios históricos do país, a inteligência artificial levanta questões sobre o futuro do trabalho e as transformações econômicas. Portanto, discutir esses assuntos também é importante para avaliar os projetos apresentados à população.
Diante desse cenário, Dorgan espera que o próximo debate entre Lula e Flávio Bolsonaro permita discutir essas questões de maneira mais aprofundada. Para ele, o confronto deve servir não apenas para avaliar o desempenho dos candidatos, mas também para esclarecer suas posições.
Por um lado, Lula precisa responder às cobranças sobre sua postura e demonstrar capacidade de enfrentamento. Por outro, Flávio Bolsonaro terá de apresentar suas posições diante das questões levantadas durante a disputa.
Assim, o debate pode oferecer aos eleitores elementos para comparar as propostas e as prioridades de cada candidatura. Mais do que acompanhar o confronto entre os candidatos, o público poderá observar quais soluções eles apresentam para os problemas brasileiros.
Por fim, a expectativa é que temas como segurança pública, educação e inteligência artificial ganhem espaço na discussão. Dessa maneira, questões importantes para o país não ficam em segundo plano diante dos embates pessoais.