Carteira de Trabalho. Foto: reprodução
Jornal Do MyNews
Advogada trabalhista Márcia Ribeiro avalia que a adoção da escala 5×2 acompanha a evolução das relações de trabalho e destaca a importância da saúde mental dos trabalhadores.
O fim da escala 6×1 exigirá mudanças na organização das jornadas de trabalho e na negociação entre empregadores e trabalhadores. A avaliação é de Márcia Ribeiro, em entrevista ao Jornal MyNews a advogada especializada em Direito Previdenciário e Trabalhista. Segundo ela, a transição precisará considerar as convenções coletivas e os ajustes necessários para adequar as relações de trabalho às novas regras.
Para a advogada, a mudança não deve ser vista como uma surpresa pelo setor empresarial. Afinal, as discussões sobre a redução da jornada já vinham ganhando espaço, inclusive com propostas de modelos como a escala 4×3. Nesse contexto, ela considera a adoção da escala 5×2 uma evolução natural das relações de trabalho.
A transição para um novo modelo de jornada envolve mais do que a alteração dos dias de trabalho e descanso. Também será necessário avaliar como as regras serão incorporadas às convenções coletivas de trabalho.
Esses acordos estabelecem condições específicas para diferentes categorias profissionais. Por isso, segundo Ribeiro, será importante adequá-los às novas regras, respeitando os procedimentos legais e as particularidades de cada setor.
Além disso, a implementação da mudança exigirá atenção aos instrumentos que regulam as relações entre trabalhadores e empregadores. Dessa forma, a transição poderá demandar negociações sobre jornadas, folgas e organização das atividades.
Na avaliação de Márcia Ribeiro, a escala 5×2 representa um caminho compatível com as transformações do mercado de trabalho. Ela argumenta que as relações profissionais mudam ao longo do tempo e, consequentemente, a organização das jornadas também precisa evoluir.
Nesse sentido, a advogada considera que a discussão sobre o fim da escala 6×1 faz parte de um debate mais amplo sobre as condições de trabalho. A redução dos dias trabalhados consecutivamente também coloca em pauta o equilíbrio entre a vida profissional e o tempo de descanso.
Além disso, a discussão sobre jornadas mais flexíveis ganhou espaço diante das preocupações com a qualidade de vida dos trabalhadores. Para Ribeiro, portanto, a mudança deve ser analisada considerando tanto as necessidades das empresas quanto os direitos dos profissionais.
A saúde dos trabalhadores é outro ponto central na análise da advogada. Ribeiro relaciona o debate sobre a escala 6×1 à necessidade de oferecer ambientes de trabalho mais saudáveis, especialmente diante da crescente atenção aos problemas de saúde mental.
Nesse contexto, ela menciona a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho. A norma também passou a contemplar de forma mais explícita o gerenciamento de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, conforme as atualizações regulatórias.
Para a advogada, a escala 6×1 é incompatível com a preocupação de construir ambientes profissionais mais saudáveis, sobretudo quando a rotina de trabalho dificulta o descanso adequado. Assim, a discussão sobre a jornada também envolve a prevenção de problemas relacionados à saúde física e psicológica.
Ribeiro avalia que os empregadores já poderiam esperar mudanças na organização das jornadas. Segundo ela, as discussões anteriores sobre a redução da semana de trabalho, incluindo propostas de escala 4×3, indicavam que o modelo tradicional seria questionado.
Por isso, a advogada entende que as empresas precisam acompanhar o debate e se preparar para eventuais alterações legais. Ao mesmo tempo, a transição exige planejamento para adaptar escalas, negociações coletivas e rotinas de trabalho.
O debate sobre o fim da escala 6×1, portanto, vai além da quantidade de dias trabalhados. Ele também envolve a modernização das relações profissionais, a negociação entre as partes e a proteção da saúde dos trabalhadores.