Com as fichas na mão, Centrão aposta por ora em Bolsonaro Arhur Lira (PP-AL), líder do ‘Centrão’ e presidente da Câmara dos Deputados, junto com parlamentares do grupo. Foto: Marcelo Camargo (Agência Brasil). Jogo Político

Com as fichas na mão, Centrão aposta por ora em Bolsonaro

Grupo de partidos absorvido pela base aliada recentemente acredita que rejeição a Lula e o peso da caneta favorecem o presidente em 2022

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  • O bloco parlamentar chamado Centrão, liderado por Arthur Lira (PP‑AL) e presidente da Câmara, mantém apoio a Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
  • Com o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao cenário eleitoral, o Centrão avalia a aceitação de Bolsonaro nos principais estados.
  • Em São Paulo projetam alta rejeição a Lula; em Minas Gerais consideram o eleitorado mais inclinado à direita, influenciado pela boa avaliação do governador Romeu Zema (Novo).
  • Os dirigentes acreditam que o peso da “caneta” de Bolsonaro será decisivo nas demais regiões do país.

O Centrão é aquela noiva que subiu ao altar com o presidente Jair Bolsonaro, mas não contava que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aquele namorado do passado, estaria solteiro novamente. Com o retorno de Lula ao cenário eleitoral, os caciques dos partidos que recentemente ingressaram à base de Bolsonaro começam a fazer os cálculos de como a mudança deve impactar no cenário eleitoral em 2022. E, por enquanto, apostam as fichas em Bolsonaro.

Arhur Lira (PP-AL), líder do 'Centrão' e presidente da Câmara dos Deputados.
Arhur Lira (PP-AL), líder do ‘Centrão’ e presidente da Câmara dos Deputados, junto com parlamentares do grupo. Foto: Marcelo Camargo (Agência Brasil).

Em uma conta de padeiro ainda, os dirigentes dessas legendas mensuram a aceitação de Bolsonaro nos dois maiores colégios eleitorais. Em São Paulo, projetam uma rejeição ainda alta a Lula. Em Minas Gerais, acreditam que o eleitorado está mais inclinado à direita, já que o governador Romeu Zema (Novo) está bem avaliado. O Brasil é muito maior que isso, é verdade. Mas esses caciques apostam no peso da caneta de Bolsonaro nas demais regiões.

Outra aposta é com relação à economia. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer colocar as reformas econômicas para andar, por mais que o impacto delas num primeiro momento seja reduzido. A primeira da lista é a tributária. Eles contam também com a vacinação para a retomada do consumo e do setor produtivo. Por mais que ainda em um patamar baixo, o possível viés de alta na economia em 2022 poderia sensibilizar o eleitor a votar naquele que já estaria no Planalto para evitar surpresas.

Essas são, claro, as apostas do momento. Mas ninguém vai de all in. Ainda é preciso ver como, de fato, vão caminhar a imunização e a economia. A aprovação das reformas não será fácil e a votação da PEC Emergencial, por placar apertado e bastante desidratada, mostra o tamanho do desafio. E, claro, é preciso ver como serão as viagens que Lula prometeu fazer pelo Brasil. O petista não se declarou candidato ainda, mas já vestiu as chuteiras. Em campo, pode virar o placar do jogo.

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