O Brasil não tem cultura de seguro, tem cultura de “deixa a vida me levar” sem seguro?

O Brasil não tem cultura de seguro, tem cultura de “deixa a vida me levar”

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No Brasil, falar de seguro é quase como tentar vender guarda-chuva em dia de céu azul: a maioria só percebe a necessidade quando já está encharcada.

Isso não é acaso — é consequência direta de um país que historicamente não educa sua população para lidar com riscos, planejar o futuro ou compreender o papel do seguro como ferramenta de proteção social e financeira.

O resultado é previsível. Somos ótimos consumidores, péssimos planejadores e quase incapazes de enxergar o risco até que ele bata à nossa porta. Literalmente.

E é aí que vem o ponto mais incômodo: um país que mal consegue organizar o próprio orçamento dificilmente entenderá a função de um seguro.

Segundo pesquisa do SPC, mais de 60% dos brasileiros não têm controle efetivo do orçamento mensal. Isso significa que a conversa sobre proteção financeira entra no mesmo buraco negro onde já caíram a reserva de emergência e o plano de longo prazo.

 

Um país que vive no limite — e sem margem para o amanhã

A Febraban colocou em números o que vemos nas ruas:

55% dos brasileiros dizem entender pouco ou nada de educação financeira, e 39% já estão endividados. Entre os endividados, 77% afirmam que isso impacta diretamente a saúde emocional.

Quando a cabeça já está cheia de boletos, sobra pouco espaço para pensar em proteção futura.

O seguro, nesse cenário, aparece sempre como gasto extra — jamais como estratégia.

Para quem vive no fio da navalha, tudo o que não resolve o agora vira luxo.

 

A cultura da prevenção nunca existiu aqui — e os números não deixam mentir

Enquanto em muitos países o seguro é item básico da vida adulta, no Brasil ele ainda é exceção:

  • Apenas 30% da frota de veículos tem seguro;
  • Somente 17% dos brasileiros possuem seguro de vida.

O resultado é um país que empurra para a sorte aquilo que deveria resolver com planejamento.

E a conta chega. Sempre.

Quando uma enchente arrasta carros, quando o vizinho é assaltado, quando o provedor de uma família morre sem seguro de vida, quando uma pequena empresa pega fogo sem cobertura… a falsa “economia” vira dívida. E a dívida vira pobreza.

É caro não ter seguro.

Mas a gente só descobre isso depois.

 

A educação financeira não falhou — ela simplesmente não existe

Durante o Conseguro 2025, o maior evento do setor de seguros no Brasil, especialistas de vários setores repetiram a mesma frase como um mantra:

O Brasil não tem cultura de seguro porque não tem educação financeira.

Simples assim.

E aí vêm as estatísticas que escancaram o tamanho do buraco:

  • 84% dos brasileiros vivem em situação de risco financeiro;
  • 1 em cada 3 gasta mais do que ganha;
  • 32% não têm nenhuma reserva de emergência.

Como explicar seguro para alguém que está apagando incêndio todo mês?

Como falar de prevenção para quem vive em modo sobrevivência?

É pedir para construir o telhado sem ter chão.

 

O imediatismo brasileiro é inimigo do seguro

O brasileiro médio tem uma relação particular com o tempo, a compra do mês é prioridade absoluta; o problema do mês que vem é um conceito abstrato.

No setor securitário, isso se traduz assim:

seguro só entra na conversa depois que o vizinho é assaltado, depois que o carro é levado, depois que o colega de trabalho tem um AVC.

É sempre reativo. Nunca preventivo.

E o mais curioso: muitos brasileiros nem sabem exatamente o que o seguro cobre.

A falta de informação é tão grande que, para boa parte da população, seguro é aquela coisa chata que o banco “tenta empurrar” no final da ligação.

Não surpreende que a rejeição seja alta.

 

Seguro não é luxo — é política pública que não depende do governo

O ponto central é este: seguro não é só um produto financeiro. É uma forma privada de política pública.

Ele protege famílias, desafoga o Estado, reduz a pobreza e evita que colapsos individuais se transformem em problemas sociais.

Mas, para isso, precisa ser entendido.

Precisa ser ensinado.

E, no Brasil, simplesmente não é.

É por isso que especialistas defendem que a educação financeira comece no ensino fundamental.

Ensinar educação financeira só para adultos é tentar arrumar uma casa que já veio torta.

Conclusão: o brasileiro não rejeita o seguro — rejeita o que não entende

No fim do dia, a rejeição ao seguro não é sobre preço.

É sobre cultura.

É sobre desconhecimento.

É sobre um país que nunca ensinou seu povo a se proteger.

Enquanto isso não mudar, continuaremos sendo a nação do “deixa a vida me levar” — até o dia em que ela leva mesmo.

E aí, como sempre, quem paga a conta é quem menos podia pagar.

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