DEBATE PÚBlICO
O economista alerta que o populismo no Congresso e a superficialidade das redes sociais destroem a capacidade de debate e impedem o avanço do país
A economia brasileira sofre de um mal pior que os juros altos: a falência do raciocínio lógico. Em entrevista ao MyNews, o economista Fabio Giambiagi criticou duramente a superficialidade que domina o país. Ele afirma que a “ignorância eloquente” tomou conta tanto das redes sociais quanto do Congresso Nacional. Atualmente, o barulho do TikTok substitui o estudo profundo. Além disso, as pessoas preferem contestar décadas de conhecimento técnico com vídeos de 20 segundos em vez de analisarem os fatos com rigor.
Por esse motivo, Giambiagi utiliza seu novo livro para resgatar o pensamento crítico. Ele argumenta que a falta de base econômica transforma o cidadão em uma presa fácil para o populismo. No Congresso, o cenário é ainda mais dramático. Os parlamentares abandonaram o argumento técnico e agora apenas trocam rótulos vazios. Nesse sentido, a política ignora princípios básicos, como a lógica de que o juro representa apenas o “aluguel” do dinheiro.
Contudo, a tecnologia agrava esse quadro de “preguiça cognitiva”. Giambiagi alerta que a Inteligência Artificial, embora útil, vicia o cérebro. As pessoas estão parando de raciocinar por conta própria. Consequentemente, o “copia e cola” substitui a elaboração de ideias próprias no jornalismo e na política. Essa dinâmica cria uma sociedade que consome informação rápida, mas que não consegue digerir a complexidade dos problemas do Brasil.
A mensagem de Giambiagi é direta: a economia serve para evitar que os outros nos enganem. Ele defende que o cidadão precisa entender os desdobramentos lógicos de cada decisão para não cair em soluções mágicas. Afinal, sem o esforço da reflexão, as tradicionais “horas bunda de cadeira”, o país continuará refém de quem prefere o aplauso fácil. Enquanto a ignorância ditar o ritmo do debate, a verdade dos fatos continuará em segundo plano.