Os EUA tropical! Trump e Lula / Fotos: Reprodução (Instagram)/Ricardo Stuckert (PR)

Os EUA tropical!

No cenário político presidencial brasileiro, haverá uma eleição EUA versão tropical. Por aqui vivemos problemas similares também com a figura do nosso presidente.

Nelson Rodrigues cunhou o termo “Complexo de vira-lata” para se referir ao brasileiro e o seu senso de inferioridade em relação a sua própria cultura. Rodrigues dizia que o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem, ou seja, no geral, o brasileiro não é orgulhoso da sua nação, desejando possuir a cultura de outros países. E se tem um país que é campeão nessa projeção coletiva, são os Estados Unidos (EUA).

Existem muitas camadas dentro desse desejo. De forma genérica, o brasileiro vive um romantismo idealizado associado a cultura norte-americana e o seu “American Dream”. Certamente, você conhece alguém que mora ou sonha em morar nos EUA. Cerca de 3 milhões de brasileiros vivem neste país, mais pessoa do que a população de Fortaleza, 4ª maior cidade do Brasil.

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O que muitos brasileiros não sabem é que o desejo coletivo tropical de se tornarem os EUA está próximo de se concretizar, pelo menos sob um aspecto, isso porque, o cenário eleitoral norte-americano de 2024 pode se repetir nas eleições presidenciais brasileiras de 2026, se não houver nenhuma reforma estrutural e fiscal.

Vamos aos fatos nos EUA

Existe uma frase clássica na política norte-americana que diz: “it’s the economy, stupid” se referindo ao impacto que a economia pode ter na política. No entanto, ao se referir as eleições dos EUA em 2024, a cientista política Cila Schulman, subverteu e atualizou a expressão para: foram “os preços, estúpido”, que impactaram a política naquela conjuntura eleitoral.

No cenário geral econômico de ambos os países, a economia não está em recessão, há um quadro estável em ambos os PIB, a taxa de desemprego estava controlada nos EUA 2024 e está controlada no Brasil 2025, em nenhum desses contextos há um pico preocupante. Porém, o grande “x” da questão no contexto norte-americano foi o aumento dos preços nos insumo básico que impactou demais na qualidade de vida do cidadão. Desde a pandemia, os EUA entraram num cenário de inflação, e, em cerca de 3 anos, os preços dos produtos básicos dobraram, juntamente com o custo de vida e custo de moradia.

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Esse foi o grande “calcanhar de Aquiles” que a gestão Biden não conseguiu reverter a tempo para a campanha. Outro aspecto crucial para a derrota dos democratas foi o timing político e a compreensão da necessidade de mudança na figura política central do partido. No início das eleições, Biden se mantinha como candidato pelos democratas, apesar dos diversos apelos em tirá-lo de lá.

A figura de Biden não trazia renovação, seu aspecto cansado e idade avançada se tornaram um problema na percepção de confiança do cidadão em relação a sua capacidade de governar. Os democratas de certa maneira “deram sorte”, pois tinham a Kamala Harris na ponta da caneta, mas demoraram em escalá-la como candidata. Na política, timing é tudo.

No cenário político presidencial brasileiro, haverá uma eleição EUA versão tropical. Por aqui vivemos problemas similares também com a figura do nosso presidente.
Lula é uma liderança política muito forte, mas passa por um desgaste jamais visto anteriormente — está com seu pior nível de aprovação dos últimos 3 mandatos. Lula e Biden possuem idades similares e questões de saúde que podem levantar questionamentos no eleitor.

Economicamente, Brasil e EUA convergem em relação ao mesmo cenário estável, mas preocupante – no Brasil, a inflação dos alimentos foi a que mais cresceu nos últimos 12 meses, e isso piora muito a vida dos brasileiros.
Em terras tupiniquins também será: “it’s gonna be the price, stupid”.

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