Quatro vídeos para entender megaoperação contra lavagem de dinheiro Quatro vídeos para entender megaoperação contra lavagem de dinheiro Maratona do Crime

Quatro vídeos para entender megaoperação contra lavagem de dinheiro

MyNews acompanha há meses relatos de autoridades e especialistas sobre a Segurança Pública no Brasil..

A Polícia Federal deflagrou hoje a Operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada contra o crime organizado no Brasil. O objetivo é asfixiar os complexos e sofisticados mecanismos de lavagem de dinheiro que sustentam facções criminosas em diversos setores da economia. O MyNews vem acompanhando esse tema há muito tempo, com uma cobertura regular que mostra como o crime avança no sistema financeiro e em mercados estratégicos. São vários vídeos já publicados no canal, mas quatro deles ajudam a entender melhor o que está em jogo: a entrevista exclusiva com o secretário de Segurança do Rio, que revelou a infiltração do crime em setores como seguros e energia; a análise de Cecília Oliveira sobre a profissionalização das facções e suas conexões internacionais; e a conversa com o procurador-geral do Estado, no Fórum de Lisboa, em que ele alertou que dois terços do setor de combustíveis já estão dominados por organizações criminosas.

Cecíllia Olliveira explica segurança pública no Rio e Brasil

Como era esperado, a operação foi rapidamente apropriada por diferentes narrativas políticas. Para bolsonaristas, a PF atingiu bancos ligados ao PCC que estariam financiando pesquisas eleitorais favoráveis a Lula. Já o governo sustenta que a ação representa um duro golpe contra o “andar de cima”, mirando empresários e estruturas financeiras sofisticadas que dão suporte às facções. Mas, para além da disputa política, a realidade é que a PF colheu hoje os louros de um trabalho histórico, numa tentativa inédita de sufocar os labirintos financeiros que alimentam o crime no Brasil.

O impacto da Operação Carbono Oculto se estende para além das prisões e bloqueios de bens. A ação expõe como o crime organizado deixou de ser somente uma questão de segurança pública e passou a se confundir com a própria economia formal, infiltrando-se em setores como combustíveis, energia, logística e seguros. Esse avanço ameaça não apenas a segurança, mas também a competitividade de empresas e a credibilidade das instituições financeiras.

Um dos pontos centrais da ofensiva foi o papel do Coaf, responsável por identificar movimentações financeiras suspeitas e fundamentais para o sucesso da operação. Mas sua atuação ocorre em meio a um ambiente de incerteza: decisões recentes dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, abriram dúvidas sobre o alcance dos relatórios do órgão. Gilmar, em particular, foi categórico ao afirmar que o Ministério Público não pode requisitar relatórios diretamente ao Coaf, medida que pode comprometer a agilidade das investigações. Com isso, Antonio José Campos Moreira, procurador-Geral de justiça do Rio de Janeiro, falou sobre formas de combater o crime.

Antonio José Campos Moreira – Procurador-Geral de Justiça do Rio de Janeiro

Ainda assim, a ofensiva de hoje marca um divisor de águas no enfrentamento ao crime organizado. Pela primeira vez, a PF ataca não somente soldados ou líderes de facções, mas a engrenagem financeira que as sustenta. Um recado claro de que, para sufocar o poder das facções, é preciso cortar a raiz: o dinheiro.

O mais importante resultado, no entanto, pode estar além das prisões e bloqueios imediatos: a operação reforça a urgência de regular com mais rigor o setor de fintechs, que se tornou um dos principais canais usados para movimentar recursos ilícitos. Essa regulação é vista como solicite-chave para fechar brechas que permitiram a expansão do crime organizado no sistema financeiro formal, garantindo que inovação tecnológica não seja usada como cortina para a economia subterrânea.

Victor Santos, secretário de Segurança do Rio de Janeiro

Joel Paviotti no MyNews

As facções pelo Brasil, principalmente Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, dominam até 23 milhões de reais em todo o país. No último vídeo, Joel Paviotti explica como o crime organizado no Brasil evoluiu de ações violentas pontuais para um sistema sofisticado de infiltração econômica, política e social.

 

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