Obituário
Era conhecido por sua oratória clara e elegância no trato. Ele possuía o respeito tanto da esquerda quanto da centro-direita. Recentemente, ele presidia o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração). Ali, ele defendia uma agenda de sustentabilidade e governança
Morreu na noite deste domingo, em Brasília, o ex-ministro Raul Jungmann. Ele tinha 73 anos e enfrentava um câncer no pâncreas. Jungmann foi um dos políticos mais polivalentes do Brasil. Ele se destacou pela capacidade de diálogo entre campos opostos. Além disso, assumiu pastas sensíveis em momentos de ruptura institucional.
Pernambucano do Recife, Jungmann iniciou sua militância no antigo PCB. Essa origem moldou seu perfil de articulador habilidoso. Em primeiro lugar, sua atuação no governo FHC marcou a política fundiária. Como ministro do Desenvolvimento Agrário, ele acelerou a reforma agrária. Ele estabeleceu canais de comunicação com movimentos do campo e modernizou o setor.
Posteriormente, no governo Temer, Jungmann assumiu papéis centrais na gestão de crises:
Ministério da Defesa (2016–2018): Jungmann ocupou a pasta em um momento de alta tensão política. Ele atuou como um “civil entre generais”. Seu principal objetivo era estabilizar a relação entre as Forças Armadas e o Executivo. Ele garantiu a preservação da hierarquia e o respeito à Constituição.
Caso Marielle Franco: Durante sua gestão na Defesa, ocorreu o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018. Jungmann teve um papel decisivo ao denunciar publicamente que “o crime organizado havia infiltrado as instituições do Rio”. Além disso, ele determinou que a Polícia Federal entrasse no caso para investigar uma rede de obstrução da justiça. Suas declarações na época foram fundamentais para elevar o crime ao patamar de prioridade nacional. Veja no video abaixo sua participação no programa Segunda Chamada do Canal MyNews onde falou sobre o caso.
Ministério da Segurança Pública (2018): Ele se tornou o primeiro titular desta pasta. Naquele ano, ele coordenou a complexa intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.
Por fim, é preciso destacar seu estilo pessoal. Jungmann era conhecido por sua oratória clara e elegância no trato. Ele possuía o respeito tanto da esquerda quanto da centro-direita. Recentemente, ele presidia o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração). Ali, ele defendia uma agenda de sustentabilidade e governança.
Sua morte silencia uma voz que entendia a segurança e a defesa como políticas de Estado. O Brasil perde um de seus últimos grandes articuladores institucionais.