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Com a relatoria transferida para André Mendonça, Brasília se pergunta se as 200 páginas de relatórios da PF guardam denúncias contra outros políticos e magistrados
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Na verdade, o termo “renúncia” serve apenas como eufemismo. A Polícia Federal citou o nome do ministro em relatórios explosivos e, por isso, ele sofreu forte pressão para abandonar o processo. O episódio gerou um mal-estar profundo no STF e abalou as estruturas de Brasília.
Inicialmente, o ministro resistiu durante uma reunião de três horas. Ele argumentou que não se sentia suspeito. Contudo, ele cedeu após a revelação de sua sociedade em uma empresa. Essa companhia realizou transações financeiras com o grupo do banco até o início de 2025.
Toffoli renuncia à relatoria do caso Master, aceita “por unanimidade”
André Mendonça assume relatoria do caso Master no STF após saída de Toffoli
Em seguida, a Corte formalizou a saída do ministro por unanimidade. O tribunal publicou uma nota oficial para preservar sua imagem. Nesse documento, o STF evitou declarar a suspeição de Toffoli, mas aceitou a sua renúncia. Apesar disso, analistas consideram a conduta do ministro anômala desde dezembro. Naquela época, Toffoli avocou o processo e tentou centralizar todas as provas. Agora, o sorteio definiu o ministro André Mendonça como novo relator. Ele assume um processo com centenas de páginas sobre uma teia de influência que atinge diversos políticos.
Diante desse cenário, surge a dúvida: o relatório da Polícia Federal traz outras denúncias? O escândalo limita-se a Toffoli? Analistas políticos concordam que o tribunal buscou um acordo para conter danos à sua imagem. Entretanto, resta saber se apenas o caso Toffoli mancha a reputação da Corte.
Além disso, informações de bastidores indicam que a PF apreendeu o celular de um envolvido. O aparelho contém menções a outros parlamentares e figuras públicas. Portanto, o alcance do banco no poder pode ser muito mais vasto do que o revelado até agora.
Atualmente, o clima em Brasília permanece tenso. Tanto o governo quanto a oposição tentam se distanciar do tema para evitar contaminações. Paralelamente, o Congresso resiste à abertura de uma CPMI. Os parlamentares temem que a investigação exponha conexões partidárias e contratos vultosos. Tais contratos envolveriam desde ex-ministros até familiares de magistrados. Por fim, a nova relatoria traz um alívio temporário ao Judiciário. Todavia, a sociedade exige transparência total, o que deve manter o “Escândalo Master” no centro do debate.