Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Sistema Financeiro
A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje a segunda fase da Operação Compliance. O foco da ação é desarticular fraudes bilionárias no Sistema Financeiro Nacional
A deputada federal Adriana Ventura (NOVO-SP) subiu o tom contra a cúpula da Câmara nesta quarta-feira (14). Durante o programa Café do MyNews, a parlamentar afirmou categoricamente que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), resiste à criação da CPI do Banco Master. Segundo ela, Motta “não quer a investigação” por falta de coragem política e para proteger interesses de líderes partidários.
A deputada acredita que o escândalo possui dimensões sistêmicas. “Dizem inclusive que a República cai. Há ministros, presidentes e muitos parlamentares envolvidos, além do enorme poderio financeiro”, alertou.
Enquanto isso, o cenário jurídico se agrava. A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje a segunda fase da Operação Compliance. O foco da ação é desarticular fraudes bilionárias no Sistema Financeiro Nacional.
Nesse contexto, confira os principais pontos da operação:
Decisão Judicial: O ministro Dias Toffoli, do STF, autorizou o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões.
Alvos Diretos: A PF mirou o banqueiro Daniel Vorcaro, seus familiares e investidores como Nelson Tanure.
Ação Policial: Agentes cumpriram 42 mandados de busca e apreensão. Eles apreenderam carros de luxo, joias e armas em cinco estados brasileiros.
O Esquema: Os investigadores apontam que o banco emitia títulos (CDBs) sem lastro com rendimentos irreais. O objetivo era atrair dinheiro de fundos de pensão municipais.
Apesar da gravidade dos fatos, Adriana Ventura demonstra pessimismo com o avanço do caso na Câmara. Ela já assinou os pedidos de CPI e de CPMI, mas aponta um bloqueio institucional deliberado.
Segundo a parlamentar, Hugo Motta mantém a estratégia de Arthur Lira. Ele paralisa as comissões de inquérito para evitar que as investigações atinjam aliados poderosos. “Eles não têm coragem de avançar porque têm o rabo preso”, disparou.
Por esse motivo, a deputada deposita suas esperanças no Senado Federal. Ela avalia que a instalação da investigação depende agora do “republicanismo” do senador Davi Alcolumbre.
Em resumo, Ventura afirma que o caso do Banco Master não é um crime isolado. Para ela, a rede de influência alcança o alto escalão dos três poderes. Consequentemente, a transparência total poderia desestabilizar as atuais estruturas políticas do país. Ela concluiu reforçando que manterá a pressão popular, pois “o Brasil precisa ser passado a limpo”.
A deputada Adriana Ventura participou do programa Café do MyNews nesta quarta-feira onde falou também sobre a farra das emendas parlamentares, veja a íntegra do video abaixo.