Banco Master
O Banco de Brasília (BRB) está à beira de um abismo financeiro e a conta deve cair no bolso do cidadão, diz Ricardo Cappelli
O Banco de Brasília (BRB) está à beira de um abismo financeiro e a conta deve cair no bolso do cidadão. Ricardo Cappelli, ex-secretário executivo do Ministério da Justiça e pré-candidato ao governo do DF, explica que a instituição enfrenta um risco real de insolvência. Segundo ele, o banco público se envolveu em uma operação nebulosa com o Banco Master que agora ameaça os cofres do Distrito Federal. Cappelli já denunciava esses riscos muito antes de o escândalo virar alvo de investigações oficiais, apontando o que chama de “uma das maiores fraudes do sistema financeiro nacional”.
A crise começou com a compra em massa de “papéis podres”. Sob a gestão atual, o BRB adquiriu R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, apesar de especialistas avaliarem esses mesmos papéis em apenas R$ 3 bilhões. Consequentemente, essa manobra gerou um rombo inicial de R$ 9 bilhões. Atualmente, a Polícia Federal já confirma um prejuízo consolidado de, no mínimo, R$ 4 bilhões. Cappelli afirma que a operação não possui lógica econômica, pois o BRB é um banco de desenvolvimento regional e não teria estrutura para absorver uma instituição de varejo em crise de liquidez.
Além disso, o Banco Master já emitia sinais claros de insolvência antes do negócio. A instituição oferecia rendimentos de 140% do CDI, uma taxa muito acima do mercado para tentar captar recursos desesperadamente. No entanto, o BRB ignorou esses alertas e seguiu com a transação. Para Cappelli, o banco público agora está “virtualmente quebrado”. Como a instituição não possui capital próprio para cobrir o prejuízo de R$ 4 bilhões, a solvência do banco depende agora de uma intervenção financeira externa ou governamental.
O cenário piora quando analisamos o impacto nos serviços públicos, diz Cappelli. Como o Governo do Distrito Federal não tem bilhões em caixa, a única saída provável seria o uso do Fundo Constitucional. Portanto, o dinheiro que deveria financiar a segurança, a saúde e a educação seria desviado para salvar o banco. Cappelli destaca que a saúde pública do DF já vive um colapso e a retirada desses recursos agravaria severamente o atendimento à população. “O povo vai pagar a conta da fraude com a falta de hospitais e policiais nas ruas”, alerta o pré-candidato.
Paralelamente, as investigações sugerem que o esquema vai além da má gestão financeira. Existem indícios fortes de lavagem de dinheiro e conexões com o crime organizado, ligando o caso à operação “Carbono Oculto”. Estima-se que o controlador do Banco Master gastou R$ 500 milhões em consultorias e bancas de advocacia para construir uma rede de proteção política. Esse esquema também teria atingido fundos de pensão de servidores públicos, que compraram ativos sem valor, colocando em risco a aposentadoria de milhares de trabalhadores brasilienses.
Por fim, Cappelli aponta que uma transação dessa magnitude jamais ocorreria sem a autorização da alta cúpula. Ele responsabiliza diretamente o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o governador Ibaneis Rocha. Enquanto o governo fala em “apertar o cinto” e cortar gastos, Cappelli argumenta que essas medidas apenas preparam o terreno para cobrir o rombo bilionário. A fusão é retratada, em última análise, como uma fraude arquitetada para salvar o Banco Master às custas do patrimônio público de Brasília.