Flávio Bolsonaro foi às redes neste final de semana pregar a união da direita, preocupado com o racha exposto na direita ! Foto: Evandro Éboli/MyNews
Eleições
Enquanto Nikolas Ferreira aposta em caminhada e Carlos Bolsonaro gera atritos no PL, falta de estratégia afasta aliados e fortalece adversários
Atualmente, a direita enfrenta sérias crises de liderança e impasses estratégicos. No entanto, figuras proeminentes do bolsonarismo priorizam ações midiáticas em vez de soluções políticas. Por exemplo, o deputado Nikolas Ferreira lidera uma caminhada de 200 quilômetros de Paracatu a Brasília. Embora analistas descrevam o ato como uma “papagaiada”, a chegada está prevista para o dia 25. Além disso, o vereador Carlos Bolsonaro visitou o evento apenas para registros nas redes sociais. Ele abraçou Nikolas, mas não acompanhou o trajeto, o que evidencia o foco na produção de conteúdo digital enquanto problemas reais ocorrem nos bastidores.
Para além das aparições públicas, Carlos Bolsonaro provoca desorganização em redutos eleitorais cruciais. Especificamente em Santa Catarina, berço do bolsonarismo, o filho do ex-presidente gerou discórdia dentro do PL. Ele movimenta-se para disputar uma vaga ao Senado, todavia, essa articulação desestabilizou lideranças locais importantes. Consequentemente, nomes como a deputada Caroline De Toni e o senador Esperidião Amin entraram em conflito interno. Dessa forma, a atuação dos filhos de Bolsonaro cria problemas para a própria legenda em um cenário onde a reeleição de aliados parecia garantida.
Essas movimentações reforçam a percepção de uma direita que “bate cabeça” e carece de unidade. Ademais, os filhos de Bolsonaro criam “arapucas” políticas que afastam aliados estratégicos, como o governador Tarcísio de Freitas. Simultaneamente, eles desarticulam bases partidárias sólidas no Sul do país. Portanto, o foco em eventos performáticos, como a caminhada de Nikolas, expõe a dificuldade do grupo em coordenar uma oposição efetiva. Aparentemente, a busca por engajamento imediato supera a necessidade de construção partidária.
Por fim, esse cenário de desordem interna contrasta com as articulações dos adversários. Enquanto a direita consome energia em disputas intestinas, os opositores aproveitam o momento para fortalecer palanques regionais. Eles visam, sobretudo, as eleições futuras com maior organização. Em contrapartida, o grupo bolsonarista perde tempo precioso. Assim, a falta de coesão estratégica facilita o avanço dos rivais, que observam a fragmentação da oposição com evidente vantagem política.