Daniella Marques. Foto: Agência Brasil
Fala de assessora sobre limite para benefício força candidato a gravar vídeos e alterar estratégia na TV a poucos dias do segundo turno
A poucos dias do segundo turno, uma declaração da assessora Daniella Marques gerou forte desgaste para Flávio Bolsonaro (PL). Em análise no Café do MyNews, os jornalistas Mara Luquet e Evandro Éboli discutiram o impacto do episódio. A crise começou quando Daniela defendeu na rádio CBN Bahia um prazo de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguirem emprego. Além disso, ela afirmou que as pessoas não podem viver a vida inteira dependendo do auxílio.
Para os apresentadores, o tom e o momento escolhido por Daniela para tratar da “porta de saída” do programa social revelam um problema grave de comunicação e um desconhecimento sobre a realidade das políticas públicas e das populações mais vulneráveis. A declaração foi explorada pelo PT e interpretada por grande parte do eleitorado como uma ameaça de corte de benefícios, afetando a percepção não apenas dos recebedores diretos, mas de toda a economia local que gira em torno da renda gerada pelo programa social.
Para estancar os danos na reta final, a equipe de Flávio Bolsonaro reagiu rápido. Primeiramente, o candidato gravou vídeos explicativos e apagou postagens antigas com críticas ao programa. Em seguida, ele usou o horário eleitoral na TV para negar cortes e prometer a ampliação do benefício.
Durante o programa, Luquet e Éboli compararam o caso a erros históricos em eleições anteriores. Por exemplo, eles citaram as falas de Celso Russomanno sobre o bilhete único e de Paulo Guedes sobre aposentadorias. Além disso, os jornalistas destacaram que o episódio criou atritos internos com políticos experientes, como Rogério Marinho e Valdemar da Costa Neto.
Apesar das tentativas de esclarecimento, os jornalistas avaliaram que o estrago exigirá enorme energia da campanha. Atualmente, a fala virou munição constante nas inserções eleitorais de Lula. Dessa forma, o tema assumiu o centro dos debates na reta final da disputa.
Por outro lado, Mara e Evandro lembraram que o governo Lula também usou a máquina pública a seu favor. Recentemente, a gestão aprovou em tempo recorde um reajuste de 15,04% no Bolsa Família antes do primeiro turno. Em suma, a eleição segue acirrada e marcada pela disputa política em torno dos programas sociais.