Foto: arte MyNews
Eleições
O perigo real não é a ferramenta, mas a integridade da informação. O eleitor precisa de uma nova educação digital. Questionar a origem do conteúdo tornou-se um ato de resistência
A inteligência artificial generativa vai destruir a democracia? Para o cientista e economista Chico Saboya, a resposta desafia o pessimismo imediato. De fato, a IA cria conteúdos sintéticos sem precedentes. No entanto, seu impacto pode ser menos caótico do que o esperado. O equilíbrio da democracia na era da Inteligência Artificial foi tema do programa Café do MyNews, veja a íntegra no vídeo abaixo.
Anteriormente, no Brexit e na eleição de Trump, grupos restritos monopolizavam as tecnologias de perfilamento. Hoje, as ferramentas são universais. O campo de batalha está nivelado. Portanto, o elemento surpresa que antes favorecia apenas um lado perdeu sua força. Agora, todos os espectros políticos operam com as mesmas armas tecnológicas.
O perigo real não é a ferramenta, mas a integridade da informação. A IA sofisticada apaga a fronteira entre o humano e o artificial. Por isso, o eleitor precisa de uma nova educação digital. Questionar a origem do conteúdo tornou-se um ato de resistência.
As plataformas digitais priorizam o lucro e a atenção, não a verdade. Elas ignoram a veracidade e amplificam o duvidoso. Consequentemente, vivemos sob uma dúvida permanente sobre o que é real.
Existe uma falha estrutural evidente. De um lado, atores maliciosos operam com velocidade “delinquente” e domínio técnico. Do outro, o Estado move-se com lentidão institucional. O Poder Legislativo ainda habita um mundo analógico. Nesse sentido, falta qualidade técnica e moral no Congresso para regular a tecnologia em tempo hábil.
Diante dessa inércia, o equilíbrio recai sobre o Judiciário. O TSE e o STF assumem o papel de “freio de arrumação”. Assim, o sistema busca uma compensação natural: quando o Legislativo falha, o Judiciário preenche o vácuo. É a última barreira para garantir que as regras do jogo sejam minimamente respeitadas.
O futuro das eleições depende de nós. Precisamos vencer a “preguiça mental” que a tecnologia induz. Saboya reforça que devemos usar a IA para expandir o conhecimento, e não para substituir o pensamento crítico. Quem não se mantém à frente da máquina acaba manipulado por ela.
Curtiu esse conteúdo? Tem muito mais esperando por você: entrevistas completas, livros eletrônicos e livros exclusivos para membros, a partir de R$ 7,99/mês.
Clique aqui e seja membro do MyNews — ser inscrito é bom, mas ser membro é exclusivo!