Brasil não anda para trás, mas está ficando para trás, alerta Fábio Barbosa Economia

Brasil não anda para trás, mas está ficando para trás, alerta Fábio Barbosa

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O país gasta energia preciosa em debates ideológicos e negligencia as reformas estruturais que o século XXI exige.

O diagnóstico é claro e desconfortável: o Brasil não vive um retrocesso absoluto, mas sofre de uma paralisia relativa. O país não está “andando para trás” no sentido de destruir tudo o que já construiu. No entanto, o cenário atual indica que o Brasil está ficando para trás. Enquanto as economias globais aceleram em direção à produtividade e à inovação, nós caminhamos em um ritmo letárgetico. Por isso, a distância entre o nosso potencial e a realidade das nações líderes aumenta a cada dia.

Quem faz esse alerta contundente é Fábio Barbosa. Ex-banqueiro, atual presidente do conselho da Natura e conselheiro de diversas grandes empresas, ele é um profundo conhecedor da economia e do mercado financeiro. Barbosa utiliza sua experiência de décadas no topo do capitalismo brasileiro para mostrar que o otimismo sem execução é apenas uma ilusão. Ele defende que o país precisa, urgentemente, trocar o discurso pela prática para não perder o último bonde da história.

A análise dele reforça que o mundo mudou as regras do jogo e exige agilidade. Hoje, o valor de uma nação reside na sua capacidade de integrar tecnologia, educação e sustentabilidade de forma indissociável. O Brasil possui “bilhetes premiados” nas mãos, como a matriz energética mais limpa do planeta e a vasta biodiversidade amazônica. Contudo, o país falha gravemente ao não transformar esses ativos em uma estratégia de Estado sólida e competitiva. Nesse cenário, aceitamos um crescimento pífio como se fosse vitória, enquanto competidores diretos redesenham suas infraestruturas para a bioeconomia.

Por fim, Barbosa foca na nossa crise de governança e na urgência de um choque de profissionalismo. A falta de visão de longo prazo e a complacência com resultados medianos travam o progresso nacional de forma silenciosa. O país gasta energia preciosa em debates ideológicos e negligencia as reformas estruturais que o século XXI exige. Portanto, “ficar para trás” é o resultado de uma escolha pela mediocridade. Se o Brasil não assumir o protagonismo na nova economia verde com ética e execução, ele se tornará um coadjuvante irrelevante no tabuleiro das grandes decisões globais.

 

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