Foto: SBT News
DEBATE PRESIDENCIAL
Análise sobre como as táticas no debate da Band e a proximidade nas pesquisas pressionam os bastidores das duas candidaturas no segundo turno
A menos de uma semana do segundo turno, durante o Café do MyNews, os jornalistas Mara Luquet e Evandro Éboli analisaram os novos contornos de tensão na disputa presidencial após o primeiro debate na BAND. Além disso, as pesquisas recentes apontam empate técnico absoluto entre os candidatos. Por isso, a eficiência e os riscos das estratégias de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viraram o centro das atenções.
Segundo as análises do programa, a presença de Pablo Marçal divide opiniões no QG de Flávio Bolsonaro. Durante o debate, Flávio usou ironias e evitou respostas diretas. Dessa forma, ele transportou a estética de Marçal para a televisão.
Essa postura de deboche engaja a militância nas redes sociais. Contudo, Mara Luquet e Evandro Éboli destacam que a tática gera profunda apreensão na ala pragmática da campanha. Aliados como Rogério Marinho e Valdemar Costa Neto criticam essa aproximação. Para esses articuladores, a agressividade afasta o eleitor moderado e o indeciso.
Portanto, os jornalistas ressaltam que grupos focais indicam que o eleitor neutro rejeita o tom provocativo. Assim, a ala experiente do PL defende um tom mais institucional. Caso contrário, Flávio pode repetir o fracasso de Marçal na eleição de São Paulo.
No lado governista, os comentaristas apontam que a estratégia do PT enfrenta grandes entraves emocionais. Embora os números das pesquisas animem a militância, o desempenho de Lula expôs falhas graves. Por causa das provocações sobre temas pessoais, o presidente demonstrou irritação. Em seguida, ele perdeu o foco em pautas centrais, como a pandemia e a segurança.
Além disso, Éboli e Luquet avaliaram como o debate reacendeu discussões sobre a dependência da imagem de Lula. O PT evitou projetar novos quadros para o cenário nacional. Um exemplo disso foi a ida do ex-ministro Flávio Dino para o STF. Desse modo, o campo progressista ficou sem opções imediatas para embates duros. Para completar, atritos na plateia envolvendo aliados e a primeira-dama Janja criaram desgastes desnecessários.
Portanto, a expectativa destacada pelos jornalistas é de forte pressão por mudanças de postura nos bastidores. No lado bolsonarista, caciques políticos exigem um freio nas provocações digitais. Em vez disso, eles querem acenos ao centro e à pauta econômica. Por outro lado, a equipe petista precisa intensificar o treino de bancada. Assim, Lula poderá evitar reagir aos ataques pessoais durante o próximo confronto.
Em suma, a eleição será decidida voto a voto. Por esse motivo, os candidatos precisam manter o apoio da base sem assustar o eleitorado moderado.