O pesquisador Ricardo Galvão, presidente do CNPq, é o natural suplente, mas Sônia Guajajara pode voltar ao mandato | Foto: Reprodução
8 de janeiro
Negacionismo no Congresso Nacional não é fruto de ignorância, ele serve a poderosos lobbies econômicos
O maior negacionista capaz de influenciar as eleições brasileiras é Donald Trump. Este alerta parte de Ricardo Galvão, a primeira vítima pública do negacionismo no governo Bolsonaro. Em 2019, o então presidente o acusou de traição por apenas divulgar dados reais do INPE sobre o desmatamento. Hoje, como deputado, Galvão reforça que o eleitor pode escolher a esquerda, o centro ou a direita. Contudo, ele enfatiza que ninguém deve votar em candidatos negacionistas. Para o físico, esse perfil político representa um perigo real à saúde, ao desenvolvimento e à sobrevivência da democracia.
Essa postura firme surge porque o negacionismo no Congresso Nacional não é fruto de ignorância. Pelo contrário, Galvão denuncia que essa prática atende a poderosos lobbies econômicos, veja a íntegra da entrevista no vídeo abaixo. O parlamentar relata que ficou chocado ao ver um parlamentar negar publicamente que refrigerantes prejudicam a saúde. Ele explica que essa negação de fatos científicos comprovados serve apenas para proteger lucros industriais.
Além disso, o deputado manifesta profunda preocupação com a persistência de discursos antidemocráticos. Ele confessa que sente susto com a agressividade da extrema direita durante as sessões plenárias. Por isso, Galvão defende o uso do conhecimento técnico como um escudo institucional. Ele acredita que o raciocínio lógico deve guiar as decisões políticas para evitar novos ataques contra a República. Nesse sentido, a ciência funciona como uma barreira essencial contra o extremismo que alimentou os atos de 8 de janeiro.
Para combater esse cenário, o mandato do professor foca em projetos que valorizam a inteligência nacional. Ele luta para aprovar uma lei que isenta de impostos os prêmios recebidos por cientistas. Galvão cita o caso da pesquisadora Mariângela Hungria como um exemplo de injustiça. O fisco reteve 27,5% de um prêmio internacional que ela recebeu, mesmo após ela doar o valor para incentivar mulheres na ciência. O deputado argumenta que essa isenção tem um custo baixo para o governo, mas carrega um simbolismo vital de respeito aos pesquisadores.
Por fim, o parlamentar expressa indignação com as prioridades orçamentárias do atual Legislativo. Enquanto as emendas parlamentares chegam a 61 bilhões de reais, órgãos como o CNPq e a CAPES enfrentam cortes drásticos. Galvão condena a falta de transparência nessas votações, que ocorrem frequentemente de forma apressada. Ele conclui que a sociedade deve eleger representantes comprometidos com a verdade factual. Sem esse compromisso, o Brasil continuará vulnerável a retrocessos políticos e aos efeitos devastadores da crise climática.