Tarcísio, o jogo que ninguém sabe como termina Totem de Tarcísio de Freitas sendo desmontando, em exposição do Republicanos, na Câmara | Foto: Evandro Éboli Eleições

Tarcísio, o jogo que ninguém sabe como termina

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Até os bolsonaristas mais “raiz”, aqueles que vivem colados na internet, parecem preferir Tarcísio a Flávio. 

Todo mundo está falando a mesma coisa esses dias: será que Tarcísio sai do governo de São Paulo pra tentar a presidência? Pois é, o próprio governador já respondeu. Foi lá, visitou Bolsonaro, deu uma entrevista e foi bem claro: não vai, tá bom? Ainda mandou um recado: vai apoiar a chapa do PL, com Flávio Bolsonaro na frente. Mas sabe como é, né? O que a gente fala pra câmera não é sempre o que rola nos bastidores.

A briga interna do PL

O PL não está satisfeito não. Quer Tarcísio como palanque? Quer, mas quer mais. Muito mais. Por isso começou a apertar o PSD, que é o principal aliado de Tarcísio no governo. É um movimento arriscado demais, que cheira a desespero de longe. Porque, olha, o PL tem problema bem maior pra resolver dentro de casa.

A família Bolsonaro tá uma bagunça mesmo. Michelle e os filhos não estão se falando direito. Depois que Bolsonaro anunciou a candidatura de Flávio por carta, Michelle sumiu. Tipo, desapareceu mesmo. Ela fez umas viagens pelo país, mas aí pediu afastamento médico. Agora a agenda dela é só “reuniões internas”. Sabe aquele tipo de reunião que ninguém sabe muito bem o que é? E o que se escuta por aí? Que pode ter rompimento mesmo entre Michelle e os filhos. Tudo porque Michelle deixou bem claro, lá em janeiro, que prefere Tarcísio. Repostou uma fala do governador em tom eleitoral e pronto: virou polêmica dentro do partido.

Enquanto isso, até os bolsonaristas mais “raiz”, aqueles que vivem colados na internet, parecem preferir Tarcísio a Flávio.

O xadrez de Kassab.

Em São Paulo, o PL tem a maior bancada. Mas o PSD tem algo que vale muito mais: prefeitos. São prefeitos do PSD contra do PL e do Republicanos. Ou seja, o PSD controla as ruas mesmo. Gilberto Kassab, presidente do PSD, é o mestre do jogo. Ele quer manter a vice na chapa de Tarcísio, e já deixou isso bem claro ao dizer que seria uma “honra” ser vice.

Sabe aquele tipo de frase que parece simples mas está cheia de significado? Era essa mesmo. Kassab está em uma posição boa demais. Se Tarcísio sair pra presidência, ele teria seis governadores como moeda de troca pra se lançar ao governo de São Paulo. Com a maioria das prefeituras do estado e o apoio de um governador com alta aprovação ele ganha fácil. Mas se Tarcísio ficar e o PSD lançar seu próprio candidato à presidência, aí sim o PSD chega no segundo turno com o peso de ouro. Pode decidir a eleição inteira. Mas isso eu deixo para a próxima coluna.