Um Arrigo Barnabé como você nunca ouviu

Um Arrigo Barnabé como você nunca ouviu

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O álbum sobre o qual trataremos hoje, certamente, surpreenderá os admiradores do compositor, cantor e pianista curitibano Arrigo Barnabé, mesmo aqueles que o acompanham desde o início.

Sim, porque ao ouvir Chiaroscuro – Waltzes by Arrigo Barnabé (ADS), talvez venha à mente o mesmo estranhamento de quando ouviram suas composições pela primeira vez: músicas absolutamente diferenciadas das de outros grandes compositores da época, melodias inusuais, gêneros musicais escassamente estudados e pleno de soluções harmônicas absurdamente imprevisíveis. Enfim, um criador incomparável em sua criatividade.

Quem se propôs a essa tarefa foi o pianista Paulo Braga. Além de músico, Braga é compositor e educador, com sólida formação na música instrumental brasileira. Formado em piano pelo Conservatório de Tatuí, foi professor da UNICAMP e atuou como coordenador artístico e pedagógico da EMESP Tom Jobim. Sua parceria artística com Arrigo Barnabé teve início em 1988 e se estende por diversos formatos de grupos, óperas e trilhas de cinema.

Foi através de nove valsas compostas entre os anos 1970 e 2010 que Paulo Braga idealizou Chiaroscuro. Claro que vocês, admiradores de Arrigo, conhecem a concepção de cada uma delas. Mas talvez não conheçam, ainda, as peças para as quais Paulo Braga descortinou vida própria, para além de sua originalidade, renovando-as em improvisações que clamam por respirar os mesmos ares sob os quais Arrigo os concebeu.

Ouso mesmo dizer que Braga fez-se parceiro de Arrigo, tamanha a dimensão libertária dada às valsas pelo seu piano, inclusive aquelas que, originariamente, têm letras. Reconstruindo-as todas com interpretações, em que o experimentalismo vibra pelos seus dedos, resultando num imenso caleidoscópio – diria mesmo que se pode pegar o seu sabor universal e vanguardista com a mão.

Encantemo-nos todos com “Londrina”, composta por Arrigo em 1978, um de seus primeiros movimentos para dialogar com a tradição da canção brasileira; “Cidade Oculta” (AB, Eduardo Gudin e Roberto Riberti), feita para o filme homônimo de 1986, dirigido por Chico Botelho; “Luzes e Sombras”, composta para o longa Oriundi, de 2000, dirigido por Ricardo Bravo; e “Ano Bom”, (AB e Luiz Tatit).

E mais: “Sinhazinha em Chamas”“Luar”“Vai, Menina, Vai (Anita)”“Todo Coração” e “Lenda”, que contemplam uma pequena parte da trajetória produtiva de um compositor que se distingue pela ousadia delirante de buscar beleza no (des)compasso e na (des)estrutura da música, como forma de revolucioná-la. Virtude captada pela eloquência avassaladora do piano de Paulo Braga.

 

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

 

Ficha técnica: Produção artística e arranjos: Paulo Braga; produção musical: Gustavo Cândido; técnico de piano: Djalma Carvalho; capa: Fábrica, Roger Barnabé; gravação: Estúdio Monteverdi.

 

Ouça o álbum (free):

https://www.nativedsd.com/product/ads007-chiaroscuro/?attribute_pa_channel=2ch-stereo&attribute_pa_quality=dsd-64fs

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